já era esperado que KIRANMAYI RAJESHREE SURYAVANSHI viesse para a Ilha de Treatan, afinal, ela é uma MAHARAJKUMARI (PRINCESA) vinda do REINO DE SURAKSHYA (ÍNDIA). não que seja elegante perguntar, mas sei que ela já conta com seus VINTE E CINCO, e não esconde a fama de EGOCÊNTRICA, mas é sabido que seu lado AVENTUREIRO compensa. se não tivesse sangue azul, eu diria que é uma descendente direta de JANHVI KAPOOR, porque não poderiam ser mais idênticas!
GET TO KNOW HER
aesthetic , um dia ensolarado , raios de luz se espreitando pelo ambiente , tecidos coloridos , os fios de cabelo voando com o vendo a medida que vai mais rápido , a luz dos flashes
música tema , levitating – dua lipa , dababy
sexualidade , bissexual
alas , mayi , a tempestade dourada de surakshya
RESUMO
mayi é talvez a representação perfeita do sol que dá nome ao seu reino: encantadora, impossível de ignorar e brilhante o suficiente para queimar . quarta entre os herdeiros suranis , sim . mas a primeiríssima no coração do povo ! seu sorriso dita tendencias , seus escandalos preenchem as colunas de fofoca e sua simples presença é suficiente para virar qualquer sala em sua direção ! pode até ser egocentrica e impulsiva , mas não pe ingenua — somente acredita piamente que tudo vai sempre dar certo , especialmente se for ela que estiver no meio do caos ... é apaixonada por velocidade , adrenalina , tudo aquilo que reluz e lhe dá a sensação de liberdade . por trás da confiança quase arrogante , existe uma pobre dama que se viu envolvida em revoluções sem perceber e cujos seus poderes brilham quase tanto quanto a responsabilidade que tenta fugir .
HEADCANONS
se surakshya é o império do sol , a princesa mayi é uma tempestade dourada : entra num cômodo e o ilumina , mas deixa um rastro de caos cintilante atrás de si . é a queridinha não somente da corte como do povo também — bela , carismática e cheia de vida . onde vai , as câmeras seguem . seu estilo vira tendência ; suas frases, manchetes . ela é a definição viva de “ causar sem querer querendo ” .
ainda que tenha sido criada em meio ao rigor cerimonial e tradições centenárias , sob o olhar atento de sua mãe , o peso da responsabilidade nunca esteve realmente sobre seus ombros . como quarta filha , não tinha pretensão nenhuma de herdar o trono , então seus dias eram preenchidos com festas diplomáticas , causas sociais e até corridas ilegais , se tivesse a chance . um de seus maiores talentos é driblar os escândalos com charme e , mesmo quando os problemas explodem , sempre tem alguém pronto para passar o pano .
durante uma de suas escapadas secretas , mayi se envolveu — sem saber — com um grupo de jovens artistas e ativistas que mais tarde seriam associados à revolução vermelha . um discurso seu , feito em meio a dançarinos mascarados em um evento underground , viralizou e acabou interpretado como um apoio simbólico à causa e , quando a revolta se intensificou , seu nome foi puxado para o centro da polêmica.
a mídia enlouqueceu . o parlamento exigiu explicações . a monarquia tremeu . e , como resposta , a maharani decidiu que era hora de kiranmayi ser enviada novamente para treatan para buscar um noivado politico — o motivo oficial é buscar reforçar alianças , mas , na prática , a mais uma tentativa de controlá-la .
mayi , porém , sabe jogar o jogo . está seguindo o protocolo , mas com um brilho travesso no olhar . ninguém sabe se ela vai se casar ou fugir para o próximo escândalo !
EXTRAS
O Reino de Surakshya, conhecido como a Terra do Sol, é uma potência que brilha tanto por sua tradição milenar quanto por sua visão do futuro. Governado por uma linhagem real que afirma descendência direta do deus solar — o mais antigo e venerado entre seus deuses —, o país consolidou seu poder político e espiritual ao redor dessa conexão divina. Essa bênção se reflete na prosperidade agrícola do reino, em suas vastas plantações, e no pioneirismo em energia limpa, o que garante a Surakshya um lugar de destaque entre as potências sustentáveis do mundo. Sua economia é fortalecida pela exportação de especiarias, metais raros, tecidos luxuosos e uma indústria cinematográfica diversificada e vibrante, bem como a posição de portos estratégicos.
A monarquia, apesar de ostentar um soberano carismático, é comandada nos bastidores por Mahadevi Amriteshwari, a primeira esposa do rei. Ela lidera o conselho real, sendo amplamente reconhecida como a mente estratégica por trás das alianças externas do país. A família real é não apenas símbolo de poder, mas também de influência cultural: seus herdeiros são tratados como verdadeiras celebridades, participando de grandes produções artísticas e ditando tendências em moda, música e comportamento. Palácios revestidos de mármore solar e festivais que misturam luxo, fé e teatralidade mantêm o brilho da monarquia vivo nos olhos do povo.
Apesar de seu esplendor, Surakshya não é imune a tensões. A sociedade surani é estratificada, com traços de um antigo sistema de castas ainda visíveis em rituais e interações sociais. No entanto, o avanço educacional e o crescimento da presença digital alimentam movimentos por igualdade, principalmente nas grandes cidades. Surgem rumores sobre grupos insurgentes — chamados de Sombrios — que se opõem à chamada “Família Solar” e denunciam os excessos da realeza. Até o momento, nenhuma revolução tomou as ruas, mas boatos de armas experimentais, vazamentos de escandalos e rebeldes infiltrados mantêm a superfície dourada do reino sempre sob tensão.
Sabia o significado de barganhar, só não estava com tempo. Tinha aprendido da pior maneira que azuis poderiam ser cruéis em seus acordos e ele não queria cair em mais uma emboscada - a convivência com os anis de Durmoren tinha servido de algo. "Não estou bem certo de que isso lhe pertence para que esteja retendo, pra começo de conversa, então facilitaria muito se me desse. Não quero ter de ir até aí arrancar de você" os olhos faiscaram um pouco com a ameaça, dando a Mayi uma chance de se retratar. "Mais divertida?" arqueou uma das sobrancelhas, repuxando um dos cantos da boca. "Não sou obrigado a te salvar só porque está sendo consumida pelo tédio, chitti" imitou-a, porque estava sem paciência para jogos, interpretando a fala com malícia. "Mas pode ser mais direta que isso"
se os olhos de vladlan faíscam, os de suryavanshi reluzem. linhas de pura luz dançam pelo castanho intenso. não em raiva, nem em medo —— talvez as reações mais esperadas pela sua expressão de duque balcânico cansadoh e de mal com a vida. mas em algo pior: convite. desafio. do tipo que alcança o canto dos lábios, retorcendo-os num sorrisinho ladino. ❛ e se for exatamente isso o que eu quero? ❜ o tom se abaixa leve, e ela arquea uma sobrancelha, observando-o com interesse enquanto repousa os cotovelos sobre a mesa. provocá-lo deve ser a pior ideia da noite. terrivel, de verdade. mas sinceramente? a princesa tem um carinho especial por estas. quase tanto quanto tem aquela confiança exarcebada —— aquela plenitude que apenas quem cresceu com dinheiro e proteção o suficiente para acreditar que nada pode realmente lhe alcançar. e ao seu lado, a esfera de luz segue brilhante, imponente, como se lembrando aos demais quem ela é. ❛ tsc. onde está seu cavalheirismo? ❜ ela devolve, a postura desmanchando-se ao jogar a cabeça para trás. seu humor, contudo, permanece vivo nos lábios. afinal, precisa mais que uma cara de mau para tirá-la de seu eixo. ❛ achei que seu povo não gostasse de conversas diretas. ❜ mais uma vez, a sobrancelha se ergue, agora num lampejo genuino —— até porque os dialetos de durmoren quase lhe custaram um semestre em seu curso de antropologia ii. ❛ veja. você pode até não ser obrigado, mas o mesmo vale para mim. afinal, não vejo seu nome nisso aqui, então como posso saber que realmente lhe pertence? ❜ indaga, a provocação brincando preguiçosa no canto da boca. um pensamento basta para que o pequeno sol gira ao seu redor, até repousar gentil sobre sua destra espalmada e se desfazer numa chuva de brilho. para trás, fica apenas o cordão mencionado e ela rapidamente o coloca ao redor do pescoço. ❛ viu só, chitti? ❜ em seu rosto ainda brilha aquele quê de provocação conforme ela repete o termo de forma pausada, quase como se tentasse ensiná-lo a pronunciar corretamente. ela então posiciona a mão de modo a ressaltar o pingente que contrasta forte com a paleta iluminada de seu look. o ato também acaba deixando o colo dos seios em evidencia —— o que não é exatamente a sua intenção, mas, sendo justa, entre o decote do vestido e a fartura natural de mayi, até respirar tem esse efeito. nenhum desses fatos parece incomodá-la, no entanto. ❛ você não pode dizer que não fica bem em mim! ❜
