I know I donât really use my account like to complain abt shit but I gen am so annoyed abt this đđ but Iâm so tired of seeing people use the choso x r/eader tag (Iâm trying to censor it so it doesnât show up in the searches Iâm not trying to be what Iâm complaining abt đđ) to make posts like âim so sick of sub choso!!!â Or âwhy is everyone making so much sub choso??â Or âermmm hot take, i donât wanna read sub choso fics cuz heâs not a sub!!â SHUT UPPPPPPPP GO READ DOM CHOSO THEN.
like if you want dom choso content itâll be there for you like for every one sub choso thing theyâll be three more dom choso ones I promise youâll be fine. Iâm mostly annoyed cuz sub character/femdom reader is already so rare in fandom spaces that when I see people complain about it it irks me like yall got ppl writing stuff for you all the time, please stop complaining abt the people writing for those of us that enjoy a different dynamic.
And listen if you really wanna complain abt it you can (I mean look at me lol Iâm doing the same), my gripe is that you donât need to be putting it in the tags for people trying to find actual content
Anyways sorry abt this yallđđI know Iâm complaining abt how ppl talk abt jjk characters of all things im just serious about femdom/sub character content and im annoyed seeing ppl cry abt it when they can just find dom character content literally anywhere.
Every time a new person makes a post on the choso tag whining about sub choso for the fiftieth fucking time I look back to this post and think I shouldâve been angrierâŠfuckâŠ
Satoru, por outro lado, era hiperconsciente da prĂłpria beleza â e isso tende a tornar qualquer pessoa insuportĂĄvel. O tipo de beleza que nĂŁo pedia licença, que nĂŁo fazia esforço, que acumulava elogios e seguidores em redes sociais onde ele mal postava. Vantagens demais para tĂŁo pouco empenho. O mundo se curvava, e Satoru aceitava isso com a naturalidade de quem nunca precisou se curvar a nada.
E, ainda assim, foi como se o universo inteiro desabasse num Ășnico segundo.
VocĂȘ estava distraĂda. Mexendo no celular, alheia ao mundo, completamente indiferente ao fato de que Satoru Gojo estava ali, parado a poucos metros, existindo. E essa foi a primeira coisa que o atingiu como um soco: vocĂȘ nĂŁo olhou. VocĂȘ nĂŁo o percebeu. NĂŁo houve aquele brilho de reconhecimento que ele inconscientemente esperava de todo mundo â aquele momento em que a pessoa registrava sua presença e, por um instante, esquecia o que estava fazendo.
VocĂȘ era linda. NĂŁo do jeito que as pessoas bonitas costumam ser. VocĂȘ era o tipo de beleza que dava raiva â porque nĂŁo era Ăłbvia, nĂŁo era fabricada, nĂŁo era um produto. Era crua, era real, era sua. E ele se viu querendo saber tudo. Cada detalhe insignificante. Cada histĂłria boba. Cada pensamento que passava por trĂĄs dos seus olhos enquanto vocĂȘ olhava pela janela.
Satoru nunca tinha se sentido assim. E, honestamente? Estava odiando.
Estava funcionando. Ele sabia que estava funcionando. Sentia na quĂmica que se acendia sempre que estavam no mesmo ambiente. Na eletricidade que percorria o ar quando vocĂȘ finalmente ria de algo que ele dizia â um riso genuĂno, que vocĂȘ tentava esconder e ele tentava capturar.
Satoru viu acontecer. Viu as conversas se alongarem. Viu os sorrisos trocados, os toques que começaram casuais e foram ganhando peso. Viu vocĂȘ se inclinar para Suguru do jeito que nunca se inclinou para ele.
Doeu. Doeu de um jeito estĂșpido, infantil, que ele nĂŁo sabia que ainda era capaz de sentir.
Porque o problema nĂŁo era que Suguru gostava de vocĂȘ. O problema era que Satoru continuava olhando. Continuava querendo. Continuava sentindo a gravidade de vocĂȘ o tempo inteiro, mesmo quando vocĂȘs jĂĄ estavam juntos, mesmo quando os dedos de Suguru se entrelaçavam nos seus, mesmo quando vocĂȘ sorria para o namorado com um brilho que Satoru queria para si.
Seria o melhor. Definitivamente, para um cara como ele, esse tipo de coisa só traria dor de cabeça. Ainda assim o corpo jå estava quente apenas em antecipação ao observar seus låbios brilhantes com gloss.
âEntendi, ok.â VocĂȘ segurou o riso em vista do bico constrangido do de fios louro escuro, puxando o zĂper para baixo e entĂŁo subindo a blusa dele com uma mĂŁo enquanto segurava o jeans agora alargado com a outra. âQuer marcar outro dia, entĂŁo?â Provocou, dando uma rĂĄpida olhada no meio das pernas dele, onde havia o contorno levemente proeminente do penis de Grace curvado em direção Ă coxa direita.
Seu sorriso aumentou.
âO-o que? O sexo ou o jantar?â O loiro gaguejou, olhando para baixo com os olhos azuis brilhando por trĂĄs dos Ăłculos tombados.
VocĂȘ gargalhou alto, sentando em cima das prĂłprias panturrilhas.
âTira logo essa calça antes que minhas pernas fiquem dormentes, meu deus!â Riu, para o qual o homem imediatamente forçou o quadril para cima, te ajudando a puxar o jeans para fora.
âPergunta idiota?â Grace murmurou, evitando olhar para baixo enquanto vocĂȘ deixava a calça dele acumular nos tornozelos, expondo a ereção crescente entre as pernas peludas.
âEu preciso mesmo responder?â Questionou em retorno, segurando a panturrilha dele com firmeza enquanto tirava um sapato e o jogava em direção a porta de entrada do apartamento antes de repetir o mesmo com o outro, podendo enfim tirar a calça de Ryland por completo. âSĂł pra deixar claro, se nĂŁo quiser eu entendo.â
âEngraçado vocĂȘ dizer isso com minha calça jĂĄ no chĂŁo e, bem⊠Ajoelhada entre minhas pernas.â Ele brincou, embora ainda soasse levemente ansioso.
Incapaz de resistir a provocação, se inclinou e mordeu o joelho dele, fazendo Ryland urrar levemente e jogar o tronco levemente para frente.
âAi!â Reclamou o homem, apesar do penis ter ganhado ainda mais vida, saindo do estado meia bomba para endurecer lentamente a seu tamanho completo contra a cueca apertada.
âEssa figura de linguagem eu nĂŁo conheçoâŠâ Ryland murmurou, jogando a cabeça para trĂĄs no encosto do sofĂĄ ao sentir o corpo imediatamente reagir a sua atenção. Os Ăłculos estavam começando a embaçar pela respiração quente e ofegante, fazendo o maior colocar esforço em si mesmo para manter o corpo sob controle.
âAh, estou vendo.â Riu, sem fĂŽlego e de olhos fortemente fechados por trĂĄs dos Ăłculos de grau. âĂ a primeira vez na vida que eu me sinto um pedaço de carne.â
VocĂȘ gargalhou com isso, se inclinando para frente entre as pernas bem abertas dele e segurando as coxas dele firmemente com ambas as mĂŁos.
VocĂȘ olhou para cima, surpresa, e viu apenas o pomo de AdĂŁo dele se movendo visivelmente, pois o rosto estava todo virado pro teto sobre o encosto do sofĂĄ. Lambeu os lĂĄbios, sorrindo de maneira ladina.
âI-isso doeu.â Ele sufocou, tentando â e falhando â em se distrair do quanto gostou.
âQue bom.â Sussurrou, se aproximando enfim do pĂȘnis dele, que tentou contrair as pernas ao sentir seu hĂĄlito quente contra o falo veiudo.
VocĂȘ se importaria com os pĂȘlos crescendo? Na base da virilha? Ele deveria oferecer outra coisa? Estava ansioso. Com medo de errar e estragar o momento.
âPorra, porra, porra-â Gemeu, sentindo-a sugar com força e masturbar onde a boca nĂŁo alcançava.
A cabeça dele estava girando. Grace mordeu o prĂłprio lĂĄbio com força, se segurando com tudo que tinha e ainda assim, o pĂȘnis pulsava repetidamente.
âIsso ai, lindĂŁo, deixa eu saber como vocĂȘ gosta.â Envergonhado, ele gemeu. Suas palavras abafadas pelo pau dele o fez tremer e soltar a blusa de frio amarela, apoiando a mĂŁo em sua cabeça.
âĂ d-demais pedir⊠Um tempo?â Ofegou, descendo o rosto de forma que o Ăłculos caĂsse levemente sobre a ponte do nariz apenas para ver seus olhos lascivos jĂĄ o encarando com o pau na boca.
Ryland fechou os olhos com força, prendeu as pernas ao seu redor e pensou na primeira merda que lhe veio à cabeça.
Rasputia.
Uma vovozinha idosa.
Ai, credo, ele havia assistido um filme de terror recentemente⊠Muita tripa. Sangue. Meu Deus, que nojo.
Enquanto isso, seu vigor e fome pra chupar o membro gostoso lentamente sumiam ao reparar que ele estava parando de pulsar como se estivesse prestes a gozar. Sugou mais forte, apertou com mais firmeza, e apesar do pulinho de Grace, ele continuou estĂĄtico no lugar e de olhos bem fechados.
âO que houve? NĂŁo estou entendendo. Te deixei desconfortĂĄvel?â Questionou, ao qual ele balançou a cabeça, revelando olhos lacrimosos por trĂĄs dos Ăłculos tortos.
âPorra, eu nunca quis tanto gozar na minha vida.â
âVocĂȘ deu motivos. Agora sou loirofĂłbica.â Brincou, se abaixando para morder a coxa dele novamente pela indignação de Grace ter se auto sabotando.
A dor da mordida o fez pular, gemendo baixinho. O coração dele disparou em meio ao aperto doloroso da ansiedade. Notando isso, vocĂȘ o mordiscou de novo, mais suavemente dessa vez.
âA-ah! V-vocĂȘ nĂŁo disse que loiro podia ser j-janta?â O professor fez bico.
âĂs vezes.â O olhou por baixo dos cĂlios, mordendo-o de novo. âMas agora, nĂŁo sei se compensaâŠâ
âE-ei, isso tĂĄ doendo⊠Foi mal por, sabe⊠Te deixar na mĂŁo. Eu posso te pagar pra compensar a perda de tempo eââ
âNĂŁo seja idiota.â Bufou, mordendo ainda mais forte o interior da coxa dele, perigosamente perto da virilha. âEstĂĄ achando que sou prostituta pra me oferecer dinheiro, porra?â
Grace gritou agudo, e entĂŁo gemeu, se contorceu. O pau dele jĂĄ estava duro e vazando de novo. EntĂŁo vocĂȘ mordeu novamente o mesmo lugar, chupando em seguida, e o membro antes meia bomba voltou a latejar.
âAh, entĂŁo quer dizer que vocĂȘ acha que putas nĂŁo sĂŁo maravilhosas? VocĂȘ as odeia? Ă isso?â Provocou com falsa irritação, apenas para vĂȘ-lo gaguejar e se complicar ao se ver entre a coerĂȘncia e o tesĂŁo
Ryland aparentemente tem um ponto fraco e vocĂȘ planeja abusar disso.
Absorveu a forma como as mãos dele buscavam se agarrar a algo, seja a própria blusa de frio larga ou o pano do sofå, balançando o quadril no lugar e arqueando as costas.
Mordeu entĂŁo mais fundo, chegando Ă barra da cueca, e lambeu o contorno do pano. Segurou o falo dele que pulsou em sua palma, entĂŁo partiu para mordeu do outro lado.
âAi! Porra, por quĂȘââ
âVocĂȘ merece por estragar minha diversĂŁo e falar mal das putas.â Provocou, mordendo ainda mais forte. Ryland gritou, se arqueou, e vocĂȘ sorriu ao admirar a marca que deixou. âĂ sua punição.â
Que barulhos lindos ele faz. E como o pau pulsou deliciosamente sob suas palavras.
Ryland nĂŁo avisou, nĂŁo teve tempo; afinal, estava certo de que conseguiria segurar. Uma pena para ele, o pĂȘnis explodiu em sua boca, fazendo-a se afastar abruptamente ao sentir o gosto levemente ĂĄcido contra a lĂngua de maneira que o restante do jato cremoso e esbranquiçado pintasse sua cara.
