– Eu não faço ideia do que esta mulher está falando. – Hyuntae repetiu para o segurança da empresa pelo que pareceu ser a centésima vez naquela curta meia hora. O loiro estava impaciente, cruzava os braços e batia os pés como se a mulher de meia idade ao lado do troglodita de terno realmente fosse louca. O que posso dizer? Ele é um bom ator. Afinal o que ele estava dizendo era pura e unicamente uma grande mentira. A mulher tinha olheiras fundas e estava claramente abaixo do peso, o que apenas contribuía para tornar sua aparência ainda mais velha e cansada, porém, estava bem arrumada e perfeitamente reconhecível. Aquela era, sim, Woo SunHee, sua mãe há muito abandonada. Sinceramente àquela altura do campeonato Hyuntae tinha a esperança de que a progenitora tivesse morrido de overdose ou entrado em coma alcoólico, de forma que nunca mais ouviria a falar da mesma, no entanto, ali estava ela, usando uma pulseira branca com identificação da clínica de reabilitação local. “Por favor, Hyuntae, eu mudei, me dê a chance de ao menos falar com você, por favor, filho…” A mulher pedia, e tudo o que Hyuntae tinha a responder, ríspida e em alto e bom tom era: – Eu não sou seu filho. E você não devia ter saído do hospício no qual se internou, não tem nada pra você aqui. – Suas palavras eram duras, cruéis e carregadas de impaciência, encharcadas de veneno, mas, se aguçassem bem os ouvidos era possível ver que naquele tom havia um pontada de mágoa, um rancor há muito guardado e jamais esquecido. Por fim, Hyuntae cansou-se, se o segurança não ia tirá-la dali, ele se retiraria, e foi o que fez, indo em direção ao interior da empresa, onde apenas funcionários possuíam acesso. Recostou-se na parede, respirando fundo ao passar as mãos pelos cabelos, tão absorto em seus próprios pensamentos que não notou a aproximação de alguém, deixando-o sem tempo para erguer suas defesas.