❝Não sou arrogante, apenas sou mais experiente quando o assunto é arte.❞ Rebateu em certo tom de arrogância, ainda que jamais fosse admitir tal coisa. O duque não se considerava exemplar em diversas áreas além das que ele regia como dele, por tanto, quando o assunto era algo pertinente a ele, não aceitava ser contrariado ou que houvesse outro alguém superior a ele. ❝Imagino que deva te recordar que parte da sombra em meu olhar se deve ao que sua família foi responsável por? Devo trazer o nome de meu sobrinho de volta a tona, Kiranmayi?❞ Seguir a chamando pelo nome correto era sua forma de não rebater em igual infantilidade, não possuía tempo para tais asneiras. Contudo, não poderia deixar de formular mais uma vez os rumores sobre o que havia acontecido com Gheorghe e o envolvimento da família alheia. ❝Se acha que sabe dançar princesa, receio que todos seus parceiros de dança tenham lhe mentido a vida inteira apenas para saciar seu ego.❞
as orbes castanhas repousam sobre a face dele, sem pressa, ao que um risinho baixo lhe escapa as narinas. ❛ parabéns, senhor não sou arrogante. deve ser ótimo ser tão experiente e até hoje não ter descoberto um jeito de performar sem parecer que está arrancando um ciso. ❜ a curvatura dos lábios se alarga com a mesma arrogancia que ele oferta. suas palavras são pronunciadas numa voz suave, quase dócil, mesmo quando não disfarça a ironia. calahan —— ela pensa, não por implicancia, mas por acreditar fielmente ser o nome dele —— é bonito. um fato assim mayi jamais nega, mesmo quando a pessoa se esforça para ser tão inconveniente. no entanto, basta a menção de sua família para que a frente despreocupada que costuma ostentar se rache, e os fios de luz que dançam pelos seus olhos e pela pele tomam um ar mais feroz. quase em aviso. ❛ se você ainda acredita que rudrahan tenha qualquer coisa a ver com o desaparecimento dele, então sua inteligencia é tão precária quanto seu carisma e modos. ❜ a princesa declara num tom baixo, carregado de firmeza. seu lado protetor não abre espaço para qualquer dúvida. não que elas não existissem.... rudrahan, como ela, é tão imprevisível quanto é poderoso. mas diferente dela, é marcado pela raiva —— a ira dourada, como o chamam. matar um príncipe não seria nada para quem lidera o melhor batalhão de seu reino. mas ele havia dito que não o fez. e kiranmayi acredita. mesmo com dúvidas, mesmo com o universo contra. ela acredita. ❛ o que eu acho é que você é um homenzinho egocentrico. tão absorvido em suas opinões que acredita que apenas elas importam. ❜ e dessa vez, não tenta disfarçar o revirar de seus olhos, suas narinas ligeirmente infladas diante os absurdos. poderia apontar que sua vida desenrolou quase inteiramente ao som de música e em números de dança. surakshya é o reino do sol, mas, para mayi, é o reino da vida —— o lugar onde tudo aquilo que a representa é abraçado e celebrado: luz, comida, música, arte, solidariedade, mas... ❛ o que eu acho é que não preciso defender a mim ou minha família de alguém cuja arte só possui tragédia, sem nenhuma vida. e honestamente, também acho que você deveria procurar ajuda, porque, às vezes, o que você chama de um estilo de vida, é apenas falta de serotonina. ❜
@amayitaon disse "i'm keeping it as a trophy" na dança.
A rivalidade era histórica e ainda que ele gostasse de pensar que não era completamente ativo nessa rivalidade, considerava a mais jovem um tanto demais, do tipo que parecia gostar de incomodar. A expressão era mais séria e um tanto irritada, ainda que o corpo se mantivesse um tanto tenso e rígido. ❝Não era necessariamente uma competição de dança para que se sinta vitoriosa, ainda que se fosse... Apenas com meu guia conseguiria ganhar algo, Kiramayi.❞
rivalidade isso, rivalidade aquilo. por surya! chega a ser exaustante que em pleno ano de 2025, o povo de valdumbra ainda tenta arrastá-la para o meio de uma treta que ninguém nem sabe como começou! ❛ wow. e depois sou eu que sou cheia de mim. ❜ o riso dança melodioso entre os lábios e embora seus olhos sejam fechados, é evidente o revirar das pupilas por trás das pálpebras. o semblante, contudo, não desmancha com a tensão. jamais. mayi apenas sabe como brilhar! ❛ é até adorável você achar que eu preciso de você para alguma coisa, calahan. talvez para me ensinar como manter esse vazio no olhar, de ‘sou uma criatura das trevas, atormentada’, sem colírio e nem ensaio —— parece muito útil para segundas-feiras. ❜ ela finge conceder. ❛ mas dançar? por favor. ❜
ᘛ featuring : @vemmedegustav
ᘛ scenery : fonte dos pecados
❛ não ouse se aproximar! ❜ a voz melódica corta os demais ruídos do com firmeza —— talvez não tão firme quando poderia soar, mas o suficiente para deixar claro que fala sério. e mayi não desvia os olhos da superfície da fonte, onde seus dedos deslizam distraidamente pela água, nem mesmo quando ela reflete um sorriso melancólico. porque houve um tempo em que ela teria dado tudo para manter gustav sempre ao alcance da vista, como se ele fosse maior que o próprio sol que arde dentro dela. mas agora, o russo a obrigada a erguer paredes para que pudesse se salvar da confusão que ele causa com seu jeito voluntarioso. ❛ eu estou tendo uma boa noite. não quero estragar isso brigando com você. ❜
𝐎𝐏𝐄𝐍 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑.
𝗼𝗻𝗱𝗲: corredores do palácio.
𝗰𝗼𝗺: seu personagem !!
✽ apesar dos pontos baixos causados pela caçada, cédric estava tentando andar na linha. claro que a linha era muito mais fina e falhada para ele, com seus altos e baixos, mas ele gostava de pensar que a sua breve liberdade está atrelada ao seu mais recente esforço. os horários livres normalmente eram recheados com sessões de terapia e uma bomba de remédios. o monegasco olhou no seu pulso o melhor relógio que o dinheiro poderia comprar, marcando exatas 22h03. estava livre até o momento de se recolher aos seus aposentos, e pela primeira vez em algumas noites, ele pretendia ficar lá. cédric andou pelos corredores até achar um ambiente calmo e menos movimentado e sentou-se em uma das janelas. jogou uma perna para o lado de fora, aproveitando o frio, mas manteve seu peso para o lado de dentro. ele viu o exato momento em que seus seguranças cogitaram que ele iria se jogar e soltou uma risada. mesmo se comportando, ainda era cédric. resolveu que iria fumar, um mau hábito que mantinha desde a adolescência. pescou nos seus bolsos pelo porta-cigarros quase vazio e pelo isqueiro companheiro de sempre, sendo surpreendido quando este último escapou de seus dedos e caiu fazendo um estouro alto. ele olhou com desgosto apenas para se certificar de que não tinha matado ninguém, antes de se virar para seus seguranças. “vocês tem fogo?” e ambos o olharam, nada impressionados. cédric então apartou a primeira alma que apareceu, fazendo a mesma pergunta, com o cigarro entre os lábios e apontando para o mesmo. “você... você tem fogo?”
