ansiedade.
"cê tá bem?"
eu não sei.
milésimos antes de você me fazer essa pergunta eu estava em todos os lugares e tempos. menos aqui. menos agora.
é o que eu gostaria de responder, mas de qualquer maneira você não vai entender.
não vai entender o que é interpretar a coisa mais besta da pior maneira possível a (quase) todo momento. mesmo tentando não o fazer.
"você não é tão importante quanto pensa. você não é a preferência de ninguém. ninguém te amou, ama ou vai amar como você os ama. não na mesma intensidade. nunca. você não merece nada disso. você vai acabar sozinha."
e então eu quero arrancar fios de cabelo, gritar, arranhar, espancar e mutilar meu corpo frágil e estremecido numa esperança de que a dor abafe as vozes. nem que por um segundo.
é, para você soaria doentio, eu sei. talvez até te afastaria? não sei. como eu disse, você não pode entender. nenhum de vocês. e eu não quero afastar as pessoas que amo. mesmo que algo dentro de mim às vezes sussurre que seria melhor assim. um favor. uma bondade.
sei que poucos tem a compreensão e paciência que exige segurar a mão de alguém como eu durante a sua luta. não os culpo. estou quebrada e não é responsabilidade de nenhum de vocês ajudar a pôr os fragmentos no lugar.
então coloco no rosto uma expressão despreocupada e minto mais uma vez:
"tô bem."
talvez assim eu também acredite.
mesmo que por um segundo.
anotaste.










