por mais que tudo em khadel parecesse mergulhado no caos , a gökçe não podia simplesmente permitir que o restante do mundo cedesse ao mesmo estado de histeria . os olhos ardiam em cansaço , resultado de um dia extenuante de reuniões consecutivas — começando na prefeitura e terminando com a tarde , e noite , em sua alma mater . respirar o ar expansivo de siena , que um dia chamara de lar , trazia um misto de familiaridade e sufoco , como se ao deixar a atmosfera de khadel fosse posto um fardo em seus pulmões , comprimindo-os e corroendo o tecido aos poucos . àquela altura , o junior elettrica parecia quase capaz de dirigir sozinha no trajeto entre as duas cidades e ela mal notava o velocímetro ultrapassar os limites italianos , mas também não se importava . a estrada , vazia e envolta em um silêncio inquietante , a recordava de um cenário de thriller , e o isolamento contribuía para a tensão palpável de pairava no ar .
foi então que um borrão de luz na mesma faixa que percorria capturou seu olhar , trazendo uma pontada de consternação . movendo o carro para o acostamento , o motor elétrico permanecia tão silencioso quanto a noite . só quando a figura encoberta pela escuridão virou-se em sua direção com agressividade perceptível , a lanterna revelando uma arma no aperto firme de mãos pálidas , que neslihan deu-se conta da extensão do risco que corria . sozinha , à beira de uma estrada , à noite . deveria ter ponderado melhor , e atribuía a falta de discernimento ao cansaço esmagador e os últimos dias que pesavam sobre cada terminação nervosa de seu corpo , ainda que adrenalina começasse a entrar em suas veias . mas então o tom feminino alcançou seus tímpanos , e os ombros relaxaram suavemente . ❝ bom , eu estava prestes a oferecer ajuda , mas se tem tudo sob controle , posso simplesmente seguir meu caminho... ? ❞ semicerrou as pálpebras contra o incômodo causado pela claridade do celular , que parecia perfurar sua retina . então a silhueta tornou-se reconhecível . o simples vislumbre foi suficiente para trazer à tona a memória da revelação da maldita cachoeira que tentava suprimir , um arrepio resvalando em sua espinha . ❝ ei , maxine . não percebi que era você... e então ? ❞ com o polegar indicou o próprio veículo , enquanto uma das palmas tentavam conter o brilho excessivo de incomodar ainda mais os olhos .
@khdpontos
maxine manteve a pose segurando o canivete, mesmo que estivesse sim assutada pelo cenário na qual estava ela sabia que não era uma super arma que portava, mas, era o tempo de conseguir golpear em alguma artéria importante. nunca havia matado ninguém mas sabia muito bem como é o funcionamento de um corpo humano. ela suspirou de forma audivel relaxando seus braços até lembrar da maldita cachoeira e os infelizes que estavam lá junto dela. max desligou a lanterna de seu celular, seus faróis eram suficientes para enxergar a mulher a sua frente. "neslihan... né?" mantinha seus olhos semicerrados e guardou o canivete em seu bolso. "desculpe a recepção, tem momentos que consigo ser um pouco pior." ironizou, bufando enquanto fechava o capô de seu carro. ela estava cansada, se fosse em algum outro cenário não aceitaria carona mas não queria ter que voltar andando para a cidade. "não sei se eu deveria aceitar mas, eu estou bem cansada." relaxou seus ombros e fechou os olhos por alguns segundos. "eu fico te devendo uma."




















