Sabe, eu não deveria estar falando com estranhos, mas sinto que já te conheço! Foi você o sonho bonito que eu sonhei, certo? Você costumava ser conhecida como ELSA, do conto FROZEN antes da maldição atingir o seu mundo FLORESTA ENCANTADA e o seu reino ARENDELLE. Agora, em Storybrooke, você é conhecida como SIGRID KOLBECK, uma EX-PATINADORA ARTÍSTICA de VINTE E SETE anos de idade. Você me lembra um pouco MERRITT PATTERSON, mas deve ser só a névoa da maldição me confundindo…
O PERSONAGEM ESTÁ ACORDADO? Não está propriamente acordada, porém, como sua magia conta com uma pitada de magia das trevas, Elsa, mesmo em Stroybrooke, possui maior resistência ao frio e jamais fica resfriada.
HEADCANONS:
Elegante, reservada, inteligente, independente, perfeccionista. Estes eram atributos comuns utilizados para descrever a primogênita dos Kolbeck. Sendo uma promissora patinadora solo desde jovem — esporte no qual ingressou para suprir o vazio da mãe por não ter se realizado no mesmo — teve, naturalmente, toda uma vida voltada para os treinos, o que acabou por isolá-la do convívio social, até mesmo com a irmã mais nova. Ainda assim, Sigrid sempre teve verdadeira adoração por estar no gelo, o fazia com que não se importasse tanto com as privações, ao menos enquanto criança, tendo os patins se tornado seus melhores amigos.
O nacional se aproximando, medalhas, patrocinadores, entrevistas, o uniforme dos sonhos, triplos perfeitos… — a garota estava no seu auge quando sua vida deu uma guinada. O fatídico acidente de carro mudaria para sempre a mais velha, a culpa se tornando um fardo impossível de carregar. Se ao menos tivesse tentado tirar Agnes e os genitores de debaixo d’água em vez de chamar ajuda, a história poderia ter sido diferente… Até hoje, Sigrid tem pesadelos com a mãe dando pancadas no vidro, implorando para que uma Sig de olhos arregalados voltasse.
Ela sentia que Agnes também a culpava, porque Agnes tinha sobrevivido apesar de seu abandono. Foi obrigada a encarar a irmã por todo o tempo em que estiveram sob a tutela da tia, apenas porque não podia simplesmente sair dali. Isso, contudo, não as tornava amigas, uma vez que Sigrid se fechou em uma bolha de frieza para preservar sua sanidade.
Não deu certo. Diante da exigência de melhores resultados dos treinadores, a necessidade de ser alguém e de fazer pela irmã mais nova o que não tinha feito, a Kolbeck começou a apresentar verdadeira obsessão pelos treinos e por seu desempenho no rinque. Evidentemente, o corpo começou a dar sinais de exaurimento e, no fundo, Sigrid sabia que fazia isso consigo mesma como forma de punição. Mas foi quando começou a abusar do álcool e a tr*par com um parceiro diferente por noite que Sigrid viu seus resultados caírem drasticamente, e de garota prodígio ela teve de engolir o título de apenas mais uma.
Atualmente, por conta da idade e da ausência de treinadores e patrocinadores, Sigrid abandonou qualquer expectativa de se tornar uma patinadora de sucesso, gastando seus dias na livraria em que trabalha, sendo conhecida pelo péssimo atendimento, típico de quem odeia o próprio trabalho. Na verdade, a loira só não quer erguer os olhos das páginas de seus romances adultos.
TRABALHO: Vendedora na ABBEY BOOK SHOP: inspirada nas lojas de Paris, a livraria mais charmosa da cidade traz a seus clientes uma experiência diferente. É uma pequena livraria mágica, aconchegante e acolhedora. É o tipo de lugar com que os leitores de livros sonham, com cada canto e recanto cheios de livros. Além disso, a oferta literária é infinita; se você quer algo novo ou usado, raro ou publicado recentemente, tudo você encontra ali, em meio à charmosa bagunça.
