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O CURUPIRA
MESTRE ÁLVARO (ES) – 2021 https://www.instagram.com/p/CVrKHn3j8LV/?igshid=MDJmNzVkMjY=
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Dia atípico Céu azul de início Nublado às metades Chuvoso e condensado Sabor de caldo e canjica. https://www.instagram.com/p/CNGW9dEjZs7/?igshid=MDJmNzVkMjY=
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“Sou hibrido escritor, poesia tachem-me até de artista. Desejo verdadeiramente que cada linha no papel escrito expresse um pouco de vida.”
—
universo periférico
“o meu desejo é ser encontro na perdição dos teus lábios na imersão em teus olhos meu peito comprime e sufoca sufoca… o diafragma contrai até o limite eu explodo desejo e o ciclo reinicia: eu perdido, asmático e sem minha bombinha.”
— universo-periferico
bueiros e flores
o mundo se resume a isso basicamente pra todo lugar que você for, ele vai estar lá, flor. é igual no mundo inteiro: bueiro; porque no fim de tudo, o mundo é só isso uma conexão gigantesca de bueiros de gente poetas, boêmios, marginais marginalizados, à margem, flor. proletariado embaixo, e em cima: a mão com o chicote te jogando no ralo toda vez que você anseia vida, flor.
“o céu é algo o qual invejo nunca é igual, mas é sempre o mesmo todo dia uma nova nuance, todo dia uma nova surpresa, nenhum padrão único mas todo dia uma beleza, o mesmo visto de diversos lugares, vários olhares grotescos, pois quando a noite cai o mundo grita de desejo para que logo amanheça, e o céu venha trazer beleza pra essa gente “besta e feliz”, que quando olha pro céu, sorri.”
— universo-periferico
o espaço é o passo
entre o meu lábio, e o teu céu. entre a sua língua morna com sabor de estrelas, perdidas no seu universo particular de partículas descompassadas e vibrantes
o meu espaço é o passo da solidão, e minha perdição é ser astronauta na sua nave espacial, navegar um milhão de anos luz e nunca me sentir fadigado visitar o passado e futuro e seguir devagarzinho, nesse passo que nos conduz.
a cor contida nos teus olhos
O céu que hoje é cinza, ontem foi cor de mar. Nesse mundo subaquático anseio naufragar em teu peito, e fazer de ti meu cais. Afogar meus medos e partir, sem farol pra ser guiado, somente seguindo o cheiro da sua alma. Fora de órbita. A galáxia mais próxima fica na sua retina, um oceano de supernovas imersas no caótico e elétrico espaço do crânio, feito borboletas em acasalamento. O mar são teus olhos, um buraco negro que sempre me devora e transporta pro universo aquático do teu ser. Sua pupila é sempre mar aberto e a íris maré.
a criação da dor
a dor nunca foi bonita, nem colorida, muito menos sortida. a dor é vária.
um dia parei e pensei somente na dor cansado de ter como amigo, resolvi adotar e da dor latente, fez-se arco íris e a melancolia preencheu o céu cinza e o silêncio transformou-se na nona sinfonia mesmo não sendo o maior fã de música clássica, eu sorri e chorei com a minha alma o peso bonito que a dor me causava e ao passo que doía, eu sorria e chorava, fora e dentro.
a dor nunca será boa, mas a perspectiva é o relevante pode ser dolorida e sufocante, arder ou sangrar mas em todos casos exacerbados e intensos onde a alma grita, minha morfina é poesia.
“abalado fisicamente. sistemicamente falando, deu erro 404. eu adoro a minha sinfonia solitária e bandida. sacana e erudita. mas quando você volta esbarrando na vitrola e atrapalhando a minha canção eu sinto aquela agoniante sensação de ter meu vinil sendo arranhado. fodendo minha agulha. fodendo o disco. me fodendo a sanidade. a música nunca pode parar, mas no momento o silêncio impera. o nosso planeta deve sempre girar, mas por trinta segundos prevalece estacado no espaço. o selo foi rompido, mas não interrompido. tudo fica parecendo um disco arranhado repetindo a sua volta e o momento exato em que você passa, e no fim das contas você acaba não saindo daqui totalmente de fato.”
