Quando olhamos para DANNY GRIFFIN, é impossível não lembrar de EZEKIEL "ZEKE" GRANT, no auge de seus VINTE E SEIS ANOS, lá em 1987. Natural de HARBORVIEW, FLÓRIDA, foi residente de SEABREEZE BUNGALOWS em Harborview e trabalhava como SURFISTA E GARÇOM DA MARINA'S HOME GRILL naquela época. Por ser ALTO ASTRAL, PONDERADO e PROCRASTINADOR, era muito querido por todos. Ainda hoje, sempre que escuto SPENDING MY TIME, ROXETTE, me faz pensar em ZEKE.
* ⠀𓂃 🐚 ⠀❪ HEADCANONS :
De pai, mãe e família unida Zeke não entendia, mas de aproveitar a vida? Sim, isso era tudo o que fazia desde que começou a se entender por gente. O que se lembra de sua infância foi que fora acolhido pelos pais de um amigo que brincava na rua; sem isso, jamais teria dado uma reviravolta em sua vida, já que fora deixado à mercê da própria sorte pela mãe na estação de trem quando ainda era um menino de cinco e poucos anos.
Algumas pessoas tratam os traumas de sua vida como um traço de sua personalidade ou um fato irrevogável de sua identidade que são incapazes de se desprender. No entanto, outros, que no caso Zeke estava inserido, usavam disso como fonte para evoluírem mentalmente. Apesar da frustração de ter sido abandonado quando nem sequer tinha noção das coisas direito, seu receio de comprometimento advinha da mãe que nunca tivera, algo problemático e bem complicado de se lidar. É por isso que encontrou refúgio nas águas do mar desde cedo.
Cresceu sem muito ensino e fez apenas o básico na escola, pois, na época sem um estudo não existia futuro promissor. Na prancha que surfava, Zeke encontrou alívio e viu que poderia muito bem tirar proveito disso por ser muito bom. Acabou abandonando a escola, ainda vivendo com os pais de seu colega, mas, após ter conversado com eles viu que deveria ter um emprego extra apenas para conseguir se manter - e, é claro, não dar tanto prejuízo. Sendo assim, arranjaram para ele um bico de (escravo) garçom do restaurante popular em Harborview, onde também poderia ganhar umas boas gorjetas.
Assim Zeke conseguiu se firmar melhor e está juntando para comprar uma van na expectativa de morar dentro dela para que possa viajar por aí e encontrar as melhores ondas nos pontos mais populares dos Estados Unidos. Pelo menos por enquanto sua ambição não voa muito longe, mas a intenção é de conseguir que os olheiros lhe encontrem surfando uma onda espetacular em Harborview!
Trabalhar como atendente da chapelaria não foi tão ruim quanto ela imaginou. Antes, pensou que seriam horas intermináveis em pé, enquanto sustentava um sorriso e uma educação minimamente calculadas – o suficiente para parecer profissional, mas sem parecer gentil demais. (No último ano, Sun-hee aprendeu que nem todos conseguiam enxergar a gentileza sem pensar que ela estava dando mole, então ela tentava se segurar o máximo possível). Depois de passadas algumas horas de baile, percebeu que não estava errada: ser atendente de chapelaria envolvia intermináveis horas em pé e sorrisos e educação friamente calculada, mas ela pelo menos recebeu gorjeta dos mais caridosos, a maioria foi extremamente gentil e amigável com ela e, o melhor, ainda conseguia ouvir os discursos e a música do lugar onde trabalhava.
Absorvida pelo ritmo único de Careless Whisper, tomou um susto ao notar o drink estendido na sua direção. Pela milésima vez no dia, abriu aquele sorriso polido ao encarar a pessoa que lhe oferecia a bebida. — É para... — O "mim" quase escapou da sua boca, mas logo percebeu que poderia soar como folgada se fizesse aquela pergunta. — Segurar? — completou, esperando que parecesse mais solícita do que insegura.
