E, de repente, você percebe que nunca pertenceu a lugar nenhum. Sua própria casa te desloca. Aquilo que devia ser um lar te sufoca, então você precisa fugir. Você corre contra o relógio para se salvar, tentando impedir que esse ambiente te adoeça mais. Ao mesmo tempo, essa vontade constante de desaparecer e não querer saber mais sobre nada te faz sentir um péssimo ser humano. Os traumas que você tem, seus pais também tiveram, e apesar da falta de cuidado, nunca faltou amor. Só que apenas amor não é suficiente para criar uma criança. Priorizar-se acima daqueles que lhe deram a vida é doloroso, conseguir deixar de lado as normas sociais que nos fazem acreditar que isso é egoísmo é como lutar contra uma camisa de força. Só que um dia precisarei caminhar sem eles e, se eu esperar até lá, posso estar quebrada demais pra conseguir fazer isso de uma forma saudável.
Eu preciso me salvar.











