sobre crash landing on you
Um acidente de parapente deixa uma rica herdeira sul-coreana desterrada na Coreia do Norte, onde conhece um oficial do exército que decide ajudá-la a esconder-se. O amor não conhece fronteiras neste romance arrebatador protagonizado pelas superestrelas Hyun Bin e Son Ye-jin.
Da última vez em que escrevi sobre um drama que gostei muito foi em meados de fevereiro, quando terminei de assistir Because this is my first life, que definitivamente me marcou demais e mereceu mais que duas linhas nos meus status do whatsapp. Depois dele, assisti Pretty noona who buys me food e, apesar de ter gostado dele de inúmeras formas, acredito que finais são importantes demais para desconsiderar minha decepção com a forma como se findou a série. E então, certamente decepcionada com o anterior, embarquei em Crash landing on you.
Apesar de não acreditar que a premissa seja a mais impressionante que já encontrei no catálogo da Netflix, quem dirá a mais verossímil, o enredo é tão bem construído que dá pra chegar a acreditar que poderia, literal e casualmente, cair de paraquedas nos braços do amor da minha vida em uma tediosa tarde de quinta-feira.
Pousando no amor (nome em português do drama), para mim, é sobre apostar todas as suas fichas na trama que você está vendo, pois a intensidade dela te recompensará em dobro. Talvez eu esteja dizendo isso pelo calor do momento de ter acabado de assistir o último episódio? Talvez... mas ainda tomarei responsabilidade por dizer que não existem brechas o suficiente para se ver cansado por qualquer momento.
A história acerta no desenvolvimento de personagens e em como faz você criar empatia por eles ao decorrer dos episódios. A Yoon Seri que você conhece no primeiro episódio é uma pessoa totalmente diferente daquela da qual você se despede no décimo sexto e, o mais engraçado, é que não precisei me identificar com ela em quase nenhum momento (até porque não é fácil achar muitos pontos compatíveis com uma mulher forte, rica, poderosa, inteligente, linda e com todo mundo aos pés dela, né? xd) para que isso acontecesse. A empatia para com ela, não vem de se sentir como a personagem, mas sim da intimidade e companheirismo que aumenta a cada vez que ela evolui. Um pouco diferente do Ri Jeonghyuk que parece muito mais real, próximo de nós e até mesmo mais... humano (?) desde o início.
A escolha de elenco também é um ponto forte, não só para os protagonistas, mas especialmente para eles. Son Yejin e Hyun Bin me convenceram tão bem, que minha torcida, por fim, era para que fossem um casal da vida real e não só da ficção. E acho que vale dizer que, apesar de não ter gostado tanto da atuação da Yejin em Pretty noona (que foi o primeiro trabalho dela que assisti), Crash landing me convenceu de que a falha foi com a direção e não com a atriz.
E como nada é feito apenas de protagonistas, todo tipo de emoção da trama principal é refletido para os galhinhos das muitas tramas secundárias, nas quais também confesso não ser difícil se apegar a muitos dos personagens. Mesmo que não a todos, mesmo que não de primeira, quando você vê, está interessado por alguém que sequer esperava que chamaria sua atenção.
As senhoras da vila militar e toda a nuvem de riso e caos que elas carregavam de um lado para o outro, o humor e cumplicidade dos capangas do Jeonghyuk, o quase triângulo (quadrado?) amoroso que chega com Goo Seungjoon e Seo Dan e toda a forma que eles e outros coadjuvantes moldam a forma como a história é contada e tem vários ângulos tornam tudo fluído e realmente gostoso de assistir.
Se vale a ressalva mais do que pessoal Goo Seungjoon e Seo Dan me afastaram em suas primeiras aparições e nas segundas e até nas terceiras. Se a história dos protagonistas já parecia complicada, a “intromissão” dos dois era muito indesejada por mim, não precisava de mais nada para ficar no meio dos dois. Quem diria que pouco depois eu estaria caidinha por tudo que os dois faziam?
Ainda tive a pachorra de por alguns episódios não querer ver a Dan nem pintada de ouro e gostar dela muito menos que do Seungjoon. Ai, ai. Para eu cancelar a Dan depois de começar a gostar dela, ela teria que vir na minha casa e bater na minha família, dependendo do parente eu até ajudava. Que mulher forte, linda, independente e cheirosa!
Convenhamos, não é qualquer série com mais de uma hora e meia por episódio que consegue se manter bem e com o expectador atento sem precisar apelar para twists explosivos. Até porque, é importante ressaltar que, apesar de ter apenas pontos positivos para serem citados, eu acho que ainda existe aquilo que faz com que Crash landing tenha ganhado uma posição tão alta no meu coração: os detalhes.
A história é muito delicada, apesar de ter uma premissa “nem-tão-delicada-assim”; ela conversa romance, família, política, troca de tiros, emoção e cenas bem humoradas sem precisar fazer com que uma abordagem passe por cima da outra. E, para mim, isso se ganhou nas pequenas coisas.
A maior das vitórias aqui, é apreciar os detalhes: como as coisas acontecem, como tudo está costuradinho, como os protagonistas tratam um ao outro. Sem lacunas indesejadas. Como tudo é bem feito e bonito, do enredo à fotografia que é um agrado especial aos olhos.
“Tá, mas se é tão bom como você tá dizendo, por que diabos você demorou quase quatro meses para assistir?”
Se eu disser que estava adiando os últimos episódios há tempos por medo de chegar ao final, alguém acredita? Porque foi o que aconteceu. Assisti os primeiros catorze episódios em cerca de três semanas e travei por meses nos últimos dois por simplesmente não querer terminar. Foi na semana passada que decidi tomar vergonha na cara e terminar.
Spoiler? Não terminei outra vez e parei no último episódio, faltando uma hora e quarenta.
E chorei como criança pisando em lego quando outra vez tentei chegar ao fim ontem de madrugada. Na verdade, chegar ao fim de Crash landing foi uma baita saga para mim porque desapegar demorou bastante. Até poucos minutos atrás quando finalmente assisti a meia hora final do drama e depois de me arrasar de chorar mais um pouco, respirei fundo e sorri contente por ter me dado esse privilégio.
Sem muito mais o que declarar, beijo na teta, fiquem em casa, bebam água e deem amor a Crash landing on you.