Chapter II: Do You Want to Build a Snowman? @ElsaOlsen
snowflakesarefalling:
Todos os alunos tremiam de frio. Agarravam-se a camadas exageradas de roupas, bebiam chás de todos os sabores imagináveis para sentir o peito esquentar e curtir os pouquíssimos instantes de calor, sendo entregues ao frio alguns minutos depois. Havia até mesmo o boato de um chá de folha de mandrágora que era contrabandeado pelos alunos da Ravenclaw, que não apenas trazia aquele conforto quente de quem tentava fugir do frio, como também fazia surgir alguns agradáveis efeitos colaterais. Todos os alunos reclamavam o tempo todo de como era impossível sair do castelo sem se tornar um sorvete. Todos menos Elsa. Ela se sentia confortável com os flocos de neve tocando-lhe a bochecha e vindo a derreter contra as raras e imperceptíveis sardas em seu nariz. Era como se fossem absorvidos e, assim, passassem a fazer parte dela. Elsa jamais se preocupou em trajar mais que o uniforme tradicional que sempre usava. O frio jamais a incomodava, o gelo a obedecia. Ela podia andar por aí com as mangas puxadas até as alturas dos cotovelos e as pernas desnudas e não exibia qualquer tremor. Com isso, porém, vinham os olhares e ela sempre fizera tudo para evitar qualquer atenção desnecessária – que, em sua opinião, resumia toda e qualquer atenção direcionada a ela. Usava meias, então, e as grossas mangas de um suéter cobrindo-lhe os braços. Após a monótona aula de Herbologia daquela tarde, nas quais a Profª Sprout os ocupara com mandrágoras e seus insuportáveis gritos ensurdecedores, ela caminhou de volta ao castelo. Ouviu alguns alunos rindo e contando histórias sobre o lendário chá, mas diminuiu o passo e deixou com que fossem a sua frente. Caminhava devagar, enquanto todos os outros corriam, para aproveitar a companhia de seu melhor amigo - que Harrison jamais soubesse de tais pensamentos –, o gelo. Prestava atenção em suas pegadas e no modo como cada um de seus passos se afundava em uma neve de dez centímetros. Não soube exatamente de onde veio ou o que aconteceu, mas um vento frio lhe atingiu as pernas. Sua saia se ergueu até a altura da cintura e um rubor instantâneo se fez presente em suas bochechas. Houve uma risada enquanto ela abaixava as roupas novamente e ela se virou em direção a uma gigantesca árvore seca na qual um rapaz se sentava de modo confortável em um frágil galho. Se estivesse raciocinando direito, ela perceberia seus cabelos mais brancos que os dela, se perguntaria como o galho não havia se quebrado com seu peso, questionaria o que seria aquele grande cajado que ele carregava. Mas ela não pensou. E, ainda sem raciocinar, em um reflexo rápido, ela fez um movimento com o braço esquerdo. Sentiu o gelo fluir por suas veias, ir em direção a seus dedos e se transformar em algo. Neve saiu de seus dedos. Era tão branca que parecia brilhar, parecia uma extensão dela. O clarão atingiu o rapaz e ele rodopiou no ar com o impacto. Os pensamentos finalmente voltaram ao lugar que deveriam, sua mente, e ela levou a mão aos lábios, assustada com o que havia feito. Havia atingido alguém. A culpa pesou por sobre seus ombros e uma profusão de falas de diferentes Elsas surgiu, enchendo-lhe a cabeça, latejando contra suas têmporas. Poderia tê-lo machucado. Alguém poderia ter visto. Hans ficaria tão desapontado e Anna saberia da verdade, através dos boatos que se espalhariam como a epidemia de uma doença contagiosa. Mas não havia mais ninguém por perto. Eram apenas ela e o rapaz a flutuar a alguns metros da árvore na qual se sentara há poucos… (Wait… Is he…? How can it be?) “What the hell?” ela sussurrou para si mesma, fitando a expressão dele. Não sabia se era de surpresa, curiosidade ou irritação. Ela não pensava nisso, de todo modo, apenas conseguia se focar no fato de que ele estava flutuando.
ㅤㅤㅤㅤㅤDe todas as reações que Jack cogitou brevemente pudessem ser as da menina a quem tinha alvejado como vítima de uma das suas brincadeirinhas inocentes, a que ela teve não chegava nem perto de estar na lista. ㅤㅤㅤㅤㅤVoosh. ㅤㅤㅤㅤㅤFoi tão rápido que ele não conseguiu desviar; tão inesperado que, mesmo que conseguisse pensar em fazê-lo, ficaria embasbacado demais pra ter uma reação. Gelo, direto no peito. ㅤㅤㅤㅤㅤ— WHOA! — Rodopiou no ar e teria caído de cara na neve fofa, não fosse sua grande habilidade com a flutuação. Pairou a alguns centímetros do chão, tirando a neve do peito com um ar levemente confuso. Logo a expressão foi tomada por um sorriso, ao mesmo tempo em que os grandes olhos azuis se voltaram em direção de sua atacante, que parecia tão confusa quanto ele estivera momentos antes. E levemente aterrorizada: segurava o braço junto ao corpo como se estivesse ferida, os olhos arregalados em um contraste engraçado com as sobrancelhas franzidas. ㅤㅤㅤㅤㅤ— Now that is what I call a good aim! It was awesome! — Agitando o cajado no ar, o fantasma soltou uma risada sonora, voando alguns metros em direção à bruxa e de repente se detendo. ㅤㅤㅤㅤㅤEspera só um pouquinho. Se ela conseguiu acertá-lo, isso significa que... ㅤㅤㅤㅤㅤ— Oh. — Sem se dar conta, Jack imitou a expressão no rosto da garota loira. De repente mil questões às quais ele não tinha dado atenção começaram a pipocar em sua mente ao mesmo tempo. Então ela o podia ver? Como?! E seus poderes... Ela tinha atirado gelo nele, não tinha? Com as mãos vazias! ㅤㅤㅤㅤㅤSeria possível que Jack Frost, afinal, não era tão “único” como pensava ser, no fim das contas? Mas, se aquela garota era como ele, por que estava misturada aos alunos — aos vivos — enquanto ele aparentemente tinha sido condenado a uma vida selvagem? Pensando agora, na verdade, ele se dava conta de que nunca tinha tentado realmente conviver com as pessoas desde... Bem, desde que se lembrava. ㅤㅤㅤㅤㅤ— Are you dead? — Ouviu-se perguntando de repente, notando então que aquela era uma pergunta meio idiota a se fazer a alguém que provavelmente era um fantasma. Mudou a tática, então: — I mean... Who are you?