“Que anda a comer antes de deitar e por isso que está a ter sonhos.” Respondeu o garoto, sem tendo paciência nenhuma para o que a mulher dizia. O que esperava de ouvir? O que realmente significava vindo dele.
‘ Por que tem que ter a ver com comida? Eu nem estou comendo tanto assim ’ protestou, pensando que talvez não estivesse sendo completamente verdadeira. Se privava de alimentação durante longos períodos de tempo, apenas para ter rompantes de fome insaciável em alguns dias. ‘ O estômago não tem nada a ver com o subconsciente ’
“desculpa.” ergueu as mãos em rendição. “é… acho que o google não está preparado para uma fusão…” comentou, contendo a vontade de rir por achar carneiros com asas engraçados. “então, acho que é melhor você falar com um profissional, né?”
Era comum que soasse mau humorada e oferecesse respostas atravessadas, mas pedir desculpas era quase uma dor física, de modo que não voltou atrás nem mesmo ao ver o sinal de rendição do outro. Teve de conter a vontade de rir, contudo, ao ouvir sobre a fusão, virando o rosto para que ele não visse. ‘ E o que seria um profissional da área? Um guru dos sonhos? Eu duvido que tenha algo como isso em Storybrooke ’
( Sebastian olhou-a com uma careta estranha, franzindo o cenho e pensando por alguns segundos sobre o que ela falara. Ele mesmo já tivera sonhado com dragões, princesa e um cavalo… E parecia que todos da cidade também estavam tendo sonhos pra lá de esquisitos. Como se já não bastasse a cidade já ser uma bizarrice por si só. )
❝ Eu diria que é o fim do mundo chegando ou o Diabo te atormentando. Só não procura o significado no google, você não vai gostar muito não. Experiência própria. ❞ respondeu-a, crispando os lábios.
‘ Você é católico? Protestante? Pra estar trazendo esse papo de Diabo e apocalipse... ’ negou com a cabeça, não aceitando a sugestão muito bem. As crenças de Sigrid, por conta da família da qual viera, eram nebulosas, pouco tendo a ver com cristianismo – não que se incomodasse com a religião alheia; ela só costumava ser bastante cética. ‘ Eu moro numa igreja. Esse tipo de escrito estava espalhado por toda parte quando compramos. Acha mesmo que o Diabo me atormentaria em solo sagrado? ’ brincou, esperando ver a reação alheia. Na época, a aquisição parecia ter sido uma ótima ideia, principalmente por ficar isolada da cidade, onde ninguém lhes incomodaria. ‘ Se não estamos seguros nem mesmo dentro da igreja, onde mais estaríamos? ’
…. certo. porque era de comida que eu estava falando. — as vezes se esquecia que siggy não entendia muito quando ela falava em seu linguajar praiano e pouco refinado. apesar de ter tido uma educação bastante completa, com livros, mitologias e histórias, nina tinha o jeito arrastado e até um pouco molenga de quem passava muito tempo no sol e chapada. — como isso é possível? você só comeu esses troços o dia inteiro! — não queria soar como fiscal de comida, mas aquilo era ridículo. — e anteontem! — completou. — você nunca comeu no KFC? tipo…. nunquinha?
