"Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas."
Lygia Fagundes Telles
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"Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas."
Lygia Fagundes Telles
"Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados".
Onde a vida me levou ou onde eu mesmo me levei?
Teria feito diferença alguma decisão diferente ou estaríamos predestinados a viver aquilo que vivemos? Digo com a propriedade de quem parece que já viveu muita coisa, mas ao mesmo tempo sente que nada viveu.
Um dia a mais para ser vivido ou "one day less to be living?".
Talvez a angústia seja o sentimento daqueles que não vivam o presente, por mais que queiram. Sempre querendo estar no passado ou futuro.
Sentado aqui vejo o mundo passar a minha volta mas será que o enxergo?
Eis me aqui senhor, tal qual o cego de Jericó, pedindo para que eu torne a ver e talvez assim acalmar meu coração.
E quanto aos amores vividos e aqueles que virão? Estariam eles relacionados à esta angústia ou , como diria o poema de Carlos Drummond de Andrade:
"O primeiro amor passou
O segundo amor passou
O terceiro amor passou
Mas o coração continua"?
Parece que a vida continua sendo um grande espetáculo, talvez um teatro, talvez um cinema ou quem sabe um grande circo. Cheio de emoções, reviravoltas, dramas, dores, tristezas, amores, alegrias. Homens cuspindo fogo, bailarinas dançando, trapezistas, mágicos tirando coelhos de cartolas e, claro, palhaços. O que seria da vida sem umas risadas aqui e acolá?
Aaaa, como eu queria ter uma cartola ou mesmo um chapéu.
É talvez valha a pena, mesmo "o mundo sendo um moinho", mesmo me sentindo sempre "a beira do abismo", talvez valha a pena.
Talvez escrever tenha me ajudado a enxergar o presente, ou ainda, teria Jesus ouvido minhas preces?
É verdade que como Cartola disse "em pouco tempo não sereis mais o que és". Ou como diz Alice no livro "já fui tantas desde de que acordei que já não sei quem sou". Mas talvez isto seja viver, um eterno construir. Redigir um filme, uma peça, um espetáculo.
Viver é andar na corda bamba, se equilibrar e não cair.
Daredevil | 1.02 “Cut Man”