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dollsforme respondeu a sua postagem: mimi cadê turno
já fiz outro open, todo seu
vai responder o antigo
não tem sentido responder um novo sendo que nada aconteceu no antigo ainda
mimi cadê turno
the city is at war-- playtime for the young and rich.
Parada em frente a um comprido espelho que a própria fez questão de ter em seu quarto nas masmorras da Matriz, Lilith encarava a imagem de seu corpo desnudo de cima a baixo com certo ar de confusão estampado na face, depois de ter tomado um satisfatório banho. Não é como se ela fosse tão narcisista ao ponto de ficar admirando sua figura despida em um espelho por horas, como bons narcisistas fazem. Aquilo se tornou um ritual desde a época em que um coração humano ainda batia em seu peito: seu pai sempre lhe falara que a loira herdara o corpo escultural de sua mãe, mas a garota nunca conseguira entender como o mesmo adquiria tão perfeita forma sem nenhum esforço — ela nunca fora uma pessoa atlética.
Aquele era um final de tarde particularmente feliz para a súcubo. Afinal, o que poderia deixá-la mais animada do que uma festa em todo o dormitório feminino, com pessoas de todas as idades e raças? Mas não, toda a sua empolgação não era fruto de motivos comuns, motivos que qualquer garota de 17 anos teria. Pouco lhe importava a bebida, a música ensurdecedora e os “amigos” que encontraria no evento. O que realmente a motivava para ir eram as coisas que ela poderia fazer lá. Com todo o incansável movimento de festas adolescentes, Lilith poderia ter todos os caras que almejasse — sendo estes professores, alunos ou demônios — e, possivelmente, matar quantos quisesse sem se preocupar muito em encobrir suas ações. Ah, o dia ficava cada vez mais agitad—
“Toc, toc, toc.”
…
“Toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc.”
Certas batidas frenéticas na porta de seu quarto fizeram seus pensamentos evaporarem por completo. A garota odiava perder sua linha de raciocínio tão repentinamente assim, e odiava ainda mais quando a culpa era de alguém. Contudo, ela nunca imaginaria o quão bom foi perdê-la dessa vez até o momento em que o autor do barulho se identificou, respondendo seu gentil e formidável “quem é?”.
Se as coisas estavam boas antes, elas melhoraram em algumas centenas de vezes no instante em que soube que quem se encontrava do outro lado da sua porta, parado nos corredores sombrios e gélidos das masmorras, era Damien Isaiah.
Parece que descobrimos algo que a deixou muito mais animada do que a festa!
Um sorriso assustador se alargava cada vez mais em seus lábios enquanto a garota corria para o armário abarrotado de roupas para pegar, sem muita cerimônia, um conjunto de lingerie qualquer — queria poder vestir-se decentemente, mas as circunstâncias da situação não lhe davam tanto tempo assim. Um sutiã colorido com um tom de vermelho que chegava a doer nos olhos de quem o fitasse por muito tempo e uma parte de baixo que carregava a mesma cor foram as peças escolhidas. O rapaz já a vira quase semi-nua e exibir seu corpo perfeito era o hobby preferido da loirinha; portanto, abrir a porta daquele jeito não foi algo muito problemático.
O observou por alguns segundos, enquanto o mesmo falava, não conseguindo (tampouco querendo) esconder o leve brilho de felicidade em suas orbes azuis. Por mais que as intenções do rapaz em alistar-se como o exorcista encarregado de cuidar da súcubo fossem completamente diferente das naturais, aquilo certamente foi a melhor notícia de seu dia! Se era vantajoso para Damien, era muito mais para ela. ❝…Oh, quanta gentileza sua, Kagami!❞ Ainda não era a hora de revelar sua recente descoberta. Sendo assim, continuaria o tratando por “Kagami”. ❝Ahahaha, não se preocupe com isso. Eu entendo perfeitamente o que você quis dizer!❞ Completou a fala com um riso agradável, um tipo que lembra muito um riso angelical — mais uma vez, a sueca não decepcionava em suas atuações.