‘ Ah ’ foi atingida pelo entendimento, forçando a memória a se recordar. ‘ Isso é muito possível ’ fez uma careta, apoiando a cabeça nas mãos e soltando um gemido de desgosto. Era perturbador que Gianina soubesse exatamente o que ela costumava fazer, que tipo de porcaria andava colocando pra dentro do corpo... Se Sigrid ainda tivesse vergonha da vida que levava, nunca mais apareceria na frente da loira. ‘ Isso... Engana a fome. Na real, é muito bom ’ mentiu, mordendo a barra borrachuda e sem gosto. ‘ Perdão pelo lapso ’ comentou, rindo e revirando os olhos. Se ela tivesse o físico de Nina comendo tudo aquilo, não precisaria passar fome. ‘ Uh, não...? Meus pais nunca permitiram e depois que eles morreram parecia meio que uma traição, entende? Mas o que tem de tão especial nisso? ’
“O que?? Se é previsível, então por que estava perguntando?” Edward quis saber, cruzando os braços assim como ela, obviamente insultado. Teve que rolar os olhos, imaginando que a rainha não apreciaria isso, e até ia pedir desculpas, mas a loira que um dia reconheceu como Elsa continuou falando, e o Chapeleiro notou que a rainha não queria escutar algo ruim, e sim esperava por uma resposta boa. “Você parece…” Ele franziu o cenho, pendendo a cabeça pro lado enquanto a estudava. “… incomodada.” Concluiu, recostando-se na mesa de piquenique do parque. “Aconteceu algo?” Perguntou por fim, preocupado e ao mesmo tempo curioso também. “Sabe, dizem que desabafar para um estranho é sempre bom. Tirando a vez que eu desabafei para um cara sobre a minha coleção de cupons de pizzaria, ele pediu pra ver e correu com eles na mão.”
‘ Porque eu estava esperando ouvir algo diferente ’ respondeu, como se fosse óbvio, meneando a cabeça. Não entraria em uma discussão com ele, mas era visível que agora o tom do homem tinha se tornado atravessado, como se tivesse perdido a paciência com ela – o que não era incomum em se tratando de Sigrid. ‘ Tá tudo bem ’ mentiu, sustentando o queixo erguido. Já havia deixado escapar demais para o estranho, sem saber o que ele podia fazer com aquela informação. Mas ela não falava com ninguém há tanto tempo... Tirando Gia, mas Gia não levava seus problemas totalmente a sério, porque não via problema em nada. ‘ Eu tenho uma amiga ’ pontuou, para começar a história ‘ Que não fala com a irmã mais nova há anos. Nem por telefone. Quero dizer, ela até troca de rua para não passar em frente ao trabalho da irmã, tudo isso porque a irmã culpa ela pela morte dos pais mas não admite isso, e eu-ela, a minha amiga, também sabe que teve culpa, mas agora já é um pouco tarde. Enfim, essa não é uma história tão triste quanto a dos cupons de pizza ’ sorriu minimamente. ‘ Você arranjou outros? ’
“eu disse que acharia que eu estou louca.” falou outra vez, dando ênfase em palavras chave. o que significava que aquele era muito mais o seu ponto de vista sobre si mesma do que sobre a mulher. “e não, eu normalmente não dou a minha opinião.” poderia explicar, mas não o fez por pura preguiça. “eu discordo. se não fosse relevante, esqueceria o sonho inteiro. se lembramos de pedaços, e pedaços tão especificamente estranhos ouso dizer, é porque significam alguma coisa. um sonho não precisa definir a sua vida, mas pode te fazer entender alguma coisa nela.”
