→ Abigail Josephine Urquhart. 17 anos. 7th. Hufflepuff. Muggle-Born.
“Burn all your bridges just so that you can build them again with thicker ropes. This is the art of living with a ticking heart, a grenade you throw through windows to make a point that language has no room for. This is how I destroyed you. And this is how I kept you alive.”
Eles se conheceram em uma festa em Londres. Derek Sommers, um desocupado americano em busca de aventuras e de gastar o dinheiro da família, decidiu viajar o mundo assim que percebeu que a vida de herdeiro de uma importante empresa de recursos energéticos não lhe servia da forma que desejava. Estava cansado dos ternos, da papelada, do escritório, de precisar acordar cedo e não poder frequentar os clubes noturnos que desejava porque, segundo o pai, precisava ser cuidadoso com a sua imagem, que estava diretamente ligada a da empresa. Com o discurso de que poderia estudar a origem das companhias concorrentes e tentar observar como lidavam com seus recursos energéticos, Derek partiu o mais rápido possível de New York para reclamar seu título de cidadão do mundo. França, Japão e Índia foram os seus primeiros destinos, onde, apenas para não perder o seu propósito de viagem, desenvolveu relatórios a respeito de cada empresa concorrente para, nos outros noventa por cento de seu tempo, conhecer pontos turísticos, visitar restaurantes e clubes noturnos exclusivos, saborear bons vinhos, boa comida e bonitas mulheres.
Havia acabado de chegar a Inglaterra quando resolveu comparecer a um evento, e foi lá que colocou os olhos em Olive Reid pela primeira vez. Derek ainda se lembra de como havia se sentindo completamente extasiado com a beleza exuberante da mulher, perguntando a si mesmo se era permitido uma criatura chamar assim tanta atenção. Aquilo não era normal, entenda. A moça era uma espécie de deleite aos olhos, com sua tez pálida, cabelos muito negros e profundos olhos verdes que se destacavam como jóias em sua face, que, surpreendentemente, se mantiveram fixos no estrangeiro durante quase toda a noite.
O romance entre os dois foi tórrido e fugaz. Mesmo que pouco soubessem um do outro, Olive passava quase todas as noites da semana no luxuoso hotel em que Derek esteve hospedado. A moça não gostava de falar muito de si mesma, preferia fazer o tipo misteriosa, talvez por gostar mesmo da independência que isso lhe proporcionava ou por julgar que, dessa forma, conseguiria fisgar a atenção do rico estrangeiro. Hotéis de luxo e costumes exacerbados rapidamente lhe apontaram que aquele homem não era igual aos caras de classe média com quem tinha namorado ao longo dos anos.
Derek e sua Olive foram felizes pelos meses que o homem passou na Inglaterra. Brigavam constantemente, é claro, especialmente por conta dos ciúmes de Olive, que acreditava que Derek era um homem atraente demais para que saísse durante a noite sem chamar a atenção de outras mulheres. Ela simplesmente não conseguia acreditar na fidelidade do companheiro e isso os destruiu aos poucos. A primeira bomba veio num ameno e encantador verão, quando Olive contou a Derek suas suspeitas de gravidez. A notícia não foi muito bem recebida por Derek, que planejava seguir viagem para a Espanha e continuar com seus planos. Contudo, ele não a abandonou. Além de enviar o dinheiro necessário para os exames e para sustentá-la durante os nove meses em que estaria esperando seu filho, prometeu visitá-la.
A gravidez foi a mais difícil que se podia esperar. Com Olive vivendo em seu antigo apartamento em Glasgow e Derek trabalhando na Espanha e prometendo vê-la assim que pudesse, a moça enfrentou profunda depressão. A única coisa que não a fazia desabar completamente era a menina que crescia dentro dela, que seria a única coisa que poderia trazer seu Derek de volta. Ledo engano. O homem só a visitou três vezes durante a gestação e uma última algumas semanas após o parto. Depois disso, apenas tornou-se responsável pelo envio de dinheiro, abstendo-se inclusive da responsabilidade legal da paternidade e não assumindo a pequena Abby como sua filha. A menina tinha quatro anos de idade quando Olive, completamente imersa em depressão e abandono, se suicidou.
