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O que está embaixo da superfície é sempre surpreendente, mesmo que seja de um jeito ruim.
Faz sinal. Sobe os degraus. Passa na roleta. Escolhe um banco, de preferência em um lugar sem sol. Imediatamente, um fluxo de pensamentos a domina. É sempre assim. Viagens de ônibus são sempre iguais, mudando só algumas pessoas. Os personagens são os mesmos, o destino também não muda. Às vezes, mais pessoas estão em pé; em outras, poucos lugares ocupados. Alguém faz sinal e entra no automóvel vagante. Pessoas, sinais vermelhos, trânsito. O inferno rotineiro.
Aleatoriedades mentais
Fugiu tanto da imprevisibilidade que se tornou previsível.
Fugiu tanto do clichê que acabou transformando-se em um.
─ O rato roeu a roupa do rei de Roma. Fale rápido!
─ Rápido!
─ Não! Você não entendeu.
─ Ué, você pediu pra eu falar rápido...
─ Sim...
─ Então!
─ ...Mas a frase "o rato roeu a roupa do rei de Roma".
─ Ah, tá bem. Deixa eu ver... O rato rou a ropa do ri de Uma. Ops!
─ Haha!
─ O rato roeu a rupa do de Roma. A-hã!
─ Faltou o rei.
─ Onde?
─ Na Revolução Francesa.
─ Oi?
─ Ai, seu lerdo. Tente outra vez.
─ O rato... Espera aí, por que só eu estou tentando?
─ Porque sim.
─ ...
─ Ok! A roupa do rei de Roma foi roída pelo rato.
─ Opa, opa! Nada de mudar para a voz passiva.
─ Por que não? Não existe nenhuma regra que proíbe eu mudar uma frase para...
─ Porque acaba com a graça do trava-língua.
─ E quem disse que foi a roupa do rei de Roma? Pode ter sido de algum imperador.
─ Mas se o trava-língua diz...
─ É que nem a brincadeira do telefone sem fio. As pessoas fizeram tantas vezes esse trava-língua que ele pode ter se perdido no tempo. Quem garante que não foi a roupa do imperador de Roma que foi roída pelo rato?
─ Porque não rima e não trava a língua.
─ E a da princesa?
─ Que princesa?
─ Sei lá! Qualquer uma!
─ Também não rima.
─ O rato roeu a roupa da princesa de Roma. Gostei.
─ Eu não.
─ Não tem problemas.
─ Tem sim! O trava-línguas tem que ter rimas e enrolar a língua da pessoa, se não a graça acaba.
─ E quem disse que tem que ter graça?
─ Como assim?
─ A roupa da pessoa foi destruída por um animal e os outros acham graça nisso? Que bullying!
─ ...
─ E tem mais: quem disse que foi o rato? Pode ter sido um corvo. Ou o animal de estimação do rei. Ou do imperador. Ou da... Ah, você entendeu.
─ Você só tá fugindo do desafio.
─ Quem, eu?
─ Tu, sim.
─ Ai, começou.
─ Faça.
─ E se eu não quiser?
─ Faça! Rápido!
─ O rato roeu a roupa do ri di Ruma! Ha, ha!
─ Não.
─ Não?
─ Não.
─ Então... o rato roeu a roupa do Pedro de Roma.
─ Que Pedro?
─ Daquele trava-língua do pé. Como ele é mesmo... ?
─ Não mude o desafio!
─ Mas é muito difícil.
─ Como você pode me desafiar a uma coisa se você mesmo não consegue fazer?
─ Porque é engraçado.
─ Então! Agora tente mais uma vez.
─ Você tentou menos vezes do que eu.
─ Mentira.
─ Prove.
─ Não quero.
─ Também não quero tentar esse trava-língua mais.
─ Então vamos para o do Pedro.
─ Eu ainda não lembrei como ele é...
─ O peito do pé do Pedro é preto.
─ O peito do pé do Pedo é petro.
─ Você errou.
─ Errei mesmo. E se ele for branco?
─ Quem, o Pedro?
─ Não, o pé do Predo.
─ Predo?
─ Pedro! Pedro! E se o pé do Pedro for branco? Ou azul? Ou amarelo? É que nem com o pobre do rato. Incriminaram o coitado sem provas! Isso é uma injustiça!
─ Ai, meu Deus...
I will not fall prey to society’s desire to turn girls into emotionally insecure neurotics who pull up their dresses for the first flattering remark
" ─ Como funciona? ─ perguntou o deus. Boa pergunta, pensou Leo. Ele girou as manivelas, torcendo para que aquilo não explodisse na sua cara. Soaram algumas notas. Metálicas, mas quentes. Leo manipulou as alavancas e as engrenagens. Ele reconheceu a canção, a mesma melodia melancólica sobre recordações e saudades que Calipso cantou para ele em Ogígia. Mas, através das cordas no funil de latão, a canção soava ainda mais triste, como uma máquina com o coração partido, como Festus soaria se pudesse cantar. Leo esqueceu que Apolo estava ali. Tocou a canção até o final. Quando terminou, seus olhos lacrimejavam. Ele quase sentia o cheiro de pão saído do forno na cozinha de Calipso; o gosto do único beijo que ela lhe dera."
O Sangue do Olimpo, Os Heróis do Olimpo, Rick Riordan.
Uma vez li uma fanfic Percabeth com essa música, e caramba, foi paixão à primeira ouvida.
Minha mente é a melhor DJ do mundo: começa cantarolando o refrão de Welcome to My Life, depois passa para um trecho aleatório de Since U Been Gone, da Kelly Clarkson, volta pra Simple Plan, com o refrão de Fire in My Heart e, não tentem entender, pula magicamente pra voz maravilhosa do Bon Jovi.
Coloquei uma palavra no google tradutor pra ouvir a pronúncia, minha mãe que tava por perto repetiu e eu fiquei tipo: "Como assim você tá lendo meus pensamentos agora?". E então, eu percebi que os fones não estavam conectados no computador, e sim no mpx.
Um brinde à grande habilidade que eu tenho de copiar erroneamente nomes de pessoas e lugares e depois cismar que está certo.
"Eu tento não forçar locais e acontecimentos aos personagens a fim de acomodar o que eu quero. Prefiro deixar que sejam reais o suficiente para me dizer onde eles querem estar."
"Quando as pessoas estão sozinhas elas fazem coisas que irão se arrepender depois." (Sob a Redoma - Stephen King)
(via frases-e-citacoes-de-livros)
writing is hard