âOlha aqui a bagunça que vocĂȘ fez.â Disse, cortando a divagação do homem ao segurĂĄ-lo com a mĂŁo levemente melada pelas bochechas, sentindo a barba por fazer espetando sua palma enquanto o forçava a te olhar. Os Ăłculos tortos o deixavam ainda mais bonito.
âDesculpaâŠ?â Ele olhou o sĂȘmen em seu nariz e bochecha, confuso.
âNĂŁo, tudo bem! Eu só⊠Nunca fiz nada assim antes.â Ele pigarrou, e entĂŁo vocĂȘ se acalmou e sentou no colo dele, sentindo o membro mole em sua bunda.
Ryland colocou a lĂngua para fora e coletou timidamente o gozo da ponte de seu nariz. O hĂĄlito dele bateu contra seu rosto, quente. NĂŁo conseguiu evitar.
O brilho do sol iluminou a casa obscurecida por cortinas fechadas na sala em conceito aberto, que sobrevivia apenas com a iluminação artificial do lustre da copa. E em frente aos raios solares, uma mulher; a mesma jovem que se mudou para a casa em frente a dele na noite anterior com um barulho irritante de caminhão que o fez observar da janela do quarto com irritação de minuto em minuto.
âBom dia, vizinho.â VocĂȘ exclamou, estendendo o bolo para mais perto do homem que se mantinha na porta como uma barreira que a impedia de observar o lado de dentro. âEspero nĂŁo estar incomodandoâŠâ
âAinda nĂŁo.â Ele murmurou, olhando para o bolo com ceticismo.Â
O caminhĂŁo da mudança chegou Ă s onze. Deve ter levado horasâŠ
E apesar da vontade imediata de negar e voltar Ă prĂłpria autopiedade, Nanami se forçou a pensar que era altruĂsta da parte dele aceitar a oferta tanto para valorizar seu esforço quanto para que se sinta bem-vinda Ă vizinhança.
âCerto, obrigado.â Disse, abrindo mais a porta e se movendo para o lado de maneira quase mecĂąnica apĂłs uma pausa significativa onde sua expressĂŁo nĂŁo mudou. VocĂȘ apenas sorriu mais com a permissĂŁo e entrou, nada afetada pela personalidade aparentemente estĂłica de seu vizinho.
Enquanto se sentava, espiou o mais velho curiosamente. âCĂȘ tem uma casa bem grande pra quem mora sozinho.â Comentou, para o qual Namami franziu o cenho e se virou com uma jarra de ĂĄgua, indo pegar copos e talheres. âAlgum motivo especial?â
Era tĂŁo Ăłbvio assim que ele morava sozinho?
âTalvez o mesmo que vocĂȘ.â Disse, rĂspido. VocĂȘ nem ligou.
âAposto que nĂŁo, minha geladeira tem menos que metade da capacidade de armazenamento da sua.â Sorriu enquanto o loiro se sentava Ă sua frente, estendendo um prato com garfo e faca antes de despejar ĂĄgua no copo.
VocĂȘ imediatamente começou a cortar o bolo, pronta para servir ao maior a fatia generosa.
âAcho inteligente deixar os bens adquiridos antes de formar uma famĂlia.â Ele murmurou, aceitando o prato com uma mĂŁo apĂłs deslizar a ĂĄgua em sua direção, omitindo o fato de que estava começando a lidar com o fato de que jamais iria se casar. âE vocĂȘ?â
Seu sorriso se demorou enquanto bebia a ĂĄgua, cantarolando.
âHmm, vocĂȘ estava quase certo.â Disse, apoiando o queixo na mĂŁo. âSempre quis ter um cĂŁo, mas eu morava em apartamento e eles precisam de bastante espaço. Meus pais jamais deixariam, entĂŁo aqui estou eu.â
Nanami cantarolou, tomando a iniciativa de começar a comer.
âNĂŁo vi nenhum animal ainda.â Seu sorriso se alargou com a declaração.
âEstava espionando minha casa?â Brincou.
âSua mudança.â Corrige com o garfo a centĂmetros de distĂąncia da boca. âEstava atrapalhando meu sono. Obviamente fiquei curioso e irritado.â Com isso, ele comeu, certo de que agora vocĂȘ quem ficaria constrangida â nĂŁo foi o caso.Â
âJusto, mudança essa hora da noite⊠Um saco. Acho que comecei irritando todo mundo.â Cantarolou entre risadinhas. âMas eu acabei de me mudar, tenho muito pra organizar antes de procurar um cachorro ainda fora que primeiro preciso ver se consigo conciliar a faculdade com a mudança, claro.â Voltou ao assunto, finalmente dando a primeira garfada. âMas e aĂ? O que achou do bolo, jĂĄ posso abrir uma confeitaria?â
Nanami arqueou a sobrancelha e conteve os lĂĄbios para nĂŁo sorrir com sua pequena brincadeirinha.
âPode, se treinar mais um pouco. Pela aparĂȘncia, nĂŁo esperava que fosse chocolate amargo. Achei que ia ser dolorosamente doce.â Comentou, dando outra garfada.
âĂtimo, outra coincidĂȘncia!â O loiro nĂŁo pode evitar sorrir levemente com sua constatação.
Depois disso, o dia passou como um borrĂŁo. VocĂȘ estava animada e parecia ansiosa em tornar o dia agradĂĄvel para Nanami. Ele nĂŁo se incomodou com sua pena e nĂŁo conseguiria se ofender nem se quisesse, afinal, suas divagaçÔes deram ao loiro uma sensação aconchegante no peito. Sua culinĂĄria nĂŁo era excelente, mas era boa o suficiente. O pĂŁo de alho estava gostoso e enquanto comia e te escutava divagar sobre o que planejava para sua nova casa, Nanami se viu imaginando ensinar vocĂȘ a receita dele.
Como amigos. Talvez não fizesse mal ter uma boa amizade novamente. O mundo jå não era mais tão perigoso assim e ter uma companhia que não fosse do trabalho⊠Foi diferente. Foi bom.
VocĂȘ nunca foi pedir a base do bolo de volta e uma semana depois, começou a sair cedo de casa.
NĂŁo que ele prestasse atenção, foi sĂł uma coincidĂȘncia que o loiro estivesse indo exorcizar uma maldição bem a tempo de te ver sair de casa com uma mochila nas costas.
âVizinho! Bom dia!â Exclamou ao vĂȘ-lo, mas nĂŁo parou de caminhar. Nanami, por sua vez, parou de caminhar ao ouvir sua voz, mesmo que tivesse te visto primeiro e fingido nĂŁo ver.
NĂŁo foi tĂŁo coincidĂȘncia assim que Nanami tenha saĂdo cedo de casa para regar cactos decorativos na frente de casa na manhĂŁ seguinte. VĂȘ-la sair de casa e acenar despertou no loiro um novo propĂłsito, e antes que pudesse evitar, Nanami estava regando cactos toda manhĂŁ.
E naquele mesmo instante, enquanto passava as mĂŁos calejadas no rosto em frustração, o sino da campainha soou como uma manifestação do prĂłprio desejo internalizado, fazendo-o tensionar os ombros largos e olhar na direção da madeira com o vinho esquecido na mesa de centro.Â
Um segundo toque o fez se levantar com um grunhido, mas ao abrir a porta com a mesma expressão estóica de sempre, deu de cara com seu sorriso cativante e meio nervoso, como quem não sabia se era uma boa hora. Bastou para os muros que ele estava tentando subir tijolo a tijolo na própria cabeça cedessem completamente.
SĂł entĂŁo o homem notou a Ășnica alça pendendo frouxamente em seu ombro e o suor em sua testa, sinalizando a caminhada debaixo do sol. Esticando lentamente as mĂŁos, Nanami sentiu a mente normalmente calma e composta correr com infinitos pensamentos e possibilidades, das quais duvidava que teria tempo para sanar.
âEu nem sei explicarâŠâ Começou devagarinho, desviando o olhar. âĂ uns vĂdeos bobos que um monte de gente faz porquĂȘ tĂĄ na moda.â
âEntendi.â Ele acenou, parado como uma muralha Ă sua frente. âVocĂȘ deve ser jovemâŠâ Murmurou o mais velho, sentindo o coração bater dolorosamente rĂĄpido.
âAcabei de entrar pra faculdade. Terminei a escola ano passado.â Riu sem graça, coçando a nuca sem encarar o loiro. âMas e vocĂȘ, quantos anos vocĂȘ tĂȘm?â
âTrinta e quatro.â Disse ele, o tom desanimado nĂŁo lhe passando despercebido.
Um sentimento ruim começa a se formar no peito do homem. InsuficiĂȘncia.
âEu nunca iria imaginar.â Sorriu sem jeito, meio que tentando animar o loiro. Ele apenas franziu o cenho, entĂŁo vocĂȘ mordeu levemente uma pelinha solta do lĂĄbio inferior. âVocĂȘ nĂŁo parece ter tudo isso. NĂŁo que trinta e quatro seja muito!â Se apressou em se corrigir apĂłs perceber a prĂłpria gafe, os olhos arregalados enquanto gesticulava com as mĂŁos.
Os ombros de Kento caĂram um pouco mais.
âObrigada. Eu vou guardar isso aqui.âÂ
âAh, certo. Ok.â VocĂȘ deu um passo para trĂĄs, certa de que havia acabado de piorar o dia do mais velho. âTchau, foi mal o incĂŽmodo a essa hora!âÂ
âIncĂŽmodo algum.â
Em resposta, vocĂȘ apenas sorriu e se virou, correndo para a prĂłpria casa enquanto Nanami suspirava pesadamente.
âTudo isso, hein?â Murmurou baixinho para si mesmo, fechando a porta e indo guardar o azeite e a azeitona sem prestar muita atenção no caminho familiar da prĂłpria casa. âOnde diabos estou com a cabeça?â
Ainda assim, as pequenas informaçÔes jogadas acendiam o fogo dentro dele como gasolina.
Ăs vezes Nanami te vĂȘ dançando sozinha em casa, quando estĂĄ caminhando para alguma missĂŁo e a vĂȘ pela janela da sala. Sua mĂșsica estĂĄ sempre alta o bastante para ele ouvir de longe.
Mesmo com as fotos na galeria do telefone, Kento sĂł percebeu que estava caindo em direção ao fundo do poço quando a viu sair com as amigas pela segunda vez. Sua roupa mais curta que o normal o deixou alerta e as garotas barulhentas pareciam particularmente irritantes apressando vocĂȘ para pagar logo o Uber pois haviam meninos esperando.
NĂŁo que estivesse tentando julgar suas amizades. Ele sĂł achava que daria uma companhia melhor, as garotas nĂŁo pareciam se importar ou estarem dispostas a cuidar de vocĂȘ.
E talvez fosse a vontade de prezar por sua segurança, ou quem sabe o fato de que dessa vez haviam garotos envolvidos, que fez Nanami tirar o carro da garagem logo depois que avistou o motorista de aplicativo chegar.
Ele te seguiu naquela noite e cuidou de vocĂȘ de longe. Dentro do carro estacionado na rua de trĂĄs, ficou olhando vocĂȘ sentada na frente de um barzinho. Tirou fotos do seu sorriso, mesmo que borradas pela distĂąncia, e se recostou no banco enquanto assistia como vocĂȘ interagia com os outros, que tipo de coisa comia, bebia e tudo enquanto ansiava estar lĂĄ com vocĂȘ.
Em algum momento da noite, Nanami tirou os óculos escuros e coçou os olhos escuros. Quando olhou para cima novamente, ele pÎde jurar que te viu desviando o olhar da direção onde ele estava estacionado a pelo menos duas horas.
Um arrepio frio lhe percorreu a espinha. Kento ficou olhando fixamente para vocĂȘ por mais dez minutos antes de sair com o carro sem dar seta, tentando passar o mais despercebido possĂvel.
âQue tenha sido apenas minha cabeça fodidaâŠâ Grunhiu enquanto dirigia apressadamente pelas ruas do centro da cidade.
Nanami nĂŁo dormiu bem aquela noite. Ficou acordado esperando vocĂȘ chegar e depois disso, o que jĂĄ era tarde pros padrĂ”es do loiro, se revirou na cama em ansiedade.
