Não podemos chamar de amor aquilo que nos adoece

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Não podemos chamar de amor aquilo que nos adoece
Escrevo sobre seguir em frente, sobre deixar ir. Mas sigo aqui, presa às ruínas do que me destruiu. Não me sinto uma sobrevivente, nem mesmo concordo com a minha escrita.
Meu reflexo não me encara. Ele desvia, como se tivesse vergonha de ser eu. Vejo no espelho um vidro rachado. Não sou eu. Nunca fui eu. Foi como se tivesse arrancado cada chama do meu peito e me deixado gelada, vazia, esperando que o frio me devorasse. Será que foi ele que tirou tudo isso de mim?
Por que me recusam? Não sou boa o suficiente para que fiquem. Sou usada como remendo, e quando as feridas saram, sou descartada na primeira lixeira que aparece. E fico lá, esperando a próxima dor que precise de mim. Não sou uma cura. Eles nunca ficam. Nunca. Por que me odeiam tanto?
Nunca serei amada de verdade? Por que simplesmente não podem ficar... Ou não desejam isso? Não me desejam, não gostam de mim, nem nunca me amaram.
O que eu tenho de tão errado? Eu sei que eles brilharão no céu de outra pessoa, mas por que não pode ser no meu? Eu sou indigna? Insuficiente? Incapaz? Ingrata?
De que adianta ter alguém que diz que me ama, se no fundo eu me sinto tudo, menos amada?
Ele levou embora toda luz que vivia em mim..., ou eu já estava quebrada a muito tempo, e ele foi somente a gota d'água para que eu transbordasse? Talvez ele não tenha levado nada. Talvez eu nunca tenha tido nada para dar.
Ele não tirou minha luz, ele só me mostrou que eu já vivia na escuridão.
Hoje, o meu pedido de desculpas vai para mim mesma, por não ter conseguido me proteger de você. Eu sinto muito por você. Lamento por não ter conseguido te ajudar. Me arrependo por não perceber o quanto você estava doente. Eu me culpo por não enxergar o que estava tão claro. Mas, sobretudo, sinto por ter permitido que você me dominasse, me diminuísse, me desprezasse, me manipulasse, me controlasse. O que mais dói é saber que eu mesma deixei isso acontecer.
Você me manipulou com histórias tristes. Fez com que eu sentisse pena de você, como se eu devesse carregar os seus fardos. Contou que seus pais batiam em você, e que sua mãe usava sapatos como arma. Disse que seu pai já havia te agredido de forma cruel. Você dramatizava essas histórias para me prender, para me fazer andar sobre ovos, com medo de te machucar. Mentiras. Você se alimentava do meu esforço de entender sua dor, mesmo quando ela era inventada.
Você me pedia coisas que eu não queria fazer, mas eu cedia, por medo de perder você. As noites em que me implorava para ficar acordada, pedindo fotos ou palavras que eu não tinha vontade de dizer. E, ainda assim, eu me desdobrava inteira, só para te agradar.
Eu me entreguei a você. Contei quase todas as minhas inseguranças, meus medos mais profundos. E, no primeiro momento de fraqueza, você usou tudo contra mim. Fraco. Eu jamais usei suas vulnerabilidades contra você, por empatia. Mas você sequer é digno de algo tão humano. Você transformou o que sabia de mim em arma, como se esmagar minha essência fosse algo natural.
Eu te levei ao túmulo do meu irmão. Você nunca será capaz de compreender o peso daquela cena. Naquele momento, eu me despi completamente. De alma, de espírito. Eu me redimi na sua frente, permiti que você visse o mais profundo de mim. Você me contemplou, vulnerável, e se alimentou disso.
Você é monstruoso. Doente, narcisista, tóxico, abusivo, manipulador, controlador. Você me dá nojo. Você me usou, me abusou, me reduziu. Eu me sinto suja. Mas isso - isso é o relato de uma vítima. E, ainda assim, eu sou mais do que isso.
Eu sou uma sobrevivente, mas não vou me limitar a sobreviver. Você tentou me destruir, mas falhou. Sou maior. Sou mais forte. E agora, sou livre de você. Esse é o começo de algo que você jamais será capaz de alcançar.
P.S.: O abuso que sofri foi psicológico, mas isso não isenta um abusador.
Eu te amei da forma mais bonita. Eu te desejei, eu te almejei, e eu senti que tinha te conquistado, finalmente. Eu te presenteei com todas as formas de amor e cuidado que eu conhecia. Eu te amei de verdade, da forma mais profunda e genuína que poderia existir.
