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“Que vida, hein? É hora de levantar e sacudir os farelos de biscoito recheado, garota. Não deu, não deu.”
— Gabito Nunes.
“Você é aquele tipo de pessoa inconfiável, seus movimentos são joguinhos manipuladores, seus discursos nem se fala. Já faz tempo que parei de guiar minha vida com suas frases de parachoque de caminhão. Fui embora. Agora de uma vez. Sem volta e sem conversa. Não estou dizendo isso porque no fundo te quero ralando joelho pelas ruas atrás de mim. Não dessa vez. Não vem com bombons, não vem com desculpas, não vem com canções. Não vem. Dá uma olhada em tudo que você fez e me diz. Viu? A novidade é que o dia que eu sempre prometi que viria, e que você nunca esperou chegar de verdade, veio. Eu cansei. Não sou mais eu. Contou os anos? Quanto tempo esperei por você? Você crescer, você mudar, você mostrar algum remorso. Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você. Só quem enfrenta longas esperas sabe como é o inferno por dentro. Eu sempre falei, um dia alguém tinha de te dizer não. Eu queria que não fosse eu, porque aí eu poderia ficar numa boa e assistir você sofrer, nem que seja calado num canto, mas sofrendo, mostrando algum arrependimento ou qualquer traço humano. Quem sabe eu até enfiaria os dedos ainda com anéis no meio dos seus cabelos e diria que tudo ficaria bem. Agora é tarde, meu anel já se foi, nem os dedos ficaram. Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando… Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um ‘até amanhã’ nem ‘até breve’ e nem ‘até mais’. É um ‘até você mudar’ ou ‘até você não ser mais quem você é’. Até nunca, então.”
— Gabito Nunes.
TALVEZ, EU NÃO VOLTE
Alguém tem que ser o mal educado. Pegar a carteira, as chaves, o celular e ir embora no meio da madruga. Não vai dar muitas satisfações, inventará alguma desculpa esfarrapada, dirá que trabalha cedo no dia seguinte ou que a mãe já ligou nove vezes. Vai se despedir sem dar tempo do outro retribuir alguma palavra. Não dará beijos de tchau, dizer “durma com deus”, “nos veremos amanhã!”.
Tudo mudou nestes últimos meses, as mensagens não tinham a mesma ansiedade de serem recebidas, as chamadas perdidas não ganhavam a felicidade de serem retornadas. A ânsia de contar as horas para minimizar a distância dos enamorados, passou a ser sinônimo de obrigação, de prisão. De deixar o ciúme falar mais alto, só porque alertava perigo, potencializava o medo de ser substituído por alguém melhor.
Foram meses de muita cerveja, vodka, sexo, cigarro e muita música. A gente se amou muito nestas últimas semanas. Tivemos a nossa maior batalha travada: conviver com as normalidades. Os barracos no meio da rua, pneus cantando no meio de uma via movimentada, acampamento com porre programado, viagens para a cidade vizinha, noites sem dormir, caixas de rivotril, desespero ao ouvir “sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagens…”, gritos de “me esquece”. O tempo, muito do abusado, não deu trégua para que nos recuperarmos dos nossos traumas, dos erros perdoáveis, das palavras ditas por bocas motivadas pela dor do retruque.
Hoje, é um dia que levantei sem ter uma nova mensagem. Não que eu a espere todas as manhãs, mas acredito que acostumei com o gesto. É normal eu revisar o celular a cada cinco minutos para checar uma nova atualização. Não que eu aguarde, só ainda não perdi o hábito.
Por mais que me pareça difícil, eu tenho que te deixar ir. Arrumar as malas, tirar as fotos que restam pelo quarto e tentar ocupar a mente com atividades quando a saudade bater. Tenho que ser forte, ler três livros ao mesmo tempo, se preciso for. Fazer aula de italiano, viajar, estudar culinária, cantar o refrão da nossa música favorita no inglês pronunciável apenas por mim. Preciso ter maturidade e admitir, que o interesse do relacionamento partiu. Todos me deixaram, até mesmo o amor. Saiu sem avisar, assustado no meio de tantas brigas, discussões, que preferiu ser educado e sair à francesa.