O arrependimento borbulhando contra as costelas o fez ir atrĂĄs de whisky, e o ĂĄlcool entorpeceu a culpa. O sono surgiu na quinta dose, entĂŁo ele dormiu no sofĂĄ.
Fazia um tempo que Kento não bebia vinho, jå que não parecia mais ser eficiente. Mas a alta dose alcoólica sempre cobrava seu preço; uma dor de cabeça infernal logo pela manhã.
Por que o Ășnico momento em que nĂŁo sentia vontade de se entorpecer com bebida era quando estava arriscando a vida exorcizando maldiçÔes ou falando com vocĂȘ?
VocĂȘ odeia azeitona. Porque diabos ele estava te dando algo banhado em azeite e enfeitado com sua comida menos preferida? Enquanto regava parado o mesmo cacto por uns dois minutos seguidos, Nanami sentia-se cada vez mais irritado.
VocĂȘ estava mesmo rindo e agradecendo por algo que nem gosta?
âEspero que esteja tĂŁo bom quanto a macarronada que vocĂȘ me levou no outro dia.â
Um estalo ecoou no bairro, e a postura jå tensa de Nanami enrijeceu tanto quanto a de uma måquina, e de maneira tão pråtica quanto, ele se abaixou para pegar a alça quebrada do regador de plåstico antes de caminhar para dentro de casa sem nem olhar para trås, inconscientemente batendo a porta.
VocĂȘ levou algo para esse cara. Os dois devem conversar. Ser amigos, talvez mais.
Os pensamentos jĂĄ nĂŁo pareciam coerentes.
A mĂŁo de Nanami apertou a peça jĂĄ quebrada, as veias evidentes saltando ainda mais enquanto ele deixava o utensĂlio cair e se jogava no sofĂĄ, a cabeça doendo, o corpo tenso a ponto de estalar â SĂł sentiu tamanha emoção anos atrĂĄs, quando lutou com o cara dos milagres.
Todo o corpo dele ardia em chamas. Ele queria que aquele cara sumisse da sua vida, e daria um jeito de fazer isso.
Por isso as mĂŁos estavam manchadas de vermelho.
Sob o escrutĂnio dos olhos castanhos, a garganta masculina quebrava como se fosse um mero lĂĄpis, manchada pela cor carmesim dos dĂgitos do feiticeiro. O corpo caĂa mole contra o chĂŁo, jĂĄ sem apresentar sinais de luta. A respiração do loiro estava controlada, o olhar vidrado lentamente sendo consumido pela imensidĂŁo vermelha enquanto os dedos com unhas cuidadosamente cortadas apertavam mais e mais a garganta mole, com os ossos jĂĄ quebrados em seu interior, como se quisesse reduzir a carne e todo o conjunto que a acompanha em massinha de modelar.
Esse homem de existĂȘncia medĂocre nĂŁo deveria ocupar um lugar em sua vida. NĂŁo quando Nanami estĂĄ bem ali, querendo entrar.
Mesmo que nĂŁo deva querer, mesmo que nĂŁo possa jamais. Pois no fundo o loiro estĂĄ dolorosamente ciente de que nĂŁo importa o quanto tente sentir que faz parte da sua rotina ou o quanto gravite ao redor da maior normalidade e alegria que jĂĄ sentiu em anos, teria de abdicar de tal sentimento que beira o doentio uma hora ou outra, e a lembrança dolorosa da distĂąncia entre os dois, nĂŁo necessariamente imposta por ambos e sim por um cĂłdigo moral que parecia ficar cada dia mais translĂșcido na cabeça deturpada o fez voltar a si.
O corpo que jazia mole em suas mĂŁos deu lugar aos tomates amassados enquanto o loiro piscava e respirava fundo, afastando a imagem mental e criminosa do subconsciente carente e enciumado.
O loiro jĂĄ viu entregas de pizza o suficiente na sua casa para saber seus gostos. Embora nĂŁo soubesse seu sabor preferido, tinha certeza que algo tradicional cairia bem â com certeza agradaria mais do que azeitonas.
Ele esperou um segundo. EntĂŁo dois, trĂȘs, quatro⊠Estava ansioso.
âAh, Nanami.â VocĂȘ diz assim que abre a porta, vendo o cabelo normalmente lambido para trĂĄs levemente esvoaçante. A visĂŁo dos olhos estreitos sem Ăłculos lhe permitiu vislumbrar a surpresa estampada no rosto dele, que se assemelhava a sua prĂłpria em vĂȘ-lo ali. âBoa noite. Aconteceu alguma coisa?â
Uma rĂĄpida olhada para a mesa sem graça, embora perfeitamente limpa, o fez entrar em um pĂąnico silencioso outra vez. O plano original era te levar a pizza, nĂŁo te convidar para jantar, entĂŁo tĂŁo rĂĄpido quanto possĂvel, colocou pratos, talheres e taças uma em frente a outra. Bem quando o barulho da porta abrindo ecoou e vocĂȘ anunciou sua chegada, Nanami colocou vinho e suco em cima da mesa, para saciar quaisquer que fossem suas vontades.
âTĂŽ entrando!â
âFique Ă vontade.â Ele gritou lĂĄ de dentro, olhando-a se aproximando enquanto ajeitava o pano de prato.Â
Kento se repreendeu mentalmente, observando-a tirar o pano de prato da alça do forno e o enrolar na mão.
âVocĂȘ estĂĄ tĂŁo distraĂdo hoje, acho que isso aqui logo queimaâŠâ Murmurou, se abaixando para abrir o compartimento.
O mais velho desviou o olhar bruscamente, evitando olhar para a amostra tentadora de suas nĂĄdegas.
âMe esqueci disso por um momento.â Murmurou, sĂł sentindo o leve cheiro tostado quando o forno foi aberto. NĂŁo tinha passado muito. âDesculpe, posso raspar as bordinhas mais morenas.â
O coração de Nanami nĂŁo conseguia distinguir se o que sentia era vergonha ou satisfação. TĂȘ-la ali na casa dele se movendo como se tivesse o total direito de se intrometer no que ele fazia somente alimentou as fantasias que o loiro tentava tanto reprimir.
Se era tĂŁo errado, por que parecia tĂŁo certo?
âNĂŁo sou um anfitriĂŁo tĂŁo bom quanto vocĂȘ apontou da Ășltima vez.â Murmurou, se dando ao menos o trabalho de pegar o fatiador de pizza para vocĂȘ. âEstou te fazendo trabalhar quando devia estar sentada comendo.â
âNĂŁo se preocupe com isso. Eu meio que gosto de te ajudarâŠâ Murmurou, dando espaço para Nanami cortar os pedaços.
Quando ele se inclinou, pÎde sentir o cheiro masculino de loção pós barba e sabonete de frutas vermelhas. Um aroma doce e azedo. Inconscientemente, se inclinou.
âQue cheiroso⊠Que marca de sabonete vocĂȘ usa?â Sua voz, mais suave e baixa prĂłximo ao maxilar dele, causou um arrepio agradĂĄvel ao loiro, que teve de segurar o utensĂlio de cozinha com um pouco mais de força a fim de impedir os ombros de tremerem visivelmente.
âKibon... NĂŁoâ Minuano.â Murmurou a primeira coisa que veio em mente, evitando ao mĂĄximo reconhecer sua aproximação despretensiosa enquanto seu cheiro se tornava dolorosamente presente nas narinas agora dilatadas de Nanami.
âO que, esperaâ" VocĂȘ engasgou, respirando fracamente entre o riso. "o detergente?!â O rosto de Kento embranqueceu com a lembrança, e embora o estĂŽmago tenha se revirado em constrangimento, nĂŁo pĂŽde evitar passar a mĂŁo sobre o rosto e rir baixinho.
âAh, eu imaginei! Mas os shampoos sĂŁo horrĂveis, se eu estivesse aqui, ia te fazer usar Eudora.â Comentou, completamente alheia a forma com que o coração do loiro pulou descontroladamente no peito enquanto se sentava meio trĂȘmulo.
Sim, por favor. Ele compraria agora mesmo por vocĂȘ, sem problemas.
âNossa, estĂĄ tĂŁo cheiroso! Eu comeria sua comida todos os dias, vocĂȘ tem que me passar seus segredos um dia.â Comentou, mesmo apenas se inclinando para se servir com o primeiro pedaço.
Se soubesse como o mais velho fantasiou em viver ao seu lado, tornĂĄ-lĂĄ sua esposa e te fazer conceber um filho para que fosse para sempre ligada a ele, ainda seria assim tĂŁo receptiva?
âAh, bom saber que sou bem-vinda.â Brincou de boca cheia. Isso incrivelmente nĂŁo o incomodou.
âSempre. Sem vocĂȘ, meu aniversĂĄrio teria sido mais um de vĂĄrios passado sozinho.â Ele deu de ombros como se nada fosse, olhando-a por baixo dos cĂlios.
VocĂȘ se curvou um pouco mais sobre a mesa, expondo mais do vĂŁo de seus seios por trĂĄs do decote profundo da camisola rendada.
âEu salvei sua vida, entĂŁo!â Provocou, vendo como Nanami engoliu um pedaço da pizza queijuda com dificuldade.
Nenhum dos dois haviam se servido com nada para beber. Estavam ambos salivando demais; talvez por motivos distintos.
âPode-se dizer que sim.âÂ
VocĂȘ nĂŁo perdeu a forma como o mais velho desviou o olhar quase que timidamente. Mas havia mais ali do que timidez. Era uma tentativa quase mecĂąnica de controlar as prĂłprias açÔes e pensamentos. Nada de bom passava pela cabeça de Nanami naquele momento; e mesmo os gestos mais romĂąnticos imaginados dentro da massa mole em sua presença, para ele, eram absurdos que nĂŁo deveriam sequer ser cogitados.
Nanami estĂĄ se afogando em obsessĂŁo. Ele a quer nĂŁo para apenas sorrir casualmente e desabafar, mas sim para compartilhar a vida, beijar, amar.
Enquanto jantavam, isso nĂŁo saiu dele. O loiro pensou nisso a cada segundo, a cada mordida, querendo arrumar um jeito, uma saĂda, qualquer que fosse para prolongar o momento. Para te ter por perto apenas um pouco mais.
âO olho foi maior que a barrigaâŠâ Murmurou, suspirando pesadamente. âO short parece que tĂĄ me sufocando, acredita?â
âAcredito.â Ele sorriu, embora tivesse parado no segundo pedaço â apenas por educação, querendo que vocĂȘ se sentisse livre para comer o quanto quisesse. âNĂŁo precisa se apressar. Tem um banheiro ali atrĂĄs e posso embalar mais numa marmita.â
O coração de Nanami disparou. Os låbios tremeram junto às pontas dos dedos, que ele rapidamente suprimiu apertando a calça na årea das coxas com força.
VocĂȘ abriu os olhos, o encarou, sorriu suavemente e bocejou novamente, com força.
âQue sono. Acho que jĂĄ vou. Que preguiça.â Reclamou em meio ao bocejo, e o coração jĂĄ acelerado dele doeu.
âNĂŁo entra sem bater na porta, eu gosto de privacidade.â Disse, com um sorriso tĂŁo cheio de confiança no homem a sua frente que o fez sentir dor fĂsica.
âClaro. Eu jamais invadiria sua privacidade.âÂ
Ainda assim, a mentira deslizou facilmente pelos lĂĄbios finos. O loiro nĂŁo conseguiu nem se arrepender quando vocĂȘ se levantou num pulo alegre, recolhendo os pratos sem sequer pedir permissĂŁo.
âVou guardar e lavar pra gente como agradecimento.â Proferiu, chegando atrĂĄs dele antes de pegar o prato vazio.Â
Dormir nĂŁo seria uma opção nesse cenĂĄrio. NĂŁo estava conseguindo nem de longe, por apenas saber que vocĂȘ residia no cĂŽmodo ao lado. O homem se revirou por minutos extremamente longos, repassou a noite na cabeça, se julgou e, antes que tomasse alguma decisĂŁo da qual fosse se arrepender, abriu uma foto sua saindo de casa.
