Carta nº182
Esse negócio de muda mais vai virar um pouco da minha história. Uma história que talvez (e provavelmente) me traga arrependimentos mais tarde, porque é inevitável que algumas coisas fujam ao nosso controle. Eu sempre odiei o partido dos trabalhadores, Cristo. Mas hoje até fotinho já tinha colocado. Acabei de excluí-la porque a tinha posto por um lapso em me ver metade Dilma. Passou, passou. Eu não posso me esquecer de que meu apoio político é temporário e que logo menos (daqui quatro anos, por exemplo) eu poderei manifestar meu voto real novamente, torcendo para que meu candidato vá ao segundo turno, seja lá com quem for. Mas como está rolando na internet, repito: Aécio Never. E sinto muito a respeito dessas pessoas que usam o argumento “quem vota no PT é burro”. Sinto muito pelo desrespeito às discordâncias políticas, que não vi nunca antes serem tão fortes e importantes. Parece que agora todo mundo anda se preocupando com as eleições. Nunca vi. E tenho uma lembrança de quando eu era criança. Era alguma dessas eleições malucas e minhas tias tinham bonés, camisetas, balões do Geraldo Alckmin. Eu usava tudo com a maior alegria, como se Geraldo fosse herói da família. Ai que tonta. Ai que ingênua. Não se pode influenciar uma criança inocente a respeito dessas coisas. (Rindo.) Pois bem, anos atrás eu vestia o boné do Geraldo, logo menos estarei com o adesivo da Dilmais na mochila ou no peito. O mundo dá tantas voltas que chego ficar tonta. Não aguento mais esse clima e quero que esse segundo turno passe logo, de uma vez por todas. Não bastam todas essas discussões em dias comuns, nesse período as pessoas surtam... Tipo eu, que estou aqui as dez para as três da manhã porque estava conversando sobre política com uma amiga nada engajada. Cada coisa... Boa noite. Eu te amo. É nóis.








