Ao meu bem, eu digo Adeus
Era pra ser só mais um dia normal, peguei minhas coisas e me direcionei pro trabalho.
No caminho comprei um caldo, alguns pãezinhos e segui meu caminho como sempre. Entrei no ônibus e sentei ao lado da janela, botei meu fone, botei minha playlist favorita e durante uma das músicas tocadas, lembrei de você. Ao escutar ela, uma lágrima escorria em meu rosto.
Nossa, aquelas músicas tem diversas histórias, nossas fugas noturnas para o fast food que ficava longe mas a fome e folia de sair casa era maior do que a preguiça referente a distância, no caminho íamos cantando e rindo. Lembrei também daqueles domingos que íamos na praia para ver o pôr do Sol, ficávamos lá em cima admirando a paisagem e fazendo planos. Lembrei também daquelas festas que íamos com a galera e sempre algum de nós dois exagerava, quando não era os dois, curtindo sempre como se não houvesse amanhã.
Como aquelas músicas podiam definir tanto nós dois? Uma singularidade intensa e contínua que me fez tão bem e que após um vendaval sem previsão destruiu tudo.
Tu foi pra faculdade e eu tava lá terminando o ensino médio, lá tu conheceu pessoas novas e quis experimentar o mundo, esse mundo não me incluía, esse mundo era novo pra ti e tu não esperou para descobrir juntos, tu tinha pressa, tu sentia que aquilo podia acabar. Então tu me virou as costas e após tanto tempo de mãos dadas, tu me soltou, tu seguiu em frente bem rápido e as coisas pra mim não eram assim. Tu tinha medo de tudo acabar antes que tu pudesse viver, tu foi fundo e quando eu acordei naquele dia, com aquela notícia, eu não quis acreditar.
Tu estavas morto, uma overdose foi o que me disseram, tu estava em uma festa e lá se exaltou. Ninguém soube explicar como aquele jovem foi tão longe.
Meu bem, tu foi com tanta paixão por esse novo mundo e dele tu não conseguiu sair, acabou tão rápido e eu não consegui te acompanhar. Talvez se eu tivesse segurado a tua mão com mais força, tu não teria ido embora, talvez se eu tivesse te acompanhado eu estaria no mesmo lugar que você, são incertezas que me corroem até hoje...
O sorriso que tinha no seu rosto, o teu olhar confuso, o jeito como tu falava sobre teu futuro, sobre o nosso futuro, o teu abraço, cheiro, o jeito que tu ficava incomodado em lugares fechados, o jeitinho que toda hora tu ajeitava teu cabelo, o teu ar irônico e icônico. Podia me fazer de ex louca e dizer que te odiei após o término mas o único momento que tal sentimento esteve em meu coração foi quando recebi a notícia, eu te chamava de burro, chorava de ódio, amargura, dor, tristeza e após tanto tempo chorando eu simplesmente me isolei, palavras não eram mais o meu forte.
Eu cheguei na parada do trabalho, enxuguei as lágrimas, desci do ônibus, caminhei mais um pouco até o prédio, no elevador aquilo me remoeu por dentro, no andar principal corri pro banheiro pois não contive minha dor, dei um tempo pra mim até que mais uma vez limpei minhas lágrimas e me direcionei a minha função.
Vi postagens falando sobre você como exemplo de um erro na sociedade, vi postagens em que você era uma vítima dos submundo, vi postagens de pessoas que te amavam se despedindo, vi postagens de pessoas que nem ao menos sabiam teu nome te chamando de "pobre coitado", após tantas mensagens, após tanto tempo, eu vim falar sobre você aqui, pela primeira vez, então meu bem, apesar de não saber se tais palavras são ao vento, eu deixo aqui meu sentimento. A minha falta.
Ao meu bem
-Avley.















