"ano novo, sim?"
madrugada,
mais uma vez vejo-me completamente delirante em ti, como posso sentir desejo e repulsa pelo mesmo corpo que anseio por um filho.
não há paz. não há vida. somente meus lábios sussurantes em meio à névoa do teu rosto.
viajo em ti, é verdade, viajo até o planeta marte (de áries pouco se sabe), e nele se fixam desejos delirantes de uma noite como esta, onde chove e chove, e o chão fortifica-se para que a água passe dançando entre a sujeira e o lodo. e não conformada, decola no seio da grama e ali fixa-se: úmida, gelada, carente e não tão descontente; excitada, pois encontrou o que lhe faltava. é verdade! deitou-se para ver chover e choveu-se como quem vê água no deserto.
distoando entre teu seio, oh inanna, do teu pólen aromatizado, dai-me forças para crer que é possível viver neste presente, amando como louca alguém que criei. e sim, deixei marcado na memória o selo raro do não esquecimento. faça-me viver...















