Fui pela primeira vez em um estádio assistir um jogo de futebol. Estava extremamente animado e contente com o evento. Independente de como foi o jogo, algo MUITO me chateou. Um 'torcedor' que estava atrás de mim insistentemente utilizava o termo 'bixa' para desmerecer os jogadores do Iraque. Na 1a vez eu o vaiei, na 2a vez eu virei e disse que ele utilizasse outra forma de expressar aquele sentimento. Para minha surpresa e TOTAL decepção eis que 'todo' o estádio passou a fazer a mesma coisa sempre que o goleiro da seleção oponente ia chutar. Fiquei chocado, perplexo, me sentindo um lixo. O primeiro tempo fiquei tenso. No 2o relaxei e abstraí, pois assim eu seria mais feliz e poderia assistir o futebol. Sei que estádios, parte dos torcedores de futebol e uma 'bad' parcela da população utilizam os termos 'bixa', 'viado' e 'gay' em tom pejorativo e desmerecendo o próximo. Por ser um representante autêntico da categoria (mas poderia não ser e me indignar da mesma forma), me sinto extremamente chateado por ser 'visto' desta forma. Somos seres humanos como todos os outros e merecemos respeito. Me chocou ver diversos marmanjos utilizando estes termos para denegrir os jogadores do Iraque, estes (eventualmente) acompanhados de suas (ou não) esposas e filhos e isso continuar de forma 'tranquila'. Tenho esperança que as crianças destas famílias consigam saber a diferença entre a indignação do mal (ou outro adjetivo) futebol apresentado (ou qualquer outra coisa que seja de se indignar) e a condição sexual do próximo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por diversas vezes já ouvi a seguinte resposta: 'É brincadeira', 'Não é por mal' ou 'Não se preocupe'. Por mais que isso seja 'verdade' a consequência que a utilização desenfreada e de forma grotesca acontece gera diversos males, inclusive a morte. Tenho um pedido aos meus amigos: ensinem (se quiserem, é claro) seus filhos/amigos/parentes que amar é sim um gesto de carinho e respeito e que independente de serem 2 homens, 2 mulheres, 1 homem e uma mulher, continua sendo amor. Eu diariamente tento ser tolerante (com diversas coisas) e quando uma falha é apontada em mim eu penso e reflito sobre como melhorar. Continua (em Estádio Nacional Mané Garrincha)