Outra parte sabia que nunca atingiria alĂvio algum enquanto era tomado constantemente pela culpa, que apenas se afastava da mente nublada de paixĂŁo quando vocĂȘ estava lĂĄ, sorrindo e rindo como se estivesse tudo bem.
Nanami bocejou olhando sua foto, admirando seus traços borrados pelo zoom. Com um sorriso pequeno, aproximou o celular do rosto e fechou os olhos, se lembrando mentalmente do brilho que a rodeia.
VocĂȘ moveu todas as estruturas do lugar, bagunçou a rotina, trouxe caos a casa quieta, organizada, e rotineira. Desceu descabelada, tropeçando no fim da escada enquanto bocejava.
âSeu zĂper estĂĄ aberto.â Foi a primeira coisa que Nanami falou, ignorando seu bom dia.
VocĂȘ mal havia aparecido, e ele jĂĄ estava sorrindo. Nanami nem lembrava que sabia sorrir tanto, por tanto tempo.
âAh, merda. Foi mal.â Bocejou novamente, fechando o metalzinho antes de esfregar os olhos. Kento deu dois passos em sua direção, querendo se sentir fisicamente mais prĂłximo, sĂł para vocĂȘ esticar uma mĂŁo em sinal de âpareâ. âNem pensar! Eu tĂŽ cheia de bafo, nĂŁo chega perto!â
Arqueando uma sobrancelha clara, o sorriso dele aumentou enquanto subia as mãos em sinal de rendição.
âBafinho? Comi um molho super alhudo, e muita cebola. Minha boca estĂĄ fedendo a morte.â
Nanami gargalhou. Uma risada real e genuĂna.
Ele quis te beijar tanto. Desejou sentir o gosto de seus lĂĄbios amanhecidos, a domesticidade do hĂĄlito matinal compartilhado â era tĂŁo Ăntimo. Um sonho que parecia agora tĂŁo possĂvel.
âPode escovar os dentes. NĂŁo tenho nenhuma doença.â
âVocĂȘ nĂŁo me perguntou se eu tenho.â Provocou, rindo baixinho enquanto jĂĄ se virava para seguir em direção ao banheiro.
âTarde demais!â Gritou de longe, sua voz ecoando pelo corredor normalmente mortalmente silencioso.
Foi tĂŁo bom.
Nanami queria preservar aquela alegria para todo o sempre. Te manter presa naquela casa e obrigĂĄ-la a deixar partes suas por todos os lugares todos os dias â pois apĂłs a entrada bagunçada, Kento ainda teve o prazer de vĂȘ-la cair deitada no sofĂĄ dele como se fosse sua cama enquanto o esperava terminar de cozinhar.
Uma das melhores partes do dia foi quando vocĂȘ se ligou no horĂĄrio. Saiu apressada, com comida ainda na boca. Ia se atrasar, pois nem estava com roupas apropriadas ainda, e mesmo assim deu a volta na mesa e o agradeceu com um abraço. Kento nem ligou que vocĂȘ tinha uma salsicha pendurada na boca e mal conseguisse dizer algo; a sensação do seu abraço rĂĄpido permaneceu com ele pelo resto do dia.
Para ele foi uma grande vitĂłria. Quem quer que fosse aquele vizinho, certamente nĂŁo cozinhava tĂŁo bem quanto ele; ainda assim, iria investigar. Precisava ter certeza e garantir que sua familiaridade nĂŁo fosse distribuĂda por aĂ.
Mesmo que ele te veja pegar roupas para dormir toda noite e saiba que o Ășnico dia que dormiu fora da prĂłpria casa, foi aquele.
E mesmo com tamanha alegria de compartilhar aquela domesticidade com vocĂȘ, nada se equiparou ao momento em que subiu para organizar o cĂŽmodo que jĂĄ sabia que ficaria desorganizado.
Os lençóis ainda tinham seu cheiro, e Nanami nĂŁo resistiu a se deitar na cama de solteiro repleta de vocĂȘ.
Ele inspirou profundamente o travesseiro que vocĂȘ deitou na cabeça naquela noite. Se moveu na fronha como se isso grudasse o cheiro pela prĂłpria roupa e pele. Imaginou seu corpo adormecido e vulnerĂĄvel ali, esparramado bem ao lado dele.Â
TrĂȘmulo, Nanami beijou o travesseiro e foi imediatamente invadido por aquele sentimento que dĂłi demais sentir, porque nĂŁo havia o alĂvio de seus lĂĄbios nos dele, de seu carinho, de seu amor.
Ainda assim, era a dor mais gostosa do mundo. O loiro choramingou na casa vazia, se pressionando mais forte contra as evidĂȘncias de sua estadia ali, na casa dele.
DĂłi demais. Ele precisa de mais de vocĂȘ. NĂŁo aguentava mais.
Nada disso supria a necessidade crescente dentro do peito do loiro, quem com muita delicadeza deslizava o dedo pelo telefone enquanto encostado do lado da janela de casa, com apenas uma fresta da cortina aberta. Ele olhava fixamente para fotos suas, observando seu rosto borrado com saudade.Â
Nunca pĂŽde tirar uma foto que nĂŁo fosse assim, borrada e distante. NĂŁo deveria nem mesmo tĂȘ-las, mas parecia mecĂąnico tirĂĄ-las e se via incapaz de excluĂ-las depois. Faltando dois minutos para o horĂĄrio em que vocĂȘ sempre aparece perto de casa, Kento repensou sobre as prĂłprias atitudes e suspirou profundamente, deslizando para a prĂłxima foto. VocĂȘ sorria grandemente, dava pra notar pelo borrĂŁo branco em meio ao seu rosto, e o coração dele disparou com a lembrança da ocasiĂŁo.
Nanami tirou essa foto na Ășltima vez que vocĂȘ saiu com as amigas, observando-a de longe. Todo o ambiente era escuro, com seu rosto mal iluminado por luzes amareladas.Â
Naquele dia vocĂȘ estava tĂŁo feliz. O coração de Nanami acelerou.
O coração doeu. Sua voz soou em sua cabeça e ele fechou os olhos, clicando no Ăcone de lixeira. Um pop-up de confirmar apareceu, mas por baixo das pĂĄlpebras Nanami somente enxergou seu olhar, aquele que o fazia esquecer o que era solidĂŁo e trabalho.
Nanami jamais se forçaria para cima de vocĂȘ. Ele sĂł estĂĄ se auto consolando. Se alimentando de migalhas.
Sim, sĂł isso.
Então uma foto a mais não faria mal. Apenas um pequeno consolo privado para os sentimentos imundos⊠Adquirido de açÔes imundas. Onde ele estå com a cabeça?
Franziu o cenho com o aplicativo da cĂąmera aberto e jĂĄ com zoom aplicado. VocĂȘ logo correu pelo seu lado da calçada fazendo o coração apertado dele afrouxar como num passe de mĂĄgica, interessado demais no porquĂȘ de sua pressa no dia de hoje para se preocupar com a prĂłpria imundice.
Seus olhos se cruzaram, e o coração do maior errou uma, duas, e entĂŁo vĂĄrias batidas. Parecia que o sangue havia parado de bombear e um zumbido agudo tomou conta dos ouvidos do loiro enquanto vocĂȘ apertava mais forte a alça de sua mochila de ombro e, em silĂȘncio, mas ainda o encarando, dava um passo para trĂĄs.
NĂŁo, nĂŁo. Por favor, nĂŁo.
A mĂŁo dele que segurava o celular abaixou imediatamente, e antes que Nanami pudesse correr pela porta para se explicar, vocĂȘ olhou ao redor novamente e entĂŁo sorriu.
Tudo nele doĂa.
EntĂŁo vocĂȘ se colocou de lado.
Ele engoliu em seco.
VocĂȘ girou a parte superior do corpo, empinando levemente.
Nanami piscou, confuso.
E entĂŁo subiu uma mĂŁo, fazendo sinal de paz prĂłximo Ă s bochechas com um sorriso radiante. Posando.
Para ele.
{...}
Enquanto olhava para aquela foto em alta definição tirada de vocĂȘ, o loiro sentia a cabeça girar. NĂŁo entendia o que houve, e tĂŁo pouco porque de seu gesto. Ele tirou aquela foto apesar do momento estranho, mas agora se sentia entorpecido.
Uma sensação similar a quando se sabe que estĂĄ prestes a enfrentar o pior mas saber que nĂŁo hĂĄ nada a ser feito, entĂŁo apenas aceita a dor da impotĂȘncia e se permite chafurdar no sentimento.
âEla vai ligar pra polĂcia.â Ele murmurou, sabendo que excluir a prova que ela o deu nĂŁo adiantaria de nada. Gemeu, agoniado, entĂŁo jogou o celular pro lado do sofĂĄ e jogou a cabeça para trĂĄs no encosto. âMerda.â
Suspirou, ignorando a ligação de Itadori.
Nanami nĂŁo saiu de casa pelos prĂłximos dois dias.
âE aĂ, nĂŁo vai trabalhar nĂŁo? Sentimos sua falta Nanamin!â
âVou tirar uns dias em casa para resolver umas coisas. Trabalhe uma vez na vida.â
âE eu achando que jĂĄ tinha feito muito matando o Sukuna :pâ
Kento nĂŁo respondeu a Ășltima mensagem de Satoru, nem estava incomodado com os descontos que viria em seu holerite.Â
âBom dia!â VocĂȘ sorriu assim que Nanami abriu, olhando o rosto caĂdo e cabelos levemente desgrenhados. âUau, primeira vez que te vejo desarrumado. NĂŁo estĂĄ dormindo bem?â
Ele inclinou a cabeça, confuso. VocĂȘ estå⊠Normal?
âNĂŁo muito.â Murmurou baixo, rouco, analisando-a como um falcĂŁo.
VocĂȘ nĂŁo pareceu perceber.
âPor que?âÂ
Estava tirando sarro dele? Ă algum tipo de piada?
âTrabalho.â Ele deu de ombros apesar de tudo, incapaz de ser aquele que admite a prĂłpria podridĂŁo.
âAconteceu algo? Vi que vocĂȘ nĂŁo saiu pra trabalhar esses dias, imaginei mesmo. Ai eu te trouxe pĂŁo de alhoâŠâ Murmurou, e sĂł entĂŁo ele notou o pote em suas mĂŁos, segurado bem em frente ao umbigo.
âOh, só⊠Estresse. Mas nĂŁo precisava, eu nemââ Pigarreou, se impedindo de dizer que nĂŁo merecia tal cuidado. Que nĂŁo merece nada de bom vindo de vocĂȘ.
âEu imagino. Seu trabalho nĂŁo parece ser fĂĄcilâŠâÂ
Mas vocĂȘ nĂŁo apontou o dedo, nem perguntou mais sobre o trabalho dele, aparentemente entendendo que ele nĂŁo estava a fim de elaborar. Apenas subiu o pote de maneira semelhante Ă primeira vez, quando o ofereceu bolo, e sorriu quase tristemente.
âO que vocĂȘ estĂĄ tentando fazer?â Kento a interrompeu bruscamente.
âComo assim?â Riu anasalado, confusa.
âIsso tudo. Esse teatroâŠâ
âTeatro? Que teatro? Eu sĂłââ
De novo, a interrompeu. Dessa vez, Nanami bateu a porta na sua cara.
O coração dele fervilhava. NĂŁo por raiva de vocĂȘ, mas de si mesmo por se colocar nessa situação. Sentia-se quase humilhado, como se nĂŁo tivesse ligado para a polĂcia ou comentado sobre por pura pena.
Como se sequer o considerasse digno de ser tratado como uma ameaça.
NĂŁo que fosse. NĂŁo, jamais seria. Mas era tĂŁo frustrante.
VocĂȘ nem bateu na porta. Ele se encostou nela, respirando fundo, e no fundinho esperando que pedisse por favor, vamos conversar. Me explique o que aconteceu!
Mas vocĂȘ provavelmente tinha entendido. Sabia. Devia saber.
Nanami voltou a trabalhar no dia seguinte, pesado e ansioso, matando maldiçÔes com mais brutalidade que eficiĂȘncia, querendo de toda maneira extravasar o que sentia.
âVocĂȘ estĂĄ diferente.â Megumi apontou ao vĂȘ-lo esfaquear pela quarta vez o rosto de uma maldição jĂĄ morta.