o jantar já tinha acabado há algum tempo, e com o tempo livre que resta antes de se recolher, a princesa surani vaga sem rumo certo. talvez devesse invadir o quarto de alguma amiga, quem sabe roubar um doce da ala da cozinha ou apenas passear até que o tédio se dissolvesse sozinho... seus pensamentos, contudo, são cortados pelo estalo agudo de um objeto metálico caindo no chão, e atraindo seus olhos castanho dourados antes mesmo que o cérebro o processasse. o som é então seguido por uma pergunta tão improvável que mayi somente ergue as sobrancelhas. não estava no seu cartão de bingo do dia ser abordada com um você tem fogo? nos corredores. ❛ isso é algum tipo de piadinha? ❜ ela cerra os olhos, seu tom carrega uma ponta quase indulgente. kiranmayi, afinal, é a princesa que tem um sol inteiro dentro dela e uma profecia sobre fogo que deixa sua familia de cabelo em pé, a espera de seu próximo desastre. a resposta mais simples é sim, se tem algo que ela tem é fogo. e este só ocasionalmente é no.... um riso breve escapa por seu nariz no mesmo instante em que um pequeno ponto de luz se forma no ar, bem à frente de cédric e acendendo a ponta de seu cigarro com precisão quase debochada. ❛ sabe, tem jeitos melhores de se matar do que esse. ❜ comenta, com um leve dar de ombros e aquele brilho nos olhos —— metade provocação, metade curiosidade genuína. mas sem julgamento. até porque seus vicios bem menos seguros do que nicotina.
ᘛ featuring : @você
ᘛ scenery : a seu critério. surtos e farofas são incentivadas!
❛ e por que eu deveria te dar isso assim, de graça? ❜ a princesa arqueia uma sobrancelha —— o gesto quase um convite, implorando por algum tipo de desafio. qualquer coisa que quebrasse a monotonia que se instaura pelo salão pós o encanto inicial. ao seu lado, o objeto em questão paira bem seguro uma esfera de luz flutuante, como se o próprio sol o protegesse. e, com os braços cruzados, mayi completa: ❛ tsc. caridade é para o magisterium, chitti. se quer tanto isso, acho que eu e você podemos encontrar alguma maneira mais divertida de te ajudar. ❜ o sorriso em seus lábios, contudo, se ilumina em cinquenta tons de confusão.
"-- Ce n'est pas possible, juste l'arbre! Será que não tem alguém que possa me ajudar?!" A frustração era clara, enquanto apontava para seus sapatos que estavam...no galho de um árvore. E ela, com um vestido bem curto.. "-- Eu não tenho como subir ali, estou sem.....Não questione! Pode subir ali?"
❛ ah, claro. só uma árvore. ❜ mayi ecoa as palavras com um brilho no timbre, bem mais divertido do que o da princesa lefreve. e quem poderia culpá-la? são poucas as vezes em que testemunha uma situação inusitada que não envolve ela mesma. ❛ tudo bem, tudo bem. mas posso ao menos perguntar como eles foram parar ali? e, por favor, diga que é uma boa história —— esse lugar é tão parado... ❜ seus olhos castanhos quentes pontuam o último comentário com um revirar teatral, embora não desgrudem do par de saltos pendurados no galho. não é uma altura terrível —— ela costumava escalar árvores bem mais altas na infância ——, mas suas roupas de hoje definitivamente não foram feitas para esse tipo de atividade. usar um raio de luz para derrubar o galho também é uma possibilidade, mas será que vale a pena suportar mais tweets indignados de leonardo dicaprio sobre sua suposta inclinação ao desmatamento? provavelmente não. por fim, kiranmayi solidifica a luz solar em pequenos degraus até alcançar o par perdido. simples, eficiente e tediosamente adequado. ❛ aqui está! ❜ anuncia, triunfante. ❛ eu até diria para não perdê-los de novo, mas… que tal só esperar o sergei passar por aqui da próxima vez? ele é tão prestativo... talvez até tire a camisa pra nos oferecer algo bonito pra assistir enquanto ajuda. ❜
"Eu mesmo estou começando a me sentir como um fantasma hoje." O vermelho brincou, afinal, seu trabalho por ali era um tanto parecido com o de um espírito que vagava pela floresta. Na verdade, até mesmo no palácio. Desde que chegou para trabalhar em um lugar cheio de azuis, era como se Abel ficasse em um canto afastado, apenas observando e escutando às conversas; conversas que às vezes nem deveria saber. Ele se aproximou de Mayi com um tanto de cautela, já que não estava acostumado em ser notado. Ali, na Althara, era perigoso para qualquer vermelho se aproximar demais. "Muitos estão escondendo em galhos altos e arbustos..." Ele contou, dando uma boa olhada no medalhão da princesa, logo voltando o olhar pra ela. "Tem um tronco caído aqui perto, talvez dê para esconder por ali." Abel sorriu, tentando ser útil para não facilitar a vida dos caçadores que passarem por ali. "Ou debaixo de uma pedra..." Continuou, encolhendo os ombros. Logo um sorriso pintou seus lábios. "Certo. Talvez eu não seja bom em esconder coisas, mas gostaria de lhe acompanhar." Mayi era certamente uma das melhores companhias para se ter ali e Abel não queria perder a chance de pelo menos ter mais uma conversa com ela, e podia usar toda aquela missão como desculpa. "Então, você está tentando dificultar a vida dos caçadores apenas por diversão, ou porque já tem um pretendente e não quer outras opções?"
𝒇𝒍𝒂𝒔𝒉𝒃𝒂𝒄𝒌. a morena ergue as sobrancelhas ante a brincadeira —— quase como num questionamento silencioso, uma pequena provocação ——, mas não o pressiona. ela também conhece a sensação de se sentir como um mero fantasma. e seu estilo de terapia favorito sempre foi a de ignorar: cobrir seus problemas com glitter e esperar até que ele finalmente entendessem a deixa e desaparecessem. ❛ estão, é? ❜ sopra um riso conforme percorre o olhar pelo ambiente enquanto absorvendo cada sugestão de abel, imaginando pequenos cenários para cada uma delas. infelizmente todas parecem simples demais. óbvias demais. sem aquele pequeno je ne sais quoi adoravelmente caótico que grita kiranmayi. afinal, soluções práticas não fazem parte de sua estética. ❛ não, você não é. ❜ mayi é obrigada a concordar, mas o sorriso em seu rosto faz soar como se fosse um elogio. e como não sorrir? após um dia tendo que espantar lordes interesseiros como se fossem mosquitos, doidos por um pouco de seu sangue, ter sua companhia desejada com sinceridade —— e por alguém tão charmoso, vale comentar —— a faz reluzir. literalmente. ❛ ah, não se preocupe. eu já tinha decidido que você iria no segundo que te vi aqui. ❜ declara, animada, já enlaçando seu braço ao do vermelho. e se isso for dar algum problema de pr depois.. oh well. parece um trabalho para os assessores de sua mãe. ❛ sério. eu já não aguento mais andar sozinha nessa floresta. é medonha e irritante. e olha que nem sei qual desses é o pior! ❜ não que as ruínas fossem muito melhor, no entanto, lá não tinha nenhuma árvore fofoqueira para testar sua paciencia —— e mayi nunca imaginou que isso seria uma excelente coisa! e antes que a ideia de desmatar outra floresta se torne atrativa demais, a princesa volta sua atenção ao moreno bonito ao seu lado. só para rir com a pergunta que ele faz. ❛ ah. então você acredita que eu sou o tipo de mulher que tenta encontrar o pior lugar possível, apenas para torturar os mais fracos e obrigar meu favorito a conquistar excelencia em nome do romance? sinceramente, abel... ❜ o tom soa quase ofendido. quase. ❛ um único encontro e você já me conhece tão bem! ❜ ela balança a cabeça, em falsa rendição. já seus olhos brilham com uma diversão que não tarda a ecoar em seu riso. ❛ mas, dessa vez, terei que ficar com a primeira opção. não há nenhum pretendente… e ouso dizer que não haverá até o fim do programa. ❜ e, no que depender dela, continuará assim. ❛ e você? tem algum motivo para estar aqui, ou aparecer em locais super esquisitos faz parte do seu charme? ❜
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ INFORMAÇÕES BÁSICAS
Nome completo: Kiranmayi Rajeshree Suryavanshi
Reino de origem: Surakshya
Título/Posição: Quarta princesa da Casa Real Suryavanshi, Surya-Devi de Surakshya
Idade: 25 anos
Status atual: Solteira
✦ PERFIL PSICOLÓGICO
Kiranmayi é uma tempestade dourada: vibrante, imprevisível, encantadora e explosiva. Cresceu como a filha preferida do povo, celebrada pela mídia e protegida por seus irmãos. É a quarta na linha de sucessão de Surakshya e demonstra abraçar essa posição com uma leveza que beira a gratidão. Sem o peso da responsabilidade direta, ela parece confortável em sua liberdade relativa — o que a torna imprevisível e, paradoxalmente, perigosa. Não demonstra ambições tradicionais por tronos ou influência formal, preferindo atuar nos bastidores com charme e manipulações pontuais que lhe garantem caprichos diante do pai e dos irmãos. Seu romantismo é notório — embora já tenha se envolvido com figuras de alta hierarquia, não parece guiada por cálculo político, mas sim pela fantasia de encontrar um amor genuíno. Nenhuma de suas relações, no entanto, sobreviveu ao contato com a realidade. Seu senso de liberdade exacerbado, o que a leva a buscar prazer, adrenalina e afeto sem filtros. E por mais que possa ser vista como fútil ou irresponsável, a princesa possui uma sensibilidade afiada que a torna excelente observadora de caráter. Vive intensamente para não sentir o vazio deixado pela pressão familiar e pelo medo de ser domesticada. Quando contrariada, pode ser impulsiva e até teatral, mas guarda um coração fiel e uma coragem bruta.