Mas por mais que eu te amasse, por mais que te admirasse, seu vazio era maior do que qualquer amor que eu pudesse oferecer. Era um algar que tudo consumia, até mesmo o sentimento que eu transbordava por você. Você me ensinou que amar você nunca seria suficiente. E amar você foi uma das coisas mais intensas e dolorosas que já fiz. Você me machucou. Mas eu senti como se aquilo fosse amor verdadeiro. Você recitou palavras impiedosas, como lâminas cortantes. E eu as aceitei como um doce beijo... Eu nunca quero te encontrar de novo. Nem na vida, nem nas minhas lembranças, ou mesmo na penumbra dos meus sonhos.
Me desculpa por não ter sido quem você precisava, mesmo quando eu me desdobrei inteira para tentar ser. Me desculpa por ter acredito que ser sua garota significava perder a mim mesma.
Eu te amei além de mim. Fui sua até as fibras mais escondidas do meu ser, e te entreguei tudo o que tinha - cada fôlego, cada parte minha que pulsava vida. Te revelei caminhos que ninguém jamais ousou percorrer, te dei mapas que levavam diretamente ao que havia de mais secreto em mim. E te entreguei a chave. A única chave capaz de abrir os portões do meu coração, que eu fiz teu. Apenas teu.
Mas o que você fez? Por que escolheu despedaçar tudo o que toquei com tanto cuidado? Você não apenas rasgou o papel de parede que decorava minha alma para você, mas estraçalhou os muros que ergui, tão meticulosamente, para impedir outros de entrar. Não bastava estar aqui? Por que demolir o refúgio que construí para que fosse o seu lar?
Você não só me quebrou, você me devastou. Cada móvel que posicionei para seu conforto virou pó, cada canto que imaginei para você repousar se tornou escombros. Meu coração, tão seu, virou um vazio inabitável, uma ruína que carrego dentro de mim.
E eu pergunto o que fiz? Qual pecado cometi para merecer esse abandono cruel, esse silêncio que me grita e me consome? O que te levou a me deixar assim, perdida e tão miseravelmente sozinha?
Ele não é apenas uma falha; é um rasgo grotesco na tessitura do espaço-tempo, um erro tão primordial que ofende até a escuridão. Nem o caos mais atroz ousaria reivindicá-lo, pois ele é uma abominação que transcende a perversidade. Sua concepção não foi um ato, mas uma profanação, algo que nem as criaturas mais vis ou os demônios mais terríveis poderiam sonhar em engendrar. Ele é a ausência de lógica, a negação da existência, um horror que até mesmo o vazio rejeitaria.
Eu o vejo diante de mim, a respiração arrogante, os olhos que já não pedem perdão. É o rosto dele que provoca a tempestade dentro de mim, que inflama meus punhos, que distorce o que um dia foi amor. Meus dedos se curvam involuntariamente, e em um ímpeto, agarram sua face com a força de mil tormentas. A carne cede sob a pressão; ouço o estalar de ossos, vejo o rosto dele dividido ao meio, como se o ódio fosse lâmina o suficiente.
Eu vejo o sangue escorrendo como um rio, pintando minhas mãos, tingindo o chão de um vermelho grotesco. A imagem é intoxicante, como um grito de liberdade. Em minhas mãos, uma espingarda surge como se fosse uma extensão da minha raiva. O disparo é certeiro. Sua cabeça explode como uma fruta madura, os fragmentos de crânio e cérebro se espalham pelo teto, pela parede, pelo mundo que nos cerca. É o caos que eu abracei, é a minha fúria materializada.
Mas ainda não é o suficiente. Não pode ser. Meu coração exige mais. Minha mente clama por mais. Pego a lâmina, fria e afiada, e com um movimento firme, rasgo sua garganta. O som é um gorgolejo animalesco, o sangue jorra como uma fonte, inundando o chão, tingindo minhas roupas, marcando o momento. Cada gota vermelha é um pedaço da dor que ele me causou, agora devolvida com juros.
E ali está ele, despedaçado, destruído, irreconhecível. E eu? Eu me vejo no reflexo do líquido rubro que me cerca. Há uma calma perturbadora, uma paz mórbida. O peso do ódio se dissipa, mas deixa em seu lugar um vazio que consome.
Talvez eu tenha vencido, mas ao custo de quê?