âTem a ver com aquela garota que Gojo-sensei viu vocĂȘ olhando no telefone mĂȘs passado?â
A espada pesada do loiro voou, passando de raspĂŁo pelos cabelos escuros de Megumi e acertando um crĂtico no centro da cabeça do besouro deformado que voava na direção deles reunindo sua gosma corrosiva, fazendo a criatura grande cair de uma vez no chĂŁo, morta.
As veias de Nanami saltavam sob sua manga arregaçada, a testa pulsando em irritação.
NĂŁo eram tĂŁo prĂłximos, mas Yuji realmente gostava de Nanami e estava preocupado com ele ultimamente. E se Yuji se preocupa, Megumi passa a se importar.
Por isso que, no primeiro sĂĄbado que surge, ele bate na sua porta logo pela manhĂŁ.
âNanami?â VocĂȘ questiona, quase surpresa, e entĂŁo sorri. âQuer dizer, bom dia. Tudo bem?â
âVim me desculpar pela Ășltima vez.â Ele comenta rapidamente, tirando as palavras da garganta antes que elas entalassem de uma vez por todas. â... E bom dia.â
âEu te perdĂŽo por bater a porta na minha cara e negar meu presente especialmente feito para animar vocĂȘ.â Arqueou uma sobrancelha de maneira brincalhona, o que sĂł o fez franzir ainda mais a loira e olhar para o chĂŁo.
âEu nĂŁo te entendo.â Murmurou, tentando decifrar suas falas e açÔes.
Porque nĂŁo o julgava? NĂŁo tentou tirar dele uma satisfação sequer? Isso o estava deixando ansioso. E mesmo assim, mesmo com o olhar cabisbaixo e em conflito, vocĂȘ permaneceu em silĂȘncio, deixando as dĂșvidas dele crescerem, mas o sentimento brotar.
âNĂŁo fiz despesa nesses dias.â Nanami pigarreou, endireitando as costas com a sensação de arrepio lhe correndo a espinha. âPosso ir na padaria comprar algo.â
âVamos juntos.â VocĂȘ murmurou, dando um passo para fora e jĂĄ fechando a porta atrĂĄs de si.
O loiro nĂŁo teve tempo de pensar, negar ou reagir. VocĂȘ pegou na mĂŁo dele e o guiou para fora da frente de sua porta, quase que nada afetada pela confusĂŁo de sentimentos que ele lhe apresentava dia apĂłs dia. Sua mĂŁo estava quente e apertada. Apertada demais.
âQuer misto quente?â Ele perguntou, alcançando o pĂŁo. âEu faço um muito bom.â
âEntĂŁo eu faço pĂŁo de queijo para mais tarde!â Disse, indo alcançar os ingredientes.
O coração dele acelerou. Ele tiraria o dia de folga para fazer o pĂŁo de queijo para vocĂȘ â e passar o dia com vocĂȘ.
Talvez suas açÔes signifiquem que queira isso, certo? Os dias sem contato talvez a tenham deixado especialmente nada discreta em se infiltrar na vida dele.
Algo nisso o fez relaxar. Se sentir menos errado, menos criminoso. Como poderia, quando vocĂȘ chegava com a sobrancelha arqueada falando que iam passar a manhĂŁ toda escolhendo coisas com a demora dele? Nanami nĂŁo diria que acabava te olhando por tempo demais.
âBom dia, Kento! JĂĄ faz um tempo.â A morena disse, jĂĄ esticando a mĂŁo para pegar as coisas da mĂŁo dele. Nanami entregou de bom grado, oferecendo-a um aceno educado.
Kento olha para suas mãos entrelaçadas e engole em seco. Talvez seu contato repentino enquanto colocava o parmesão no balcão o tenha balançado por tempo demais, pois não teve tempo de responder antes que a mulher continuasse.
âVocĂȘ nunca me disse que tinha irmĂŁ mais nova. Mas sei que nĂŁo tem filhos nenhum.â Ela insistiu, rindo levemente como se para amenizar o clima.
IrmĂŁ mais nova? Filha?
O peito dele doeu. Claro que vocĂȘ seria obviamente mais nova, mas a comparação aos ouvidos dele pareceu quase acusatĂłria. Ainda assim, ele permaneceu composto, inalterado, e apenas balançou a cabeça em negação.
Queria falar algo, mas as palavras ficaram presas na garganta.
âA gente nem se parece.â Sua voz afiada cortou qualquer pensamento que o estivesse sufocando, fazendo-o sĂł entĂŁo notar o quĂŁo forte sua mĂŁo o apertava.
As mãos dele formigam pelo estresse, quase entorpecidas, mas conforme ouvia sua voz notava como suas unhas estavam fincadas na palma dele de maneira quase⊠Dolorosa.
âDe-desculpa, eu nĂŁo quis presumir, eu sĂłââ
Dessa vez, sua mĂŁo doĂa tanto quanto a dele. Ao notar seu prĂłprio aperto ficando ainda mais na palma dele, Nanami imediatamente afrouxou, somente para sentir sua unha ainda fincada na palma com a mesma intensidade e seu corpo chegando ainda mais perto.
Assim, ele pode sentir seu calor emanando. Sua raiva fervilhando.
Talvez ele tivesse dado sinais errados todos esses anos. Ainda assim, nĂŁo era desculpa para a forma como ela olhou diretamente para vocĂȘ com algo prĂłximo demais de julgamento ao pronunciar o valor da compra.
Engoliu em seco e nĂŁo disse mais nada. De cabeça baixa, escutou o bip da mĂĄquina de vendas antes de o ouvir ensacar tudo. O silĂȘncio foi opressor, e sĂł quando Nanami se virou e esperou por vocĂȘ começar a andar que ela se permitiu olhar para cima.
O loiro carregava todas as sacolas, e quase como que para fazer inveja vocĂȘ olhou por cima do ombro e sorriu.Â
VocĂȘ apenas cantarolou, sem elaborar. Ele sentiu o coração apertar em agonia. Havia feito algo de errado? Iria piorar se ele perguntasse?
âNĂŁo vou trabalhar hoje.â
âBom pra vocĂȘ.â
Os ombros dele tencionaram, a mĂŁo apertou o amontoado de sacolas mais forte. Ele franziu o cenho e se calou, andando mais rĂĄpido.
Toda a raiva pela mĂĄ resposta evaporou quando, na porta da casa dele, vocĂȘ se aproximou devagar e em silĂȘncio o ajudou a segurar algumas sacolas para que ele pudesse pegar as chaves dentro da carteira no bolso da calça.
Ă fĂĄcil viver sem algo que nĂŁo se conhece. DifĂcil ficar sem algo que passou a conhecer e, pior, se viciar.
Por isso o loiro se viu lutando uma batalha silenciosa sozinho, incapaz de elaborar por medo da fragilidade do que havia entre os dois, mas disposto a tudo por mais daquele toque quente e apertado, mesmo quando o estava machucando. Por isso tomou, pela primeira vez durante todos esses meses, a iniciativa de lhe tocar.
Uma mĂŁo pesada apoiada em seu ombro ao passar, um toque fugaz na cabeça para dizer que o misto estava pronto, braço colado no seu para servir suco antes de se sentar⊠E apesar de vocĂȘ sorrir educadamente e o responder como sempre, algo parecia fora do lugar.
E quando se levantou e pegou seu prato por vocĂȘ, sentiu um puxĂŁo na blusa creme e imediatamente cedeu, suspirando baixinho ao sentir seus lĂĄbios tocando o maxilar dele num beijo casto e rĂĄpido o suficiente para nem sequer doer as costas.
O loiro não se importaria de ficar curvado naquela posição por horas sentindo seus låbios.
âEstava uma delĂcia! Mas tenho um trabalho para finalizar, eu volto de tarde pra fazer aquele pĂŁo de queijo tĂĄ bem?âÂ
Pela primeira vez, mesmo após sua partida, seu cheiro impregnado no nariz dele o impediu de se sentir solitårio. Nanami fez os pães de queijo sorrindo largamente, lavou a louça com propósito e leu um livro como um adolescente, parando a cada dois parågrafos para sorrir com uma lembrança sua.
Ele nĂŁo te viu no domingo e se sentiu entrando em abstinĂȘncia de notĂcias suas. VocĂȘ nĂŁo estava em casa desde antes do horĂĄrio em que costuma acordar e isso despertou nele um burburinho irritante e preocupado.
Mas na segunda, nada de vocĂȘ ainda. Estavam tĂŁo prĂłximos. Porque vocĂȘ ficaria com ciĂșmes e o beijaria na bochecha tĂŁo ternamente, somente para sumir?
Estava mesmo apenas brincando com os sentimentos dele? à uma sådica sem coração?
Por isso, às dez da manhã, pouco antes do horårio combinado para ir exorcizar sozinho maldiçÔes que assombravam um hospital em reforma na cidade vizinha, Nanami decidiu arriscar ao menos levar consigo uma lembrança sua.
Algo para não enlouquecer de saudade, apesar do pùnico persistente por seu sumiço.
Devia ter ido dormir na casa de alguma amiga. Mas da Ășltima vez que o fez, ele ao menos a viu saindo de casa com ela.
Ele desfaz o ferro que segurava um de seus bonsai no pequeno jardim lateral dizendo a si mesmo que o colocaria no lugar em breve, e entĂŁo o torce e usa para destravar sua casa. NĂŁo foi nem difĂcil. Ele anota que devia cuidar melhor de sua segurança.
Quando viu, estava no seu banheiro, passando o dedo sobre as cerdas de sua escova com saudade e abrindo a gaveta para ver o que vocĂȘ tinha. Seus gostos para maquiagens, acessĂłrios; tudo. Ele sĂł queria aprender mais sobre vocĂȘ.
Logo Nanami estava em seu quarto, profanando seu espaço ao inspirar profundamente os lençóis de sua cama. E ele ali, semanas atrås, dizendo a si mesmo que jamais faria isso⊠Mas seu lençol cheira tão bem. Pena que, ao levantar a cabeça, ele sentisse o cheiro daquele perfume de casa de frutas vermelhas no ar. Era mais forte aqui em cima.
Ele ajeitou sua cama e olhou para a cortina. Sentiu algo estranho na nuca, uma⊠Apreensão. Medo de ser pego.
Mas o coração estava estranho. Aquele cheiro⊠Familiar. Dando uma inspiração mais profunda, franziu o cenho. Era meio masculino, e isso o fez se ajoelhar na frente da sua cama meio irritado.Â
De quem? Ă familiar. Seria o cheiro daquele vizinho da Ășltima vez?Â
Ele entĂŁo foi inundado pela compreensĂŁo. Abriu os olhos de maneira repentina, e a imagem de si mesmo que evocou na cabeça quase tomou forma.Â
Nanami engasgou levemente ao arregalar os olhos com o coração batendo absurdamente råpido. Aquele sentimento estranho piorou, mas não havia volta agora.
Quando virou a rua, imediatamente o viu ajoelhado no seu jardim mexendo em algo. A esperança floresceu em seu peito.
Se fossem um mal entendido e fosse vista correndo de maneira estranha, explicaria depois. Acelerou, chegando perto, e entĂŁo o viu se levantar e olhar para trĂĄs, estĂĄtico.
Ele nĂŁo respondeu. Sua cabeça começou a latejar. O loiro pisou na ĂĄrea da garagem, e entĂŁo vocĂȘ se virou em direção Ă prĂłpria casa.
A ficha nĂŁo tinha caĂdo. NĂŁo podia aceitar a derrota.
Apertou a maçaneta, vendo que a porta estava destrancada. Claro; vocĂȘ sabe que trancou. Nunca teria esquecido.Â
Suas lĂĄgrimas borraram qualquer coisa que havia tentado ver ao abrir a porta com as mĂŁos trĂȘmulas, mas ao fechĂĄ-la e apertar os olhos com força, soluçou. Escutou atrĂĄs de si o barulho agudo do que provavelmente era o carro do mais velho saindo em alta velocidade da garagem, e entĂŁo começou a cambalear pela sua sala.
