Hoje eu entendi uma coisa que, por muito tempo, eu tentei não enxergar: eu ainda amo, mas já não gosto mais.
E existe um abismo silencioso entre essas duas coisas.
Porque amar, às vezes, fica preso na memória, nos anos compartilhados, nos pedaços de quem a gente foi. Mas gostar… gostar vive no presente. E no meu presente, eu não gosto da companhia, não gosto da voz, não gosto do toque, não gosto do cheiro, não gosto da forma como ela existe ao meu lado.
E o mais confuso de tudo é que, olhando de fora, ela deveria ser exatamente o tipo de pessoa que me atrai. Mas não é. Não mais.
Eu me sinto cansada.
Cansada de carregar uma relação inteira sozinha. Cansada de dar e não receber. Não porque eu nunca soube que não era recíproco… eu sempre soube. Mas, por muito tempo, eu aceitei o pouco. Eu me conformei com o quase. Eu fiz as pazes com a ausência.
E agora… agora eu não consigo mais.
Talvez o tempo tenha feito isso comigo. Talvez os anos tenham me ensinado, devagar e sem pedir permissão, que eu mereço o mínimo e que o mínimo ainda é muito mais do que isso que eu tenho vivido.
As conversas viraram discussões.
As discussões viraram desgaste.
E o desgaste virou silêncio.
Um silêncio pesado, onde duas pessoas já não se encontram mais, mas continuam ali, como se ainda houvesse algo para salvar.
Eu sinto que isso acabou há muito tempo.
Só que ninguém teve coragem de dizer em voz alta.
Às vezes eu penso que ela já foi embora, só não avisou.
Outras vezes, eu acho que sou eu que estou finalmente indo, mesmo ainda estando aqui.
E o mais doloroso não é o fim.
É perceber o quanto eu me moldei para caber em um lugar que nunca foi feito para mim. O quanto eu me ajustei, me diminuí, me adaptei… e, mesmo assim, nunca foi suficiente. Porque quanto mais eu tentava me encaixar, mais eu me perdia de mim.
E agora eu me olho e penso:
quem eu era antes de tudo isso?
Mas, no meio de tudo isso, tem uma coisa nova crescendo aqui dentro.
Uma coisa que eu não reconhecia antes.
Eu.
Não como metade de alguém.
Não como alguém que tenta dar certo em um lugar errado.
Mas como alguém inteira, que finalmente entende que merece mais ou, no mínimo, merece de volta o que oferece.
Talvez seja isso que chamam de amor próprio.
Não aquele bonito e perfeito, mas esse que chega depois do cansaço, depois da dor, depois de perceber que continuar também machuca.
Eu não quero mais insistir sozinha.
Não quero mais me perder tentando ser suficiente para alguém que não me encontra.
Eu acho que, pela primeira vez, eu estou pronta.
Pronta para ir.
Pronta para recomeçar.
Pronta para viver uma história que seja minha inteira, verdadeira e leve.
Mesmo que, para isso, eu precise deixar para trás tudo aquilo que um dia eu chamei de amor.





