Ontem, enquanto eu arrumava minhas roupas, retirando algumas suas que havia ficado, encontrei uma sacola. Ela estava amassada, dobrada em mil partes, jogada no fundo do roupeiro. Resolvi apostar na teimosia e verificar se ainda pudesse ter algo dentro. Lá, bem no fundo, continha um papel esquecido com a seguinte frase: “Feliz dia 8, amor”. Era o dia oito de um mês, do nosso primeiro aniversário de namoro. Peguei a sacola, o papel, puxei a caneta e fiquei sentado em nossa antiga cama de solteiro com o cheiro de ácaro que tu tanto reclamavas…
A nossa história acabou, contudo, a amizade manda te dizer que daqui ela não sai. A única que pede alguma coisa neste momento é a mente, que precisará estar longe para curarmos as nossas dores e tirar tua presença de cena. Estaremos íntimos apenas pelo mesmo pensamento: seguir em frente. Arquitetando o plano de nos esquecermos, ou então, pelo menos, tentarmos.
Obrigado pelos dias de sol por aí, pelas longas noites de conversas, pelas gargalhadas ecoadas nas madrugadas vazias de Pelotas, pelas pedaladas sem rumo, pelos abraços em dias frios, por ter sido meus olhos quando as decisões me cegaram. Eu te amei tanto, que infelizmente não tive espaço para poder me amar de volta.
A vida está me chamando lá fora e a ti também. Aproveitei para pedir ao chefe lá de cima, que cuide deste sorriso, já que não estarei mais por perto. Vai viver! Que eu já vou me despedindo aqui, antes que as lágrimas borrem as lembranças dos meses mais felizes que tive nesses anos da minha vida. E ah, não me espera pra jantar hoje à noite. Talvez, eu não volte.
Guilherme Pintto
VOCÊ NÃO VAI MAIS ME VER
Nos próximos dias, você não vai me ver. E não é porque a verba tá curta ou porque eu não tenho como ir aí. Até arriscaria dizer que fui eu quem dei significado para "o interessado dá um jeito" todas aquelas vezes em que me desdobrei em mil partes pra chegar até você.
Você não vai me ver e dessa vez não é porque eu entrei em outra crise de baixa auto estima e tô de frente para o espelho apertando minhas gorduras e olhando para o meu rosto demaquilado enquanto penso em algum milagre que me faça ser bonita e suficiente pra você.
Nos próximos meses você não vai me ver e não é joguinho pra ver se sentes minha falta. Não é expectativa de qualquer iniciativa sua. Não é drama de quem romantiza o próprio sofrimento para no final fazer uma nova música sobre nós dois.
Você não vai me ver porque a tua ausência é o que me salva de ti. Ela não me machuca, não me culpa, não me decepciona, não me abandona. Ela me abraça e não me apunhala. Ela dorme comigo e no dia seguinte, permanece ali.
Sempre que estive em sua companhia, eu me despedacei. Por sorte, tua ausência colou cada parte de mim.
Desde que ela tomou seu lugar, eu não me magoo mais. Pela primeira vez eu te escrevo sem a intenção que isso chegue até você. Eu não preciso mais da sua aprovação, tampouco quero te convencer de algo.
Sinto em dizer que de agora em diante eu viveria mil anos com tua ausência, mas não sou capaz de suportar viver nem mais um dia sob o sol escaldante da tua presença.
Géssica Espíndola
Pode mandar textão, áudio com mais de um minuto, ligar depois das onze, gritar meu nome na janela, gargalhar de madrugada, buzinar avisando que chegou… Pode vir fazendo barulho! Porque gente fria pra mim, é gente morta.
Guilherme Pintto (via amorabusado)
Reciprocidade é uma via de mão dupla, o amor não se sustenta na intenção de um só.
Guilherme Pintto (via amorabusado)
Na verdade, não sou muito bom com as palavras. Sinto-me muito tímido e nervoso. Guardo tudo para pôr no papel. Tenho certeza de que o senhor ficará desapontado comigo, mas sempre fui assim.
Charles Bukowski, (via versificar)
Fica comigo, fica mesmo quando eu tiver mais uma daquelas crises de ciúmes, não me deixe mesmo quando ouvir um: “pode ficar com ela”, permaneça até quando parecer que eu estaria muito bem sem você e não precisa falar nada, apenas fique. Mas, ninguém nunca continua aqui por muito tempo, acontece que eu nunca quis tanto alguém como eu quero você, por isso te peço que não vá embora, gosto mesmo de você, tanto que sinto muito por não sentir pouco. Talvez esse seja o problema eu não sei sentir de menos, aqui dentro tudo é intenso desde a cortesia até o desprezo.
Acalentador (via nobroke)
Entenda. *-*