A Sagrada Eucaristia
A Eucaristia é o momento em que Deus se coloca numa posição de aparente fragilidade por amor.
Não porque Jesus precise de nós para ser feliz. Mas porque o amor deseja ser correspondido.
Desde de pequena, eu via meus pais comungando e sempre perguntava a mesma coisa: “Tá, mas o que eu faço nesse momento?” e todo mundo me dizia a mesma coisa. Pedir perdão, agradecer, pedir bênçãos… “o que tocasse o meu coração”.
Na minha Primeira Eucaristia, essa dúvida foi ainda maior. Vi meus colegas ajoelhados, rezando... todos pareciam saber o que estavam fazendo. Mas por algum motivo, eu não.
Olhava para os lados, me perdia enquanto rezava, procurava meus pais pela igreja, recomeçava a oração... lembro até de passar a semana decorando a oração de Alma de Cristo para esse momento. Acabou que na hora eu acabei esquecendo e tudo o que eu fiz naqueles minutos — que pareciam horas —, foi rezar um Pai Nosso.
Com o passar do tempo, eu consegui mudar isso, e devo dizer que foi bem melhor. Entretanto, eu achei, claro, um novo problema.
Eu havia visto em algum lugar que devíamos ficar pelo menos quinze minutos em ação de graças! Você já deve imaginar que logo fiquei sem saber o que fazer. Primeiro que, meus pais sempre tinham uma pressa de sair da igreja assim que a missa acabava. E depois que, como eu rezaria, direto, por pelo menos quinze minutos?
Um dia, numa missa Penitencial das 5h da manhã em que participei, eu decidi me recolher em oração.
Aquele horário, obviamente, era vazio. Eu tinha aula depois, estava até um pouco atrasada. Mas eu queria visitar o sacrário, e só tinha cinco minutos até que meu pai me buscasse. E algo surpreendente aconteceu.
Pela primeira vez, depois de um ano inteiro desde minha primeira comunhão, enquanto eu rezava, eu não me desconcentrava — nem por um minuto eu perdia o foco da oração e minha cabeça não voava para longe, como sempre acontecia. Os meus olhos estavam tão fixos em Jesus Eucarístico dentro de mim, que quando eu saí da pequena capela, eu me assustei.
A igreja estava vazia. As portas estavam fechadas. As luzes estavam apagadas. E o relógio já marcava 6:30. O que foi profundamente confuso, porque eu tinha entrado no Santíssimo às 6:00. Eu tinha certeza, não se passaram trinta minutos, apenas cinco. Apenas cinco minutos em que fiz as mesma oração que eu fazia todas as vezes.
Normalmente pensamos:
— O que Jesus pode fazer por mim?
Mas o amor sempre pergunta:
— O que eu posso fazer por quem eu amo?
E depois daquele dia, eu soube.
No momento da comunhão, Jesus encontra em alguns corações um pouco de consolação. Um lugar onde Ele possa descansar a cabeça, diante de toda a desordem, blasfêmias e insultos espalhados contra Seu Sagrado Coração por todo o mundo.
E que melhor jeito de amar, senão se doando?
Jesus nos chama a uma verdadeira generosidade, escolhendo fazer do nosso coração uma mansão de amor a Ele.
“Enquanto existir a Eucaristia, eu nunca estarei só. Enquanto houver um Sacrário, não terei solidão.” — Chiara Lubich
Essa frase vai muito além da devoção. Ela toca numa das promessas mais profundas de Cristo:
“Eis que estou convosco todos os dias.” (Mateus 28,20).
A Eucaristia é essa promessa com endereço. Você sabe onde encontrá-Lo. Há algo de muito reconfortante nisso, porque você pode perder amigos, pode mudar de cidade. Pode atravessar desertos espirituais, pode viver períodos de aridez.
Mas haverá um sacrário.
E do lado daquela luz vermelha, estará o mesmo Jesus.
O mesmo. Sempre.
Quando eu era pequena, pensava que a ação de graças era o momento em que eu precisava dizer alguma coisa a Jesus.
Hoje, continuo não sabendo de muitas coisas sobre o Mistério de Corpus Christi. Mas começo a suspeitar que a ação de graças seja, antes de tudo, o momento em que Jesus quer permanecer comigo.
Sempre achei que aquela foi a minha melhor ação de graças, que foi extraordinário o que aconteceu comigo.
Mas, talvez, eu não precise de comunhões extraordinárias para amá-Lo.
As vezes, tudo o que eu tenho a oferecer é um silêncio de atravessar a alma, mas que ainda diz tudo. Porque, depois de atravessar o mundo inteiro escondido numa hóstia, o Filho de Deus não procura discursos perfeitos.
Procura um lar. Fiel, onde possa te encontrar toda vez que precisar descansar.
E, meus amigos, que alegria saber que um coração humano pode se tornar a sua morada!
Hoje celebramos Corpus Christi, que existe justamente porque algumas verdades merecem ser repetidas para sempre.
A Igreja passa dois mil anos repetindo a mesma coisa diante da Eucaristia: “Meu Senhor e meu Deus.”
E nunca fica velha.











