Chego a rir e ver graça sabendo que desde os 9 ou 10 anos (não lembro mesmo, era pequena) eu frequento a Umbanda e em determinado momento dos meus 12/13 anos quiseram me colocar para fazer Catequese.
Lembro que eu dizia ser muito chato ter que acordar cedo aos finais de semana para ir a igreja do bairro - São João Clímaco, ler um livro com outras pessoas por umas 3 ou 4 horas e depois voltar para casa. Detestava fazer aquilo e sempre deixei muito claro a minha opinião, mas compreendo o fato de quererem me dar mais opções para que eu pudesse escolher.
Depois de acordar bem cedo por 2 finais de semana eu já tinha bem claro a minha opinião: NÃO GOSTO E NÃO QUERO FAZER CATEQUESE, É CHATO! - Opinião de uma jovem e pré-adolescente, acreditem, minha opinião hoje permanece a mesma.
Digamos que eu fazia as duas coisas ao mesmo tempo, frequentava um terreiro de Umbanda e fazia Catequese. Na minha cabeça de jovem pré-adolescente estava claro que: "Na Umbanda é o meu lugar" - não pra tanto, estou até hoje.
Uns dias antes da formatura da Catequese as irmãs e professoras colocaram uma pressão nos alunos dizendo que iríamos ter que falar em frente ao Padre, convidados de mais de 20 alunos e aos que estivessem presentes os 10 mandamentos. Quem - eu - surtou?
O ser já não gostava de estudar, mas agora precisaria decorar todos os 10 mandamentos, saber as rezas - que confundo até hoje, mas em grupo eu sei decorado, estar vestida de branco e parecer a puritana que amava estar fazendo catequese.
Fazia o curso com diversas meninas e quando falou em formatura e vestido, a única que estava pensando: "Droga, vestido não. É só uma formatura de catequese. Bora vir com a roupa normal que todos na igreja vão estar e está tudo bem" - eu mesma. Claro que não né minha filha, acabou que fiquei parecendo uma noiva e não me sentia nada a vontade.
Enfim, chegou o dia da catequese e o pânico era real. Os 10 mandamentos não estavam decorados, teríamos que ir ao encontro do padre na salinha para se confessar, além das rezas que eu não sabia decoradas. E pela salvação de Deus, Jesus ou quem você acreditar, como eram muitas turmas se formando, nós não precisamos fazer nada.
O que mais me afligiu foi pensar: "O que vou confessar?", "Será que vou ter que contar que comi uns bolinhos a mais?" ou "Conto que aos 2 anos derrubei meu cachorro da escada por medo do escuro?". Bom, o que confessei foi tão insignificantes que não me lembro o que falei para o Padre.
Hoje, depois de 15 anos, sigo com a Umbanda, frequentei 4 terreiros diferentes. Passei anos em cada um deles, 10 anos no Caboclo Pena Verde - como consulente/assistente (quem assiste ao culto), 3 anos no CEU (siglas do terreiro e que não me lembro a tradução) - 3 meses como consulente/assistente e o restante trabalhando, 1 ano no terreiro CUIDA - 2 meses como consulente/assistente e o restante trabalhando e estou a 1 ano (menos até por conta da pandemia) - como consulente/assistente.
E mesmo considerando a Catequese uma experiência não muito boa em minha vida, não tenho preconceitos nenhum quanto a religião. A minha experiência não determina como será ou foi a sua.
Respondendo à pergunta, Eu Sou Umbandista Praticante. E você, é praticante ou não? Qual religião segue? Fez Catequese? Como foi sua experiência? Conta pra mim.
Gordofobia: Quando descobri que sofria dentro de casa.
Na segunda, dia 03 de agosto de 2020, tinha acabado de acordar e me sentado na beirada da cama como qualquer outro dia, mas naquela manhã foi diferente.
De uns 2 anos pra cá venho acompanhando alguns perfis que relatam como a Gordofobia atinge diversas pessoas e de maneiras que, até então, eu desconhecia.
E antes que eu deixe escapar qualquer coisa errada, sigam os perfis de pessoas que me fizeram entender o quanto praticamos ações Gordofóbicas, sendo com nós mesmos ou os outros com a gente. (link do perfil em seus @)
Visto os conteúdos destes influencers, nesta segunda estava plena sentada na beirada da cama e ouvi algo como: "Por isso ela não consegue emprego, se ela fizesse uma cirurgia - bariátrica - iria ajudar muito em vários quesitos até na saúde". Na minha cabeça passou o seguinte: "Ué, ser gorda(o) é motivo para não arrumar emprego?". Parece que na cabeça delas sim.
Mas não acabou por aí, ainda ouvi algo do tipo: "Você já tentou conversar com ela? - No caso se dirigiam a minha pessoa - Ela não escuta. Já disse várias vezes para que faça a cirurgia". Já havia ouvido isso diversas vezes e em outros contextos também, mas nunca tinha pensando no quão Gordofóbico isso é. Passei aquela segunda pensando quantas vezes eu já havia sido atacada dentro de casa, pelos familiares - os próximos e os distantes.
Antes, há um 2 anos atrás, com a mentalidade que eu tinha e as pressões que eu mesma me colocava me sentiria um lixo, ao ouvir desta vez foi um pouco diferente - e não que seja normal ouvir, ver ou ler sobre isso - porque certamente eu iria arrumar motivos para discutir e me sentir pior ainda.
Porque estou trazendo esse relato pessoal? Para que você - pessoa não gorda - pense: quantas atitudes como essa já praticou em sua rotina? Para você - pessoa gorda - quantas vezes você passou por essa situação e nem se deu conta da pressão que colocaram em você?
Como assistindo nos vídeos destes influencers e de outras, o meu conselho é: acompanhe pessoas que fazem você entender quem você é. Que ser Gorda(o) não tem problema algum. Se você se sente bem, não está mal de saúde, porque se preocupar? Mas não deixe de apresentar os conteúdos para que estas pessoas entendam que as atitudes e ações refletem na vida delas.