Possui traumas? Abandono emocional materno, perda do controle de seus poderes que causou hospitalizações, ser forçada em isolamento em um dos palácios da família diferentes vezes, crescimento sob holofotes.
Como reage sob pressão? Primeiro explode, depois pensa. Reage com intensidade, mas tem força para se recompor.
Quais emoções o dominam? Curiosidade, euforia, medo de abandono, orgulho.
Quais são suas manias, motivações e fraquezas emocionais? Persegue a admiração dos outros; coleciona objetos dos países que visita. Tem medo de ser esquecida, substituída ou apagada.
✦ PODER REGISTRADO
Assim como já esperado de um membro da casa Suryavanshi, Kiranmayi demonstra controle solar: seu corpo irradia luz e calor, podendo cegar ou queimar. Também absorve energia solar, tornando-se mais veloz e resistente sob o sol direto. Diferente dos irmãos, que canalizam a luz como arma, seu corpo age como um gerador vivo de energia solar — suas próprias células metabolizam luz, fazendo dela uma fonte constante de calor e brilho. Isso afeta diretamente sua fisiologia: sente-se mais forte durante o dia, sensível à escuridão e, em estados emocionais intensos, sua pele pode emitir faíscas, calor ou até formar linhas luminosas sob a pele. A princesa não demonstra a mesma aptidão para rajas ofensivas, laser ou voô que seus irmãos, mas consegue condensar essa energia em figuras luminosas que se movem e escudos.
Limitações: O uso excessivo e intenso pode acarretar em episódios de febre e hipertermia. Desmaios são notados também. Seu poder não desaparece completamente à noite, mas já foi verificado que a força reduz exponencial.
Nível de controle: Médio.
IMPORTANTE! Efeito nos outros: Estar na presença de Kiranmayi não representa risco de imediato. A longo prazo, contudo, é observado que a exposição contínua ao seu corpo, que opera como um gerador solar em atividade constante, tende a provocar reações físicas graduais nos que a cercam. A maioria dos sintomas é discreta o bastante para ser ignorada nos primeiros meses: fotossensibilidade leve, sensação de calor persistente na pele, sede fora de hora. Mas à medida que os dias se acumulam, o padrão se repete — e se intensifica. Entre a quinta e sexta semana de convivência direta, surgem os primeiros sinais de acúmulo: alterações no sono, dores de cabeça recorrentes, sudorese espontânea, taquicardia leve mesmo em repouso. Em casos mais específicos, há relatos de irritabilidade constante, episódios de tensão muscular involuntária e uma espécie de agitação interior difícil de localizar — como se o corpo estivesse sendo discretamente estimulado o tempo inteiro, sem jamais repousar por completo. Esses efeitos não parecem voluntários nem direcionados. Pelo contrário: Kiranmayi mantém uma aparência serena e inconsciente do que emana. A teoria mais aceita entre os observadores é a de que sua fisiologia produz radiação térmica e lumínica em níveis constantes, sutis demais para serem vistos, mas sentidos — como um segundo sol, menor e invisível, irradiando de dentro. O efeito, acumulativo por natureza, sugere que ninguém deveria permanecer por tempo demais ao seu redor sem pausas regulares. Recomenda-se rotatividade de equipe, ambientes ventilados, e atenção redobrada a participantes de histórico sensível.
✦ ESTADO EMOCIONAL OBSERVADO
Entusiasmo social aparente com desinteresse estratégico — Apesar de demonstrar constante animação em eventos sociais e interações públicas, Kiranmayi apresenta uma postura notavelmente não colaborativa com os objetivos centrais de Althara. Ao invés de investir ativamente em alianças políticas via matrimônio, parece tratar sua estadia na ilha como um retiro glorificado — um espaço onde pode observar os dramas alheios com fascínio e se divertir às custas da formalidade. Há indícios de que a princesa rejeita profundamente a ideia de que seu valor esteja atrelado a um contrato burocrático. E embora saiba que está sendo vigiada, aparenta não se incomodar — ou finge com maestria. Sua conduta revela um tipo de rebeldia passiva: não confronta diretamente, mas se recusa a se moldar ao jogo proposto.
✦ PERFIL COMPORTAMENTAL EM CRISE
Em crises, Kiranmayi pode até tentar manter a calma a princípio, no entanto, seu temperamento costuma tomar a melhor — especialmente se provocada. Tende a reagir com impulsividade, mas não foge da batalha. Assume a liderança se desafiada, mesmo sem preparo, e tem carisma para arrastar outros com ela. Pode entrar em colapso emocional se confrontada com culpa ou abandono. Quando acuada, recorre ao sarcasmo e à teatralidade como defesa.
✦ PADRÕES DE INTERAÇÃO SOCIAL
Kiranmayi se alia a quem a faz sentir viva — aventureiros, artistas, outras pessoas igualmente charmosas. Ela tem apreço genuíno por gente “inconveniente”, desde que sejam sinceros. Evita figuras moralistas ou frias, bem como oportunistas. Parece dar mais valor a alianças afetivas do que estratégicas, mas não se limita apenas a elas. Não demonstra ser alguém que cultiva rivalidades, como se relações deste tipo estivessem abaixo de si. No entanto, costuma ter atritos com figuras que a subestimam ou tentam contê-la.
✦ PERFIL POLÍTICO - RELIGIOSO
A princesa demonstra ter postura de cordialidade frente ao Magisterium, mas possuí o afastamento esperado daqueles que vem de Surakshya. Acredita nos antigos deuses solares — uma concessão oferecida pelo Magisterium frente à importância das habilidades dos Suryavanshi. Sua devoção, contudo, é mais simbólica do que ritualística. Já foi vista mencionando eles com mais frequência que os Sete Santos. Não faz declarações ou atos diretamente contra a fé azul, mas também é sabido que ela possui uma inclinação a acreditar em mudança e mistura — o que, inclusive, já a colocou sob vigilância. É vista como risco potencial por simpatizar com discursos sobre inclusão vermelha.
Possui vínculos suspeitos com facções? Surpreendentemente, não.
✦ RISCO DIPLOMÁTICO
Alto. Suryavanshi é uma mulher impulsiva, às vezes voluntariosa e se cerca de pessoas inconvenientes. Sem mencionar que já possui histórico envolvendo escândalos midiáticos. E vez que está em Althara contra sua vontade, não é errado considerar que qualquer estímulo — por menor que seja — pode lhe fazer protagonizar uma polêmica indesejada.