‘ Dá no mesmo ’ argumentou, cruzando os braços a frente do peito, apenas porque não tinha gostado de ser corrigida. Era possível que estivesse vendo coisa onde não havia, mas era o tom da outra que fazia, agora, com que mostrasse resistência. ‘ Por que ela é sempre pouco elogiosa? ’ testou, abrindo um sorriso estreito de quem estava sendo propositalmente impertinente. ‘ Pelo que sei, só nos lembramos dos sonhos em que acordamos no meio. Isso quer dizer que não conseguimos captar nem um por cento de tudo o que acontece no nosso subconsciente quando estamos dormindo. Parece muito mais aleatório do que um aviso do universo ’
Os plantões no Corpo de Bombeiros poderiam ir de duas formas: ou totalmente monótonos, com os funcionários públicos lutando contra o próprio sono, ou totalmente malucos, com inúmeras ocorrências e a emoção a flor da pele a todo o momento durante a longa noite. Felizmente, a segunda opção havia sido escolhida para aquela noite. Assim que receberam o chamado para irem até um bar que já havia tido o alvará recolhido por má edificação e ainda insistia em continuar seus serviços, precisavam salvar as pessoas após uma vela ter sido derrubada, e um incêndio inesperado acontecer. Ao chegarem ao local, Axel vestiu a máscara que o ajudaria a respirar. “Ei, Clark!”, chamou o companheiro que estava com ele naquela noite. “Você vai dando um jeito no fogo, eu vou atrás das vítimas que ficaram lá dentro ainda!”, anunciou em voz alta, e após receber o positivo do amigo, adentrou o bar, tomando cuidado com as estruturas que ameaçavam desmoronar. Esperava que ninguém estivesse por lá, mas ao ver o corpor feminino sobre o balcão, numa pose em que parecia estar domindo, não demorou em correr até ela, primeiro colocando uma máscara em seu rosto para que ela melhor respirasse, em seguida passando um de seus braços por cima do ombro, procurando uma forma mais fácil de carregá-la. “Senhorita?”, tentou chamar sua atenção, mas ela parecia estar bem alcoolizada. “Me chamo Axel, e você está no meio de um incêndio, mas não se preocupe, eu vou tirá-la daqui.”, mantinha a tranquilidade em suas palavras, acreditava que tudo daria certo, o fogo não havia se alastrado de forma servera. “Mas eu eu preciso que colabore comigo.”, pediu, percebendo que agora ela parecia entender o que ele dizia. “Vamos, caminhe comigo.”, e então, começou a seguir em direção para fora do bar.
Aquela rotina de sair todas as noites, se drogar todas as noites, podia estar acabando com a Kolbeck, mas uma melhora não parecia estar próxima, depois de ter se acostumado à vida noturna. Para quem tinha pouquíssima perspectiva de futuro, se boicotar não era de fato um problema – ela não tinha nada significativo a perder, pois tudo o que interessava já tinha escapado por entre seus dedos. Seria isso que a motivava a beber como se não houvesse amanhã? Os entorpecentes já faziam efeito no sistema, de modo que a mulher tinha apenas uma vaga noção do que estava acontecendo. Quando a agitação por conta do fogo começou, chegou a olhar para os lados, desorientada, a partir da bancada em que estava sentada. Alguém viria lhe buscar, não era possível... Foi aos poucos que perdeu a consciência, logo depois de começar a tossir. Então, sentiu os canais respiratórios se congestionando com a fumaça, experimentando de uma ardência insuportável. Ao menos não estava acordada quando as vigas começaram a desmoronar, pois certamente teria gritado. Naturalmente, já tinha aversão ao fogo; ter certeza de que ele era um inimigo não faria bem. Não sabia dizer por quanto tempo permaneceu desacordada, porém, eventualmente, sentiu a máscara ser encaixada em seu rosto, despertando, torpe e balbuciando palavras ininteligíveis. ‘ Hm? ’ de olhos sonolentos e lacrimosos, não reconheceu com quem estava falando, mas o uniforme do tal Axel devia servir como pista, e ela fez o possível para acompanhá-lo, mesmo que não estivesse em sua melhor forma; na realidade, o andar era mais cambaleante do que linear, e ela devia estar sendo um peso morto para o bombeiro. ‘ Axel, eu... Não quero morrer ’ balbuciou, com os olhos praticamente cerrados, escorando-se nele.
“’Tá na hora de fazer algo por você.” Recitou um verso do livro que havia pego em destaque na prateleira e bufou, balançando a cabeça em negativo. Rapidamente virou-se para a atendente @afrozen e terminou. “Só você pode fazer!” A entonação seguia a ideia do livro, afinal ele não entendia bem o propósito dele, mas havia compreendido que era uma autoajuda. “Se você lesse um livro desses, se sentiria motivada a fazer algo por você?” A pergunta era genuína, embora parecesse que ele estivesse debochando de algo. Na realidade, Lincoln confiava que a cabeça das pessoas agia de formas distintas, isso era óbvio. Portanto, as reações variavam com coisas naquele sentido, de exercitar o estímulo cerebral através de somente palavras. Outros, por exemplo, se estimulavam com ações. Isso era uma curiosidade que ele estava interessado em saber das pessoas dali, afinal era seu passatempo favorito.