Abby, aos quatro anos de idade e sem ao menos saber pronunciar o próprio sobrenome, foi enviada a uma Instituição Estatal para Crianças Órfãs em Glasgow. Lá, tinha sua cama, uma boneca, algumas mudas de roupa, refeições diárias e aulas. Ainda se encontrava muito confusa com o que tinha lhe acontecido, ao ponto de esperar que a mãe viesse lhe buscar dentro de alguns dias, sendo ridicularizada pelos demais órfãos quando dizia que logo sairia daquele lugar e voltaria para a sua casa. Esse dia, no entanto, nunca chegou. É claro que a menina se sentia agradecida por ter tudo o que o Orfanato lhe proporcionava, mas a falta de afeto em seu crescimento e o fato de não ter tido qualquer figura paternal em sua vida naquela época a prejudicou muito. Por mais que algumas das senhoras que trabalhavam na Instituição fossem amáveis com a pequena Abby, tudo o que mais queria no mundo era fugir daquele lugar. E conseguiu algumas vezes, veja bem, mas sempre acabava sendo encontrada pela polícia, tendo de regressar ao mesmo Lar Adotivo em poucos dias.
Tudo se tornou complicado quando, aos sete anos de idade, coisas estranhas começaram a acontecer. Primeiro foi Anthony, que ganhou longas orelhas de coelho depois de importunar Abby por horas a fio sem qualquer propósito aparente. Quando questionada a respeito do acontecido, tudo o que disse foi que achou que as orelhas combinaram perfeitamente com os dentes da frente proeminentes do garoto. Em seguida veio Tanya e seus espirros de pó colorido, que só cessaram dois dias depois. Em poucas semanas tornou-se a pessoa mais evitada em todo o Orfanato e motivo certo de problema para os superiores, que logo passaram a crer que havia algo de errado com a menina Abby.
As coisas se tornaram um pouco mais claras para a garota quando, poucas semanas após o seu aniversário de onze anos de idade, recebeu a visita de uma senhora vestida de xadrez escocês e um pomposo chapéu. Foi Minerva McGonagall quem lhe disse que era uma bruxa e que havia uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts esperando por ela. Apesar de relutante a princípio, Abby se sentiu entusiasmada com a nova descoberta, visto que isso significava que poderia deixar o orfanato durante boa parte do ano.
No banquete de seleção, o chapéu seletor não precisou passar muito tempo em sua cabeça para decidir sua casa. Abby pouco se importava para onde seria enviada, tudo o que queria era que aquilo terminasse de uma vez por todas e ela pudesse jantar. Acabou indo para Hufflepuff e Abigail acha que não existe outro lugar melhor para ela quanto a casa de Helga.
Seu desempenho acadêmico nos primeiros anos não foi excelente ou tão bom quanto a maioria dos seus colegas porque, apesar de esforçar-se como poucos, suas dificuldades eram difíceis de superar. Interessava-se bastante por Trato das Criaturas Mágicas porque gostava de aprender a respeito de animais mágicos, mas detestava completamente História da Magia e já chegou a passar sérios apuros na matéria. Sua grande paixão é, certamente, o Quadribol, esporte que ela conheceu somente em seu primeiro ano, mas que esforçou-se para entender todas as regras como se sua vida dependesse disso. Em seu terceiro ano, se tornava comentarista dos jogos em Hogwarts, destacando-se pelo seu jeito bem humorado de narrar as partidas.