✦ RELAÇÕES ESTRATÉGICAS
Familia Bourbon — familia real de Castilla — Aliados. Relação de proximidade quase familiar. Kiranmayi é próxima da enorme maioria dos irmãos e costuma estar junto a algum deles. ( @vaicatalatinha & @drymartina & @semprevencia & @alealejandrc & @solbourbon )
Gayane Arakelyan-Lăzărescu e Caliban Barbăneagră-Cantacuzino — Rainha da Armênia e Príncipe de Valdumbră, respectivamente — Rivalidade. São relações tensas, cultuadas mais pelo histórico de intriga entre Valdumbră e Surakshya. Ambos azuis demonstram mais cautela e/ou antagonismo do que Kiranmayi, que costuma agir como se estivesse acima de tais rixas — ao menos, até ser provocada. Sugere-se mantê-los separados durante as refeições. ( @gaiasatanica & @calibancantacuzino )
Wilhelm von Vessel — imperador da Alemanha — Aliado. Os dois possuem um relacionamento próximo. Talvez até demais, embora ambos aleguem ser apenas amizade. ( @wlhelm )
✦ INDICADORES DE AMEAÇA
Isolamento forçado — dado os efeitos de sua fisiologia e a sua impulsividade, Kiranmayi já foi mantida em isolamento pela família algumas vezes. Menções e, principalmente, ameaças disso podem desestabilizá-la.
Maharani Amriteshwari — é sabido que a princesa tem um relacionamento próximo com quase todos os membros de sua família, mas o mais complicado, sem sombra de dúvidas, é com a sua mãe. O espírito livre da princesa se choca constantemente com o comportamento controlador da maharani.
Tentativas de antagonizar sua família, principalmente seus irmãos — embora numerosos, os filhos do Marajá ostentam, quase em sua maioria, uma proximidade que atravessa até o relacionamento contrurbado entre suas diferentes mães. Kiranmayi parece ter um grau de proximidade ainda maior com o segundo principe Rudrahan, a Ira Dourada.
Para uso interno da segurança em protocolos de contenção.
✦ INFORMAÇÕES SENSÍVEIS
Kiranmayi se envolveu romanticamente com o príncipe Hakon da RANU durante um outono. Os dois chegaram a arquitetar uma fuga conjunta, mas a princesa desistiu de última hora por motivos desconhecidos.
Já foi vista em festas com presença vermelha, algumas de teor simbólico e clandestino. Apesar das suspeitas, as investigações apontam que suas motivações eram mais ligadas à curiosidade e adrenalina do que a qualquer ideal revolucionário. Por ora.
Possui um histórico de envolvimento em esportes de risco — com um pequeno foco em corridas de carro clandestinas— alguns dos quais em companhia de María Soledad de Castilla, com quem compartilha uma reputação volátil.
Durante a adolescência, em uma festa não autorizada nos jardins da Académie de la Gloire, perdeu o controle de seus poderes sob influência de substâncias desconhecidas. O resultado foi uma descarga energética que devastou 12 hectares de floresta protegida. Três nobres foram hospitalizados, mas o incidente foi abafado pelas autoridades educacionais e pela diplomacia de Surakshya.
A princesa também já usou disfarces para se infiltrar em festivais populares, sendo reconhecida em pelo menos dois episódios que foram silenciados pela mídia.
Rumores internos sugerem que Kiranmayi mantém um cofre criptografado com arquivos de profecias consideradas proibidas pelo Magisterium.
✦ BOATOS
Ela consegue controlar o clima quando está de TPM.
Beijou dois pretendentes no mesmo dia apenas para comparar — Há quem aumente o boato e diga que os dois foram os irmãos Lorenz ( @gemeosemacao ) e Ludowig ( @ludowiglixostein ) de Liechtenstein.
✦ OBSERVAÇÕES ADICIONAIS
Desempenho atlético elevado, tendo inclusive alcançado nível olímpico em hipismo.
Seu histórico escolar é caótico, mas também genial em disciplinas criativas. Atualmente, ela estuda História e Antropologia na Universidade de Luxemburgo, sem um foco específico ainda.
Desde a infância, Kiranmayi passa por análises e acompanhamento em centros médicos e biomédicos de elite devido a natureza incomum de seus poderes.
Como dito anteriormente, a princesa rejeita a ideia de um casamento meramente político e tampouco parece inclinada a tentar encontrar algo além em Althara. Ao contrário, prefere observar os dramas se desenrolarem à sua volta como se estivesse em férias prolongadas.
Tende a gerar forte influência em círculos sociais — positiva ou destrutiva.
▌ASSINATURA:
T.N.S.
Chefe de Segurança do Castelo de Treatan
Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
Wilhelm gostaria de ser daquele jeito. Ainda que a função imposta apresentasse peso, uma personalidade mais suavizada e leveza, de certo, o ajudaria bastante. Desde o dia de sua ascenção ao trono, foi ensinado apenas a reger de forma rígida com pulsos firmes. Sorrir era intolerável e estar sério e impássivel, quase inalcançável, era obrigação. Poderia ainda lembrar das vozes e seus donos que o guiaram em sua formação como imperador. Regras e mais regras. Etiquetas que pareciam surgir aos montantes, o afogando em uma realidade cruel onde a busca pela perfeição, pelo menos visual, era tida como principal objetivo. Não se importavam com seus sentimentos ou em como pensava no singular. Com a coroa nas mãos e milhões de pessoas dependendo de seu regimento, ele precisava esquecer de si mesmo, dando atenção naquilo que só o machucaria e garantiria dores e mais feridas. Pensando daquela maneira, sentia falta de si mesmo e em como tudo era mais fácil quando a pretensão de herdar um ducado quase falido era o seu único problema. Quando era menino e acordar cedo para assistir o sol nascer era uma prioridade. Quando ser ele mesmo era uma virtude posta em prática sem maiores dificuldades. Por alguns breves minutos, acreditava ele, perdeu-se naqueles pensamentos. A mão que segurava a da princesa tornou-se mais quente, e inconsciente, Wilhelm apertou os dedos alheios com certa força. Seu olhar se perdeu, e em piloto automático, começou a caminhar para fora da capela. Tudo o que ouvia armazenava-se aos poucos na mente. Outrora mas em breve, quando se livrasse do que quer estivesse o atormentando naquele momento, revisitaria e daria uma boa resposta, alimentaria sua Mayi com as palavras que ela desejasse ouvir. Entretanto, envolto daquela cortina cinza que teimava tomá-lo de vez em quanto, o imperador se encontrava perdido no que mais o assustava -apesar de jamais vocalizar tal coisa em voz alta. Simplesmente não podia. Não ainda.