❝Não se preocupe com isso também, você não me atrapalhou de maneira alguma! Venha, pode entrar.❞ Se posicionou ao lado da porta, para que não atrapalhasse sua entrada no quarto. Fechou-a com suavidade, após os dois estarem, sozinhos, no mesmo recinto. ❝Para falar a verdade, eu estou indo, daqui a alguns minutos, para a tão comentada festa que está acontecendo no dormitório das meninas.❞
❝Você gostaria de ir comigo, Kagami? Afinal, precisa tomar conta de mim, agora!❞ O dito, que deveria, em situações normais, preceder uma risada, foi falado com certa seriedade. Ao invés de rir, Lilith finca seu olhar no dele e o tradicional sorriso falso carregava, agora, certa provocação no momento que pronunciou a última parte. Além de estar provocando-o, também estava o desafiando.
E ela tinha absoluta certeza de que ele percebeu isso.
"... Ah!--"
Damien exclamou, quase que em um tom de surpresa. Ainda sem olhar para sua "diabinha de estimação" (que, no caso, seria o apelido dela na agenda dele a partir deste momento), enfiou o celular dentro do bolso da jaqueta de forma calma. Sem mais nenhuma distração ou obstáculo entre os dois, o nephilim rapidamente levantou a visão para prestar atenção nas palavras de Lilith, apenas para captar, pela segunda vez, a bela visão daquele corpo típico de súcubo.
Tinha de admitir, era mais interessante do que devia ser. Ele nunca foi apegado à aparência, somente ao psicológico fraco e frágil das pessoas que o rodeavam e rodeiam até hoje, mas não pôde conter o impulso de lamber os lábios enquanto seus olhos vagavam pelo corpo da sueca. Ela não só tinha curvas perfeitamente esculpidas, como também o tipo de pele que ele adoraria ter presa entre os seus dentes após comê-la no sentido literal da palavra, e proporções estranhamente perfeitas. Um homem comum provavelmente travaria, atacaria ou se aproveitaria da situação, certo?
Certo. Mas ele sabia disso.
Ele sabia que ela estava provocando, porque ela é uma súcubo, e súcubos são previsíveis como a letra de uma música popular que toca nos rádios a cada cinco minutos. Lilith era o demônio mais imprevisível que Damien já vira em toda a sua vida, mas ainda assim, seus instintos e tentativas de manipulação eram tão ridículos que ele nem ao menos demonstrou resistência. Apenas continuou com o joguinho, agradeceu o convite com uma curvada rápida, entrou no quarto e continuou encarando-a com olhos famintos. Fingiu surpresa ao chacoalhar a cabeça e encarou o chão, comentando em um tom de voz baixa: "Você não deveria se vestir primeiro? Uma mulher seminua e um homem em um quarto fechado, onde provavelmente não iriam nos ouvir bem é uma situação que poderia dar início a várias outras situações desagradáveis para você... a sua sorte é que eu não seria capaz de machucar uma mosca..."
O que não era inteiramente mentira. De fato, Damien nunca machucaria uma mosca, até porque ele nunca conseguiu capturar uma, mas pessoas são outra história. Ele se concentrou no que ela disse logo depois, algo sobre uma festa...? Ele não estava lá prestando tanta atenção desta vez. "Festa no dormitório das meninas?" Repetiu. Para ele, era apenas uma desculpa para fazerem sexo e se embebedar -- o que era algo absolutamente nojento, por sinal, em sua opinião. Mas é claro que, sendo o rapaz obcecado pelo próprio sucesso que é, pularia obstáculos, qualquer um que fosse necessário. "Então é por isso que você está só de lingerie?"
"Parece ser... agradável." Mentiu, com os olhos novamente fixos no corpo de Lilith, desta vez sem nenhum olhar maldoso, apenas um sorriso simpático e sereno que usaria em qualquer ocasião. A única razão por estar dando uma resposta positiva ao convite da loira é por querer entrar mais e mais no jogo da adversária, mas não deixou isso aparente nem para ele mesmo.
O estudante levantou o polegar e fez um sinal positivo, o sorriso ganhando um ar mais inocente desta vez.
"Tem razão, tenho que ser um rapaz responsável agora. A vida de uma outra pessoa (um demônio) está em minhas mãos agora, não? Sem falar que eu preciso me divertir um pouco; descontrair. Aceito ir com você, mas não tente empurrar bebidas para cima de mim, eu não sou lá muito fã delas."
