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@walhalawild
Burned us all {flashback} Utred - Klavis
@klaviswa
Aquele dia era, de fato, um dia para se comemorar. Meu irmão mais velho, Klavis, não tinha muito jeito para os negócios da família e nossa irmã mais nova não estava encarregada para tal, logo, nosso pai me confiou essa tarefa. Eu podia não ser o filho de sangue dos Walhala mas desde que cheguei eles me acolheram e cuidaram de mim, me ensinaram todas as tradições da família e não havia inveja ou más sentimentos entre meus irmãos. Havíamos perdido uma irmã logo após a minha chegada, contudo, esse não era um assunto que costumávamos conversar. Depois de alguns anos ela nascera, que ocupou o espaço da nossa irmã perdida. A esperança de que ela pudesse estar viva se esvaía a cada dia que se passava e ela não era encontrada, logo, aquele assunto tornou-se proibido e impronunciável. Mas nossa mãe sempre reservava uma hora do dia para acender uma vela e fazer preces, talvez a esperança dela ainda não havia sido perdida.
Todos estavam ocupados com os preparativos para o encontro de um noivo descente para nossa irmã, e eu ficara encarregado de cuidar do comércio de pele da família para o nosso sustento, onde eram os melhores desde que começaram. Pessoas faziam várias viagens de várias regiões mais ao norte somente para adquirir nossas peças. Desde o início fui ensinado a tratar as peles; caçar, retirar a pele com cuidado, limpar e lavar, além de deixar por várias horas no sol. Virei um exímio caçador e comerciante, aprimorando mais as minhas habilidades. Conhecia minha capacidade e meus dotes para tal façanha, mas comparado ao meu irmão, eu era um cabeça de vento. Eu o admirava bastante pela sua inteligência, a forma como tratava e ajudava as pessoas com seu dom de cura no nosso vilarejo, e como ele procurava se melhorar a cada dia. Hoje, especificamente, ele havia se trancado em seu aposento de experimentos e quase ninguém ousava invadir sua privacidade, a não ser o seu irmão mais novo -- e mais idiota. Hoje, também, especificamente, era o dia em que eu havia fechado um grande negócio com um fazendeiro mais ao norte, ele havia encomendado uma dúzia de peles novas e frescas e eu precisava começar a caçar e preparar tudo no outro dia. Mas aquele momento eu tinha reservado somente para nós dois, fazia tempo que não sentávamos juntos e degustávamos o prazer de uma boa cerveja.
Caminhei aos pulos até a entrada de nossa casa, com um grande sorriso estampado nos lábios, eu estava, de fato, feliz, fazia tempo que os acontecimentos -- que eu insistia em manter em segredo -- não me assombravam mais, e estar perto do meu irmão me trazia conforto. Fui a uma pequena adega que tínhamos o luxo de possuir, peguei duas grandes canecas e as mergulhei no nosso barril de cerveja. Nosso pai havia nos ensinado que quanto mais o tempo se passava, a cerveja possuía um gosto mais temperado. Bem, isso era para meros mortais, eu só precisava ficar no mínimo tonto e rindo atoa, e para mim já estava de bom tamanho. Caminhei até o declínio do lado esquerdo da nosso salão principal, e desci as escadas de pedra, onde ficava o quarto dos experimentos de Klavis, e abri a porta com força, sem bater. Eu já esperava seu comentário.
“Saia um segundo dos seus pergaminhos, pois hoje temos algo à comemorar!” Eu disse, sem delongas. Pus a caneca em cima de sua mesa, rindo da sua expressão um pouco assustada, irritada, mas ao mesmo tempo eu pude ver um traço de felicidade. Só eu era idiota o suficiente para interrompe-lo de seus estudos, e no final das contas era isso o que nos fazia diferentes e complementares. Tomei um grande gole do líquido e puxei uma cadeira para perto. “Amanhã irei adentrar a floresta, fechei um grande negócio com um fazendeiro ao norte, e ele quer uma dúzia de peles frescas. É um dos maiores negócios fechados desde que nosso pai colocou-me a frente” Eu parecia uma grande criança após ganhar uma moeda por ter feito um bom trabalho. “O que você achar? Estou me saindo bem?” Meus olhos cheios de expectativa; a opinião de Klavis era a única que me importava.
the blue lagoon || nephrite&utred
bloodstonen:
Nephrite caminhava pelo bosque perto de casa. Todo o verde que atapetava o solo encantava com tamanha beleza. Ao longe podia ouvir o som da natureza erguendo-se em vida; os pássaros a cantar traziam uma vivacidade à mais para o lugar. O sol brilhava acima dela, realçando todas as cores que a estação trazia. Juntamente a estação trazia belos frutos, assim como amoras silvestres, umas das preferidas de Nephrite.
Aquele era o motivo pelo qual vagava pelo bosque, uma pequena cesta em mãos. Ia vasculhando os arbustos, colhendo todas que encontrava. O cheiro doce despertava um desejo enorme de simplesmente sentar-se ali e deliciar-se de todas. Mas as levaria para casa, para que dividisse com os irmãos; haviam muitas, como felizmente descobrira. Mais do que havia antecipado.
Enquanto a morena adentrava mais o bosque, ainda em busca de encher mais sua cestinha, alguns sons começaram à atingir-lhe a audição, atiçando sua curiosidade. Animais selvagens quase sempre rondavam por ali, mas Nephrite não os temia. Pelo contrário, quase sempre encontrava o entusiasmo para querer persegui-los, vê-los de perto, mesmo quando estes podiam apresentar algum perigo.