— Não posso simplesmente negar algo do tipo, principalmente quando tenho todo poder, mas ainda assim não posso escolher por mim mesmo. — Disse aleatoriamente, um tanto distraído, esquivando de corpos que apareciam em sua frente, porém, a passos lentos, sem se preocupar com um destino. Ainda que não houvesse mal em suas palavras, seu tom pareceu ríspido, algo que só entendeu depois de ter ouvido a si mesmo. — Não posso simplesmente parar com o fluxo de moças e muito menos dar um basta. Ou então, escolher qualquer uma apenas para silenciar o parlamento que vive puxando o meu pé, cobrando por uma decisão que não estou nem um pouco feliz em dar, não quando a qualquer momento... — Calou-se. Voltando ao mundo real, após livrar-se dos devaneios, Wilhelm virava o rosto para observar outrem buscando qualquer reação que pudesse surgir após a sua fala. Relações humanas, ainda que não fossem novidade, também eram um empecilho. Kiranmayi o conhecia. Mas não completamente. Sabia do homem legal, aquele que conseguia arrancar sorrisos e alguns suspiros. No entanto, não aquele que sentava no canto mais escuro do quarto, que rezava fervorosamente na língua natal por uma santa que não lhe dava ouvidos, clamando por uma solução que tardava a vir. Não sabia dos surtos, ou então, aqueles que ocultava para evitar preocupações e perguntas com respostas que ele não saberia dar. Da visão que anunciava a sua morte que, cedo ou tarde, aconteceria sem anúncio. De repente, uma pequena onda de culpa começou a tomá-lo aos poucos. Não deveria estar agindo daquela maneira, mesmo que não fosse intencional. Não com ela. — Desculpe, Mayi... eu... — Hesitou continuar mais uma vez, puxando-a carinhosamente até o primeiro canto reservado que encontrou pela frente. De todas as pessoas que conhecia, a jovem princesa não merecia suas preocupações ou reclamações do tipo. — De repente, lembro disto e me sinto... Desconfortável... Sabe como funciona a minha mente- —
Respirou profundamente, desvencilhando a mão que segurava a dela, levando ambas as mãos ao rosto e depois aos cabelos, bagunçando o até então impecável penteado. — Isso é chato para caralho. Digo, não você, mas tudo isso. Estou uma pilha de nervos. Recebo ligações, mensagens e até cartas sobre isso. Não suporto mais ter que lidar com os julgamentos e o desgosto alheio. Gostaria apenas de sentar em um canto e... — Após garantir que mais ninguém o observava, aproximou-se da outra rapidamente, abaixando-se o suficiente para apoiar a própria cabeça no ombro alheio. Estar tão próximo assim lhe garantia conforto e paz, algo que sozinho jamais conseguia. A mente conturbada e a mil não poderia lhe garantir tal descanso. Entretando, com Mayi, as coisas aconteciam de forma diferente. Seu humor moldava-se ao dela aos poucos, deixando-se levar pelo brilho que naturalmente já emanava de sua pele. Era contagiante, o que lhe causava um pouco de inveja. Mais uma vez, ele faria qualquer coisa para ser e agir de tal maneira. — E respirar. — Disse por fim, erguendo o olhar para fixar as íris claras as escuras que pertenciam a ela. — Vamos esquecer disso por agora. — Sussurrou mais como um alerta para si mesmo do quê para a amiga. — Não quero voltar a pensar no que preciso fazer no jantar. Não quando tenho a melhor pessoa em todos os atributos ao meu lado. — Buscando ficar em paz, a mente o relembrava das anteriores falas da princesa. Um sorriso tímido começou a brotar no canto dos lábios, além do rubor que começou aos poucos a tomar conta de sua face. Elogios, principalmente aqueles referidos a si por Kiranmayi, causavam-lhe aquele tipo de comportamento. Descendo os olhos, mais uma vez, para o decote, Wilhelm não buscou pudor nenhum, encarando-o ali despreocupadamente, como se estivessem a sós. — Vejo que hoje está inspirada a tomar e roubar sem piedade alguns suspiros. — Riu, ainda nervoso, mas diferente de como estava minutos atrás. — É pretencioso achar que faz algumas coisas de forma proposital? Como se quisesse tomar a atenção que pertence a mim mas que você já a tem sem ao menos muito se esforçar?
Era difícil de explicar -e ele tentava- a forma como ambos se relacionavam. Uma comunicação simples que se tornou amizade. Uma princesa aberta as possibilidades que enxergava algo que ele achava pouco provável ter. Uma amizade que ultrapassava certos limites, que alimentava desejos e supria outros. Quando não estavam rindo de um assunto qualquer, estavam aos beijos, loucos quase desesperados, prontos para o ato que de certo levava ambos ao loucura. Wilhelm havia perdido a conta de quantas vezes havia se perdido entre os lençóis de outrem e em quantas vezes havia permitido que ela fizesse o mesmo nos seus. Uma amizade com benefícios, outros diriam. Talvez fosse aquilo. Ele considerava como uma total compreensão. Se divertiam em qualquer âmbito. Conversavam despreocupados. Beijavam-se da mesma maneira. E bom, faziam amor com o mesmo conceito em mente. Analisando a situação, não havia complicação ou problemas. Apenas dois adultos que se entendiam da melhor forma possível. E se terminavam sem roupas, uma vez ou outra, era entendido como um resultado de ações muito bem pontuadas. Fácil, certo? — Um trato, na verdade. É isso que está propondo mais uma vez. — Pressionando um lábio contra o outro, Wilhelm hesitou mais uma vez, porém segurando as palavras que pareciam maliciosas demais para serem ditas fora do conforto de qualquer quem fosse o quarto. Postura. Dentre todas as coisas, precisava manter a postura. E aquela pequena tarefa pareceu impossível quando começou a notar os tão convidativos lábios vermelhos da amiga. — Ser usado por sua pessoa, entre todas as coisas que fazem comigo, é a melhor função que posso exercer sem qualquer problema. Bom, querida Mayi, você me têm até o jantar. Faça bom uso. Desfile comigo pelos corredores e em troca, afasto os covardes e mal intecionados da sua lista de pretendentes a se pensar.
suspiro se prende na garganta da morena ao que é carregada da capela, e ela somente revira os olhos para o fato de que isto é feito sem nenhuma risadinha para sua não-tão-brincadeira ou mesmo um segundo de hesitação para que acreditasse que ser arrastada até um canto mais discreto da capela fosse uma possibilidade. e, não se engane: se fosse qualquer outra pessoa, mayi teria reclamado —— quem sabe, ainda o faça mais tarde... no entanto, do mesmo jeito que wilhelm tem uma suavidade particular consigo, ela também costuma se mostrar mais compreensiva com ele. tolerante, até. porque, novamente, ela entende. é facil olhar para a princesa surani e enxergar apenas o espírito livre e voluntarioso, mas por baixo disso há também alguém que sempre observou de perto o fardo silencioso de um trono —— como ele demanda e consume de seus regentes tudo aquilo que consegue: sonhos, escolhas, relacionamentos e até a sua individualidade. viu isso no pai, perfeitamente feliz com o primeiro casamento, e ainda assim forçado a tomar outras três esposas em nome do progesso. viu em suas mães, que tiveram que abandonar uma parte de si para que coubessem em seu papel. viu até mesmo em seus irmãos mais velhos, que por ora lidam apenas com as exepectativas de suas funções e ainda assim, o fazem com mais graça que ela própria seria capaz. bem, talvez rudrahan não lide com tanta graça, mas ele é o seu favorito —— mayi lhe concede esse mérito!
dito isso, a surani entende a pressão que se aloja nos ombros do imperador melhor do que poderiam lhe dar crédito. e por isso, ao invés de impor seus caprichos, permite ser guiada pelos jardins, sem destino, sem comentários, apenas seus dedos entrelaçados aos dele e uma careta eventual que surge em meio ao que o escuta por pra fora. não é a rispidez acidental que lhe incomoda e nem que ele se sinta na necessidade de o fazer —— é o como ele viaja para longe em seus pensamento sem nem tentar trazê-la consigo; ou então como as íris claras dele de repente se voltam para si, quase que perdidas entre dúvidas e o receio de deixá-la muito perto. se para salvá-la ou salvar os segredos que o afundam em tais pensamentos, ainda não sabe, só que tampouco a impede de revirar os olhos mais uma vez, soltando um mūrkha rakshak mudo entre os dentes.
sinceramente, a única coisa que o salva viktor de levar uns sacodes merecidos é o fato dele ser tão babygirl. ❛ você está muito longe, kanna. precisa voltar para mim. ❜ diz em um sussuro calmo, deslizando as mãos sobre as que ele leva ao rosto, segurando-o junto a si com tanto afeto quanto segura seu olhar. suryavanshi não precisa de desculpas e nem explicações, só que ele esteja ali. poderia até mesmo ouvi-lo ler a bula de algum remédio alemão para dor nas costas —— e o pensamento só não lhe arranca um sorriso maior do que o momento em que aquele homem, quase trinte centímetros mais alto que ela, se encolhe para encostar a cabeça em seu ombro. viu só? babygirl. não a como resistir a vontade de protegê-lo. instintivamente, os seus dedos se perdem no cabelo dele, sem pressa alguma, num carinho que dispensa palavras. ela, contudo, fala mesmo assim: ❛ bem, você poderia respirar melhor se me pegasse no colo. só uma ideia.. ❜ ela tenta arrancar um riso dele, em timbre despreocupado, inocente até, se não fosse aquela pontinha de humor sugestivo que não nunca deixa claro se é somente uma brincadeira ou não. as íris castanho douradas brilham quando reencontram as dele. ❛ você não precisa esquecer, vik. fingir que o problema não existe só piora a situação —— ao menos é isso o que me disseram. ainda estou testando. ❜ dá de ombros, oferecendo um meio sorriso compreensivo. o will não é o único naquela ilha que deseja esquecer seus problemas, muito embora, estes acabem pesando mais na grande escala das coisas. ❛ mas se quiser, eu posso lhe ajudar. ❜ mayi oferece com uma certeza sutil que consegue brilhar mais forte que o sol em sua pele. e quando a resposta de vessel para isso é abaixar os olhos para seu decote, ela nem tenta conter a gargalhada, aproveitando que ainda tem os dedos afundados nos fios dourados para puxá-los, trazendo assim o foco de volta para seu rosto. ❛ não assim, alemão! ❜ tenta repreendê-lo e falha miseravelmente. o sorriso largo demais não denota qualquer tipo de seriedade, e seu brilho reluz contente diante a afirmação de que é a melhor pessoa em todos os aspectos —— ora só, não é porque a surani concorda com isso que não ficará feliz de escutar outras pessoas concordarem também. ainda mais quando wilhelm a fita daquele jeito.