‘ Excuse me? ’ pensou não ter ouvido direito, soltando o livro que tinha em mãos – aquela nova leva da Elle Kennedy estava mesmo imperdível, tanto que ela nem pensara em dar atenção à seção de autoajuda que estava aguardando arrumação. A última coisa de que precisava era de algum cliente reclamando da bagunça. Mas não havia necessidade alguma de humilhar. O conselho podia servir como uma luva, mas foi com um ‘ ah ’ de alívio que Sigrid compreendeu que o professor só precisava de uma opinião. A Kolbeck até poderia se mostrar mais profissional se por baixo daquele casaco de tweed não houvessem braços incríveis, e seus pensamentos impuros devem ter ficado nítidos no momento em que ela o analisou de cima a baixo. Ainda assim, se aproximou da sessão em que Lincoln estava, pegando o livro das mãos dele, esquadrinhando a capa e a contracapa, com o lábio inferior projetado. ‘ Não me sinto motivada a fazer algo por mim nem quando me obrigam. Não vai ser um punhado de frases no papel que vai me tornar uma pessoa útil para a sociedade ’ comentou, sorrindo de canto apenas para que ele não pensasse que ela estava tendo outro de seus “momentos auto piedade”. ‘ Devia gastar seu dinheiro com coisa menos deprimentes. Tem algo mais que te agrade aqui? ’ pediu, se apoiando na prateleira e piscando lentamente.
O sorriso que se formou na boca carmim da apresentadora, embora estampasse aquela simpatia falsa da apresentadora, tinha um motivo maior. Elsa não aparentava estar acordada — mas a essência dela, sim, e era isso que interessava a mulher. Gelo destruía, uma pena a magia fosse exclusiva à Ingrid e sua sobrinha, porém, se não podia domar a mais velha por ter os seus próprios objetivos, domaria a outra ao seu favor. Agora só precisava pensar em como Cate Fair se aproximaria para, enfim, torná-la sua aprendiz. “Não tem problema, querida.” Assegurou, batucando os dígitos contra o balcão para, disfarçadamente, desativar o efeito da magia aplicada sobre si mesma para sentir frio. “Ótimo. Já me sinto melhor.” Disse, passando os olhos por ela, um riso baixo escapando dos lábios quando a vendedora ofereceu os livros de auto-ajuda. “Está tentando me dizer algo?” Perguntou humorada. Raros eram os momentos em que Catarina sorria, genuinamente, com algo. “Estou brincando. Na verdade, tem algum que me recomendaria? Apresento um programa que ajuda na área do amor. Conselhos, casos de traição, brigas entre casais… Resolvemos o que dá, mas é sempre bom saber qual livro indicar para quem assiste de casa.” Se fazia humilde ali, propositalmente para receber a simpatia alheia. Vaidosa como era, ao lançar a maldição, se certificara de que seu nome seria conhecido; então as chances da outra não ter escutado sobre o Mirror of Love eram rasas. As íris esverdeadas da Fair varreram o lugar, a mente ainda maquinando ideias para tomar a rainha de Arendelle em suas mãos. “É uma livraria agradável.” Observou. “Gosta de trabalhar aqui?”
