Sobre ser eu, e continuar sendo. por Cristina, 42 anos, mulher em reconstrução.
Hoje posto três fotos que tirei ontem, na praia da Armação. O dia estava lindo. A luz se deitou sobre mim como um abraço que há muito eu precisava. As fotos não são para mostrar, são para lembrar. Para eu mesma. Me ver. Me reconhecer. Me acolher.
Falo pouco disso aqui, mas convivo com as curvas da mente, que às vezes afundam, outras transbordam. Já pensei que o mundo seria melhor sem mim. Já desejei apagar minha história como se fosse um erro. Mas sigo. Não porque é fácil, mas porque aprendi que cada passo meu carrega escolhas — mesmo os mais silenciosos. Escolhi me ver bonita. Escolhi tirar essas fotos. Escolhi cuidar de mim.
Autoestima não é um estado constante. É uma construção frágil como areia molhada, mas resistente quando a gente aprende a reapoiar os pés sobre ela. Não estou curada. Estou viva. E tem dias em que isso é tudo. E é muito.
Se você me encontrar por aí, talvez veja só uma mulher com 42 anos e um sorriso travado. Mas por dentro, há montanhas escaladas com medo, com dor, com coragem. E uma flor constante florescendo em silêncio. ❤️🌸