Mastermind - Mindless Self Indulgence
I am the mastermind Leaving you all behind And that aint no fucking lie I am the mastermind It’s just a problem of mine It’s like columbine Co-lum-bine
…
I am the mastermind Underline mastermind Until your pencil breaks I am the mastermind Just like a suicide Your Credit has been denied De-nied
…
I am the mastermind Intelligent by design It makes me wanna cry I am the mastermind And now that im satisfied It’s time to say goodbye Good-bye
the city is at war-- playtime for the young and rich.
O dia estava indo perfeitamente bem até agora.
Pelos corredores razoavelmente vazios da instituição vagava animadamente um moreno de roupas e cabelos escuros, seu andar rápido se transformando em uma dança cheia de giros e risos quando pessoas sumiam de sua vista. Segurava um celular em sua mão firmemente, e quase o deixou cair vez ou outra, mas sempre o protegia da queda com toda a sua alma.
"Kagami" parou de dançar assim que chegou na frente de uma porta. O seu sorriso largo e quase amedrontador não sumiu de seu rosto, apenas se alargou mais e mais, enquanto ele desferiu batidas e mais batidas não tão delicadas na entrada. Deixou soltar um guincho feliz bem baixo, quase inaudível, quando ouviu um "quem é?" um tanto abafado.
O que aconteceu para ele estar tão feliz assim? Bem, é uma história que começa duas horas atrás...
---
"Olá, senhor. No que posso ajudar?"
Perguntou um rapaz de estatura média à um homem ligeiramente mais alto. O mais alto estava vestido com uma blusa escura, jeans pretos e uma jaqueta da mesma cor amarrada na cintura. Olhos vermelhos quase demoníacos fitaram os olhos castanhos do atendente, que engoliu em seco, um tanto intimidado, mas tentava o seu melhor para esconder. Em situações normais, o medo do rapaz teria feito o nephilim sorrir provocativamente, mas ele não estava brincando no exato momento.
"...é aqui?" Perguntou com uma expressão neutra, séria, um tanto severa. A pergunta vaga fez o atendente levantar uma sobrancelha em dúvida, e ao notar o sinal, se prontificou a perguntar novamente. "É aqui onde eu posso conseguir a permissão para cuidar de um demônio...? Meu nome é Damien. Damien Isaiah. Aluno do último ano." Haviam vários demônios naquele lugar, claro, alguns poderosos ao ponto de causar certo receio em Damien, mas ele não estava procurando por diversão dessa vez. Optara mais cedo que seria o seu primeiro desafio de verdade contra alguém que teria alguma chance de ganhar, mesmo que mínima, e essa pessoa seria aquela menina loira que conhecera alguns dias atrás. Qual era o nome dela, mesmo? Lilian? Lilly?
Lilith. Esse era o nome.
"Sim, é aq--" O recepcionista foi interrompido. O estudante do último ano ofereceu três notas de valor alto e fez um símbolo de silêncio, enquanto o outro apenas acenou positivamente com a cabeça e pegou as cédulas com mãos tremidas.
"O nome de quem eu quero é Lilith. Pela aparência dela, eu diria que é uma súcubo, mas isso você vai cuidar de ver. E, se você for constar algo, me ponha como Kagami Tatsuhiro, não deixe o nome Damien Isaiah escapar de forma alguma, ou teremos sérios problemas, entendido...?" Perguntou Damien, com a voz calma, porém autoritária. Sorriu ao ver o atendente acenando de forma positiva novamente, e deu três tapinhas nas costas do mesmo antes de começar a assobiar uma música qualquer, assinar um papel qualquer e sair com as mãos nos bolsos do estabelecimento, o assobio se tornando menos audível a cada passo que ele dava.
Pegou o celular do bolso. Ligou e clicou em um ícone de um pedaço de papel riscado. Viu o que estava escrito e sorriu de leve, corrigindo algumas coisas escritas ali em menos de dez segundos e voltando a seguir seu caminho de forma alegre.
O terceiro round começaria agora.
---
"Lilith? Sou eu, Kagami."
