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— open
— Biblioteca • Casa da Vida
Gus não conseguia se lembrar de uma época em que não tivesse se sentido confortável entre os livros. Talvez aquele fosse o único lugar (ainda que não fosse sempre o mesmo e sequer fosse um lugar) em que se sentisse assim. Não queria parecer ingrato, longe disso. Fred bem devia saber àquela altura que, se não fosse por ele, Gus já teria se perdido por aí, entre os becos cinzentos e úmidos da velha cidade inglesa. A Casa da Vida era acolhedora e, depois de tanto tempo, ele já se sentia à vontade ali. Até pertencente. Mas os livros sempre estiveram lá, de um jeito ou de outro, mesmo que fossem roubados, velhos e puídos, ou que as letras se embaralhassem diante dos olhos escuros que se estreitavam, tentando desvendá-las na luz fraca do quarto compartilhado.
O fato é que Augustus Bramwell nunca teve algo a que se apegar, não de verdade. Teve Faith, mas Faith não era sua. Não se pode ter uma pessoa, embora ele desejasse pertencer a alguém mais que tudo. Teve um ou outro amigo pelo caminho, mas nenhum deles perdurara. É claro, ele não se eximia da culpa. Para falar a verdade, quase toda ela caía sobre seus ombros. Nem seu próprio sobrenome era seu. Ainda se lembrava de ser questionado a respeito do nome e buscar entre os letreiros da rua por uma palavra que soasse boa o bastante para compor o seu. Entre lanchonetes e lojas de departamento, foi o nome de uma oficina mecânica que roubou. Bramwell. Não sabia o que significava ou a quem pertencia antes dele, mas aquilo já não faria diferença. A ausência de um também não tinha feito, mas gostava de como soava em sua língua afetada pelo sotaque britânico.
Sentiu a atmosfera mudar e a cabeça inclinou levemente, indicando sua percepção. Ergueu os olhos das páginas apenas o suficiente para encarar o piso que ressoava o toc-toc dos sapatos de quem se aproximava e, discretamente, cobriu o velho papiro e fechou o caderno de notas, escondendo seus rabiscos que formavam suas anotações. Não que fossem algo sigiloso ou tão importantes que sua confidencialidade fosse necessária, mas assim era Augustus — tão desconfiado quanto possível.
Sempre achou curioso como os pelos da nuca se eriçavam quando sentiam a energia de um olhar. Eras de estudo e avanços tecnológicos quando o mecanismo mais evoluído do homem ainda era seu instinto animalesco. Disfarçou a sensação pousando a mão na região despretensiosamente. — Precisa de ajuda em alguma coisa? — Questionou, por fim, insatisfeito por ter que abandonar seus estudos e se prestar ao papel ao qual tinha se submetido ali.
O toc- toc parou e Gus ergueu as sobrancelhas, curioso, girando até estar de frente com MUSE. Não era comum que a biblioteca recebesse visitantes, especialmente àquela altura do dia. Ultimamente, é claro, os curiosos às vezes acabavam atravessando o portal e espiando aqui e ali, mas ele não podia julgar — fazia o mesmo nos outros institutos e acampamentos. Dessa vez, entretanto, Gus de pronto reconheceu a fisionomia de sua companhia. Levantou-se com casualidade e encurtou a distância que os separava, — Ah, é você. Tá procurando alguém?
Com tudo que tinha acontecido na sua vida nos últimos meses, ainda não tinha se acostumado com a existência das mitologias. Claro que agora não tinha mais como negar, ela mesma tinha estado em contato direto com uma deusa, mas ainda parecia que estava vivendo um filme de ficção, e não a vida real, sua vida até então era qualquer coisa menos mágica e fantástica, parecia que a qualquer momento iria acordar de um coma e se ver de volta na prisão.
Por muito tempo questionou a existência de Deus, começou a se entender como ateia muito nova, já que não conseguia conceber a idéia de existir um ser todo poderoso que permitia todas as atrocidades que aconteciam com ela. Descobrir que não existia um, mas vários deuses, que todos a negligenciaram e que algum poderia ser seu pai ou mãe era ainda pior. Agora só queria descobrir logo quem era seu parente divino, para assim saber quem ela era e depois poder começar uma nova vida, em um novo lugar, com a sua nova identidade. Se afastaria de tudo aquilo o quanto antes. Mas primeiro, teria que participar da guerra.
Aquilo era o que tinha levado para a Casa da Vida. Ela na verdade não poderia se importar menos em explorar esses lugares mágicos ou com os outros panteões, mas a mulher para qual trabalhava agora tinha lhe dito algumas informações das quais ela se quer sabia interpretar por sua falta de conhecimento em mitologia, então agora teria que estudar as religiões antigas para se fazer útil, e assim foi parar naquela biblioteca.
❛ Você me conhece? ━ Foi o seu primeiro questionamento para o rapaz. Lembrava te te-lo visto aqui ou ali, não era um rosto fácil de se esquecer, mas não lembrava de já terem tido uma conversa. ❛ Na verdade, estava procurando um livro, não sei se gente fora da Casa da Vida pode alugar mas, não custa tentar.
Aquela era a primeira vez que realmente batalhava. É claro que, o mês que ficou em treinamento com Psiquê havia a preparado para aquele momento, e não é como se tivesse passado seu tempo com uma instrutora boazinha, muito pelo contrário, a deusa fazia questão de que Aryadne continuasse treinando até não conseguir levantar mais do chão e, mesmo assim, fazia questão de declarar aquilo como uma derrota. Mas aquela era a primeira vez que tinha um inimigo real para lutar contra.
Toda aquela situação era diferente do que estava acostumada. Provavelmente a um mês atrás se quer iria ter interesse em uma atividade do gênero, mas agora participar era o seu dever e nem pensou duas vezes quando se alistou ao time de Sobek. Ao começar a batalha, os outros participantes pareciam saber exatamente o que fazer, enquanto ela ficou para trás olhando o que estava acontecendo, ainda achava estranho como tanta gente ficava tão animada para uma luta corporal e a facilidade que eles tinham para manejar armas e por alguns minutos ficou ali, parada, atrás de todos e observando o que acontecia no campo como se fosse uma espectadora, isso até se lembrar das palavras de Psiquê a alguns dias atrás, ela não estava mais lá para observar.
Agora corria pelo campo procurando o que fazer, mas não era de seu instinto ir atrás desse tipo de confronto. Contudo, pode de longe avistar uma cena da qual sabia que poderia se inserir. Não conhecia @dcvilstoy, mas tinha guardado o seu rosto quando olhou para as pessoas que pertenciam ao grupo de Sobek e a parceira de time estava encurralada entre @graceparaiso e @trvlkkn, então, enquanto corria na direção da luta das três, lançou sua kunai na direção de Torvi (-52,5HP). Quando chegou ao cenário que acontecia a briga, pode ver que a lâmina havia acertado em cheio o ombro direito da inimiga, agora fincada ali. ❛ Trabalho em equipe, né? ━ Disse para Faith, agora ao lado dela.