Costumava dispensar gentilezas como aquela, de que se referissem a ela como querida. Maioria das vezes, não transmitia verdade, embora Sigrid soubesse que era um vocativo comum para quando se desconhecia o nome de uma pessoa. Além disso, Cate era uma mulher extrovertida e carismática de tudo o que ela havia visto do Mirror of Love, sendo o programa seu guilty pleasure. Afinal, não havia nada mais divertido do que acompanhar a vergonha alheia de casais inseguros se contorcendo na televisão. ‘ Só que os livros estão em promoção ’ abriu um sorriso sem dentes, jogando o controle do ar condicionado em uma gaveta e meneando a cabeça. Estava longe de ser tão afável quanto à mulher e era comum que estragasse as tentativas de piada. Ao ouvir o pedido, contornou o balcão, tentando lembrar dos livros que tinha lido sobre o assunto, que não eram muitos. ‘ Tem certeza que precisa se aprofundar na leitura para apresentar o programa? Pensei que só seguisse o roteiro e algum idiota escrevesse todos aqueles desafios bobos. Provavelmente um solteirão de meia idade que odeia as mulheres porque nunca conseguiu sair com uma ’ soltou, dando de ombros ao expor toda a sinceridade. ‘ O que acha de Men Are from Mars, Women Are from Venus, do John Gray? É isso que está procurando? ’ pediu, entregando a ela. ‘ Também temos esses sobre constelação familiar, finanças dentro do matrimônio, crise no casamento e, claro, os religiosos com passagens bíblicas ’ concluiu, colocando cada um deles sobre os braços de Catarina conforme ia pontuando. Limpou a poeira invisível das mãos, imaginando que seu trabalho estava feito depois daquilo, e já estava para virar as costas quando ouviu a pergunta seguinte. ‘ Nenhum emprego me aceitou nos últimos três anos, então não é como se eu tivesse muita opção. Ao menos o plano de saúde é bom. Por que a pergunta? Está pensando em pedir uma vaga? ’ brincou, rindo consigo mesma. ‘ Eu não faria isso. A dona é uma vaca ’
“Pensaria que me deram alguma coisa que não deveria tomar ou que teria que ir ao médico porque isso normalmente é preocupações escondidas” Respondeu há garota, sonhos estranhos normalmente significavam que a mente não estava bem e que precisava de ajuda.
‘ Médico? Só por causa de um sonhozinho? ’ franziu o cenho, contendo o estremecimento. Não era uma grande fã de visitas ao médico, menos ainda psiquiatras. ‘ E se ele constatar que eu sou louca? Não quero parar na ala psiquiátrica só porque saí por aí contando meus sonhos ’ riu de si mesma, sem se dar conta de que com isso poderia estar ofendendo Tilly.
selene estava organizando os livros recém devolvidos na prateleira de contos quando teve seu silêncio interrompido por uma voz que não era familiar. virou-se rapidamente para que pudesse ver quem falava consigo, voltando a atenção ao trabalho logo depois. “ eu pensaria que sou muito criativa. ” o tom de voz brincalhão demonstrava que também não levava tão à sério a história de sonhos significativos. “ mas procuraria no google. ” finalizou então, retirando o celular do bolso assim que terminou sua arrumação. “ vejamos… ’ possibilidades de uma nova oportunidade profissional que lhe proporcionará uma renda extra ’, olha aí! sortuda. ”
Tinha ficado encarregada de levar uma nova leva de livros à Biblioteca Municipal naquela manhã, o que ocorria ao menos uma vez ao mês. Selene acabara por se tornar uma dessas amizades ocasionais pelo compartilhamento de atribuições comuns, embora Sigrid se visse como bem mais importante que uma mera guardadora de livros. Ainda assim, gostava da garota, considerando-a inteligente o bastante para que pudesse compreender seu dilema. ‘ Se eu fosse mesmo criativa já teria escrito meu próprio best seller e estaria num lugar bem melhor que Storybrooke ’ a pronúncia do nome da cidade veio acompanhada de um revirar de olhos. ‘ Renda extra? Isso parece a definição de bico, e não é disso que eu preciso agora, mas de um trabalho de verdade. Aí não diz nada sobre eu finalmente ficar famosa? ’
“Só estou preocupado com sua saúde. Tenho uma palestra perfeita sobre a importância de se ficar longe das drogas, poderia enviar o curso gratuito e online para você, caso tivesse interesse em mudar de vida.”, deu levemente de ombros, e ao escutar o comentário dela sobre Pierre, segurou o riso debochado, apenas negando com a cabeça. “Carismático? Alguma vez já conversou cara a cara com ele?”, imaginou que não, afinal, Pierre podia ser tudo, menos carismático. Falso era a palavra perfeita para descrevê-lo. “De qualquer forma, peço desculpas se a ofendi, não era minha intenção.”, deu levemente de ombros. “Posso compensá-la de alguma forma?”
