Quando os homens precisam de uma palavra de equilíbrio, do olhar de solução de uma mulher maior, procuram Iemanjá e lhe pedem seus conselhos. Mas, e ela? Quando a maré sobe e suas ondas se atropelam em tempestades de sal, a quem pode recorrer? É longe da agitação superficial que se aponta o caminho para a cura. No fundo do mar há silêncio e é nessas águas barrentas, escuras e lentas, que vou me resolvendo. Para transmutar a sujeira escondida e solucionar os mistérios afogados a grande sábia toca e movimenta as mágoas paradas. Na sua terra-água os males diluídos ficam novamente visíveis, o frio esquecimento se transforma em sensibilidade e o que estava endurecido fica novamente maleável. Sua sabedoria ancestral é o caminho do meio. Não é bom sofrer afobado e nem morrer inerte. Nem só água, nem só terra. "Da lama nasce a flor de lótus." Devagar e sempre. Movimento consciente. Não peça a sua ajuda quem quer soluções rápidas, indolores e ilusórias. No passo da mais antiga, com a paciência da Criação, o real desfecho vem ao mundo. Me calo para observar sua ação oculta e para não ferir a ninguém com minhas correntezas. Enquanto eu cuido dos outros, Nanã cuida de mim.