e quando as perguntas dele lhe alcançam, ela pode apenas gargalhar mais uma vez. ❛ alguém já disse que você é esperto demais pro seu próprio bem? ❜ inclina o rosto em sua direção, como se dividisse um segredo apenas dele. ❛ dessa vez, no entanto, não é intenção, só o fato de que você é homem, vik. basta um par de seios bonitos e vocês ficam balançados. ❜ o revirar de olhos, mais uma vez, é leve. kiranmayi não faz o tipo de diminuí sua própria beleza em nome da falsa modéstia, só que tampouco pode deixar de ser criteriosa —— e vessel já havia lhe visto em estados muito mais atraentes do que aquele. esse fato, contudo, não a impede de guiar as mãos dele até sua cintura e subi-las devagar, até que estivessem próximas do ponto de maior distração dele. não que kiranmayi acredite que ele vá ceder tão fácil quando cada movimento é capturado por cameras intrometidas. mas uma garota pode tentar! ❛ mas se quiser, posso fingir que realmente vim atrás de você de joelho ralado, cabelo bagunçado e toda suja de terra só para tentar seduzir o seu homem primitivo interior. ❜ conforme fala, as mãos da morena passeiam pelos ombros e peitoral masculino com gosto, puxando-o para mais perto, até tê-lo encostado na coluna que os separa do mundo fora da bolha deles. ❛ entre nós dois, se você gostou desse, então teria adorado os planos que eu tinha para nós na floresta. sabe, eles envolviam cipós, uma tanguinha e vários jeitos criativos para tentar te fazer gritar que nem o tarzan. ❜ e agora é a vez dela descansar o rosto nele, quase como se tentando abafar o riso que esta imagem mental provoca.
❛ ah, me desculpe, majestade. um trato. ❜ corrige com olhos que rolam com mais implicancia do que de fato sente —— porque há de se convir que, diante do olhar faminto que encontra nos dele, fica difícil manter qualquer pose. as bochechas de kiranmayi são tingidas por um rubor sutil e no mesmo instante em que a vontade de gritar lhe incade. pode até ter brincado com seu próprio estado segundos antes, mas wilhelm parece bem pior —— como se tivesse saido no soco com umas três árvores. não que a morena pudesse julgar depois de ter conhecido as árvores daquela floresta... mas ainda assim, é quase ofensivo o jeito como ele continua atraente!! ❛ vik, nós dois sabemos que eu posso fazer um excelente uso de você. ❜ responde pausadamente, o tom perdido entre promessa e ameaça a medida em que os olhos caem para os lábios dele e o canto dos seus próprios se ergue com charme malicioso. a vontade de pular em seu pescoço e beijá-lo até que o desejo superasse qualquer necessidade por compostura está ali —— sempre está. contudo, mayi sabe que nunca é tão simples com seu imperador certinho. ❛ mas, em nome do family friendly, eu posso me limitar a um bom uso. ❜
com isso, ela se afasta num passo largo. seus olhos continuam fixos nos de wilhelm, sustentando-os enquanto se caminha de costas, puxando lentamente o ziper do casaco até cair aos seus pés com a naturalidade de quem está acostumada a ser observada. o conjuto de top e short que veste não esconde muita coisa, mas tampouco há algo ali que o loiro já não tenha explorado com os olhos, mãos, boca e pincéis. ❛ o único problema é que você parece sujo demais para poder espantar alguém, kanna. ❜ comenta casualmente, desviando o seu trajeto com falsa distração. os pés agora a levam em direção aos vasos de plantas que separam onde eles estão da área da piscina, onde uma mangueira repousa, esquecida. o sorriso da princesa se alarga sem pudor —— é o tipo que costuma vir acompanhado de uns quatro tipo de de avisos diferente ——, e mayi só torcer para que seu ele esteja ocupado demais com o balançar de seus quadris para perceber suas reais intenções. felizmente, debaixo do sol, ninguém é tão rápido quanto ela. ❛ o que me lembra que você nunca me disse o que você tirou: coração ou caçador? ❜ e uma vez que tem a mangueira em mãos, já apontada na direção dele e os dedos posicionados com precisão em sua válvula, suryavanshi completa, alegre: ❛ devo te avisar que a resposta que você der pode inflienciar no quão molhado você sai daqui.. ❜
Ele já havia perdido a conta. Quarta? Quinta vez? Aquela trilha parecia decidida a empurrá-lo para dentro de um passado que ele tentava — em vão — enterrar sob camadas de sarcasmo e silêncios bem calculados. Claro, a floresta da ilha precisava ser dramática. E então lá estava ela. De novo. Kiranmayi. Ele a reconhecia antes mesmo de ver o rosto. Era o modo como os passos dela soavam contra a terra, como o ar parecia se mover diferente quando ela passava. Como se o universo inteiro fizesse uma pausa breve, sussurrando: você ainda sente, admita. ❛ Kira... ❜ Escapou, num sopro baixo demais para ser um chamado real. Era só o pensamento antigo, insistente, familiar. O apelido, nascido de tardes em Delhi e noites em São Petersburgo. Agora, ela estava ali, os braços abertos em rendição, como se pedisse ao cosmos por alívio — ou por distância. E ele… ele quase queria dar. Quase. Porque sim, ela o acusava, como se ele tivesse seguido uma trilha atrás dela só para reabrir feridas. Como se ele tivesse planejado tudo. Mas a verdade é que Gustav nunca planejou nada quando se tratava de Mayi. E foi justamente esse o erro. Ela queria portas abertas, ele construiu muralhas. Ela falava sobre sentimentos, ele colecionava silêncios. E por fim, ela foi embora. Mas não com raiva. Nunca com raiva. E isso talvez fosse o que mais o deixava desconfortável agora — ela ainda conseguia rir. Ainda conseguia dizer “manipulativo” com aquela entonação leve demais para ser acusação, mas firme demais para ser piada. Ele cruzou os braços, desviando o olhar por um segundo, como quem busca por onde sair. Não havia. Nem da trilha, nem dela. ❛ Você sempre foi boa em teatralizar, alteza. ❜ Ele soltou um riso breve, sem humor. ❛ Essa culpa generosa combina mais com o que você gostaria de ouvir do que comigo. ❜ Pausou. Precisava pensar. Medir o próximo passo. Mas Mayi nunca lhe deu esse luxo — nunca o deixou confortável o suficiente para ser só gelo. Ela aquecia, derretia, e cobrava calor em troca. ❛ Talvez você não precisasse estar presa aqui. Mas algumas coisas nunca mudam, hun? ❜ Era quase cruel de sua parte, mas precisava estabelecer uma distância entre eles. E garantir, de alguma forma, que ela se mantivesse. Ainda mais agora, quando ele sabia que estava há exatos trinta e sete passos do quarto dela, todas as noites. Quando via ela rindo de alguma piada que ele poderia ter feito. Ou quando ele a via pensar onde esconder o medalhão, que outra pessoa encontraria. ❛ Vejo que você ainda não aprendeu a hora certa de ir embora. ❜
ela trava o maxilar diante o apelido. gustav não é a única pessoa que a chama assim, kira é tão popular quanto a outra metade de seu nome, mas há algo no jeito como soa na voz dele que parece agarrá-la pelo braço e puxá-la diretamente para um momento do passado. se fechar seus olhos, pode até mesmo se ver deitada sobre peito dele, traçando todo um futuro irreal enquanto contava as estrelas refletidas naquele mar aberto que ele tinha no olhar —— a única coisa aberta nele, só que naquela época, ela não se importava com isso. naquela época, ainda achava que se amasse o suficiente por dois eventualmente o alcançaria, que amor seria capaz de destruir todas as barreiras que o afastavam dela. o típico i can fix him que só acaba te destruindo no processo. e não duvida nem por um segundo que ele a teria destruido se deixasse!