‘ Muito atencioso da sua parte, realmente. Eu até iria na palestra se estivesse usando drogas, mas não é o caso ’ cortou, se perguntando se sua vida noturna estava se tornando de conhecimento público para que ele viesse com aquele papo. ‘ Acha que tenho tempo para fazer cursos online? Não é só porque trabalho numa livraria que tenho tempo livre. Temos muito o que fazer na Abbey ’ respondeu, orgulhosa, olhando-o de cima a baixo. Imaginava que homens importantes como ele encontrassem prazer em humilhar gente como ela, mas não daria o braço a torcer. ‘ E é preciso? Tenho redes sociais ’ deu de ombros, indicando o celular que tinha em mãos. Evidente que, sendo quem era, Pierre não tinha motivos para dela se aproximar. Se bem que, naquele exato momento, era possível que estivesse falando com seu substituto, e então ela poderia se vangloriar de já ter brigado com o prefeito. ‘ Pra que depois você diga que eu me aproveitei? ’
— Isso depende muito — havia estudado alguns estudiosos que analisavam sonhos e inconsciente coletivo para seus estudos acerca de mitologia, mas não imaginava que era esse tipo de resposta que a outra iria querer sobre seus sonhos aparentemente esquisitos. — Pode elaborar mais? Talvez possam ser a resposta para uma pergunta que você possui, só que no formato de símbolos, sabe?
‘ Essa parece a resposta de alguém que não sabe nada ’ respondeu, amuada, vez que depende era a última coisa que queria ouvir. Não, na verdade a última coisa que queria ouvir era uma previsão ruim, algum prenúncio de que sua vida estava prestes a declinar ainda mais. E só porque era Anya ali, Sigrid molhou os lábios para explicar. ‘ Então, você sabe como são sonhos - a gente nunca lembra com exatidão de tudo o que acontece. Mas eu me lembro muito bem de estar na Sip e um desses carneiros cair dentro da piscina e vir nadando na minha direção, o que é muito estranho porque carneiros não sabem nadar! Depois disso eu corri pra fora, mas não estava ensopada nem nada, só não achava a saída por nada, e quando achei fui parar na frente da Torre do Relógio, que estava sendo atingida pelas bolas. Deu pra entender? ’
– Que você tem que parar de comer chocolate antes de dormir. – Orson disse com um risinho baixo ao ouvir sobre o sonho da irmã. Ainda assim, ele tinha o bastante dos seus sonhos sinistros para poder dizer com certeza que não se preocupava com o significado deles. – Mas o que mais acontecia no sonho? Os carneiros eram bons? As bolas de fogo caiam e destruíam as coisas? Porque acho que o significado muda dependendo.
‘ E você? Vai parar quando, hm? ’ perguntou, semicerrando os olhos para ele como se o tivesse pego em flagrante. De certo modo, agora estava aliviada que Orson não tivesse levado seu sonho a sério; não queria encher a cabeça do irmão com aquele tipo de informação desnecessária. Também não queria que ele pensasse que ela precisava de ajuda. ‘ É, eu sei, eu sei. Um detalhe pequeno muda tudo, e eu nem lembro direito dos detalhes mais. Será que devo anotar tudo num caderninho assim que acordar? E os carneiros definitivamente não eram bons ’