a carta de despedida que nĂŁo te mandei mas que teve despedida ainda sim:
queria poder dizer que acidentalmente cliquei na sua conversa, ou que os gatos te ligaram ou que vocĂȘ esqueceu uma meia aqui e vocĂȘ pode estar precisando aĂ, jĂĄ que tĂĄ esfriando. mas provavelmente vocĂȘ sabe que sua conversa tĂĄ aberta desde que eu cheguei em casa, e que a função nova de arquivar mensagem no whatsapp nĂŁo serve pra nada, porque fica um grande Arquivadas lĂĄ em cima e eu nĂŁo sou tĂŁo forte pra nĂŁo abrir e ver se vocĂȘ tĂĄ online e nĂŁo me perguntar se, talvez, vocĂȘ tambĂ©m tĂĄ pensando a mesma coisa. vocĂȘ sabe, eu tĂŽ esperando que vocĂȘ diga sim. queria te dar motivos pra ficar, como, por exemplo, a gente ainda tem no mĂnimo 29 cafĂ©s pra ir e o scrapbook vai ficar incompleto.
acho que, mais do que motivos, eu queria nĂŁo querer tanto, porque assim, te deixar ir seria muito mais fĂĄcil, menos doloroso, menos desesperador. seria muito mais fĂĄcil se a gente se odiasse, mas nĂŁo Ă© o caso, e nĂŁo quero te odiar. e nĂŁo Ă© porque eu preciso de vocĂȘ, Ă© porque eu te quero muito, mais do eu quero qualquer coisa. eu poderia estar em qualquer lugar agora, mas estaria pensando em vocĂȘ e querendo vocĂȘ. eu fui no cosmos na quarta, a [nome de amiga retirado] me tirou de casa a força, porque eu to chorando hĂĄ dias consecutivos, e bom, eu tava pensando em vocĂȘ e no nosso date e em como eu tava nas nuvens com vocĂȘ do meu lado de novo. sĂł pensava em voltar pra casa e imaginei que vocĂȘ estaria lĂĄ, me esperando. vocĂȘ nĂŁo tava.
eu fanfiquei muito a nossa volta e quando aconteceu, eu nĂŁo tava pronta. te disse e sabia que tava passando por um processo que seria longo. mas quando vocĂȘ ligou, era o que eu queria e como eu poderia algum dia na minha vida te dizer nĂŁo?
sei que nĂŁo sou perfeita e nunca vou ser, sou humana e vocĂȘ tambĂ©m. eu sou a maior defensora do diĂĄlogo e vocĂȘ se sente sufocada por cobranças que pra mim sĂŁo sĂł conversas. nĂŁo faz bem pra mim e nem pra vocĂȘ. e eu sabia que a gente tinha esse problema, a gente sempre teve. eu tenho tentado, vocĂȘ sabe, e eu sei que vocĂȘ vĂȘ o meu esforço.
eu tĂŽ hĂĄ semanas engasgada, todas as horas que nĂŁo tĂŽ dormindo, tĂŽ pensando em maneiras da gente se ajeitar ou se devo simplesmente deixar ir e o tempo acontecer. eu sei que vocĂȘ nĂŁo tĂĄ feliz comigo agora, e sei que tenho que deixar vocĂȘ fazer o que Ă© melhor pra vocĂȘ. e eu tĂŽ te escutando, tĂŽ escutando que vocĂȘ tĂĄ cansada e que tĂĄ ansiosa e que tem tanta coisa pra resolver e eu sou mais uma. desculpa a insistĂȘncia desses dias, Ă© que eu nĂŁo desisto fĂĄcil, eu sou bem cabeça dura Ă s vezes, principalmente sobre o que eu quero. e eu quero vocĂȘ. quero a gente, quero nosso futuro, quero muitos vĂdeos pra gente olhar daqui 70 anos.
eu nĂŁo vou te convencer a ficar, nĂŁo vou te dizer que eu sei que a gente vale a pena, que sei que tenho muito a resolver, mas que sempre tĂŽ disposta a fazer meu melhor. eu tĂŽ hĂĄ semanas pensando em como eu queria te ter de novo, porque se eu soubesse, teria aproveitado mais. queria ter feito tanta coisa, mas [teu nome retirado], principalmente: teria te fodido na bancada preta da cozinha da sua mĂŁe (sim, eu pensei nisso em todas as horas que estive aĂ). sĂł que, Ă s vezes, fico com medo de te desrespeitar e te forçar a algo, que soe como cobrança quando vocĂȘ jĂĄ tĂĄ sendo tĂŁo cobrada de outros lados. mas sim, eu teria te comido por 3 horas atĂ© sua perna ficar bamba e vocĂȘ falar meu nome do jeito baixo que vocĂȘ fala. na bancada, no banheiro, no shopping. desculpa te dizer essas coisas, isso era pra ser uma carta de despedida, mas eu jĂĄ devia saber que mesmo te dizendo tchau, no fundo, pra mim, Ă© sempre um atĂ© logo meu amor. queria te pedir que me deixasse voltar. queria te pedir que voltasse, pros meus braços e pro meio das minhas pernas, onde Ă© teu lugar.