Foi direto pro seu quarto, onde a porta estava escancarada.Â
âMerda, merda, merdaâ porra!â Gritou, entrando no cĂŽmodo e vendo as provas da invasĂŁo de Nanami. As provas contra vocĂȘ. âVocĂȘ nĂŁo tem o direito de ficar bravo comigo!! NĂŁo tem, nĂŁo tem! Merda!âÂ
O que era para ser uma Ășnica vez se estendeu para duas, trĂȘs, vĂĄrias. Nagi aprendeu rĂĄpido â rĂĄpido demais. Em poucas semanas, jĂĄ era melhor que qualquer outro cara que vocĂȘ conheceu. Mas ele nunca admitia. Sempre arrumava uma desculpa para prolongar as "aulas", sempre dizia que ainda nĂŁo estava bom o suficiente, que podia melhorar. E vocĂȘ deixava â€â Ś â Ś â Ś â đŹ
( ââžâ) . . .ă €cw!! dni -18, nsfw. pwp. personagens envelhecidos (+20). relacionamento nĂŁo estabelecido. sexo oral (f!recebendo). facesitting. meio sub nagi. leitora soft!dom. elogios. nagi mentiroso. negligĂȘncia de prazer.
( âáŽâ ) . . .ă €hi! postando aqui dps que o bostapad removeu meu trabalho ĂĄrduo đ
VocĂȘ riu, mas ele continuou te encarando com aqueles olhos indiferentes.
â Me ensina.
E vocĂȘ, talvez pela surpresa, talvez pela curiosidade, aceitou.
O que era para ser uma Ășnica vez se estendeu. E se repetiu. E se tornou algo rotineiro, quase semanal. Nagi aprendia rĂĄpido â ele sempre aprendia rĂĄpido quando queria. Em poucas semanas, jĂĄ era melhor que qualquer outro cara que vocĂȘ tinha conhecido. Mas sempre, sempre, dava um jeito de prolongar as "aulas".
â Ainda nĂŁo estĂĄ bom â ele dizia, com a voz arrastada, lĂĄbios brilhando com saliva e baba de boceta. â Posso melhorar.
E vocĂȘ deixava. E ele voltava a enterrar o rosto entre suas coxas abertas.
Naquela noite, o quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela cortina entreaberta. VocĂȘ estava deitada na cama, completamente entregue, as pernas abertas para ele como um presente. Os cantos dos seus lĂĄbios entreabritos brilhavam, Ășmidos, e Nagi observou aquilo por um longo segundo antes de se mover.
Ele nĂŁo era de pressa. Nagi Seishiro era preguiçoso para quase tudo â levantar da cama, ir para os treinos, responder mensagens. Mas ali, entre suas coxas, ele se transformava.
Deslizou uma mĂŁo sob seu monte de VĂȘnus, erguendo-o levemente com cuidado, enquanto abaixava a cabeça. A saliva acumulada em sua boca escorreu quente quando ele lambeu, devagar, sua fenda Ășmida. Umedecendo, provando, preparando.
Seu pau pulsou violentamente dentro da calça, dolorido e ignorado.
Porque Nagi nunca se tocava durante aquilo. NĂŁo era sobre ele. Era sobre vocĂȘ. Sobre o som dos seus suspiros, sobre o jeito que seus dedos enrodilhavam os lençóis, sobre como seu quadril se movia instintivamente em direção Ă boca dele.
Ele adorava aquilo. Adorava de uma forma que nunca imaginou ser possĂvel.
Sempre foi o cara desligado, apĂĄtico, que nĂŁo movia um mĂșsculo sequer para as tarefas mais bĂĄsicas. Preguiçoso por natureza, acomodado por escolha. Mas quando se tratava de comer sua boceta?
Nagi Seishiro colocava esforço.
Ele colocava vontade.
Colocava a lĂngua, os lĂĄbios, os dedos quando necessĂĄrio â e principalmente, colocava aquele olhar semicerrado, meio entediado, que contrastava perfeitamente com a intensidade com que te devorava.
Agora, com o rosto enterrado entre suas pernas, ele alternava entre lambidas longas e preguiçosas e movimentos circulares precisos no seu clitĂłris. Sentia cada pequeno tremor do seu corpo, cada arrepio, cada vez que vocĂȘ tentava fechar as pernas instintivamente e ele as empurrava de volta com os ombros.
â Fica assim â murmurou contra sua pele, a voz abafada, quente. â Deixa eu continuar.
VocĂȘ gemeu algo que poderia ser o nome dele, mas saiu embaralhado. Nagi sorriu â um sorriso pequeno, quase invisĂvel â contra sua carne Ășmida.
â Ainda nĂŁo estĂĄ bom â ele disse, erguendo o rosto brilhante, os olhos meio cerrados encontrando os seus. â Posso melhorar.
E antes que vocĂȘ pudesse responder, ele voltou a enterrar o rosto entre suas pernas, mais uma vez, como se nĂŁo houvesse nada no mundo que ele preferisse fazer.
Porque, no fundo, nĂŁo havia.
Nagi estava concentrado, a lĂngua deslizando em movimentos lentos e precisos, quando sentiu seus dedos enterrarem-se em seus cabelos brancos.
Mas, diferente das outras vezes, vocĂȘ nĂŁo apenas segurou. VocĂȘ puxou.
Com força.
Um fio de saliva ainda ligava a lĂngua dele ao seu clitĂłris quando vocĂȘ o afastou, erguendo o rosto dele para que te olhasse. Nagi piscou, confuso, os olhos meio turvos e os lĂĄbios brilhantes, inchados de tanto te chupar.
â Senta â vocĂȘ ordenou, a voz firme apesar do peito ofegante.
Nagi franziu a testa levemente, mas obedeceu. Sentou-se sobre os calcanhares, entre suas pernas, as mĂŁos apoiadas nas coxas macias. Ele parecia quase inocente assim â cabelo desgrenhado, bochecha levemente corada, olhos entreabertos te encarando como se esperasse instruçÔes.
VocĂȘ se sentou na cama, ficando de frente para ele. Passou os dedos pelo cabelo dele com um toque quase carinhoso, e Nagi instintivamente inclinou a cabeça, se entregando ao afago como um gato preguiçoso.
Foi entĂŁo que vocĂȘ apertou.
Seus dedos enrodilharam os fios brancos e vocĂȘ puxou a cabeça dele para trĂĄs, expondo o pescoço longo e a linha da mandĂbula. Nagi prendeu a respiração, mas nĂŁo reclamou. NĂŁo se mexeu. Apenas deixou.
Os olhos dele se arregalaram por um segundo â surpresa, talvez â mas ele rapidamente os semicerraram de volta, tentando disfarçar. VocĂȘ conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele usava quando tentava esconder que se importava.
Nagi desviou o olhar por um momento, algo raro. Ele sempre te encarava com aquela indiferença calculada, mas agora... agora ele parecia quase desconfortåvel.
â SĂł acho que... â ele começou, a voz arrastada, mas vocĂȘ apertou o queixo dele entre os dedos, forçando-o a te olhar.
â Olha pra mim quando estou falando com vocĂȘ.
Ele obedeceu. E, pela primeira vez, vocĂȘ viu algo diferente naqueles olhos. Algo que ele nĂŁo conseguia esconder.
â Se vocĂȘ quer continuar fazendo isso â vocĂȘ disse, devagar â tudo bem. Mas nĂŁo vai ser mais com desculpas. VocĂȘ vai pedir.
Nagi piscou.
â Pedir?
â Isso. VocĂȘ quer me comer com essa boca? EntĂŁo pede. Fala o que vocĂȘ quer fazer comigo.
Ele ficou em silĂȘncio por um longo segundo. Seu pau continuava dolorido dentro da calça, negligenciado, mas ele nĂŁo fez menção de se tocar. NĂŁo era sobre isso, nunca foi.
Nagi nĂŁo respondeu, mas seus dedos apertaram suavemente suas coxas, um gesto quase impaciente vindo dele. VocĂȘ sorriu, satisfeita, e soltou seu rosto.
â EntĂŁo deita.
Ele foi se inclinar para te deitar de volta, mas vocĂȘ segurou seu ombro.
â NĂŁo eu. VocĂȘ.
Nagi franziu a testa novamente, confuso, mas deitou-se de costas na cama, como vocĂȘ pediu. Ficou ali, olhando para vocĂȘ com aquela expressĂŁo entediada, mas havia algo por trĂĄs dela â antecipação, talvez.
VocĂȘ se moveu sobre ele, montando em seu rosto antes que ele pudesse processar. As coxas de cada lado da cabeça dele, os joelhos firmes na cama. Nagi olhou para cima, para vocĂȘ, para o caminho que se abria diante dele.
VocĂȘ olhou para baixo, para a visĂŁo do garoto mais preguiçoso que conhecia completamente entregue, devorando vocĂȘ como se fosse a Ășnica coisa que importasse. Os olhos dele estavam fechados, mas ocasionalmente se abriam para te olhar â e quando isso acontecia, vocĂȘ via algo cru, exposto.
Ele não estava mais fingindo indiferença.
â Isso â vocĂȘ murmurou, a voz trĂȘmula enquanto o prazer se acumulava. â Assim. Bom garoto.
Nagi gemeu contra vocĂȘ â um som abafado, baixo, que vibrou direto no seu clitĂłris e fez sua visĂŁo embaçar por um instante. Ele estava gemendo. Nagi Seishiro, que mal esboçava reação para qualquer coisa na vida, estava gemendo contra sua boceta enquanto vocĂȘ usava a boca dele para se satisfazer. Quando vocĂȘ o chamava de bom garoto.
O orgasmo veio rĂĄpido, intenso, queimando cada terminação nervosa. VocĂȘ segurou a cabeça dele firme contra si, as pernas tremendo, enquanto ele continuava lambendo, sugando, te ajudando a descer da montanha-russa.
Quando finalmente soltou, afrouxando o aperto nos cabelos dele, Nagi deixou a cabeça cair de volta na cama, ofegante. O rosto dele estava completamente molhado, os olhos turvos, os låbios vermelhos e inchados.
VocĂȘ se inclinou para frente, apoiando as mĂŁos no peito dele, e olhou para baixo.
â Ainda acha que nĂŁo tĂĄ bom.
Nagi piscou lentamente, a respiração ainda pesada. Demorou um segundo para ele responder, a voz mais arrastada que nunca.
Ele sĂł queria mais de vocĂȘ. Mas as raĂzes que pensou brotarem dentro do coração, na verdade o estava perfurando de fora, e era impossĂvel escapar.
O brilho do sol iluminou a casa obscurecida por cortinas fechadas na sala em conceito aberto, que sobrevivia apenas com a iluminação artificial do lustre da copa. E em frente aos raios solares, uma mulher; a mesma jovem que se mudou para a casa em frente a dele na noite anterior com um barulho irritante de caminhão que o fez observar da janela do quarto com irritação de minuto em minuto.
âBom dia, vizinho.â VocĂȘ exclamou, estendendo o bolo para mais perto do homem que se mantinha na porta como uma barreira que a impedia de observar o lado de dentro. âEspero nĂŁo estar incomodandoâŠâ
âAinda nĂŁo.â Ele murmurou, olhando para o bolo com ceticismo.
O caminhĂŁo da mudança chegou Ă s onze. Deve ter levado horasâŠ
E apesar da vontade imediata de negar e voltar Ă prĂłpria autopiedade, Nanami se forçou a pensar que era altruĂsta da parte dele aceitar tanto para valorizar seu esforço quanto para que se sinta bem-vinda Ă vizinhança.
Enquanto se sentava, espiou o mais velho curiosamente. âCĂȘ tem uma casa bem grande pra quem mora sozinho.â Comentou, para o qual Namami franziu o cenho e se virou com uma jarra de ĂĄgua, indo pegar copos e talheres. âAlgum motivo especial?â
âTalvez o mesmo que vocĂȘ.â Ele disse, rĂspido. VocĂȘ nem ligou.
âAposto que nĂŁo, minha geladeira tem menos que metade da capacidade de armazenamento da sua.â Sorriu enquanto o loiro se sentava Ă sua frente, estendendo um prato com garfo e faca antes de despejar ĂĄgua no copo.
VocĂȘ imediatamente começou a cortar o bolo, pronta para servir ao maior a fatia generosa.
âAcho inteligente deixar os bens adquiridos antes de formar famĂlia.â Ele murmurou, aceitando o prato com uma mĂŁo apĂłs deslizar a ĂĄgua em sua direção, omitindo o fato de que estava começando a lidar com o fato de que jamais iria se casar. âVocĂȘ?â
Seu sorriso se demorou enquanto bebia a ĂĄgua, cantarolando.