A resposta à sua apresentação foi quase imediata, e ele conseguia ouvir os passos se tornando mais barulhentos e próximos. Apertou, mais uma vez, o botão de ligar do celular, para ativar a tela e destrancou o seu celular com uma senha um tanto quanto longa. Enquanto voltava a falar, seus olhos estavam fixados em uma lista de anotações e fotos importantes, sem perceber que nesse momento a porta já estava aberta, e a súcubo já estava ali na porta.
"Eu soube que você não tem um responsável ainda, apesar de ser um demônio do tipo que vários exorcistas gostariam de ter por perto..." Sua voz soou quase como um sussurro, mas ainda assim, audível. Lentamente sua voz tomou um tom mais manhoso, quase como a de um gato. "...por isso, eu me prontifiquei e, mais cedo, te cadastrei como minha demônio. Ops, não era isso o que eu queria dizer... digo, como vou consertar isso...? Ah. Você está sob os meus cuidados a partir de hoje, isso não é legal? Ah, como vai você? Eu te acordei ou atrapalhei...?"
Neo | open
À primeira vista, a pequenina se encantara e quase se perdera naqueles olhos vermelhos que a fitavam, mais parecendo que iam agarra-la e devorá-la. Além do que, aquele jeito manso e misterioso que rodeava o mais velho era muito intrigante. Antes que deixasse transparecer tão claramente seu rápido fascínio, voltou sua atenção à boneca novamente.
— Gosto de bonecas diferentes, mesmo que feias… Senão, se fossem todas iguais, qual seria a graça de fazer bonecas? — Estava satisfeita com sua declaração, afinal, foi a primeira vez que fez uma afirmação tão clara. Mas tinha de concordar com o rapaz de que uma base de boneca tem sua beleza, afinal, de lá pode-se sair qualquer coisa.
Ao ouvir com atenção à sugestão do rapaz, tentou criar uma boa imagem em sua mente, e lhe parecia formidável. E o elogia, sim sim, ela agradeceu com educação e teve de discordar como uma garotinha furiosa, detalhes são importantes!
— Não não moço! Detalhes deixam a boneca bonita e pomposa, gosto quando tem mais babados e laços que o normal.
"Bom ponto!" Uma risada curta e amistosa escapou de seus lábios. Um sorriso de lábios fechados surgiu no rosto do rapaz, que notou uma mudança curiosa de olhar no rosto da menina por um ou dois segundos, mas afastou esse acontecimento para lá, já que não lhe considerou tão importante. Isso mostrou que ela, talvez, não estaria suficientemente confortável com ele, ainda? "Mas eu vou lhe contar uma historinha curta. Deus criou humanos, animais, vegetação, todas as coisas que nós vemos no dia-a-dia a partir de bases, modelos vivos que foram apenas pintados e enfeitados, como suas bonecas. Certo dia ele percebeu que algo faltava naquela variedade toda, mas até hoje nunca descobriu o que faltava, a peça mestre do quebra cabeça. E a resposta é tão fácil que uma pessoa como eu sabe o que falta..." Riu novamente. "Ele se esqueceu que o que falta nisso tudo é uma base viva, pois a base é a coisa mais pura de todas, já que sem enfeites e o resto, não existe vaidade, nem orgulho, nem ira, nem nenhum pecado. Talvez, se ele tivesse pensado nisso, nada de mal aconteceria no mundo?"
A lógica dele era incoerente. Algo como um cubo mágico, mas Damien assumiu que ela havia entendido seu recado. "Uma dica: se você acha que suas ideias acabaram, pense na base que você tem nas mãos."
"Você é adepta daquela moda, então...? Como se chama...?" Imitou perfeitamente a expressão de alguém que está tentando pensar pesadamente em algo por alguns segundos antes de estalar os dedos. "Ah! Lolita, certo? Não é muito difícil encontrar garotas vestidas com roupas cheias de babados, enfeites e maquiagem no Japão. Ou será que você simplesmente gosta de história...? Eu me lembro que minha tia vivia usando essas roupas cheias de enfeites e tinha várias bonecas assim, também." Oh, talvez "enfeites" não fosse a palavra certa. Então rapidamente corrigiu: "Desculpe, 'enfeites' é uma palavra um tanto rude. Mas espero que você tenha entendido-- e, novamente, me desculpe por falar tanto!"