Com a cesta em mãos, decidiu ir averiguar a fonte do barulho. Quando mais aproximava-se, reconhecia o som do correr da água, tão sereno que mal podia ser ouvido de longe, tanto que ela só o percebera quando chegou perto o suficiente. E para não ser descuidada, seguiu devagar, cuidadosa para que não interferisse no silêncio pisando em falso ou esbarrando em algo que pudesse causar ruídos. O mais gentil roçar de seus pés contra as folhas podia ser ouvido, e não mais.
Mas quando tomou visão do pequeno lago que se estendia a frente, não foi um animal selvagem que viu. Viu primeiro as roupas estendidas no chão, cuidadosamente dispostas uma peça do lado da outra. Depois os olhos foram além, percebendo aquele que só poderia ser o dono das vestes.
O homem, nu em pêlo, estava imerso na água, o torso desnudo se exibia e uma cascata escura de cabelos lhe escorria pelos ombros, pregados à pele. De imediato sentiu as bochechas queimarem, assim como a mesma sensação lhe percorreu o alto da espinha, esquentando-lhe a nuca. Nephrite sabia que deveria virar-se e ir embora, que não devia espiar, mas enquanto a mente reconhecia tal fato, o corpo o negava, e feito estátua continuava ali, os olhos pregados na estrutura bem formada, os músculos delineados. A visão lhe parecia atraente demais para que a deixasse para trás. E ainda que não devesse, continuou ali, os olhos a banquetearem-se no homem tomando banho no lago.
Seus pensamentos vagaram por muito tempo a procura de respostas para pequenas perguntas que se formavam ao longo do caminho percorrido por Utred, do norte até Araendra. Nunca soube ao certo o porquê de seu fascínio pelo reino, apenas tinha o desejo de que lá as coisas viessem a acontecer, mais uma vez. Passou longos dois anos parando de tabernas à estalagens, dormindo em celeiros e chiqueiros junto aos porcos, sem rumo, sem perspectiva, seu dinheiro se esvaindo pouco a pouco, e por mais perdido que achava que estivesse, sabia que no reino ao sul de seu antigo lar, ele encontraria ajuda e conseguiria se livrar dos selvagens de uma vez por todas.
“Selvagens”, aquela pequenina palavra lhe atormentava à mente fazia muito tempo, lhe trazendo raiva e rancor por aquelas pessoas terem lhe encontrado e terem destruído sua família, mais uma vez... mas não era ele mesmo tal? agora, em meio aos bosques e florestas, foragido, fugitivo de sabe se lá quem, e não só em seu estado atual mas em seu nascimento ele era, de fato, um selvagem, nunca deixaria de ser.
Seu caminho até Araendra não foi nada fácil, mas agora sabia que estava mais do que próximo de seu destino. Do alto da sua égua pomposa cor de mel e crina branca como a neve, ele podia ver os pequenos telhados de casas humildes se estendendo mais a frente, trazendo uma pequena alegria em seu coração endurecido. Um pequeno sorriso brotou no canto de sua boca e afagou a crina de Mirna, sua égua que lhe acompanhara durante todos esses anos. Ambos estavam famintos e imundos. Utred podia sentir o suor escorrendo por sua testa, e definitivamente não estava acostumado com o calor. O som de água corrente lhe enchia os ouvidos e, pela sua vasta experiência em meio a florestas, ele podia adivinhar que ali perto teriam o prazer de desfrutar de um bom banho de rio.
Por um lado o moreno estava certo de si, era de fato água corrente, mas leve como a brisa que passava por seus cabelos, e não chegava a ser um rio, mas sim uma lagoa com uma pequena cachoeira ao longe. Logo despiu-se, sem nenhuma vergonha, pois tendo a certeza que já teria estado em estados piores, estar nu não era o que ele considerava, assim, uma má forma, e logo adentrou a lagoa. Esta que era tão transparente que podia ver seus pés abaixo. Pequenas pedrinhas brancas lhe circundavam e a temperatura era amena, nem fria demais, nem quente demais, no ponto certo. Poderia ficar ali, desfrutando do privilégio daquele banho que a tempos não sabia o significado pelo dia inteiro, mas um farfalhar de folhas secas passou por seus ouvidos. Se fosse alguém, poderia ter a absoluta certeza que não fizera barulho o suficiente para desperta-lo, mas sua audição era aguçada, que só anos de treinamento e prática na floresta caçando poderia lhe proporcionar tal habilidade.
Mergulhou silenciosamente no lago, o mais fundo que podia, prendendo a respiração com facilidade. Nadou até o ponto mais distante da lagoa, pulando para a margem logo em seguida, tomando cuidado o suficiente para não fazer barulho, e pegou sua pequena faca de caça para então subir a pequena colina que circundava a lago. A sua próxima visão poderia ser considerada tão surpreendedora quanto o lago de água límpida à frente, deparando-se então com uma moça em meio aos arbustos. Sua própria postura estava tensa até perceber o que tinha a frente, poderia subestima-la, e o estava, mas se permitiu relaxar e um meio sorriso surgiu no canto de sua boca. Cruzou os braços, ainda molhados, e passou uma das mãos no cabelo, para então coçar a garganta para mostrar que estava presente.
“Esta procurando por algo... ou alguém?” -- Sobrancelhas erguidas, seu tom acusativo com um quê de divertimento.
Are you sure he’s a Saxon? He fights like a Dane.