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@arabelles
Beauty and the Beast: Lost in a Book quote
hellawellinblack:
O som suave da voz vinda da moça em sua frente o fez notar sua presença pela primeira vez desde que entrou. Se ele não fosse um ser sobrenatural provavelmente teria dado um pulo de susto, mas não era o caso, o loiro então suavizou sua expressão esboçando um sorriso de canto para a jovem. “Sim, eu procuro pelo responsável pela recepção.” Assentiu uma vez erguendo uma sobrancelha e manteve o quase sorriso. “Oh, tudo bem obrigado, senhorita…?” Apertou os olhos esperando que ela completasse a frase para se apresentar. “Não sei se é pedir demais, se não for incômodo, você poderia me acompanhar até lá? Eu tenho um dom para me perder nos lugares mais fáceis.” Confidenciou num tom baixo e olhou em volta, sorrindo mais largo ao dar de ombros.
A faerie assentiu gentilmente, sorrindo de um jeito simpático. “Arabelle. Ou Belle.” Estendeu a mão para que o híbrido pudesse apertá-la. “E você é...?” Levantou uma sobrancelha sugestivamente, esperando pela resposta do rapaz. “Está tudo bem, eu posso levá-lo, sim. Não lhe culpo, entretanto. Eu já me perdi aqui na Cat & Shadow algumas vezes. Principalmente pelo espaço ser razoavelmente grande, já que serve de estalagem e pub ao mesmo tempo.” Riu fraco, fazendo um sinal para que ele pudesse acompanhá-la. “Por aqui.” Instruiu-o, começando a andar. “Teve uma vez que eu entrei pelo lado da hospedagem ao invés do lado do pub. Uma, não. Várias. Com o tempo, você vai se acostumar. Pretende morar aqui?”
gashriese:
“Obrigada.” Ela respondeu com um sorriso. Ash acreditava que seu caso se tratava mais de prática e esforço do que de talento nato, mas não iria argumentar a respeito. “Sempre é uma palavra forte” ponderou. “Mas há séculos que comecei a pintar. Quando fiz minha primeira tela, mulheres sequer tinham permissão para serem artistas.”
“Talvez sim, talvez não.” Arabelle sugeriu gentilmente, ainda observando o quadro com atenção. “Sério? E como era aquele tempo? Como é que você pintava escondido de todos?” Perguntou, voltando a olhar para a bruxa com uma certa curiosidade. A faerie adorava ouvir relatos da vida das pessoas, principalmente se eram relatos tão interessantes como aquele.
rcukan:
Uma risada bufada suavizou a expressão do mais velho. — Apesar de eu gostar de uma boa briga, não foi isso. Acho que me afobei demais com uma bolsa de sangue e ela acabou estourando.
“Oh. Right. Esqueci por um momento que você era um híbrido e se alimentava de sangue.” Arabelle ainda parecia chocada com o que via, mas suas feições se suavizaram um pouco ao ouvi-lo falar. “Céus. Nesses tempos difíceis, qualquer coisa está me deixando apavorada.”
— Sinto que eu não deveria perguntar sobre isso, já que todos parecem evitar o assunto mas… Ouvi boatos sobre um ataque de caçadores. O que aconteceu, exatamente?
Arabelle soltou um suspiro antes de começar. “Bem, houve um ataque estranho nas províncias há algumas semanas atrás. Um lobisomem foi morto. Encontraram evidências de caçadores no corpo do lobisomem, algo como balas ou flechas com o símbolo dos caçadores entalhado nelas. É por isso que todos estão apavorados. Antigamente, havia uma forte proteção de cinco quilômetros de distância da cidade, formando as províncias. Nenhum humano conseguiria ultrapassar essa proteção, eles não sentiriam vontade de seguir em frente. Mas agora... Tudo mudou.”
Eu ouvi algumas coisas sobre caçadores por aqui, eu nunca cruzei com um deles, será que são uma ameaça mesmo? Quer dizer, são humanos comuns, sem nenhuma habilidade especial, quão perigosos podem ser?
Ah, foi mal, você queria comprar um sanduíche? O que tem para trocar por ele?
“São, sim. Nem todos os humanos são perigosos. Meu pai e minha mãe, por exemplo...” Arabelle soltou um suspiro e mirou para o nada por um breve momento, melancólica. Mas ela logo voltou à realidade, retomando a conversa. “Os caçadores que estão atrás de nós são sim, perigosos. Afinal, eles querem o nosso mal. Querem nos matar. Mas existem humanos bons nesse mundo, entretanto. Só não são os caçadores...” Em seguida, a faerie tirou do bolso duas moedas de ouro. “Duas servem?”
O que te deixou com essa carinha triste? Pode desabafar, é pra isso que servem garçonetes.