Se curvou um tanto exageradamente e, assim que voltou à pose ereta de sempre, pôs parte de uma mão em cima da mão de Ditza enquanto falou suavemente, o sorriso gentil impecável nunca deixando seus lábios. "--além disso... não acho que me apresentei. Meu nome é Kaguya. Kaguya Tatsuhiro. E o seu?"
chirutatata
Neo | open
— “Talvez se eu fizer uma com um vestido de princesa, uma coroa de crochê…” — Pensava consigo mesmo em absoluto silêncio, apenas fitando fixamente a boneca-base, sem qualquer sucesso em achar uma boa ideia.
Normalmente as pessoas não se interessavam em prestar atenção em Ditza ou no que a garotinha estava fazendo, afinal era sempre a mesma coisa: Costurar ou viajar em seus pensamentos, conversando sozinha de vez em quando, completamente alienada em relação aos outros. Sendo assim, o desinteresse em se aproximar de seus colegas era mútuo. Por essa exata razão, Ditza estranhou profundamente a sensação de estar sendo observada de longe, sentindo uma arrepio subindo-lhe a espinha e a deixando extremamente desconfortável.
Antes mesmo de decidir averiguar quem seria o indivíduo que — finalmente! — demonstrara algum interesse em sua pessoa, um jovem de cabelos negros e olhos de um carmesim radiante sentara-se ao seu lado.
— …! — A primeira reação era o susto que levava com a aproximação alheia, soltando um leve guicho, quase tão baixo como de um animal pequeno — Como um hamster, digamos assim. Após as perguntas do rapaz, voltou ao seu estado normal de calma e serenidade. — A base… Não sei o que fazer.
Lhe mostrou a boneca-base, sem nenhum enfeite, roupa, rosto ou cabelo. Queria encontrar logo uma solução e voltar à rotina.
A reação dela foi exatamente como a reação que Damien havia pensado. Já descobrira mil coisas sobre sua personalidade apenas com este susto. Seu sorriso se alargou instintiva e triunfantemente, pois já sabia que não havia modo algum de "perder" a batalha imaginária em sua cabeça.
"Mas ela é bonita assim, você não acha...?" Uma boneca normal, um ser sem vida que nem chegava a ser um ser, era provavelmente o que ela -- e qualquer outra pessoa sã -- enxergava ali. No entanto, mil descrições mais filosóficas e dramáticas daquela base de boneco eram imaginadas na mente caótica de Damien, tanto que se elas fossem liberadas ele provavelmente (não) confundiria Ditza ao ponto exagerado de ela não saber mais o que é um ser humano.
Bonecos e humanos são iguais. Feitos a partir de uma base. Bases sim são os seres perfeitos. Sem pecados. Sem maldições. Sem bençãos. Sem nada que a transformasse em um ser humano miserável. Um ser quase perfeito, pensou. Mas nada foi dito, o nephilim apenas se levantou, segurou sua cadeira e a pôs ao lado da cadeira onde a menina de cabelos escuros estava sentada, tomando gentilmente a base das mãos dela, examinando-a e, finalmente, sugerindo:
"Se você quer mesmo fazer algo com ela, por que você não faz um cabelo longo preto ou amarelo, um vestido, sapatos vermelhos, olhos castanhos e, talvez, um brinco e um colar? Você parece talentosa, deve conseguir. Se não conseguir, se livre dos detalhes, eles não servem para nada mesmo..."
Lovedrug - Pushing The Shine
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Tudo estava indo de acordo com o cronograma do dia. E era assim que ela gostava, uma rotina sem mudanças, seguindo certos horários e atividades que organizava todas as noite. Por sorte, não havia nada que a tivesse atrapalhado até então, normalmente não havia realmente ninguém que interrompesse sua rotina. Depois de ter cumprido com seu cronograma da parte da manhã - Refeição e as atividades acadêmicas - decidira que poderia passar a tarde costurando novas “amigas”. Ditza costurava bonecas como ninguém mais fazia, e eventualmente conversava com elas, e era exatamente isso que estava fazendo.
— Só a base… — Sentada em um canto da Sala de Estudos, rodeada com linhas, tecidos e botões espalhados pela mesa, segurava com a ponta dos dedos uma pequenina boneca-base, sem cabelo, roupas ou expressão, apenas o corpinho frágil e macio feito de pano. — … O que fazer com a base?