Abby encontrou um verdadeiro lar no castelo e em seus amigos e colegas de casa, mas não escondia o desgosto ao ter que regressar para o Orfanato nos verões. Aos doze anos, fugiu novamente, dessa vez obtendo sucesso. Sua vida a partir desse dia certamente não foi fácil e qualquer pessoa provavelmente teria voltado para o Lar Adotivo por conta das dificuldades encontradas em viver na rua, mas Abigail sempre se considerou uma sobrevivente e não desistiu de sua independência em um minuto sequer. Passou por maus bocados, é claro. Dormia de favor na casa de famílias que a acolhiam e passava o verão inteiro trabalhando para conseguir alguns trocados, chegando a efetuar pequenos furtos para conseguir se sustentar. Essa era a sua vida até conhecer um simpático casal de bruxos de meia idade donos de um pequeno restaurante que sempre frequentava para ganhar um almoço com poucos sicles. Os Murray primeiro a ofereceram um emprego, que mais tarde acabou se tornando um lar, a família que a adotou e a fez entender que não precisava ficar sozinha para sempre.
“Você tem os meus olhos. E graças, graças a Deus você não tem a minha alma, querida.” Abigail não se lembra, mas sua mãe costumava agradecer aos céus por sua filha ser tão parecida fisicamente com ela e, ao mesmo tempo, tão diferente em sua essência. Olive muitas vezes pensava que, se havia feito tantas coisas erradas em sua vida e se a dor havia sido forte demais para fazê-la pensar em desistir do mundo, ela ao menos tinha feito algo positivo de sua existência, porque Abigail era tudo o que Olive gostaria de ser: forte, vivaz e dona de um coração belo, puro. Mas o que é belo também pode ser corrompido, e foi com tristeza, mágoa e profundo rancor que Abby sempre se lembrou de sua mãe, aquela mulher que desistiu da vida, que desistiu dela porque não conseguia suportar a realidade. Sua mãe se tornou a ferida em seu coração que nunca sarou totalmente.
Abby sempre aceitou o fato de que nascera para ser sozinha. Sim, muitas vezes chorava escondido, encolhida na cama do Lar Adotivo onde passou boa parte da sua infância, mas a saudade da mãe não mudava a ralidade: só tinha a si mesma. Todavia, a menina de olhos esverdeados não entregou-se a lamentações e lamúrios, afinal, era forte, era uma sobrevivente. A vida a moldou ao seu gosto mas Abby aprendeu a lidar com os altos e baixos que ela traz, aprendeu a lutar de volta.
Sempre foi alguém independente, o tipo de pessoa que consegue se adaptar ao que acontece ao seu redor, que sempre arranja uma saída para as situações mais difíceis e que nunca desiste de algo. Abby é guiada por um instinto de sobrevivência incomum, uma força arraigada em seu ser que jamais a abandona e que a torna exatamente o que é.
Abigail é esperta e dona de uma lábia incomum, capaz de convencer as pessoas a aceitarem uma ideia sem muitas dificuldades. Sabe se expressar como ninguém, ao ponto de ser colocada em uma sala repleta de desconhecidos e conseguir sair de lá como se fosse grande amiga de todos. É uma talentosa mentirosa e seu extenso conhecimento sobre pessoas adquirido nos dias que viveu na rua a ajudaram a entender como as pessoas funcionam e a analisar sua linguagem corporal para saber se estão mentido ou não. É determinada e luta pelo que acredita com unhas e dentes, se faz de durona mas na verdade é bastante vulnerável. Possui um temperamento difícil de conviver, sendo extremamente teimosa e cabeça dura ao ponto de argumentar e defender o seu ponto de vista cegamente. Sim, Abby sempre tem um argumento pra tudo e sua vontade de ajudar aqueles que foram injustiçados como ela é algo bastante marcante em sua personalidade. Possui sérias dificuldades em controlar seu jeito explosivo e seus constantes acessos de raiva, que tantas vezes já a prejudicaram. Quando o sangue sobe a sua cabeça, Abby não consegue se controlar e acaba falando coisas que normalmente não diria, apenas para ferir as outras pessoas para que elas saibam exatamente como ela se sente. Não é nada feminina e se veste de maneira diferente não somente porque detesta vestidos e saias mas porque gosta de considerar-se única, divergente das outras pessoas. Sua educação também não é das melhores, visto que muitas vezes mastiga de boca aberta, que aprendeu diversas formas de xingar alguém e que sua sinceridade e língua afiadas como navalha se tornaram sua principal arma de defesa ao longo dos anos.
Comentarista de jogos de Quadribol de Hogwarts