Não tenho tempo pra perder com gente que não tem certeza se quer estar aqui.
Friorentar.
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Não tenho tempo pra perder com gente que não tem certeza se quer estar aqui.
Friorentar.
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Você não está quebrada.
Você está em luto por algo que foi grande.
E isso diz muito mais sobre sua capacidade de amar do que sobre o fim dessa história.
Série: Fleabag
Ano: 2016 - 2019
Onde assistir: Prime Video
Criadora: Phoebe Waller - Bridge
“Sim, a gente pode acabar em dois dias, ou durar ainda dois mil anos. Não sabemos qual das duas hipóteses, e por isso, é difícil pra muita gente se interessar por alguma coisa.”
— Charles Bukowski.
so indecisive !!!
Honestamente, já que vai rasgar meu peito, que pelo menos eu tire algo meu.
O tempo todo me assusto com a proporção que isso tem. Como pode algo que não existe mais continuar tão vivo?
É como se o silêncio tivesse corpo — e, às vezes, ele me toca.
As palavras que deixo são meu legado: a prova de que senti até a última gota.
Mesmo quando jurei não mais sentir, o eco ficou.
E ele ainda fala comigo — devagar, com a voz que já não existe, mas que ainda reconheço de olhos fechados.
O que é esquecido não cala — apenas muda de som.
27
Eu tinha uma certa ideia utópica sobre envelhecer quando era mais jovem.
Não sei se era pela época, pela história dos meus pais, mas achava que minha vida estaria completamente resolvida antes dos 30.
E, parando pra pensar — quem não tem essa ilusão de que os 20 vieram pra construir a vida inteira?
Há exatamente 10 anos, eu tinha 17. Minhas perspectivas eram quase nulas. Eu ainda estava completamente perdida sobre o que gostaria de fazer, mas extremamente feliz por ter saído daquela jaula chamada ensino médio.
Lembro que saía bradando por aí que queria fazer Medicina (risos). Tinha até uma ridícula camiseta do terceiro ano com isso escrito. Aliás, a ideia de colocar no verso as possíveis faculdades que gostaríamos de fazer foi minha. Perdão pela imbecilidade. E, àqueles que conseguiram seguir suas respectivas escolhas, um brinde.
Todas as vezes que lembro que queria fazer Medicina, me vem à mente que hoje eu jamais aguentaria ser médica. Não por incapacidade, mas porque meu lado criativo evoca em mim uma energia constante de criar. Quando termino algo, sinto ainda mais convicção de que, sim — eu nasci pra isso.
Hoje, fazendo uma análise fria, percebo que o cuidar sempre esteve aqui. Desde cuidar das crianças na minha fase de professora até cuidar, agora, do meu pai.
Eu odiaria cair em clichês, mesmo sabendo que eles são necessários. As pessoas não sabem dizer o que realmente querem — e nisso, claramente, me incluo. Saber o que se quer é um pouco assustador pra mim — logo eu, que sempre fui tão perdida. E nisso, não há beleza alguma na poesia.
Antes eu sentia uma neblina encobrindo meus olhos e, aos poucos, aprendi a enxergar através dela. Ela é a finíssima linha entre consciência e inconsciente. E, vez ou outra, a gente permeia entre as duas.
Ser adulta é basicamente resolver os traumas que você teve no passado, consertar as merdas que seus pais fizeram e, nesse intervalo, adquirir novos.
E ninguém nunca me disse que seria tão arrebatador. Tenho plena certeza de que meu retorno de Saturno chegou bem antes do esperado.
Amadurecer é um parto. Você não está preparada — e talvez nem queira de verdade estar. Simplesmente olha no espelho e pensa: “Entendi. Isso é ser adulta.”
Esse dia veio cedo pra mim. Quando me mudei de casa aos 22 e tive minha primeira conta no meu nome, percebi que não havia como voltar atrás.
Me conhecendo bem, eu sabia que isso aconteceria cedo. Eu nasci juntamente com a palavra liberdade. Nasci cheia de vento e quase sem oxigênio.
Talvez seja por isso que eu sempre começo pelo que não quero. Isso me ajuda a descartar — e, no processo, descobrir coisas que gosto.
A única semelhança da Luana Carolina de 17 e de 27 são: o aparelho, o cabelo ruivo, ainda ouvir Paramore e, por último — talvez o mais importante — um curioso ímã para as palavras.
Quis trazer isso pro meu momento atual com elas, porque já tive tantos altos e baixos com as palavras. Já odiei esse fardo, já amei a ideia, já cospi no prato que me alimentou, já as tratei com amor e já as queimei, mandando-as embora.
Bobagem — cá estão elas de novo.
Há algo de etéreo nisso. Consigo ver as palavras flutuando da minha cabeça e tomando conta das minhas mãos. Como se o meu falar fosse mais eu quando escrevo. Talvez porque seja.
Cada palavra aqui foi pensada, revirada e vivida com tanta intensidade que já me mandaram ser “menos” pelo menos umas duas vezes ao dia.
Preciso escrever. Já não é mais algo sobre gostar ou não — é fisiológico. Me falta poesia pra oferecer, pois, por ora, a poesia é de lamento.
O que esperar de uma pessoa que está prestes a completar 27 anos de existência? Não muito. Talvez cometer novos erros.
Mas eu me sinto mais eu do que nunca. Mansa ou feroz — eu, caçadora de mim.
esbarros
quando é pra dar certo o universo colide.