Ficou pensativa, fitando com certa angustia aquele pedacinho de pano. Queria ter organizado um projeto para uma nova boneca, assim não teria de ficar matutando tanto. Ah, preguiça de pensar.
O moreno analisaria aquela sala de braços cruzados encostado em uma parede no canto escuro da sala, com um sorriso largo no rosto, escolhendo sua próxima "vítima". Então se aproximaria da pessoa lentamente e começaria uma conversa, na qual lentamente usaria de psicologia básica ou senso comum -- poucas vezes usara seu potencial de manipulação no seu poder máximo -- para arrancar informações pessoais de tal pessoa, sumiria como um morcego na escuridão apenas para voltar como uma cobra e atacar a pessoa com seu veneno.
Normalmente, seria isso.
Mas hoje, decidiu variar. Com os salões e corredores do lugar um pouco mais vazios do que nos dias normais (apesar deste ser um dia normal, ele não considerava que um dia lento como esse poderia ser "normal"), Damien decidiu atacar, desta vez, um ser mais "fraco", aparentemente sem capacidade de jogar o seu próprio jogo. Foi exatamente a ideia que teve ao avisar a garota em certa distância. Ao se aproximar de Ditza, a primeira coisa que fez foi encará-la por longos segundos cautelosamente e, por fim, arrastou uma cadeira na mesa onde ela estava e se sentou ali, levemente debruçado sobre a mesa, mas ainda assim numa posição em que não atrapalhasse o trabalho da menina.
"Você parece confusa." Constatou ele, com um sorriso mínimo -- e aparentemente simpático -- no rosto, a voz suave carregando subtons perigosos assim como o homem que Damien era. "Você está bem? Precisa de ajuda?"
Serial Killer - Lana Del Rey
My black fire’s burning bright, maybe I’ll go out tonight We can paint the town in blue I’m so hot, I ignite, dancing in the dark and I shine Like a light, I’m luring you Sneak up on you, really quiet, whisper “Am I what your heart desires?” I could be your ingenue, keep you safe and inspired Baby, let your fantasies unwind, we can do what you want to do
bad news, i'm a fuse and i've met my match
As longas mechas de cabelo loiras, completamente submersas, faziam Lilith parecer uma verdadeira medusa. A garota vem a mergulhar pouco tempo depois dele — se o garoto preferia começar com alguns segundos a mais que ela, que assim fosse. Se tratando dela, trapaça nunca é uma má ideia, e isso, certamente, já a daria certa vantagem.
Mais do que nunca, ela conseguia enxergar a imensidão azul que a cercava: de repente, tudo ficou mais nítido do que a última vez, e talvez fosse pelo simples fato de estar em uma competição. Mas não uma simples competição: seu adversário era “Kagami", o que mudava a história por completo. Debaixo d’água, os olhos da mesma cor que o mar ainda permaneciam ligados com os do rapaz, por mais que a água atrapalhasse a qualidade daquele contato. Não conseguindo ver seus olhos com clareza, a garota se sente em desvantagem. Ter contato visual com o alvo sempre lhe ajudou — e muito.
Alguns segundos se passam. Tudo o que ela conseguiu ouvir, até agora, fora o barulho das bolhas de ar estourando enquanto elas voltavam a superfície, no momento em que a garota submergira. Desde então, além do som irritante de água constante em seu ouvido, nada mais pôde ser ouvido. Chegava a ser perturbador. De qualquer forma, Lilith aproveitou o tempo para tentar se distrair. Pensar nas intenções do garoto com tudo aquilo, e nas suas próprias. Por enquanto, suas pretensões para com ele estavam bem claras, e ela tinha certeza que até ele já percebera alguns resquícios de tais objetivos. Tudo dentro de seu plano, obviamente.
