Quem viaja, muda. O maior desafio de viajar é que é extenuante calibrar-se energias e gerir-se expectativas. Quando se sai à procura (muitas vezes sem se saber muito bem o quê), a cabeça está aberta e à espera de (se) encontrar. Quando se sai em fuga, a cabeça está fechada e o difícil é não (se) perder. Quem reinventa, muda. Por vezes, o viajante tem a presunção de achar ser possível reproduzir alguns fragmentos da sua identidade cultural original. Acredita que assim (re)criará uma zona de conforto. Mas quem viaja fá-lo por conforto, ou fá-lo para redifinir o seu perímetro? Quem transforma, muda. Sonha-se crescer em sítios onde a promessa de surpresa e deslumbre nos transporte além fronteiras do ego, do etnocentrismo e da tacanhice de um bairrismo vazio. Por vezes vai-se só para ver como é, se afinal se tem aquela fibra que só os que se perdem para se encontrar têm. Essa emulação de bolhas de ar fresco é temporária e a realidade produz mais choques que um taser. E vão já vão mais três anos. Três anos que pela transformação parecem e sentem-se na pele como se fossem 9! Em breve haverá mais viagens à espreita. Até breve, mundo!