âHmm, vocĂȘ estava quase certo.â Disse, apoiando o queixo na mĂŁo. âSempre quis ter um cĂŁo, mas morava em apartamento e eles precisam de bastante espaço. Meus pais jamais deixariam, entĂŁo aqui estou eu.â
Nanami cantarolou, tomando a iniciativa de começar a comer.
âNĂŁo vi nenhum animal ainda.â Seu sorriso se alargou com a declaração.
âEstava espionando minha casa?â Brincou.
âSua mudança.â Corrige com o garfo a centĂmetros de distĂąncia da boca. âEstava atrapalhando meu sono. Obviamente fiquei curioso e irritado.â Com isso, ele comeu, certo de que agora vocĂȘ quem ficaria constrangida â nĂŁo foi o caso.
âJusto.â Cantarolou. âEu acabei de me mudar, tenho muito pra organizar antes de procurar um cĂŁo ainda e preciso ver se consigo conciliar a faculdade com a mudança, claro.â Voltou ao assunto, finalmente dando a primeira garfada. âMas e aĂ? O que achou do bolo, jĂĄ posso abrir uma confeitaria?â
Nanami arqueou a sobrancelha e conteve os lĂĄbios para nĂŁo sorrir com sua pequena brincadeirinha.
âPode, se treinar mais um pouco. Pela aparĂȘncia, nĂŁo esperava que fosse chocolate amargo. Achei que ia ser dolorosamente doce.â Comentou, dando outra garfada.
âĂtimo, outra coincidĂȘncia!â O loiro nĂŁo pode evitar sorrir levemente com sua constatação.
Depois disso, o dia passou como um borrĂŁo. VocĂȘ estava animada e parecia ansiosa em tornar o dia agradĂĄvel para Nanami. Ele nĂŁo se incomodou com sua pena e nĂŁo conseguiria se ofender nem se quisesse, afinal, suas divagaçÔes deram ao loiro uma sensação aconchegante no peito. Sua culinĂĄria nĂŁo era excelente, mas era boa o suficiente. O pĂŁo de alho estava gostoso e enquanto comia e te escutava divagar sobre o que planejava pra sua nova casa, Nanami se viu imaginando ensinar vocĂȘ a receita dele.
Como amigos. Talvez nĂŁo fizesse mal ter uma boa amizade.
VocĂȘ nunca foi pedir a base do bolo de volta e uma semana depois, começou a sair cedo de casa.
NĂŁo que ele prestasse atenção, foi sĂł uma coincidĂȘncia que o loiro estivesse indo exorcizar uma maldição bem a tempo de te ver sair de casa com uma mochila nas costas.
âVizinho! Bom dia!â Exclamou ao vĂȘ-lo, mas nĂŁo parou de caminhar. Nanami, por sua vez, parou de caminhar ao ouvir sua voz, mesmo que tivesse te visto primeiro e fingido nĂŁo ver.
NĂŁo foi tĂŁo coincidĂȘncia assim que Nanami tenha saĂdo cedo de casa para regar cactos decorativos na frente de casa na manhĂŁ seguinte. VĂȘ-la sair de casa e acenar despertou nele um novo propĂłsito, e antes que pudesse evitar, Nanami estava regando cactos toda manhĂŁ.
E naquele mesmo instante, enquanto passava as mãos calejadas no rosto em frustração, o sino da campainha soou como uma manifestação do próprio desejo internalizado, fazendo-o tensionar os ombros largos e olhar na direção da madeira com o vinho esquecido na mesa de centro.
Um segundo toque o fez se levantar com um grunhido, mas ao abrir a porta com a mesma expressão estóica de sempre, deu de cara com seu sorriso cativante e meio nervoso, como quem não sabe se era uma boa hora. Bastou para os muros que ele estava tentando subir tijolo a tijolo na própria cabeça cedessem completamente.
SĂł entĂŁo o homem notou a Ășnica alça pendendo frouxamente em seu ombro e o suor em sua testa, sinalizando a caminhada debaixo do sol. Esticando lentamente as mĂŁos, Nanami sentiu a mente normalmente calma e composta correr com infinitos pensamentos e possibilidades, das quais duvidava que teria tempo para sanar.
âEu nem sei explicarâŠâ Começou devagarinho, desviando o olhar. âĂ uns vĂdeos bobos que um monte de gente faz porquĂȘ tĂĄ na moda.â
âEntendi.â Ele acenou, parado como uma muralha Ă sua frente. âVocĂȘ deve ser jovemâŠâ Murmurou o mais velho, sentindo o coração bater dolorosamente rĂĄpido.
âAcabei de entrar pra faculdade. Terminei a escola ano passado.â Riu sem graça, coçando a nuca sem encarar o loiro. âMas e vocĂȘ, quantos anos vocĂȘ tem?â
âTrinta e quatro.â Disse ele, o tom desanimado nĂŁo lhe passando despercebido.
Um sentimento ruim começa a se formar no peito do homem. InsuficiĂȘncia.
âEu nunca iria imaginar.â Sorriu sem jeito, meio que tentando animar o loiro. Ele apenas franziu o cenho, entĂŁo vocĂȘ mordeu levemente uma pelinha solta do lĂĄbio inferior. âVocĂȘ nĂŁo parece ter tudo isso. NĂŁo que trinta e quatro seja muito!â Se apressou em se corrigir apĂłs perceber a prĂłpria gafe, os olhos arregalados enquanto gesticulava com as mĂŁos.
Os ombros de Kento caĂram um pouco mais.
âObrigada. Eu vou guardar isso aqui.â
âAh, certo. Ok.â VocĂȘ deu um passo para trĂĄs, certa de que havia acabado de piorar o dia do mais velho. âTchau, foi mal o incĂŽmodo a essa hora!â
âIncĂŽmodo algum.â
Em resposta, vocĂȘ apenas sorriu e se virou, correndo para a prĂłpria casa enquanto Nanami suspirava pesadamente.
âTudo isso?â Murmurou âcuâ baixinho para si mesmo, fechando a porta e indo guardar o azeite e a azeitona sem prestar muita atenção no caminho familiar da prĂłpria casa. âOnde diabos estou com a cabeça?â
Ainda assim, as pequenas informaçÔes jogadas acendiam o fogo dentro dele como gasolina.
Ăs vezes Nanami te vĂȘ dançando sozinha em casa, quando estĂĄ caminhando para alguma missĂŁo e a vĂȘ pela janela da sala. Sua mĂșsica estĂĄ sempre alta o bastante para ele ouvir de longe.
Mesmo com as fotos na galeria do telefone, Kento sĂł percebeu que estava caindo em direção ao fundo do poço quando a viu sair com as amigas pela segunda vez. Sua roupa mais curta que o normal o deixou alerta, e as garotas barulhentas pareciam particularmente irritantes apressando vocĂȘ para pagar logo o Uber pois haviam meninos esperando.
NĂŁo que estivesse tentando julgar suas amizades. Ele sĂł achava que daria um companhia melhor, as garotas nĂŁo pareciam se importar ou estarem dispostas a cuidar de vocĂȘ.
E talvez fosse a vontade de prezar por sua segurança, ou quem sabe o fato de que dessa vez haviam garotos envolvidos, que fez Nanami tirar o carro da garagem logo depois que avistou o motorista de aplicativo chegar.
Ele te seguiu naquela noite e cuidou de vocĂȘ de longe. Dentro do carro estacionado na rua de trĂĄs, ficou olhando vocĂȘ sentada na frente de um barzinho. Tirou fotos do seu sorriso, mesmo que borradas pela distĂąncia, e se recostou no banco enquanto assistia como vocĂȘ interagia com os outros, que tipo de coisa comia, bebia e tudo enquanto ansiava estar lĂĄ com vocĂȘ.
Em algum momento da noite, Nanami tirou os óculos escuros e coçou os olhos azuis. Quando olhou para cima novamente, ele pÎde jurar que te viu desviando o olhar da direção onde ele estava estacionado a pelo menos duas horas.
Um arrepio frio lhe percorreu a espinha. Kento ficou olhando fixamente para vocĂȘ por mais dez minutos antes de sair com o carro sem dar seta, tentando passar o mais despercebido possĂvel.
âQue tenha sido apenas minha cabeça fodidaâŠâ Grunhiu enquanto dirigia apressadamente pelas ruas do centro da cidade.
Nanami nĂŁo dormiu bem aquela noite. Ficou acordado esperando vocĂȘ chegar e depois disso, o que jĂĄ era tarde pros padrĂ”es do loiro, se revirou na cama em ansiedade.
O arrependimento borbulhando contra as costelas o fez ir atrĂĄs de whisky, e o ĂĄlcool entorpece a culpa. O sono surgiu na quinta dose, entĂŁo ele dormiu no sofĂĄ.
Fazia um tempo que Kento não bebia vinho, jå que não parecia mais ser eficiente. Mas a alta dose alcoólica sempre cobrava seu preço; uma dor de cabeça infernal logo pela manhã.
Por que o Ășnico momento em que nĂŁo sentia vontade de se entorpecer com bebida era quando estava arriscando a vida exorcizando maldiçÔes ou falando com vocĂȘ?
VocĂȘ odeia azeitona. Porque diabos ele estava te dando algo banhado em azeite e enfeitado com sua comida menos preferida? Enquanto regava parado o mesmo cacto por uns dois minutos seguidos, Nanami sentia-se cada vez mais irritado.
VocĂȘ estava mesmo rindo e agradecendo por algo que nem gosta?
âEspero que esteja tĂŁo bom quanto a macarronada que vocĂȘ me levou no outro dia.â
Um estalo ecoou no bairro, e a postura jå tensa de Nanami enrijeceu tanto quanto a de uma måquina, e de maneira tão pråtica quanto, ele se abaixou para pegar a alça quebrada do regador de plåstico antes de caminhar para dentro de casa sem nem olhar para trås, inconscientemente batendo a porta.
VocĂȘ levou algo para esse cara. Os dois devem conversar. Ser amigos, talvez mais.
Os pensamentos jĂĄ nĂŁo pareciam coerentes.
A mĂŁo de Nanami apertou a peça jĂĄ quebrada, as veias evidentes saltando ainda mais enquanto ele deixava o utensĂlio cair e se jogava no sofĂĄ, a cabeça doendo, o corpo tenso a ponto de estalar â SĂł sentiu tamanha emoção anos atrĂĄs, quando lutou com Haruta Shigemo, o cara dos milagres.
Todo o corpo dele ardia em chamas. Ele queria que aquele cara sumisse da sua vida, e daria um jeito de fazer isso.
Por isso as mĂŁos estavam manchadas de vermelho.
Sob o escrutĂnio dos olhos castanhos claro, a garganta masculina quebrava como se fosse um mero lĂĄpis, manchada pela cor carmesim dos dĂgitos do feiticeiro. O corpo caĂa mole contra o piso, jĂĄ sem apresentar sinais de luta. A respiração do loiro estava controlada, o olhar vidrado lentamente sendo consumido pela imensidĂŁo vermelha enquanto os dedos com unhas cuidadosamente cortadas apertavam mais e mais a garganta mole, com os ossos jĂĄ quebrados em seu interior, como se quisesse reduzir a carne e todo o conjunto que a acompanha em massinha de modelar.
Esse homem de existĂȘncia medĂocre nĂŁo deveria ocupar um lugar em sua vida. NĂŁo quando Nanami estĂĄ bem ali, querendo entrar.
Mesmo que nĂŁo deva querer, mesmo que nĂŁo possa jamais. Pois no fundo o loiro estĂĄ dolorosamente ciente de que nĂŁo importa o quanto tente sentir que faz parte da sua rotina ou o quanto gravite ao redor da maior normalidade e alegria que jĂĄ sentiu em anos, teria de abdicar de tal sentimento que beira o doentio hora ou outra.
A lembrança dolorosa da distĂąncia entre os dois, nĂŁo necessariamente imposta por ambos e sim por um cĂłdigo moral que parecia ficar cada dia mais translĂșcido, o fez voltar a si.