Lilith percebe os olhos dele se fechando. Diferente dele, seus olhos optam por continuarem abertos. Tudo é uma questão de segurança e desconfiança. Nesse momento, um minuto e poucos segundos já haviam passado. Contudo, ela já podia se sentir sufocar — sabia que não duraria por mais muito tempo. A julgar pela aparência dele, Kagami parecia muito bem. A súcubo não sabia nada sobre o nephilim, mas não duvidava da possibilidade de ele já ter feito algumas aulas de natação ou ter treinado sua respiração embaixo d’água por conta própria. Depois de exatos um minuto, quarenta segundos e milésimos irrelevantes, Lilith percebe o quão bom é respirar.
Ela estufa o peito, já na superfície. Decidiu por não fazer algo parecido tão cedo de novo. Entretanto, o que mais lhe incomodava era a sua derrota. Mesmo prevista, ainda doía em seu coração orgulhoso que odiava, com todas as forças, perder. De qualquer forma, ganhara uma vez. Um empate talvez não fosse um problema tão grande.
Porém, algo estranho começa a acontecer. Ela já havia desistido e dado a vitória para o outro competidor, mas o mesmo não pareceu entender isso ainda. Depois de recobrar por completo a consciência e arrumar seus longos cabelos, Lilith realiza que Kagami não retornou ainda. Estava na água, na mesma posição que se encontrava desde o começo do jogo.
❝Você já pode voltar agora, Kagami. Não precisa ser tão exibicionista assim. Já percebi que você é bom nisso.❞ A garota não se importa em gritar, garantindo que ele iria ouví-la: estavam sozinhos na praia. Todavia, dez segundos se passam. Depois, mais dez. E mais dez. E mais dez. Lilith sacode as pernas, ainda afundadas, na expectativa de dar-lhe um sinal ou simplesmente o irritar e fazê-lo voltar. Nenhuma resposta aparente é retornada à ela.
Se deixá-la enfurecida era sua intenção, parabéns, ele havia conseguido! No momento em que a loira se aproxima dele para tirá-lo da água a força — já pensara em quais xingamentos usar —, o corpo do rapaz começa a fazer o trabalho sozinho, trazendo-o para a superfície gradativamente, fazendo-o flutuar. Quando ela percebe que Kagami está ali, boiando de bruços, com o rosto ainda afundado e apenas os cabelos negros voltando a receber oxigênio, o desespero toma conta de si.
Lilith corre até ele — ou dá o seu máximo para fazer isso na água. Ela grita seu nome, a voz ainda em um tom racional, mas beirando o desespero e a negação (e a raiva também) por um tris. Usa todas as suas poucas forças para o erguer e ao perceber que tudo aquilo é de verdade, a garota se segura para não retalhar o garoto ali mesmo. Droga, Kagami! O plano dela estava isento de imprevistos e falhas. Parecia que seria precisa muita estratégia e muito tempo para arquitetá-lo de uma forma perfeita. Enfim, o ex-demônio não leva muito tempo para passar o braço esquerdo do rapaz por seus pequenos ombros e, usando o melhor de seu porte físico, carregá-lo para terra firme.
Afinal, por que estava fazendo tudo isso por ele, mesmo?
Ela o joga na areia, sem muita cerimônia. Depois, se ajoelha ao lado dele. A face desacordada — e desprovida de máscaras — do moreno chegava a ser escultural. Sabia o que tinha que fazer, mas não queria. Quer dizer, até queria, mas não desse jeito, sem nenhum planejamento. Precisava tomar uma decisão, e rápido.
Checou sua pulsação. Ainda batia, graças aos céus — decidiu sozinha que apenas e somente ela poderia matá-lo, dali em diante. Fizera algumas aulas de primeiros socorros, e a necessidade do momento era considerada urgente. Posicionou as mãos, uma sob a outra, na região do coração de Kagami. Encostar as mãos no corpo dele desse jeito a fez travar um pouco: não porquê aquele era o primeiro contato físico (e pra valer, já que o peito dele estava despido) entre os dois, mas por sentir os movimentos do órgão cardíaco. Ele era humano, afinal. Sem mais delongas, ela pressiona a mesma região com força nos pulsos. Uma, duas, três vezes. E aí, fechando as narinas e abrindo a boca do nephilim, Lilith sopra uma boa quantidade de ar dentro da abertura. A garota sinceramente esperava a “primeira vez" deles de um jeito muito mais teatral — então, resolveu não contar essa.
