Emmet estava nervoso. Fazia semanas que nao se sentia bem de ir trabalhar, e isso se dava ao fato do recem completado nono mês. Tinha combinado com Mandy que se qualquer coisa ocorresse estaria com celular em mãos, mas a frase pelo visto havia sido transfigurada na mais cruel realidade. Este fato fora responsável por chamar a atencao de um delinquente, que lhe tirou o aparelho por entre os dedos em meros segundos. Não houve barulho ou reação, somentr a visão de uma moto ganhando velocidade em avenida e deixando a poeira para trás. Ele agradecia por estar vivo, depois do assalto amador, mas condenava-se por agora estar incomunicavel. Apressou seu passo na tentativa de não obter uma surpresa a mais naquele dia que não comecou com pé direito, mas mal imaginava que as horas que se seguiriam seriam ainda mais atormentadoras. Ao chegar a um beco mal cheiroso ele procurou dedilhando uma parede de madeira uma dobra nas tabuas velhas e sem tanta dificuldade adentrou um corredor escuro, onde o levou a uma sala cuja a cortina ainda era brega. Parecia ironia do destino, ou um presente, mas era justamente com a vidente que lhe mostrou sobre sua familia, sobre Mandy, que ele agora trabalhava. Ela havia lhe dado uma nova perspectiva de si mesmo, e agorq o seu nao tão vil poder dos sonhos era usado naqueles que necessitavam. A vidente hipnotizava a pessoa ate que ela dormisse, e neste instante Emmet entrava em cena. Mas diferente de outros dias, esse cenario mistico nao se repetiu, e ao inves disso ele contemplou a vidente correr pela sala escrevendo dados na parede, e jogando seus busios ao chão, assim como os incensos que eram tantos e tão fortes que jà comecava criar uma densa fumaça. Com o tempo aprendera a não perguntar ou interromper as sessões, mas passou a ficar preocupado com o que Tituba dizia, e quando um nome foi gritado em uma voz esganiçada, Blue, e ela se aproximou dele lhe entregando apenas um lenço com um endereço ele soube que era um aviso. E pela maneira, a carga negativa, que influenciava a vidente não era um bom aviso Desesperado e com o corpo todo vascilando em medo, Emmet tomou o primeiro taxi que vira, entregando o endereco com a mão que tremulava. A corrida nunca fora tão tensa e urgente como naquele dia, e mesmo que suas capacidades cognitivas avantajadas ja tivesse notado o motivo pelo qual seus instintos o levara a diante sem uma pergunta se quer, sem hesitar, a fachada do hospital foi a confirmacão que precisava. Ele pagou o que devia, e saiu do carro como quem se sente marejado e agradece por ter terra firme, era uma sensaçao de alivio por estar onde estava. E por isso, apos ler o que dizia na placa "Amparo Maternal'", ele nao demorou para correr para dentro do local, abrindo espaço entre as pessoas, gritando licença as massas a diante, até romper o espaço da porta a recepção e intimar se juntar a sua esposa, que estaria em algum daqueles andares. A ficha de acompanhante que ele prencheeu guardava seus garranchos e sua apreensão, que aumentava a cada corredor que cruzava ao ser conduzido a sala de parte, e quando ele sentiu a mascara e toca pousarem em sua mão, e viu que não havia tempo se pensar, ele respirou fundo, sentindo seu coração dar um salto. Estava tão feliz por aquele dia, mas com tanto medo. Ser pai de primeira viagem não seria fácil, e quando deu por si que este não seria seu unico problema, seus pés logo se moveram a diante da cama, escutando os medicos falarem que ela desmaiara, mas ainda tinha pulso, e que a criança tinha saúde. Ele queria ver a filha, pega-la em braços, mas sua mente e coração se sincronizaram por um instante. Emmet agora usufruia de sua racionalidade e de seus amor pra tomar a atitude quase impensada de tão rapida. Naquele ambito, com as enfermeiras, sua filha seria lavada e cuidada até que pudesse sair com a alta. Mas a mãe dela, por outro lado, agora experimentava da solidão no estado de dormência. Por um momento tudo viera a tona, e ele se sentira culpado. Ele pediu um tempo com a namorada e depois que colocaram a mascara de ar na moça, e os batimentos dela voltavam a regularizar aos poucos, ele solicitou estar com ela pelo menos naquele momento, e suas mãos alcancaram as delas tão inerte. Uma confusão de emoções o baguncava por dentro, mas a culpa de não ter estado ao lado dela no parto, mesmo que contra sua vontade, era o que o dilacerava pouco a pouco. - Mandy... amor.. por favor... acorde... eu... preciso que você acorde... - ele exclamou baixo, mas não tinha a certeza se ela ouviria, e foi quando recordou-se que lera uma vez que mesmo pacientes em coma tinham suas habilidades cerebrais, e portanto, quem sabe não poderiam sonhar? Não demorou para que uma lagrima resvalasse no rosto nao mais serio dele, e ele fechasse suas palpebras para que se concentrasse. Só havia um destino desta vez, não havia lugares, memorias ou uma cena a ser criada, somente desejava chegar até Mandy, até o resquício de sua vida, até onde sua alma resistia, e assim pretendia dar o amparo e a força que não pudera mais cedo. Logo ele se viu num lugar escuro, onde ela estava deitada. Ele se aproximou cautelosamente e se deitou ao lado dela, projetando um eu estrelado apenas para acalma-la e ao mesmo tempo desperta-la, sabia que era o que ela mais gostava - " Amor... preciso de você de volta, quero que olhe para mim e veja que estou ao seu lado, como eu prometi. Quero que saiba que agora somos completos, que tempos nossa filha. Por favor, nao nos abandone. Ela precisa de você, tanto quanto eu preciso. Ou tanto quanto o céu se enche de beleza com as estrelas. Precisamos de você porque você é nosso astro luminoso, e sem você tudo fica sem luz, escuro como este lugar. Acorda... venha pra mim, porque eu não... sei o que seria sem você" - ele dissera na mente dela, e mesmo que sua personificação fosse firme, o Emmet de carne e osso já não se mostrava tão calmo assim. Suas digitais que acariciavam a mão dela agora tinham se entrelacado a mão dela, a mesma que ele levara aos labios beijando avidamente. Os olhos que antes eram fixos, compenetrados nela, agora eram o espelho da sua alma, ou melhor, um espelho d'água, e soluço aumentava gradualmente. - Por favor... faz alguma coisa... ela vai ficar bem? - perguntou a medica pela segunda vez.