“Não se mate por aquilo que não te dá vida.”
— Eu me chamo Antônio.
The Bowery Presents

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Love Begins
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“Não se mate por aquilo que não te dá vida.”
— Eu me chamo Antônio.
Porque havia uma tristeza insuportável em permitir que um amor assim se apagasse sem testemunho. Como se fosse inútil.
O Filho de Mil Homens, Valter Hugo Mãe (via biblioteca-decitacoes)
valter hugo mãe | a máquina de fazer espanhóis
“Never take it seriously. If you never take it seriously, you never get hurt. You never get hurt, you always have fun. And if you ever get lonely, just go to the record store and visit your friends.”
Almost Famous (2000) dir. Cameron Crowe
Valter Hugo Mãe - A máquina de fazer espanhóis
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Produndissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância… Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
uma noite com Valter Hugo Mãe - A Desumanização
e o peito queima com toda essa agonia de sentir.
Hoje, 70 anos de Paulo Leminski (poema de “Toda poesia”)
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não se mate
Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será. Inútil você resistir ou mesmo suicidar-se. Não se mate, oh não se mate, Reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão. O amor, Carlos, você telúrico, a noite passou em você, e os recalques se sublimando, lá dentro um barulho inefável, rezas, vitrolas, santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabe de quê, praquê. Entretanto você caminha melancólico e vertical. Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro e as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro, é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá. Carlos Drummond de Andrade
Essas Coisas
Você não está mais na idade de sofrer por essas coisas. Há então a idade de sofrer e a de não sofrer mais por essas, essas coisas? As coisas só deviam acontecer para fazer sofrer na idade própria de sofrer? Ou não se devia sofrer pelas coisas que causam sofrimento pois vieram fora de hora, e a hora é calma? E se não estou mais na idade de sofrer é porque estou morto, e morto é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
Carlos Drummond de Andrade, in ‘As Impurezas do Branco’
Sossega, coração!
Não discuto
não discuto com o destino o que pintar eu assino
Razão de ser
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?