Ela repete a sequência por algum tempo. Quando o tórax do rapaz começara a se movimentar por vontade própria novamente, as ações dela param. O vê tossindo a água engolida e solta um longo suspiro, aliviada. Mas ao perceber o que acabara de fazer — e que se sentiu verdadeiramente feliz ao vê-lo respirar novamente — seu desespero só aumenta.
Ela salvara a vida de um garoto.
E isso não é bom.
Não é nada bom.
Um minuto e quarenta segundos.
Quando você está na água, perde a noção do tempo. Quando você está inconsciente, perde a noção de tudo.
Exatamente um minuto e trinta segundos foi o tempo suficiente para a escuridão abraçar toda a sua existência, tirando sua consciência e sua respiração, batimentos cardíacos lentamente diminuindo sua velocidade. Mas não, não foi acidental-- o plano todo estava em sua cabeça, decorado do pé até a cabeça, todos os caminhos que aquilo podia levar (com exceção de alguns, que nunca saberemos) estavam em sua visão inconsciente, como milhões de televisões no laboratório de um engenheiro social obcecado pelo "trabalho".
Ele podia morrer ali mesmo, sabia disso. Também podia sair dali com a loira nas mãos, podia sair dali com a vida sexual agitada mais uma vez, podia sair dali sem os rins, mas ele confiava nos seus instintos e na sua experiência. Lilith podia ser uma mulher diferente, mas ainda era uma mulher, e ainda possuía o cérebro interessante, mas previsível, de uma doente mental maligna. Talvez era tão fácil prever suas ações pelo fato dos dois serem basicamente da mesma laia-- mas Damien insistiria em negar esse fato e afirmar sua superioridade, se fosse necessário. (porque ela não demonstrou ser digna da sua preocupação, mas certamente conseguiu seu interesse.)
Seu "eu" interior sorriu ironicamente quando percebeu que a visão de seu corpo estava voltando, doce oxigênio sendo jogado de volta para os confinamentos de seus pulmões e lábios delicados tocando os seus próprios-- claro que ele não iria sentir o último, mas desde o momento em que seus olhos deram a primeira tremida para demonstrar sinal de vida, pôde sentir o gosto mais doce -- e enjoativo -- da sua existência, devolvendo sua vida.
Lentamente foi abrindo os olhos escarlate, seu rosto molhado (porém livre das máscaras que a água levou temporariamente) se contorcendo em expressões de desconforto, agonia e, finalmente, alívio.
"..." O silêncio constrangido da loira batia de frente com o silêncio sem expressão, porém ainda confuso, do moreno. Mechas escuras de cabelo grudadas na pele lisa foram retirados por uma mão tremida delicadamente, no mesmo tempo em que as memórias dos eventos anteriores voltavam como um raio à sua mente perturbada.
"Ah."
"Eu me afoguei, não foi? É mais comum do que você imagina, acredite." Não riu, não sorriu, não gargalhou, não demonstrou nenhuma expressão mascarada de felicidade fingida que demonstraria após um comentário irônico, apenas um meio-sorriso provocante. O gosto de cereja doce, ainda fresca e a salinidade do mar ainda eram perceptíveis, mas, prestando mais atenção no primeiro, deduziu que ela havia feito respiração boca-a-boca. E pela expressão de surpresa estampada em seu rosto, assumiu que ela não queria isso, e que parte de seu plano -- qualquer que fosse -- estava estragado--, e o saber disso enviou uma onda de excitação pela sua espinha.
"Você está bem?" Damien rapidamente se levantou, dando palmadas rápidas e fracas na parte de trás de seu short e nas suas pernas para retirar a areia, esticando o braço direito para oferecer uma mão branca. "Obrigado por ter me ajudado, poucos fariam isso."
airakaus said:
okay, vou te chamar de silver… prazer em conhecê-lo, acho.
...huh, obrigado.
tenbamusume said:
chama ele de jaden, é mais legal
não me chame de jaden
só amigos próximos ou conhecidos de longa data me chamam de jaden
não me chame de jaden
se não quiser um cara violento pra cima de você não me chame de jaden
NÃO me chame de jaden em hipótese alguma
me chame de silver
airakaus said:
nossa… está muito boa. e oi.
(( quem estiver online devia checar essa página e me dizer se ela tá boa. ))