Sirenia estava sentada em sua rocha favorita enquanto penteava os cabelos com um pente prateado. O vento batia em seus cabelos negros com mechas vermelhas, sua cauda vermelho rubi entrava em contraste com o pôr-do-sol. Cantava uma melodia nostálgica, que a fazia se lembrar do seu lar. Sentia falta do seu reino e do quão divertido era sentar numa rocha e cantar para que os marinheiros ficassem apaixonados e abobalhados por alguns minutos. Nunca, em toda sua vida, o havia feito com más intenções, como as sereias malignas faziam. Sirenia nunca seduzira um humano para matar e achava aquilo muito errado. Como um tributo para os seus dias felizes, a sereia cantou como se estivesse hipnotizando algum mortal invisível dentro de um navio também invisível.
Como em um dia qualquer, sem nada para fazer, seu passatempo favorita era pescar, por mais que nunca pescasse nada que, realmente, prestasse, ainda era um bom exercício para sua paciência, que parecia cada vez pior a cada dia que se passava. Sentado em um tranco de árvore qualquer, na beira da água, distraído com o som das folhas caindo por causa de algumas rajadas de vento, algo o chamou atenção, uma voz conhecida, ao fundo, sendo conduzida, também, pelo vento, uma voz que se dispunha em forma de canção. Quase como hipnose, deixou tudo aquilo que estava fazendo, que não era nada, praticamente, de lado, para seguir o som e se deparar com Sirenia, nada mais nada menos que a líder das sereias e sua amiga de longa data, cantando como nunca ouvira antes. --- Aconteceu alguma coisa muito boa, ou muito ruim, pra você sentar essa bunda de peixe nessa pedra e começar a cantar? --- o tom de deboche era claro em sua voz, brincando, obviamente.