Interface é mais experiência do que uso
Wallace Vianna é designer
Fui abrir um aplicativo móvel pra editar fotos e... uma nova interface (design) e funções estavam lá. Saudades do tempo em que os programas (do PC) nos solicitavam fazer atualizações e havia a opção de usar uma versão mais velha. Agora as atualizações ocorrem sem aviso, tipo chegar em casa e ver as paredes pintadas, o piso trocado, móveis novos, sem ninguém avisar antes.
O programa é o Snapseed, um editor de arquivos de imagens do Google; não pinta, não escreve, mas edita a imagem por inteiro. O problema é que muita coisa importante se perdeu (a simplicidade) e outras tantas apareceram sem ninguém pedir (pegar fotos da rede social pra fazer colagens, tipo o que se faz com os Reels ou Stories).
O uso da interface de usuário ficou na frente da experiência de uso. Sempre que posso bato na tecla de que o programa aplicativo ideal é modular: você acrescenta ou retira funções, conforme sua necessidade e interesse.
Outra coisa que acho útil é o aplicativo ter versões pra ajudar a aprender através de tutoriais na web (quem já sofreu tendo que aprender a usar um recurso obscuro do Instagram ou Facebook entende a falta que um tutorial atualizado faz). Achar um tutorial da versão X e o aplicativo já estar na versão Z é um desserviço pra quem usa e pro criador, que deixam de fazer dinheiro por conta desse desencontro.
Por fim, a moda de mudar o visual do aplicativo pra sair da monotonia e "vender produto novo" podia ser trocada pela oferta de temas/skins novos e velhos - o usuário decide qual vai usar. Basta deixar a versão bem visível pra não gerar confusão.
Enfim: acho que se deveria dar ao usuário a opção de escolher como quer usar o produto, sem empurrar novidades que não foram pedidas nem desejadas por uns, mas atraindo novos consumidores em paralelo.
Em tempo: adorava o SnapSeed velho, duas versões atrás. O "expandir imagem" era o avesso de cortar, na horizontal e vertical, cada lado em separado, e a imagem não perdia qualidade no processo...