“Ahm... Não foi nada, é só o final de um livro que eu li que me deixou muito triste.”
Os pés descalços saíram da escuridão das árvores, o vestido que antes era claro e florido, agora estava sujo e manchado. Diferente de quando chegou, Eleanor não sorria enquanto olhava para a silhueta à sua frente. — N-não… — Era difícil falar com aquela sede. Os olhos estavam fundos e o rosto mais pálido do que o normal. — Não diz pra ninguém que eu tô aqui… — A caravana do circo havia deixado a cidade à alguns dias e, desde então, ela ficara escondida entre as árvores, até aquele momento. E se não a deixassem ficar?
“Ellie!” Arabelle se assustou ao ver a pequena vampira daquele jeito, com os olhos tão fundos e com sua aparência tão judiada. Eleanor estava perdida e estava com medo, era o que Arabelle sentia. “O que você está fazendo aqui?” Rapidamente, se aproximou da menina e se ajoelhou para ficar da sua altura. “Onde estão seu pessoal?” Perguntou, mesmo tendo uma impressão de que já sabia a resposta. A primeira coisa que Belle faria seria alimentá-la e levá-la para casa, para que pudesse cuidar de Eleanor por tempo suficiente até que algum vampiro ou outro sobrenatural competente a adotasse. Não que a faerie não fosse, mas achava melhor que a pequenina vivesse sob o mesmo teto de um sobrenatural da mesma espécie, ele ou ela saberia o que fazer em caso de extrema urgência. Mesmo Arabelle sendo extremamente culta e sabendo quase tudo sobre quase todas as espécies existentes no mundo, ela não era uma vampira.
Se eu fosse você não perderia tempo lendo esta porcaria. É tudo idiotice o que está escrito ai. E ainda por cima foi escrito por uma mulher, uma humana, ridícula que não sabia o que estava fazendo. As pessoas deveriam ser proibidas de escrever livros como esse. É ridículo!!
Arabelle olhou do livro para Dinah, um pouco confusa com a reação da anjo caído. “Ah... Você conhece a pessoa que o escreveu, Dinah? São apenas livros fictícios, eu adoro ver os humanos tentar escrever uma ficção sobre nossas espécies, mesmo sabendo que eles nunca acertam. Não há para que ficar brava.”
Eu não pintava há quase cinquenta anos, mas, por algum motivo que apenas os céus podem dizer, hoje senti vontade de fazer uma tela. O que acha? Pode ser sincerx.
“É um belíssimo quadro. Você tem muito talento. Uma vez talentosa, sempre talentosa. Não importa quanto tempo passar.” Arabelle elogiou enquanto apreciava a obra da bruxa. “Você sempre gostou de pintar? Teve aulas de pinturas ou aprendeu por si só?”
— Por que essa cara tão séria? O sangue não é meu.
“O que você fez? Se envolveu numa briga? Logo um líder?!”
— E então foi isso. Foi assim que eu vim parar aqui em Unnatural. E você? Como chegou aqui?
“Bom... Minha mãe disse para mim e para meu irmão que o melhor lugar para se viver seria em Unnatural Falls, visto que minha aldeia estava cheia de caçadores. De início, eu não quis vir. Passei por outros lugares antes de chegar em UF. Mas o lugar mais seguro é aqui. Pelo menos era até algumas semanas atrás...”
O Museu não era muito movimentado. Fazia apenas algumas horas que Cassiel acordara de seu choque com o solo, o corpo de sua casca não estava totalmente recuperado, haviam queimaduras, arranhões e cortes espalhados tanto pelos braços quanto pelo torso, mas estavam escondidas pelas vestimentas. Segundo a bruxa que estava ao seu lado no momento em que abrira os olhos, ter uma ocupação ali seria mais fácil para se adaptar. Cass, claro, aceitou de bom grado, mas isso não queria dizer que estava de fato confortável. Sentado no balcão na espera de alguma atividade, o loiro surpreendeu-se ao, finalmente, ver alguém entrando. “Hey, olá!” saudou, um meio sorriso não tardando em aparecer em seus lábios rosados. “Chamo-me Cassiel, acabei de começar aqui então não faço ideia da maioria das coisas… mas vou tentar ajudar-lhe, só não prometo conseguir de primeira.”
Frequentadora assídua do Museu Mafaraxas, Arabelle passava horas e horas naquele local, apenas explorando e re-explorando as mais diversas histórias sobre todas as criaturas que ali viviam, além de aprender um pouco mais de Unnatural Falls. Naquele dia, porém, a faerie havia chegado um pouco mais tarde do que de costume, visto que havia feito uma faxina enorme pela biblioteca em que trabalhava. E lá estava a loirinha, indo explorar o museu pela milésima vez. Tudo estava como da última vez que viera... Exceto por um rapaz loiro, sentado no balcão. Belle nunca havia o visto na vida, provavelmente era novo na cidade. Só pelo seu jeito de falar, a faerie percebeu que ele era um anjo. “Olá.” Um sorriso simpático surgiu em seus lábios enquanto caminhava na direção de Cassiel. “Muito prazer, Cassiel. Me chamo Arabelle. Venho sempre para o museu, você vai se enjoar do meu rosto rapidinho.” Soltou um risinho antes de continuar. “Conheço esse local muito bem. Se quiser, posso estar te ajudando a decorar todas as alas.” Ofereceu, sentindo as bochechas corarem levemente.
