- Parado, me encarando. Até que sou bonito, os caminhos desse corpo se modificaram e já não levam mais ao mesmo destino. Será que sou inteligente? Será que sou suficiente? É tão estranho te ver diferente, me parece que é outra gente. Aquele antigo foi embora? Quem é o Novo? Sempre querendo tantas respostas... Já tentou não se perguntar nada? Ah lá, fiz de novo. Pergunta, pergunta, pergunta, pra que tanta pergunta? Precisa mesmo da resposta? Vai fazendo sem pensar na hora. A vida é mais leve quando a gente não se preocupa, a vida pode ser mais calma sem tanta amargura. Vira pássaro e voa. Solta essa voz, deixa ecoar, se olha mais vezes, quem sabe assim você para de perguntar. Já cansou de você ou ainda aguenta viver? Quer ir embora? Não tem como. A vida é assim agora, tem que viver dentro desse vazio e transformar ele em rio, pra quem sabe um dia desaguar. Mas vai desaguar onde? Isso importa? É claro que importa, quero saber onde vou chegar. Ish, ainda não entendeu que é a vida que vai te levar? Tem que fazer sem pensar onde é que vai findar, tem que fazer por gostar. Consegue? Sim. Será? Consigo, tenho feito algumas coisas sem pensar onde é que vai me levar, mas elas ainda não me levaram pra nenhum lugar, eu já to cansado de caminhar. Vai desistir antes de chegar? Não sei, as vezes quero sim. Sempre penso, imagina que gostoso vagar sem pensar e sem fabricar? De novo, sem resposta, não consigo parar. Até tentei esses dias, hora que eu vi.... já tava lá, andando, andando e andando sem chegar. Podia ter uma parada no caminho, pro coração gostar sabe. É isso que eu sinto, saudade de poder fazer um cafuné e enrolar os pé. Acho que é isso, caminhar sozinho me faz perguntar, não tem ninguém pra conversar.
(por André del Pintor (@andredelpintor) - Monólogo da pergunta.)














