“Uhum, changed…” murmurou devagar, ainda não muito convencido das palavras de Rachel. Então, quando suas suspeitas se confirmaram, Archie não conteve a risada. “Eu sabia. Conheço você demais pra saber que isso nunca vai mudar.” disse de forma descontraída, porém logo o sorriso se desfez. Ele a conhecia. No passado. Talvez, Rachel estivesse uma pessoa completamente diferente e agora realmente gostasse daquele tipo de coisa, Archie não tinha como saber. Com esse pensamento em sua cabeça, suspirou. Porém, o comentário irônico da morena o fez sorrir novamente. “Meus pais sempre me disseram pra nunca deixar a minha acompanhante sozinha… Talvez eles não estivessem pensando nisso, mas você não estaria sozinha mesmo.” assentiu com a cabeça, divertido. A confissão da Vanderbilt o deixou surpreso. Podia ver que ela tentava fazer com que eles voltassem a ter o que tinham, mas definitivamente não esperava uma resposta como aquela. “Oh.” por um momento, foi só o que conseguiu dizer. “I… wasn’t sure, so.” suspirou, encarando-a diretamente nos olhos pela primeira vez desde o início da música. Não tinha percebido, até o momento, a falta de Rachel que sentia. Porém, o sentimento ruim em seu peito continuava ali, impossibilitando de perdoá-la completamente. “Você não está, não se preocupe.” sorriu lateralmente. “What blonde lady? Eleanor já fez o favor de espantar a loira que eu tava conversando mais cedo.” revirou os olhos por um momento. “What about you? Found anyone you could be interested in?”
Não podendo negar em defesa própria, rendeu-se a rir com ele, e assim pode perceber melhor ainda mais um dos momentos em que era praticamente visível a volta do sentimento de mágoa em Archie. Rachel sabia que não tinha culpa pelo acontecido, era uma jovem ingênua de dezessete anos, grávida, e aterrorizada com o mundo quando tudo aconteceu, mas mesmo assim... Martirizava-se por não ter deixado um bilhete a algum de seus amigos mais próximos, ao menos, alguma coisa que pudesse certificar a eles que ela tinha existido, visto que todos os rastros dela e do pai foram apagados pelo mais velho sem dó algum, movido pelo mais puro desespero e instinto de sobrevivência. Por um tempo, culpara o próprio pai por todas as mudanças negativas que tudo acarretara, mas com o tempo e o velho já falecido, encontrara certa paz com a culpa que o rondava. De qualquer forma, tentou resgatar o momento que estavam tendo, murmurando com um pequeno sorriso “Yeah, you do know me. Always knew, always will.” suas palavras podiam não ser cem por cento carregadas de verdade por hora, mas ela certamente tinha planos de torná-las completamente verídicas o mais rápido possível. Acabou rindo baixo com a explicação dele, negando divertidamente com a cabeça. E, novamente, viu que havia tomado uma atitude ousada e não esperada por ele, a julgar por sua reação; mas como não tina mais como voltar atrás, apenas ofereceu-lhe um sorriso tenro, esperando dar-lhe algum conforto. Pelo menos, agora ela deixara claro o seu esforço. O sorriso de Rachel logo voltou a esboçar mais tranquilidade com a afirmação de que ela não atrapalhava, e então, pegou-se rindo com o que era contado com notável incômodo por ele “Então isso ainda persiste, huh? Digo, vocês não se darem bem... O que posso dizer? Não que estou surpresa, com certeza.” riu baixo, divertindo-se ao sentir uma nostalgia e de ver que ao menos algumas coisas ainda continuavam iguais à antiga OP que havia deixado, mesmo que não fosse a melhor delas a persistir. “Não esquente, tenho certeza que você a conquistará novamente mais tarde.” incentivou-o, piscando para ele de forma cúmplice, silenciosamente oferecendo sua ajuda para tal. “Me?!” questionou com certa surpresa, definitivamente não preparada para responder aquela pergunta. “Uh... Nope, no. No one actually...” contou, sendo sincera, após pensar um pouco. “Você sabe, com a Evie e tal... Deixar pessoas novas entrarem em minha vida não é exatamente minha prioridade...” confessou, encolhendo os ombros e suspirando baixo ao continuar, agora com uma risada baixa e fraca “Inclusive, como detetive, acabo ficando cada vez mais com medo de deixar qualquer estranho entrar em minha vida, quem dirá aproximar-se de Evie... Mas, bem, ao menos agora ela tem alguma figura paterna em Alfie e... Eu posso sobreviver como estou.” riu nasalmente, novamente sentindo a nostalgia de falar com Archie sobre tudo, sem limites ou papas na língua. E só então percebera o quanto realmente sentia falta disso, vez que após agregar a extrema desconfiança à sua personalidade, não havia deixado ninguém tornar-se tão próximo dela quanto um dia Archie fora.