O corpo que jazia mole em suas mãos deu lugar aos tomates amassados enquanto ele piscava e respirava fundo, afastando da cabeça a imagem mental e criminosa.
O loiro jĂĄ viu entregas de pizza o suficiente na sua casa para saber seus gostos. Embora nĂŁo soubesse seu sabor preferido, tinha certeza que algo tradicional cairia bem â com certeza agradaria mais do que azeitonas.
âAh, Nanami.â VocĂȘ diz assim que abre a porta, vendo o cabelo normalmente lambido levemente esvoaçante. A visĂ”es dos olhos estreitos sem Ăłculos lhe permitiu vislumbrar a prĂłpria surpresa no rosto dele, que se assemelhava a sua prĂłpria. âBoa noite. Aconteceu alguma coisa?â
Uma rĂĄpida olhada para a mesa sem graça, embora perfeitamente limpa, o fez entrar em um pĂąnico silencioso outra vez. O plano original era te levar a pizza, nĂŁo te convidar para jantar â EntĂŁo, tĂŁo rĂĄpido quanto possĂvel, colocou prato, talheres e taças uma em frente a outra. Bem quando o barulho da porta abrindo ecoou e vocĂȘ anunciou a chegada, Nanami colocou vinho e suco em cima da mesa, para saciar quaisquer que fossem suas vontades.
âTĂŽ entrando!â
âFique Ă vontade.â Ele gritou da cozinha, olhando-a se aproximar enquanto ajeitava o pano de prato.
Kento se repreendeu mentalmente, forçando-se a encarar sua cabeça enquanto tirava o pano de prato da alça do forno.
âVocĂȘ estĂĄ tĂŁo distraĂdo hoje, acho que isso aqui logo queimaâŠâ Murmurou, se abaixando para abrir o compartimento.
O mais velho desviou o olhar bruscamente, evitando olhar para a amostra tentadora de suas nĂĄdegas.
âMe esqueci disso por um momento.â Murmurou, sĂł sentindo o leve cheiro tostado quando o forno foi aberto. NĂŁo tinha passado muito. âDesculpe, posso raspar as bordinhas mais morenas.â
O coração de Nanami não conseguia distinguir se o que sentia era vergonha, ou satisfação. Te-la ali na casa dele, se movendo como se tivesse o total direito de se intrometer no que ele fazia somente alimentou as fantasias que o loiro tentava tanto reprimir.
âNĂŁo sou um anfitriĂŁo tĂŁo bom quanto vocĂȘ apontou da Ășltima vez.â Murmurou, se dando ao menos o trabalho de pegar o fatiador de pizza para vocĂȘ. âEstou te fazendo trabalhar quando devia estar sentada comendo.â
âNĂŁo se preocupe com isso. Eu meio que gosto de te ajudarâŠâ Murmurou, dando espaço para Nanami cortar os pedaços.
Quando ele se inclinou, pÎde sentir o cheiro masculino de loção pós barba e sabonete de frutas vermelhas. Um aroma doce e azedo. Inconscientemente, se inclinou.
âQue cheiroso⊠Que marca de sabonete vocĂȘ usa?â Sua voz, mais suave e baixa prĂłximo ao maxilar dele causou um arrepio agradĂĄvel ao loiro, que teve de segurar o utensĂlio de cozinha com um pouco mais de força a fim de impedir os ombros de tremerem visivelmente.
âKibon... NĂŁoâ Minuano.â Murmurou a primeira coisa que veio em mente, evitando ao mĂĄximo reconhecer sua aproximação despretensiosa enquanto seu cheiro se tornava dolorosamente presente nas narinas agora dilatadas de Nanami.
âO que, peraâ" VocĂȘ engasgou, respirando fracamente entre o riso. "o detergente?!â O rosto de Kento embranqueceu com a lembrança, e embora o estĂŽmago tenha se revirado em constrangimento, nĂŁo pĂŽde evitar passar a mĂŁo sobre o rosto e rir baixinho.
âAh, eu imaginei! Mas os shampoos sĂŁo horrĂveis, se eu estivesse aqui, ia te fazer usar Eudora.â Comentou, completamente alheia a forma com que o coração do loiro pulou descontroladamente no peito enquanto se sentava meio trĂȘmulo.
Sim, por favor. Ele compraria agora mesmo por vocĂȘ, sem problemas.
âNossa, estĂĄ tĂŁo cheiroso! Eu comeria sua comida todos os dias, vocĂȘ tem que me passar seus segredos um dia.â Comentou, mesmo apenas se inclinando para se servir com o primeiro pedaço.
Se soubesse como o mais velho fantasiou em viver ao seu lado, tornĂĄ-lĂĄ sua esposa e te fazer conceber um filho para que fosse para sempre ligada a ele, ainda seria assim tĂŁo receptiva?
âAh, bom saber que sou bem-vinda.â Brincou de boca cheia. Isso nĂŁo o incomodou.
âSempre. Sem vocĂȘ, meu aniversĂĄrio teria sido mais um passado sozinho.â Ele deu de ombros como se nada fosse, olhando-a por baixo dos cĂlios.
VocĂȘ se curvou um pouco mais sobre a mesa, expondo mais do vĂŁo de seus seios por trĂĄs do decote profundo da camisola rendada.
âEu salvei sua vida, entĂŁo!â Provocou, vendo como Nanami engolia um pedaço da pizza queijuda com dificuldade.
Nenhum dos dois haviam se servido com nada para beber. Estavam ambos salivando demais; talvez por motivos distintos.
âPode-se dizer que sim.â
VocĂȘ nĂŁo perdeu a forma como o mais velho desviou o ophar quase que timidamente. Mas havia mais ali do que timidez. Era uma tentativa quase mecĂąnica de controlar as proprias açÔes e pensamentos. Nada de bom passava pela cabeça de Nanami naquele momento; e mesmo os gestos mais romĂąnticos imaginados dentro da massa mole em sua presença, para ele, eram absurdos que nĂŁo deveriam sequer ser cogitados.
Nanami estĂĄ afogando em obsessĂŁo. Ele a quer nĂŁo para apenas sorrir casualmente e desabafar, mas sim para compartilhar a vida, beijar, amar.
Enquanto jantavam, isso nĂŁo saiu dele. O loiro pensou nisso a cada segundo, a cada mordida, querendo arrumar um jeito, uma saĂda, qualquer que fosse para prolongar o momento. Para te ter por perto apenas um pouco mais.
âO olho foi maior que a barrigaâŠâ Murmurou, suspirando pesadamente. âO short parece que tĂĄ me sufocando, acredita?â
âAcredito.â Ele sorriu, embora tivesse parado no segundo pedaço â apenas por educação, querendo que vocĂȘ se sentisse libre pra comer o quanto quisesse. âNao precisa se apressar. Tem um banheiro ali atrĂĄs e posso embalar mais numa marmita.â
O coração de Nanami disparou. Os låbios tremeram junto as pontas dos dedos, que ele rapidame suprimiu apertando a calça na årea das coxas com força.
VocĂȘ abriu os olhos, o encarou, sorriu suavemente e bocejou novamente, com força.
âQue sono. Acho que jĂĄ vou. Que preguiça.â Reclamou em meio ao bocejo, e o coração jĂĄ acelerado dele doeu.
âNĂŁo entra sem bater na porta, eu gosto de privacidade.â Disse, com um sorriso tĂŁo cheio de confiança no homem a sua frente que o fez sentir dor fĂsica.
Ainda assim, a mentira deslizou facilmente pelos lĂĄbios finos. O loiro nĂŁo conseguiu nem se arrepender quando vocĂȘ se levantou num pulo alegre, recolhendo os pratos sem sequer pedir permissĂŁo.
âVou guardar e lavar pra gente como agradecimento.â Proferiu, chegando atrĂĄs dele antes de pegar o prato vazio.
Dormir nĂŁo seria uma opção nesse cenĂĄrio. NĂŁo estava conseguindo nem de longe, por apenas saber que vocĂȘ residia no cĂŽmodo ao lado. O homem se revirou por minutos extremamente longos, repassou a noite na cabeça, se julgou e, antes que tomasse alguma decisĂŁo da qual fosse se arrepender, abriu uma foto sua saindo de casa.
Outra parte sabia que nunca atingiria alĂvio algum enquanto era tomado constantemente pela culpa, que apenas se afastava da mente nublada de paixĂŁo quando voce estava lĂĄ, sorrindo e rindo como se estivesse tudo bem.
Nanami bocejou olhando sua foto, admirando seus traços borrados pelo zoom. Com um sorriso pequeno, aproximou o celular do rosto e fechou os olhos, se lembrando mentalmente do brilho que a rodeia.
VocĂȘ moveu todas as estruturas de luvar, bagunçou a rotina, trouxe caos a casa quieta, organizada, e rotineira. Desceu descabelada, tropeçando no fim da escada enquanto bocejava.
âSeu zĂper estĂĄ aberto.â Foi a primeira coisa que Nanami falou, ignorando seu bom dia.
VocĂȘ mal havia aparecido, e ele jĂĄ estava sorrindo. Nanami nem lembrava que sabia sorrir.
âAh, merda. Foi mal.â Bocejou novamente, fechando o metalzinho antes de esfregar os olhos. Kento deu dois passos em sua direção, querendo se sentir fisicamente mais prĂłximo, sĂł para vocĂȘ esticar uma mĂŁo em sinal de âpareâ. âNem pensar! Eu tĂŽ cheia de bafo, nĂŁo chega perto!â
Arqueando uma sobrancelha clara, o sorriso dele aumentou enquanto subia as mãos em sinal de rendição.
âBafinho? Comi um molho super alhudo, e muita cebola. Minha boca estĂĄ fedendo a morte.â
Nanami gargalhou. Uma risada real e genuĂna.
Ele quis te beijar tanto. Desejou sentir o gosto de seus lĂĄbios amanhecidos, a domesticidade do hĂĄlito matinal compartilhado â era tĂŁo Ăntimo. Um sonho que parecia ahora tĂŁo possĂvel.
âPode escovar os dentes. NĂŁo tenho nenhuma doença.â
âVocĂȘ nĂŁo me perguntou se eu tenho.â Provocou, rindo baixinho enquanto jĂĄ se virava para seguir em direção ao banheiro.
Uma das melhores partes do dia foi quando vocĂȘ se ligou no horĂĄrio. Saiu apressada, com comida ainda na boca. Ia se atrasar, pois nem estava com roupas apropriadas ainda. E mesmo assim, deu a volta na mesa e o agradeceu com um abraço. Kento nem ligou que vocĂȘ tinha uma salsicha pendurada na boca e mal conseguisse dizer algo; a sensação do seu abraço rĂĄpido permaneceu com ele pelo resto do dia.
Para ele, foi uma grande vitĂłria. Quem quer que fosse aquele vizinho, certamente nĂŁo cozinhava tĂŁo bem quanto ele; ainda assim, iria investigar. Precisava ter certeza, e garantir que sua familiaridade nĂŁo fosse distribuĂda por aĂ.
Mesmo que ele te veja pegar roupas para dormir toda noite e saiba que o Ășnico dia que dormiu fora da prĂłpria casa, foi aquele.
E mesmo com tamanha alegria de compartilhar aquela domesticidade com vocĂȘ, nada se equiparou ao momento em que subiu para organizar o cĂŽmodo que jĂĄ sabia que ficaria desorganizado.
Os lençóis ainda tinham seu cheiro, e Nanami nĂŁo resistiu a se deitar na cama de solteiro repleta de vocĂȘ.
Ele inspirou profundamente o travesseiro que vocĂȘ deitou a cabeça naquela noite. Se moveu na fronha como se isso grudasse o cheiro pela prĂłpria roupa e pele. Imaginou seu corpo adormecido e vulnerĂĄvel ali, esparramado bem ao lado dele.
TrĂȘmulo, Nanami beijou o travesseiro e foi imediatamente invadido por aquele sentimento que dĂłi demais sentir, porque nĂŁo havia o alĂvio de seus lĂĄbios nos dele, de seu carinho, de seu amor.
Ainda assim, era a dor mais gostosa do mundo. O loiro choramingou na casa vazia, se pressionando mais forte contra as evidĂȘncias de sua estadia ali, na casa dele.
DĂłi demais. Ele precisa de mais de vocĂȘ. NĂŁo aguentava mais.