dylan.
Por sorte, a resposta para sua mensagem não havia demorado muito para chegar. Após receber a confirmação de que Kendra viria, Dylan decidiu levantar-se da cama para dar o mínimo de jeito em si mesmo. Foi ao banheiro para tomar um banho rápido, e após sair, passou os últimos minutos que restavam antes da chegada da Bordeaux para tentar arrumar seu quarto – quase conseguindo fazer isso. Ainda não estava totalmente em ordem, mas já era diferente do ambiente quase apocalíptico que havia se formado sem nem mesmo que ele percebesse durante os últimos dias que habitou apenas aquele cômodo.
Ainda tinha os cabelos molhados quando desceu as escadas para esperar Kendra, caminhando de forma impaciente pelo hall de entrada e conferindo pela janela de tempos em tempos para verificar se algum carro se aproximava, e por isso já estava à posto quando finalmente viu os faróis adentrando o terreno da residência. Sentiu o celular vibrar em suas mãos, logo visualizando a mensagem que ela havia o enviado anunciando a chegada e quase soltou uma risadinha baixa, já que mesmo sem aquilo ele já estaria esperando por ela.
Abriu a porta para dar de frente com a Bordeaux, passando os olhos rapidamente pela silhueta feminina enquanto observava-a aproximar-se os últimos passos. “Meus pais não estão em casa. Não precisa… Sabe, fingir nada.” Achou melhor avisar, já que eles sempre engatavam em seu teatrinho constante quando na presença dos responsáveis. Deu espaço para que ela entrasse e fechou a porta logo em seguida, indicando com a cabeça para que subissem as escadas logo em seguida.
“Desculpe não ter dado sinal de vida nos últimos dias.” Pronunciou, apenas quando já haviam chegado ao seu quarto, novamente deixando a porta aberta para que ela adentrasse o local. Apesar de estar sozinho na residência, sabia que a casa dos Maddocks era sempre uma constante de entradas e saídas de seus ocupantes, e preferia a privacidade de seu quarto para aquela conversa, para que não fossem interrompidos ou surpreendidos por ninguém. “A minha cabeça estava meio bagunçada. Eu precisei colocá-la no lugar antes de fazer… Sabe, qualquer coisa.” Continuou, sentando-se na cama. O olhar voltou a fixar-se nela. “Como você está?”
Fingir. O uso daquela palavra quase a fez rir. Se havia algo que Kendra Bordeaux fazia 99% de seu tempo, isso era fingir. Então, sim, ela precisava seguir fingindo e fazia isso muito bem porque a maioria, ele incluso, nem mesmo notava. Kendra não disse coisa nenhuma. Sequer o olhou nos olhos, na verdade. Apenas entrou na casa dos Maddocks, o acompanhando até o quarto. Encarou o cômodo como se fosse a primeira vez que o visitava, procurando os indícios do que Dylan havia feito nos últimos dias. Ela nunca costumava ser invasiva, chegando com perguntas diretas ou coisa parecida, pois poderia encontrar pessoas como ela, que se escondiam por trás de paredes. Sendo assim, começou a observar, aprender que olhos falavam, que gestos revelavam, assim como ambientes. Assim como aquele quarto, que claramente fora ajeitando um pouco às pressas.
Dylan, desde que o conhecia, era uma presença alegre, animada, cheia de vida, porém, a pessoa em sua frente não era nenhuma dessas coisas. Kendra tinha certos palpites quanto ao que poderia ter causado aquilo. Ao ser questionada sobre seu bem estar, uma série de respostas veio à sua mente. Exausta. Preocupada. Dolorida. Machucada. Confusa. Ansiosa. Triste. Irritada... Muito, muito irritada. Contudo, o sorriso gentil em seu rosto não dizia nenhuma dessas coisas. ─ Estou bem. ─ Se sentou ao lado dele, segurando o queixo de Dylan. ─ Ao contrário de você. ─ Analisou o rosto alheio, os olhos cansados, a expressão caída. ─ Claramente. ─ O soltando, Keke retirou as botas de salto, encolhendo as pernas para cima da cama. Esse era um comportamento quase relaxado que só possuía perto de pouquíssimas pessoas. ─ Eu sou mais que sua namorada falsa, sabia disso? ─ Retrucou, com um risinho, empurrando um pouco o ombro contra o dele. ─ Nós somos amigos. E você pode conversar comigo sempre que precisar. Desabafar, sei lá. Eu... to aqui, ok? ─ Não era muito boa naquela parte de consolar os outros, mas ao menos era boa ouvinte. As vezes. ─ Ou podemos falar sobre qualquer outra coisa até você se sentir confortável.