— universo-periferico
aquarela poética
um milhão de cores e seus borrões espaçados pelo silêncio divididos pelo tempo poesia é aquarela na linha levou a dor num dia cinza.
corrompe a alma
e atinge feito bala solidão é… ausência de palavra! algumas vezes guardamos tanta coisa dor e saudade no peito, então o corpo clama a lágrima engolida, os gestos não expressos sujeitos, efeitos e objetivos não atingidos, tudo junto amargurando a vida num rebuliço de bile e suco de manga eu trouxe a tona o movimento das palavras que de tanto guardadas precisaram ser cuspidas pra fora de qualquer jeito e forma.
encontre-me todas as semanas na próxima estação cinco ou seis horas, antes ou depois do expediente mas exponha esse desejo inocente que expõe minhas falas ausentes chega de não dizeres a verdade que pulsa em ti me encontra sóbrio ou avançado só pra contar do teu dia eu fui e voltei com ressaca de amoras rasas e inatas.
não faz sentido, chega de dizer adeus, ou Deus ninguém escuta, mas alguém sempre fica na próxima esquina ou escadaria o lado azul da vida escolhe ficar.
“Com lápis e caderno na mão eu me desfaço, já não sou mais eu, me perco em pensamentos e sentimentos que nem minha própria mente e capaz de compreender, apenas o lápis me compreende, transmitindo fielmente meus quereres para a folha, pois essa é minha válvula de escape para tudo, só assim que me liberto desta prisão sufocante que é a vida. As vezes sinto-me como se eu fosse um pássaro preso em uma gaiola, mas que nem por isso deixa de cantar e mostrar como é bela sua voz, outras vezes sinto-me um pássaro que voa livre sem destino, nem tino. Escrever é algo constante, escrevo quando a felicidade em mim habita, ou quando a tristeza me abate, quando os sorrisos são evidentes em meu rosto, ou quando a saudade meu peito invade. Quando eu escrevo, eu sinto que posso dominar o mundo, sinto que posso viver melhor e respirar um ar puro sentindo apenas a leveza das palavras. Posso ser morte, ou vida, posso ser sóbrio, ou louco, posso ser tudo e mais um pouco, posso ser você, ou o mundo, basta apenas escrever para ludibriar minha mente, e tornar-me dono dos meus quereres.”
— Um lápis, um caderno e meus quereres.
gastronomia da alma
palavra é alimento mal passado na frigideira do pensamento refrigerado, requentado semanticamente alterado o pensamento muda a forma mas não troca o sabor.
poesia
fragmento de arte escrita cálida feito língua termostato da minha vida eternizada nas entrelinhas imortalizada em retinas torta, sinuosa, retilínea em verso ou prosa não importa.
dez. 11/2012.
“Pego meu lápis e dou início a transcrição da minha alma para a folha. Meus dedos doem. Sinto frio, mas não consigo parar de escrever para pegar um casaco, então me aqueço com as palavras, e continuo a descrever o que se passa dentro de mim, seja bom ou ruim. Escrever é minha cina. Algumas vezes incomodado pelos pensamentos nostálgicos dou pequenas pausas, mas nada que dure muito tempo, logo estou compondo minha sinfonia de sentimentos novamente, e dessa sinfonia o destino é maestro. Se tudo corre bem a sinfonia é vibrante e enérgica, mas se tudo está cambaleante ela torna-se melodramática e enfadonha. Convenhamos que nem sempre o destino rege tudo de bom modo, mas pense o quão fatigante séria se toda nossa sinfonia fosse constantemente igual, sem altos e baixos. Tudo que é repetitivo e incessante cansa, ter uma vida monótona cansa. A vida é uma sinfonia regida pelo destino, e você nunca saberá qual será a próxima nota, fiquei atento, pois quando a última nota for tocada será tarde demais abrir os ouvidos quando deveria mesmo é ter aberto os olhos.”
— universo periférico