Sebastián ouviu a resposta dela com atenção genuína, acompanhando o sorriso sonhador quase como quem se permite imaginar junto. A ideia de um sabático tocou nele de um jeito incômodo — bom demais para ser real. Por um instante, pensou em como adoraria desaparecer por alguns meses, talvez um ano inteiro, sem plantões, sem reuniões veladas, sem o peso constante do hospital… e sem o sobrenome. Mas bastou a imagem se formar para ele descartá-la. O pai jamais permitiria um afastamento longo demais. O St. Bridget’s, os negócios, as “responsabilidades”. A prisão invisível que vinha junto com ser um Zugasti. A pergunta seguinte a pegou desprevenido. — Eu- — Começou, e quase engasgou com o próprio gole. Tossiu uma vez, rápido, levando o copo para longe do rosto, claramente pego de surpresa. — Ricaço? — Repetiu, com uma risada curta demais para ser totalmente natural. Havia tensão ali, ainda que ele tentasse escondê-la. — Olha… sinto muito decepcioná-la. — Brincou, erguendo as mãos num gesto rendido. — Não tem mansões escondidas, nem cofres suíços com meu nome gravado. Nenhum iate ancorado em Mônaco esperando ordens. — O sorriso voltou, mais cuidadoso agora. — Sou médico. Vivo bem, não posso reclamar disso. — Disse, escolhendo cada palavra. — Mas só isso. Nada que faça alguém parar uma conversa pra subir e descer a sobrancelha desse jeito. — Deu de ombros, fingindo naturalidade. — Imagino que, nesse caso, eu tenha acabado de deixar de ser um bom partido. — Acrescentou, num tom quase divertido, tentando dissipar o clima antes que a conversa seguisse por um caminho perigoso demais. Sebastián então fez o que sabia fazer melhor: mudou o foco. — Mas, sim, a Europa… — Retomou, com interesse real. — Isso, sim, me parece promissor. — Inclinou levemente a cabeça. — Pra onde exatamente? França? Itália? Espanha? Ou você escolheria um lugar menos óbvio?