Em um dia qualquer, eu gostaria que soubesse como me sinto. Digo isso, pois ao que parece, adultos preferem ignorar seus sentimentos. Me pergunto com mais frequência do que imagina, o porque de tanto medo, conversas civilizadas esclarecem desentendimentos, principalmente quando não há resquícios de um. Acredito que quando aceitamos um compromisso, nos responsabilizamos para com aquele e independente de qualquer coisa, o mesmo deveria ser priorizado, mas a realidade é distante. Você por muito tempo foi meu alicerce, meu refúgio, alguém que costumava me energizar e que eu sempre fiz questão de reafirmar tal importância – quanto a isso, não tenho dúvidas. Mas cada um de nós tem prioridades, e eu entendi a sua, ainda que não concordasse. Hoje, talvez você seja a minha maior decepção e as entrelinhas que deixou em branco me maltrataram por muitos dias. Talvez não estejamos imunes a repetir os mesmos erros que cometeram conosco, com os outros, mas ainda penso que viemos e estamos para evoluir através dessa jornada. Recordo de me causarem esse sentimento, duas grandes vezes e digo "grandes vezes", porque foram duas Grandes pessoas, e tinham talvez até o mesmo papel na minha vida, mas cada uma de uma maneira, arrisco dizer que se completavam. O que uma não conseguia fazer, a outra supria, e assim, eu tive lá minhas altas expectativas brevemente realizadas. Torço para que o ciclo desse sentimento seja rompido, pois uma dor repetida muitas vezes vira mágoa e a mágoa ressoa em qualquer ser. Desejo que cure a sua dor, assim como curo todos os dias a minha, acredito que com o tempo vamos ficando bons nisso. A cura não bate na nossa porta só uma vez, é um processo gradual, passinho por passinho. Curo a mim, por todas as gerações, pelo que vocês me causaram, mas não posso salva-las. Lhe mostraria o caminho se me permitisse, mas nosso laço enfraqueceu, há algo tão vago entre nós que mal posso ser eu mesma. Os sorrisos não são tão sinceros, o abraço não é mais apertado, a mensagem não é mais enviada. Um abismo se estabeleceu e você soltou a minha mão – como a outra fez.