Sobrevivendo Como Estrela
Eu tô perdida. Eu poderia ter me perdido em tantos outros lugares. Em seus lugares. Na curva da tua cintura, nos tons mais escuros que compõem o castanho da íris dos teus olhos, nas falanges dos teus dedos e linhas de expressão quase inexistentes do rosto.
É tanto problema que eu crio que até me revira o estômago. O estômago e os objetos do meu quarto, que parecem estar sempre fora do lugar depois que você já não está mais comigo.
A sensação que isso nunca vai acabar já acaba com minhas noites de sono e a minha vontade de viver dessa forma. Parece que a única coisa que faz sentido, agora, continua sendo o céu. As estrelas estão sempre ali, nas mesmas constelações. E mesmo mortas, a luz delas ainda chega aqui, porque talvez, assim como eu, elas não se acostumaram com a escuridão, e por isso continuam criando algo que já nem existe mais.