O sangue fervia sob a pele, como magma aprisionado, prestes a explodir em uma fúria incontrolável. Cada pensamento era um grito sufocado, cada memória, uma lâmina cravada no peito. Ele havia roubado algo precioso – não apenas a confiança, mas a dignidade, a sanidade. Era como se a própria essência tivesse sido cuspida no chão, pisoteada por botas de aço e deixada para apodrecer.
O ódio crescia, pulsava como um animal faminto, ganhando forma e propósito. Era tão vívido que quase podia ser tocado, sua textura áspera arranhando a garganta. Não havia mais espaço para racionalidade; ela fora arrancada como um órgão dispensável. Restava apenas o desejo primal de destruir.
Nos olhos dela, havia algo novo: um brilho que transcendeu o medo, que desafiava até mesmo a moralidade. Ele, a coisa desprezível que ousara atravessar sua vida, não era mais humano aos olhos dela. Era um alvo, um ponto final de toda essa agonia.
A ideia de agir não a assustava. Pelo contrário, trazia uma calma aterradora, como o silêncio que precede a tempestade. A mente arquitetava com precisão cirúrgica: cada palavra dele seria cortada ao meio, cada sorriso falso, esmagado sob o peso da sua vingança. Não era apenas sobre justiça; era sobre sentir o poder correr pelas veias, um alívio intoxicante que só o ato final poderia oferecer.
O mundo inteiro parecia conspirar para aquele momento. As sombras pareciam mais densas, o ar mais espesso. Ela sabia que, depois, não haveria redenção. Não havia necessidade. O que restava dela já estava perdido de qualquer forma.
Mas havia uma satisfação sombria no pensamento. Não se tratava de salvá-la, mas de afundá-lo. E, por um instante, isso parecia o suficiente.
"Eu te amei como quem não vê perigo no mar. A maré veio tão rápida, Me afogou antes que eu pudesse respirar."
— Ecos do infinito
"Mas me pergunto onde você estava?
Quando eu estava no meu pior momento, de joelhos...
E você disse que me protegeria,
Então eu me pergunto, onde você estava?"
#he just can’t catch a break!
YOU (2018 - ) 3.02 So I Married an Axe Murderer 4.01 Joe Takes a Holiday
Fuck me
precious adams on ig
Os Pés da Bailarina
Os cisnes dançam no véu da noite
Abrindo suas asas
Ao redor da bruma do rio
Em memória de uma bailarina
Que não havia pés para dançar
A doce melancólica canção
Abraça os sonhos não realizados
Viveram lembranças de gestos perdidos
Quando a bailarina dançava
Sem poder parar
O teatro observava atentamente
Cada passo que dava
Era uma emoção diferente
Mágica, como se estivesse flutuando
Os aplausos ela não conseguia ouvir
Sentia prisioneira há uma caixinha de música
O dia amanhecia e ela estava lá
Sozinha no palco com sombras desconhecidas
Os braços movimentavam solitários
Cordas imaginárias obrigando-a dançar
Os pés da bailarina
Cansados com os calos
Debaixo de sua sapatilha
Seus olhos estavam fechados
A canção repetia-se novamente
O lago estava começando a desaparecer
Os cisnes na falta do amor
Voaram até bater e morrer
Perderam a doce mulher
Que uma noite foi livre
Em sua última apresentação
Posicionou-se como sempre fazia
Deu o maior salto que podia
Fez-se como uma pena que caia
Por fim, quebrando-se ao chão
As cordas se cederam
O ar tornou-se tenso
As pessoas calaram-se no ato
O rosto de porcelana rachando, e assim:
Era uma vez uma bailarina
Que meu rosto seja o último que se cravará em sua mente enquanto a luz se esvai dos seus olhos. Que minha lembrança seja sua maldição, um eco sombrio que te assombrará em cada instante de lucidez. Que pensar em mim, no que você destruiu e no que perdeu, seja um tormento diário, um espelho da sua própria miséria. Que a culpa pela minha dor, pela desesperança que você me plantou, cresça em seu peito como um espinho que não se pode arrancar. Que o peso dos meus pensamentos sombrios o consuma e que, no final, você se afogue no ódio mais cruel de todos: aquele que se reserva a si mesmo.
Eu quero destruir você. Não apenas acabar com a sua vida, mas arrancar de você tudo o que ainda te faz humano. Quero que você sinta o vazio devorar sua alma, como um verme que rasteja por dentro, corroendo cada pedaço de quem você já foi. Quero que o desespero te engula, como uma sombra que nunca cessa, sufocante e interminável.