desculpa, eu sei que isso nĂŁo deveria nunca chegar a vocĂȘ, eu nĂŁo tenho teclado pra te escrever coisas, escrever no medium nĂŁo chega atĂ© vocĂȘ e tem coisas que eu queria tanto que chegassem, eu desinstalei twitter e instagram pra nĂŁo desabar por lĂĄ, e jĂĄ tĂĄ tarde pra ir no mercado, e eu quase peguei o tarĂŽ pra tirar alguma carta que me desse uma luz, mas nĂŁo sei como funciona a tiragem, e aĂ eu sĂł fiz isso, apesar de saber que vocĂȘ nĂŁo queria mais ler nada sĂ©rio, e eu nĂŁo quero te pressionar, e nĂŁo queria ser assim, sentir tanta coisa mas eu sinto (e sinto muito). e quero muito.
isso Ă© pra dizer que, como de costume, vou obedecer. vou concordar com vocĂȘ e dizer que quero que siga sua vida e seja feliz. eu sei que, abrindo mĂŁo de vocĂȘ agora, existe uma possibilidade grande de eu te perder pra sempre. mas, se a gente continuar do jeito que tĂĄ, com certeza vou. porque a gente nĂŁo tĂĄ conseguindo se entender, e a gente sĂł se machuca nesse cabo de guerra. e aĂ, nĂŁo sobra nada dentro de vocĂȘ que, talvez, daqui uns anos, faça vocĂȘ pensar que a gente pode tentar de novo. que talvez, daqui um tempo, a gente tem menos coisas pra resolver, que as coisas estĂŁo mais calmas e estabilizadas, tĂĄ tudo ok no trabalho, a famĂlia tĂĄ bem e os gatos tĂŁo felizes e saudĂĄveis. e aĂ a gente pode focar em ser feliz juntas.
eu acho que a nossa dĂvida no serasa era muito maior do que a gente imaginava, e nem eu nem vocĂȘ sabĂamos de quanto das nossas economias a gente iria comprometer. Ă© que eu tenho pressa de viver e viver a vida com vocĂȘ, e quero abraçar o mundo e fazer todas as coisas, e por mim, nĂŁo ficaria mais nenhum segundo sem vocĂȘ. mas te esperei a vida toda, e quem espera 22 anos, espera mais um tempo.
estou te deixando ir, porque te amo, porque me amo e porque amo a gente juntas. vocĂȘ nĂŁo precisa me bloquear, eu nĂŁo quero que me bloqueie, mas vou entender, se fizer. vou dar um tempo de redes por conta prĂłpria e pelo bem da minha saĂșde, e eu nĂŁo vou te bloquear tambĂ©m. quero ter notĂcias dos gatos, quero saber dos seus sobrinhos, da sua mĂŁe, da sua madrinha, do cachorro tibico, quero saber da mudança, quero saber como vocĂȘ tĂĄ. nĂŁo acho que a gente vĂĄ conseguir ser amigas, mas nĂŁo precisamos cortar os laços (pelo menos, nĂŁo da minha parte). e se vocĂȘ mandar algo, e eu nĂŁo responder, nĂŁo to te ignorando. talvez eu precise de tempo agora, talvez seja mais difĂcil pra mim. nĂŁo tenho certeza de quase nada e essa Ă© uma das decisĂ”es mais difĂcil que tomei.
mas entĂŁo vai, vai buscar aquilo que vai te fazer feliz, conquista o mundo, ganha reconhecimento pela profissional foda que vocĂȘ Ă©, pinta e desenha com o maior, acompanha o crescimento do menor, tira foto dos gatos na varanda nova que vocĂȘ vai ter, assiste reality com teu melhor amigo, toma cafĂ© com sua mĂŁe e come bolo com sua madrinha. vai meu amor, vai buscar aquilo que vai te fazer feliz. e depois, quem sabe, vocĂȘ volta pro meu lado, pra gente curtir, numa boa, sĂł fazendo o que a gente quis. vai, corre, eu tĂŽ te esperando desde que eu nasci, uma vida toda pro momento que eu te conheci, e o amor que eu guardava eu guardei e guardo pra vocĂȘ, pode ficar tranquila.
eu nĂŁo sei se a gente vai tentar de novo, eu espero muito que sim, mas nĂŁo sei de quase nada.
sĂł sei que eu te amo, te quero bem, te quero feliz. e se eu te amo, tenho que deixar vocĂȘ fazer o que Ă© melhor pra vocĂȘ. te amo desde que te conheci. esse amor Ă© sĂł teu, e vai ficar guardado, maturando tal qual vinho chique, e quem sabe quando vocĂȘ voltar, a gente encontra mais 29 cafĂ©s e talvez aproveita esse vinho.
te amo até o reencontro e depois