é um pouco patetico, não?, mais um sussuro que vem de todos os cantos, fazendo-a cerrar os punhos brilhantes rente ao corpo.
a pior parte é saber que tem razão! a surani se sente tão abalada por tão pouco enquanto o yusupov continua tão frio, tão impenetravel, olhando ao redor como se quisesse estar em qualquer outro lugar e ela fosse a pedra em seu caminho. honestamente, queria poder gritar, de perguntar quem tinha dado a ele toda aquela audácia. ❛ não é teatro, é apenas emoções. mas eu entendo a confusão, sei que na rússia essa palavra é meio que taboo! ❜ mayi retruca prontamente, forçando o maxilar de tal maneira que os lábios se comprimem numa linha fina, ácida. e tão logo que as palavras atinguem o ar, acaba se arrependendo. ❛ okay, eu retiro o que eu disse. isso não é um problema da rússia —— é seu! ❜ até porque sergei tem emoções —— ele, inclusive, pode muito bem ter ficado com toda a cota disponivel para a familia inteira.
mais com o que você gostaria do que comigo, a trilha ecoa, utilizando as exatas palavras dele com uma acidez a mais. kiranmayi só não grita de novo porque, de certa maneira, se vê obrigada a concordar. ainda mais quando ela completa: uuh. é a história de vocês dois, não? você querendo e ele não dando, não fazendo nada....
tal validação da fauna intrometida serve como combustivel para o fogo que queimava sob sua pele. novamente, ela está no passado, hiper-analisando todas as suas falas e gestos, tentando adivinhar o que ele quer ou que sente. e que os sete a queimassem ali mesmo porque não se lembrava do quando aquela merda doía! ❛ só a culpa, gustav? ❜ cutuca. ❛ porque, se bem me lembro, esse foi todo o nosso relacionamento. eu tentando, quase implorando pelo mínimo, enquanto você agindo como se não quisesse participação nenhuma! ❜ se é ela ou a floresta que fala, já não importa. as palavras somente saem, finalmente escapando daquela cova funda em que tentou enterrar tudo aquilo que tinha a ver com o russo. não há necessidade alguma de irritá-la para que mantivesse a distância —— na verdade, se gustav tivesse dado as costas e ido embora, a morena faria questão de ignorá-lo mesmo que fosse obrigada a esbarrar nele mais setessentas vezes. só que a crueldade dele tem o efeito é até o oposto: ela dá um passo em sua direção, sentindo o corpo praticamente convulcionar de tanta raiva.
❛ o que você quer dizer com isso?! ❜ cospe as palavras como se fossem veneno em sua boca. os feixes de luz solar que espreitam entre as folhas densas até desviam, como se sugadas ao seu redor. não é o brilho alegre, beijado de sol que costuma ostentar; se fosse aquela cena saísse de um desenho, seria fogo que consumiria ao seu redor. e sem perceber, ela continua a caminhar até ele. ❛ qual é a porra do seu problema?! ❜ pergunta, o sotaque mais carregado com a raiva. ❛ até pouco tempo atrás tava falando para pedir outra chance e agora vem com essa babaquice toda? é algum cliché para me fazer te odiar ou só continua tão miserável que precisa tentar causar alguma reação para que consiga fingir que sente alguma coisa??? ❜
mayi estava cercada por risos — não dela , necessariamente , mas dos que sempre a rodeavam . era como se tivesse um dom natural para desarmar ambientes , o que tornava sua presença quase sempre bem-vinda . ou , ao menos , funcional . laurent já havia cumprido sua cota de interações políticas naquele brunch e precisava equilibrar a imagem para parecer receptivo . mayi seria útil , pensou . se aproximou com passos lentos , cronometrando o momento certo em que ela se afastou do pequeno grupo em que estava . ‘ preciso marcar horário para ter uma conversa com uma velha amiga ? ’ não esperou resposta . continuou , mudando o tom para algo mais casual . ‘ a propósito , lembra daquela vez em que te mostrei a aliança do meu antigo noivado … e todo mundo achou que a gente que estava noivando ? ’ ele inclinou o rosto , como quem recordava uma nostalgia genuína . o assessor de imprensa dele quase teve um infarto . os boatos duraram uma semana . ‘ comecei a achar que teria sido mais vantajoso mesmo . ’ completou , com um sorriso amargo no canto da boca . ‘ pelo menos você não teria me trocado por um senhor de cento e cinco anos e uma plantação de milho na ucrânia . eu espero . ’
não importa que a princesa de surakshya esteja em althara contra sua vontade, nem que, por isso, observasse todos os eventos promovidos ali com uma severidade que talvez não tivesse em outro contexto —— ela não faz o tipo que se isola pelos cantos como uma adolescente alternativa irritada, tentando transformar seu castigo num problema coletivo. por surya, ela nem fica tão bem assim de preto! nada disso. kiranmayi suryavanshi é sociável por natureza. gosta genuinamente de estar cercada por vida, por vozes, por risos e fofoca. às vezes, até sente que precisa disso. e quando se joga esse tipo de energia para o universo, as pessoas são atraídas naturalmente. até mesmo quando apenas tenta alcançar outra fatia de bolo de chocolate. ❛ eu jamais obrigaria um homem tão bonitinho como você marcar horário, laurent. mas você precisa demonstrar querer minha companhia, ora! ❜ mesmo com ele mudando o assunto, ela escolhe mencionar, com o revirar sutil das orbes castanho-douradas é leve demais para denotar repreensão, e seu tom paciente —— quase exageradamente —— de quem explica algo óbvio para uma criança. qualquer um poderia se jogar aos pés de um futuro rei por um minuto de atenção, já mayi prefere que os outros se joguem aos seus pés por um minuto seu. e honetamente? baseado na maioria de futuros monarcas que já encontrou, pode alegar confiante que ela é bem mais interessante!
ainda assim, ela ri. uma daquelas risadas líricas, sopradas com naturalidade, ao ser recordada de tal episódio. ❛ e como esquecer? você, inclusive, deveria ter tido a gentileza de ter mandado ao menos um buquê de flores para sua sogra de mentira. ela quase caiu dura quando soube —— veja, aquele é bem o tipo de situação que aconteceria comigo. mas, entre nós, acho até que te considera o melhor dos noivos que já tive. ❜ espelha o movimento do frances, inclinando o rosto para mais perto, para que assim pudesse compartilhar a última informação como quem compartilha um segredo de estado, sem deixar de sorrir com malícia. ❛ pelos sete! cento e cinco, jamais! ❜ a exclamativa escapa de imediato, incapaz de conter o riso que surge com tal barbaridade. seu máximo até então é trinta e sete, no entanto, a princesa mantém a informação para si, imaginando que laurent não fosse se impressionar nem mesmo quando fosse obrigada a acrescentar que estaria disposta a considerar um de quarenta e cinco, se bem conservado.
ao perceber a amargura em seu sorriso, ela faz um esforço para direcionar a conversa para algo mais leve. ❛ você me dá muito crédito, laurie. eu detestaria desapontá-lo! ❜ acena a cabeça em uma negativa, seu tom tão bem humorado quanto sincero. não tem a opinião do principe como uma necessidade, mas até a surani sabe que laurent guarda seus rancores próximos ao peito e os nutre com a mesma dedicação dada a um bichinho de estimação querido. definitivamente o tipo de nome que não precisa entrar para a lista de homens desiludidos com ela! contudo, por um momento, mayi enlaça seus braço ao dele e o guia até uma das mesas de quitudes, as sobrancelhas franzidas de leve ao que finge ponderar. ❛ admito que seriamos um belo casal —— certamente o melhor quadro de coroação do palácio de velraisse. e olhe só, eu até estaria disposta a lhe dar dois pequenos raios de sol para dar continuidade ao seu nome, com meu sorriso e seus olhos. ouso dizer que teríamos uns dois, três anos maravilhos. mas eventualmente, achariamos um jeito de enlouquecer um ao outro. ❜ um brilho divertido acende em seus olhos ao que completa: ❛ olhe para nós dois. eu provavelmente acabaria te devorando como uma louva-santo. ❜