Um outro nome que não seja solidão Um outro nome que nos distraia das nódoas, que nos faça cair de pé como os gatos Que fosse este sítio cheio de plantas, ou o tabaco espalhado pelas horas, uma outra coisa disfarçada Poderia ser um peixe de luz laranja ou esta camisola que continuo a vestir apesar do buraco que alastra, ou uma caixa de comprimidos servindo de jarra a um bouquet de flores de plástico Algo que nos fosse mais gentil uma solidão com utilidade Poderia, por exemplo, usá-la com graça, pendurada como brincos dar-lhe dentadinhas separando os gomos Uma outra coisa que nos servisse de lição que nos fizesse ajoelhar com o som dos átomos ou falar de amor num autocarro cheio de gente e não ter medo de sair morto Uma outra palavra que nos fizesse amar isto de se ter um ventre vazio ou cheio de plantas inventadas Sim, uma outra coisa como aquela mulher aparentemente viva e um homem para confirmar Repara como é precioso este momento de levantar o braço levar a colher à boca dizer adeus e não voltar
cláudia r. sampaio