Quero que você seja consumido pela dor que me moldou, a dor que você plantou em mim. Quero que a raiva te queime por dentro, uma chama que nunca apaga. Que a tristeza se torne a sua única companhia, sussurrando nos cantos da sua mente quando você acha que está sozinho. Quero que você implore pelo silêncio, mas só ouça os gritos da sua própria consciência.
Quero que sinta o peso esmagador da insuficiência, que cada olhar e palavra te cortem como lâminas invisíveis. Que sua mente se torne uma prisão e você seja o carcereiro, acorrentado às memórias do que fez comigo. Quero que carregue o arrependimento como uma cruz, pesada demais para largar, mas impossível de suportar.
Mas isso ainda não será o suficiente. Quero que se lembre de mim em cada pesadelo. Não como uma vítima, mas como algo maior, algo que você criou. Quero que veja o monstro em mim, aquele que você esculpiu com suas mãos sujas de mentiras e crueldade.
E um dia, eu vou te encontrar. Não hoje, não amanhã. Mas quando você menos esperar, eu serei a escuridão que desce sobre você. Eu serei o último rosto que você verá, o último pensamento que terá. Não haverá redenção. Não haverá salvação. Apenas vingança.
Com ódio eterno, sua para sempre
Às vezes me flagro consumida por um pensamento sombrio: como pude ser tão cega, tão miseravelmente tola, a ponto de acreditar em você? É como dizem: de graça, até o mundo veio com suas falhas, e você era a pior delas.
Tudo parecia um sonho perverso: um garoto que, pelos céus, parecia feito sob medida para mim, surgindo em minha vida com uma graça cruel, como uma oferenda dos deuses. Não precisei lutar por você, pois você se apresentava como se já fosse meu, mas era tudo um engano sádico.
Foi quando a verdade me atingiu como uma lâmina fria: tudo aquilo, toda aquela conexão, não passava de uma ilusão tecida pela minha própria mente. A dor dessa revelação é um abismo que não para de me engolir. Como dói reconhecer que você nunca esteve ao meu lado, que tudo que vi, senti e quis era um espectro vazio, refletido apenas nos olhos da minha esperança.
Você nunca sentiu nada por mim. O seu coração é um deserto gelado, incapaz de abrigar qualquer fagulha de calor ou vida. E, como uma praga, você transformou o meu coração em gelo. Fez da minha existência um vazio insondável, um vale de escuridão onde eu vago sozinha, carregando o peso do que nunca foi. Você me deixou à deriva nesse limbo, sem paz, sem luz, condenada a perambular onde só a sombra de você permanece.
Eu estava tão cega. Tão terrivelmente cega que não conseguia enxergar a verdade que gritava por detrás do seu sorriso. Não via o que você fazia, o que desejava sentir: aquele poder, aquele domínio cruel sobre alguém que confiava em você. Como pude, meu Deus, como pude acreditar que aquilo era amor? Que você poderia, por um segundo sequer, me amar de verdade? Como fui capaz de imaginar que o meu riso, os meus sonhos, os pedaços mais preciosos de quem eu sou poderiam significar algo para você?
Como pude me iludir tão profundamente, acreditando na doçura das suas palavras? Que elas eram sinceras, que havia nelas qualquer vestígio de genuinidade? Como não percebi que eram apenas veneno, mel envenenado que eu bebia sem questionar, sem hesitar?
Por que eu acreditei em tudo aquilo? Por quê? Por que precisei aprender de forma tão cruel? Por que precisei ser destroçada para enxergar o monstro que você sempre foi? Sim, um monstro. Um filho da puta desumano, frio, calculista, uma sombra disfarçada de luz. Como não vi? Como não senti o cheiro da sua podridão antes que ela me consumisse inteira?
Eu não sei o que desejo para você. Talvez tudo de pior. Talvez nada. Porque desejar sua ruína me amarra a você, me prende ao peso da sua existência, e eu quero ser livre. Mas será que algum dia serei? Será que posso esquecer o que você me fez sem esquecer a parte de mim que sobreviveu a você?
Hoje, eu digo que não penso mais em você. Que acabou. Que me libertei. Mas, no silêncio da noite, às vezes me pergunto: será que nunca vou deixar de lembrar que te esqueci?
P.S.: Ainda penso em você.