O coronavírus (CoV) faz parte de uma grande família viral que causa infecções respiratórias em seres humanos e em diversos hospedeiros, incluindo aves, como galinhas, perus e faisões, e mamíferos, como suínos, felinos, bovinos e morcegos.
Os CoV apresentam morfologia predominantemente esférica, com presença de envelope, constituído por camada dupla de lipídeos e proteínas estruturais. As principais propriedades ligadas à infectividade, virulência e variabilidade estão associadas às proteínas de envelope.
O nome dos CoV se deve às espículas de glicoproteínas (estruturas proeminentes) que emergem do envelope e dão à partícula viral a aparência de uma coroa solar (“corona” em latim).
Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.
Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. Porém, alguns coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave que ficou conhecida pela sigla SARS do inglês “Severe Acute Respiratory Syndrome”, o que se reflete inclusive à própria taxonomia do vírus.
A família dos coronavírus (CoV) já causou doenças em seres humanos ao longo da história.
Os primeiros casos de SARS associadas ao coronavírus (SARS-CoV) foram relatados na China em 2002. O SARS-CoV se disseminou rapidamente para mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, infectando mais de 8.000 pessoas e causando em torno de 800 mortes, antes da epidemia global de SARS ser controlada em 2003. Desde 2004, nenhum caso de SARS tinha sido relatado mundialmente.
Em abril de 2012, foi isolado outro coronavírus, distinto daquele que causou a SARS-CoV no começo da década passada. O novo coronavírus era desconhecido como agente de doença humana até sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, na Europa e na África.
Todos os casos identificados fora da Península Arábica tinham histórico de viagem ou contato recente com viajantes procedentes de países do Oriente Médio – Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. Pela localização dos casos, a doença passou a ser designada como Síndrome Respiratória do Oriente Médio e difundida pelo mundo através da sigla MERS, do inglês “Middle East Respiratory Syndrome”, sendo o novo vírus nomeado coronavírus associado à MERS (MERS-CoV).
No fim de 2019, um novo coronavírus foi nomeado como SARS-CoV-2. Este novo coronavírus produz a doença classificada como COVID-19, sendo agente causador de uma série de casos de pneumonia na cidade de Wuhan na China.
Em 30 de janeiro de 2020, a OMS declarou o estado de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). É o nível mais alto de alerta conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional. Essa decisão é considerada um marco para aprimorar a coordenação e cooperação global contra a propagação do vírus.