"você, é claro!" prontamente disse-lhe, quase como se fosse errado da parte dela pressupor que deveria apenas segurar. "não é porque está trabalhando que seja escrava, e certamente não deveria fazer isso pra ninguém. de segurar o copo." claro que ele entendia perfeitamente bem o posicionamento dela, vez que o protocolo de empregados, no qual ele estava inserido também, visava o bem só cliente, unicamente. do empregado? ora, de que importava se eram feitos de bichos?! então, reforçou a entrega do drique, apenas para que ela tomasse da mão dele. "tive um mínimo tempinho pra ir até o banheiro, mas eu sei, você sabe e todo mundo sabe que é pra esticar bem as pernas, não tem nada a ver com banheiro em si." explicou apenas por humor, esclarecendo.
Sebastián observava o salão com um olhar distante, como se estivesse ali só pela metade. A música seguia elegante, os risos ecoavam fáceis demais, e as taças nunca ficavam vazias. Ele deu mais um gole no drink — talvez o terceiro, talvez o quarto — e sentiu aquela familiar sensação de calor que sempre vinha nessas noites. Festas de caridade tinham esse efeito nele. — É curioso… — comentou baixo, quase distraído, ainda olhando para frente. — Como algumas pessoas conseguem passar o ano inteiro fazendo tudo errado… e resolver isso em uma noite. — Girou levemente o copo entre os dedos. — Chegam aqui, assinam um cheque, posam pra uma foto bonita, apertam algumas mãos… — fez uma pausa curta. — Todo mundo admira. Todo mundo aplaude. — O tom não era acusatório. Era cansado. Um meio sorriso torto surgiu, rápido demais para ser confortável. — Como se generosidade fosse um evento, não um hábito. — Ele tomou outro gole, mais longo, apoiando o copo na mesa ao lado como se precisasse de algo firme para se ancorar. Só então Sebastián virou o rosto para a pessoa ao lado, o olhar sério, mas curioso, sem desafio algum. — Me diz uma coisa… — perguntou, com a voz baixa, controlada apesar do álcool. — Se você tivesse muito dinheiro. Não um valor simbólico. Muito mesmo. — respirou fundo. — O que você faria?
de todas as coisas que Zeke já havia se destinado a fazer, servir drinques e misturar bebidas era a última que esperava fazer. todavia, na hora de ganhar uns trocados tudo era possível. aprendeu dias antes com um dos barman a se virar e entender os pedidos para que não falhasse no dia do evento, e lá estava, dedicado a limpar o balcão após algumas doses terem sido distribuídas. e, embora ocupado, ouvia o homem à frente falar. vezes baixo, vezes alto, dependia da distância na qual Zeke estava dele, visto que precisava também direcionar sua atenção para outros da mesa.
quando, por fim, a demanda alta de início de festa dissipou e outros colegas tomavam à frente, o loiro jogou a toalha por sobre o ombro e apoiou as mãos na madeira, analisando o que responderia para o dito cujo. "eu não estaria em harborview." foi a primeira coisa que respondeu dadas circunstâncias lógicas. o dar de ombros foi apenas um adendo para complementar sua reação corporal diante da premissa. "não dá pra saber como seria porque, talvez, se eu tivesse isso subisse à cabeça. e é normal, acho que subiria na de qualquer um." fez um bico sutil, ponderando bem a opção. futuramente, bem... ele teria muito dinheiro, sim, pois seria famoso internacionalmente. "talvez, por terem dinheiro demais há muito tempo, os ricos deixaram de tornar um hábito para virar apenas uma ação social que gera mais dinheiro ainda. no fim das contas, tudo é capital. você está desse lado do balcão e eu do outro, pois, no fim das contas... bem, as contas precisam ser pagas." riu, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo viver e estar situado nesta realidade. se não fosse tão dramática a premissa, talvez, realmente, existisse um fundo de humor. "e você? não, espere! vou adivinhar, você compraria uma mansão de veraneio, um carro dos mais caros e se mandaria dos Estados Unidos de vez?!"