O ar da cidade era diferente de qualquer outro lugar em que estivera, ele tinha que admitir. Sim, literalmente o ar. Claro, outras coisas também, as pessoas de diferentes espécies, as vestimentas. O vampiro estava tentando o máximo possível não rir de algumas criaturas que usavam roupas um tanto peculiares. Aquilo poderia parecer preconceituoso ou rude então manteve o humor para si mesmo. Julian estava na cidade há dois dias e ouviu falar de um lugar que oferecia hospedagem e de quebra ainda era uma taberna. Chegando no lugar indicado, o loiro se aproximou de um balcão, olhando em volta discretamente, apertou o sino que estava disposto sobre a mesa e aguardou ser atendido. “O que eu tenho que fazer para me hospedar por aqui afinal?” Perguntou baixo com um leve toque de irritação na voz por estar esperando já alguns minutos.
Belle havia observado o novato desde o momento que ele havia adentrado a Taberna. Um híbrido, notara. Mais um ser de uma das espécies que mais arranjavam confusão na cidade. E o moço na sua frente certamente exalava confusão, com seu jeito irritadiço de agir. “Me desculpe, mas você está procurando o responsável para hospedagem, certo? As hospedagens são no final do corredor, à direita. Aqui são os achados e perdidos.” Informou-lhe enquanto pegava um livro de uma caixa que estava em cima do balcão.
“Touro com ascendente em Escorpião? Olha, eu sinto muito, mas esse mapa é extremamente cabeça dura. Na verdade, eu costumo dizer que o lema deles é: ‘se arrepender? jamais, mais fácil quebrar um braço do que olhar para trás’. E quando se tem poder de cura, quebrar o braço não é exatamente algo difícil. Opa, só um minuto.” Cordelia conversava com um cliente no local em que trabalhava, Waverly Coconuts, após uma pergunta sobre astrologia. Sendo uma grande fã de observar as estrelas e os planetas, a sereia amava astrologia. No minuto em que terminou de falar, viu outro cliente se aproximar do balcão, e foi logo dar atenção à elx.
“Olá, boa tarde, bem-vindx ao Waverly Coconuts. Eu sou a Cordelia, e depois de 150 anos, não é possível que as pessoas não saibam disso. Brincadeira, em que posso te ajudar?”
Arabelle estava se aproximando lentamente do balcão, tentando não fazer muito contato visual com a atendente, visto que não queria atrapalhar a conversa. Não estava com tanta pressa para pegar os cocos e tinha certeza que podia esperar por mais cinco minutos ou dez. Mas a sereia logo desistiu do cliente, e Belle não teve escolha senão manter o contato visual, não antes de se desculpar por ter interrompido a conversa. “Olá, me desculpe por atrapalhar a conversa. Como vai hoje, Cordelia?” Um sorriso simpático surgiu nos lábios da loirinha antes de continuar. “Gostaria de dez cocos, por favor. Precisarei deles para um ritual que haverá nesse fim de semana com as outras faeries.”
“ —— Depois dessa festa descobri que eu tenho cara de criança e não passo nenhuma credibilidade, principalmente com medo de palhaços. Será que ninguém consegue entender que a juventude eterna é tentadora até para alguém como eu? Isso não significa que eu realmente tenha dezessete anos e seja uma jovenzinha. ”
“Por que diz isso? Quem disse algo sobre você? Arwen, você tem que aprender a deixar os comentários bobos de lado e focar nos positivos: Você passa muita credibilidade, principalmente pelo fato de você ser líder. Esse pessoal que te disse algo, ou são muito novos, ou são ignorantes.”
“Você pensaria que oito meses teriam me habituado à quantidade de cheiros nessa cidade, mas ainda torço o nariz de vez em quando. Não de um jeito ruim, juro, é só bastante coisa pra processar ao mesmo tempo. A energia também é incrível, me sinto constantemente conectada a algum tipo de… bateria infinita ou sei lá.”
“Que tipo de cheiros você se refere? Bem, logo logo você acabará se acostumando, e esse é um conselho de uma faerie de 320 anos, que está aqui há três séculos. Mas pode apostar, a energia é um dos fatores mais mágicos da cidade. Aprendi a gostar daqui por causa dela.”