Carta aberta a você que hoje eu desconheço
Você a quem tanto me entreguei e nada significou. Como você está nesses últimos meses? Eu gostaria muito de saber. Mas não, não por mera curiosidade, mas por, infelizmente, ainda me importar com você. Vez ou outra, me pego questionando sobre como vai essa sua sorte infinita de encontrar coisas e pessoas que te fazem ficar excitada e brilhar os olhos. E como se sentem essas pessoas que conseguem prender tanto a sua atenção? Como deve ser para elas serem procuradas naturalmente por ti? Como será ser desejada por ti? Ah, era tudo que eu sempre quis, não é mesmo?
Desde o início, quando me apaixonei pelo o que eras, o meu desejo era ser dona da tua atenção. Mas e você? O que você desejava sobre mim? Se é que desejavas algo, não é mesmo? Acho que eu nunca te enchi os olhos. Aparentemente, eu estava ali para quando você não se sentisse compreendida por alguém e só. E adivinha? No final, as conclusões eram suas, todas suas e quem era eu mesmo? Uma amiga. É mesmo. A amiga em quem você podia confiar e falar sobre tudo. Se esse é um bom papel? Não acho que seja ruim, de todo não é ruim.
Mas de que valeu o meu esforço de ir além? Não, não a culpo por, inicialmente e em certos momentos, querer avançar a suposta barreira da amizade. Depois, eu realmente compreendi que você separava os dois lados e tudo bem por isso. Eu te amava tanto que ter sua amizade para mim era esplêndido, era me encher de um jeito que você nunca percebeu ou imaginou. E não, eu não ligava quando me diziam que eu fazia tudo que fiz muito mais por ti, do que por mim. Eu enfrentei pessoas que eu nunca quis enfrentar por você. Aliás, eu sigo te defendendo aonde quer que eu vá.
Você me marcou e hoje eu aceito isso por inteiro. Hoje eu aceito porque você também me fez um bem imenso. Foi a você, a primeira que confidenciei coisas e questões que para mim eram tão importantes e que definem partes do que sou hoje. E se você ainda estivesse aqui, eu continuaria, você sabe que eu não consigo dizer não para ti, que contigo eu não sei ser a pessoa fechada que sou para o mundo.
Porém, acho que finalmente estou aprendendo algo que você já tem a muito tempo. Estou me desintoxicando de relações que me fizeram amar de forma doentia. Hoje, eu estou buscando a brisa que eu sentia na praia nas vezes em que você me olhava e sabia o que nós duas estávamos sentindo naquele momento tão singular.
Eu não disse adeus e nem direi. Eu não sei lidar com partidas ainda, e logo, deixo-me pensar que sempre há um possível retorno e por que não?
Só mudará que agora eu compreendo que a minha importância para ti é mensurável. Mas, tudo bem. Eu também estou aprendendo a lidar com isso. Assim como você, estou construindo o meu castelo. Infelizmente, não reinaremos juntas, mas você tem um pedaço de mim e eu também te guardo comigo.
Obrigada por tudo de qualquer forma. Eu sei que você foi uma das mulheres que amei e que me ensinou a ser mais mulher também. Não há culpada nessa nossa história. Há apenas a vida com suas danças e desalinhos dos caminhos que juraram ser para sempre. E realmente, não foi falta de aviso teu. Você sempre disse que não seria para sempre e não foi.
de sua eterna admiradora.