Entre e fique à vontade. Sinta-se levar pelo vento eclético de pensamentos que não precisam ser fixos ou imutáveis. Minhas opiniões são colecionáveis. E é por isso que só vão aumentando enquanto cresço. Em tamanho e apreço... pela vida, pelo humano, por Deus, pelo mundano.
Esteja à vontade. E, se já estiver gostando, pode ser que os pensamentos e provocações sobre Deus, Ciência, Vida e Sociedade que lancei, despretensiosamente, num livro de “Folhas Soltas”, talvez te agrade.
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Eu já ia apertando o botão de “Enviar”. Mas fiquei com medo daquele “Restando qualquer dúvida, permaneço à disposição.” ao final da mensagem.
De repente, minha mente me levou a um cenário que, talvez, fosse maluco, talvez nunca se realizasse. Mas a vida é feita de coisas malucas. Em boa parte, pelo menos.
E se, ao ler aquilo, ele pensasse que eu estava à disposição para qualquer coisa? E não apenas para dúvidas formais ligadas ao assunto?
Eu queria que ele pensasse mais alguma coisa além do que estava escrito?
E se eu deixasse apenas “Permaneço à disposição.”? Seria ainda pior essa vaguidão? À disposição para quê?
Sei que estava sendo paranoica. Mas quem não fica quando escreve um e-mail de resposta, tratando de um assunto delicado, com um superior hierárquico e que, ainda por cima, tinha me dado uma cantada muito bem-sucedida na noite anterior no jantar de confraternização pelo negócio fechado?
A pior parte era essa... Será que homens de negócios como ele sempre eram bem-sucedidos em tudo? Por que será que a cantada caiu tão bem aos meus ouvidos? Por que raios eu gostei tanto?
Talvez fosse só aquela aura dele. Aqueles ternos tão bem ajustados que ele usa, feitos em alfaiatarias de verdade, não essas coisas ridículas, compradas prontas, que alguns pensam ser alfaiataria. As camisas que ele comprava deviam ter alguma magia também. Deviam estar vivas ou algo assim. Não deixavam ele ficar feio de jeito nenhum. Não amassavam, não encardiam, não ficavam com rodas de suor debaixo do braço nem no calor infernal do verão carbonizado de São Paulo.
Como eu saí do fecho do e-mail e vim parar nos fechos das roupas dele? Devia ser porque eu queria fechar logo aquele assunto chato do e-mail e abrir todas as peças de roupa que ele estivesse usando agora...
Um susto esfumou meus devaneios. Flávia tinha se levantado da workstation xingando baixinho como sempre fazia quando recebia algum e-mail que significasse mais trabalho em cima das tarefas que ela ainda nem tinha começado.
Olhei enquanto ela se afastava pelo corredor, indo em direção à copa tomar o sexto cafezinho do dia para “energizar”... (Alguém devia avisar as pessoas que, se café realmente fosse bom para isso, não seria preciso beber tantos por dia.)
Flávia olhou para trás de repente. Dizem que o olhar da gente atrai o olhar alheio. É verdade, né? Basta ficar olhando para alguém no metrô fixamente por sete segundos, e a pessoa vai sentir que está sendo observada e olhar de volta. E, na hora que os olhares se cruzam, dá uma vergonha, né? É por isso que todo mundo usa fone de ouvido no metrô se estiver sozinho... Acho que é por isso.
O que sei é que Flávia voltou alguns passos e perguntou “O que foi?” de um jeito que soou preocupado. Mas eu já sabia que não era preocupação comigo, mas sim com a necessidade dela de saber se sua roupa estava retinha, se a saia não havia amarrotado muito... Pobrezinha, sempre tão ocupada com roupas e aparência.
E isso me fez saltar de volta ao devaneio gostoso em que eu estava antes de ela interromper minha vida interna. Por fora, respondi “Nada...” bem rápido, querendo que ela sumisse logo. E foi então que... ela me olhou daquele jeito... Aquela novinha danada me olhou como quem sabia exatamente no que (em quem) eu estava pensando. Mas deu as costas e foi, enfim, beber seu enésimo café.
E fui deixada sozinha... na sala cheia de vasos com jiboias e outras plantas que não se contentam em ficar só no vaso onde estão plantadas.
A audácia das jiboias me fez pensar se algum dia eu teria a coragem delas.
Deixada só, na sala que, felizmente, após a promoção, eu dividia apenas com minha assistente Flávia, fiquei pensando em tantas coisas que eu realmente gostaria de escrever ao meu chefe. Tantas coisas que eu faria por ele se me pedisse do jeito certo, com o sorriso safado que ele sabia disfarçar num sorriso gentil (só para quem não o conhecia).
Mas, pensar no sorriso dele me trouxe a lembrança dos dentes amarelados de Flávia. O amarelo na lembrança intrusa me fez olhar pela janela, pois me fez ter curiosidade de ver se o sol já tinha terminado de se pôr.
Em pé, à beira da janela, com o e-mail ainda por finalizar, com o botão “Enviar” ainda por apertar, reparei nas pombas lá embaixo, na calçada da avenida, finalmente derrotadas pelo manejo ambiental recém-instalado, e que havia livrado a empresa das pequenas chateações que elas causavam ao pousar em nossos beirais. Reparei também em minha ousadia, por falar dos beirais do prédio da empresa como se fossem meus.
O que era meu ali? Se nem meus pensamentos ficavam onde eu queria?
Voltei à mesa. Olhei para a tela. Decidi como terminaria. Eu precisava tentar alguma coisa. Algo que me desse paz. E o fecho saiu assim: “Qualquer coisa, permaneço à disposição.”
Quebrei a formalidade um pouco com aquele “qualquer coisa”. Dei um jeito de parecer disponível, com aquele “qualquer coisa”. Tentei fazer daquele “qualquer coisa” o meu jeito de dizer que eu estava disposta a qualquer coisa por uma chance de estar com ele. E me arrependi segundos depois, sabendo que só estava soando desesperada. E homens como ele deixam mulheres assim esperando na fila da balada até a balada acabar.
Minha sorte (ou azar) é que inventaram o botão “Desfazer”.
TTRPGS ENJOYERS!!! (in central europe)
This Saturday, September 20th in beautiful Vienna, Austria I'll be doing a talk and Q&A at an indie Artist & TTRPG con! Will also table with @vivtanner, so we have... the goods.... 👀
Eliot Baum, an experienced freelance artist and up and coming art director talks about his journey from self taught illustrator to established Face within TTRPGS, books, video games, animations and more.
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