he wasn't even looking at me and he found me

oozey mess
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
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O que me dói não é O que há no coracão Mas essas coisas lindas Que nunca existirão…
Fernando Pessoa
Você é um idiota. É um babaca cretino e sabe disso. Você frusta todas as expectativas que eu já tive em relação à alguém pra mim. E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu gosto, é pra você que eu volto… sempre.
Caio Fernando Abreu.
"Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro. Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem. Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. Amar com coragem, só isso.”
Fabrício Carpinejar.
Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar.
Caio Fernando Abreu.
Quem procura as melhores palavras, ainda não está certo. Devemos procurar o melhor silêncio. O silêncio exato. Não me esqueço o dia em que não fizemos nada, nada mesmo, parados, nos olhando como cúmplices, rindo a esmo, abraçados, olhando a janela como um vinho aberto. O futuro passeava pela janela. Talvez tenha me visto de mãos dadas com ela na velhice ou na infância. Não importa em que tempo estávamos. No nosso idioma, as pequenas gentilezas, como empurrar a cadeira para sentar ou amarrar os cadarços um do outro, já são suficientes para nunca esquecer os dias.
Fabrício Carpinejar
De manhã escureço
De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo.
A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte.
Outros que contem Passo por passo: Eu morro ontem
Nasço amanhã Ando onde há espaço: – Meu tempo é quando.
Vinícius de Moraes
Me deixa ser quem faz o laço da gravata do mordomo que te serve o jantar, me deixa ser o suporte que segura a tela plana da sua sala no lugar, me deixa usar o pé pra equilibrar aquela mesa bamba que você aposentou há mais de um mês, me deixa ser a sua estátua de jardim, o seu cabide de casacos, só não me tira de vez da sua casa. Eu posso ser a empregada da empregada da empregada da empregada do seu tio. Me deixa ser o seu pinguim de geladeira, eu fico uma semana inteira sem mexer, me deixa ser o passarinho do relógio que de hora em hora pode aparecer, pra eu te ver… Me deixa ser quem passa a calça que você precisa usar no seu jantar à luz de velas com alguém me deixa ser quem deixa vocês dois de carro em um restaurante caro. Só não deixa eu ser ninguém na sua vida.
Clarice Falcão.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
Martha Medeiros
talvez eu seja uma margarida. comum. desespero (pétalas amarelas) rodeado pela paz (pétalas brancas). mas viva. viva. às vezes, tão leve e solta, que o vento me carrega. às vezes, tão enraizada. mas sempre murcho. e sangro.
Costumo levar coisas para ler para que eu não tenha de olhar para as pessoas.
Charles Bukowski
A vida me fode, não nos damos bem.
Charles Bukowski.
Mas não dá para todo mundo ser tão incrível como você.
A culpa é das estrelas.