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@bae-jk-blog
[cha-yeonwoo]
—Jura? Você quase que parece os alunos daqui. Não sei se isso vai ser um elogio ou insulto pra você, mas… — Deu de o ombros desviando olhar para janela rapidamente. — Concordo plenamente, até porque eu já fui uma dessas, pega nas revistas, tinha por sinal, escondido uns cigarros dentro de um livro… E não vou nem comentar a vez que tentei entrar com um canivete aqui, como se eu precisasse dele para matar alguém. — A mulher riu se divertindo só de lembrar de tais situações, sentia falta dessa época. — Você é bem legal, parece uma boa pessoa, não sou muito dessas, já vou avisando. Bom, pra mim pegar as coisas do aluno também não faz muito sentido, mas é bem mais divertido que simplesmente comprar, sem falar que eu não tenho muito dinheiro para sair gastando… — Relembrou fazendo uma careta.— Tudo bem, vou dividir com você, vai ser a minha boa ação do ano!
— Acho que serve como os dois... — Refletiu um pouco. — Também me pergunto o que você faria com um canivete aqui, a não ser que realmente fosse para matar alguém, mas espero que não. — Acompanhou a mulher no riso, embora o seu houvesse ganho um certo tom de nervosismo. — Obrigado, você também não é nada mal. Vou tentar não me acostumar com os seus momentos de bondade, então, e aproveitar os que você já está tendo agora, aceitando compartilhar comigo e tudo mais. — A propósito, eu me chamo Bae Joong Ki, professor de Literatura. Você é?
[jnyian]
Desculpa, é o costume. Nem todo mundo aqui gosta de ser tratado de maneira informal… mas tudo bem, eu posso te chamar apenas de hyung. Hm, eu não vou negar que gosto de ser o centro das atenções um pouco, então não me importo se eles gostam de falar de mim. Fazia sim, com as matérias exatas. Eu sinto muito em destruir a bolha dos teus sonhos, mas eu sempre odiei cálculos. E aí entrei pra faculdade de enfermagem e quando conheci o cálculo de medicamentos foi a primeira vez que eu pensei de verdade em me matar.
Tudo bem, eu sempre testo meus colegas de trabalho os tratando primeiro de maneira formal. Posso dizer que muitas das pessoas que conheci aqui são tão abertas nesta questão quanto eu, o que é maravilhoso... Você gosta de ser o foco dos estudantes? Hahaha. Queria ter a mesma confiança. Se algum deles pisa “fora da linha” por minha causa eu fico um pouco nervoso, talvez porque isto já tenha sido exposto diretamente a mim, o que acaba exigindo uma resposta que eles não gostam de ouvir. Mas tento levar com humor, já que muitos não devem dizê-lo seriamente. Ah, com matérias exatas, não me surpreendo. Eu fazia o mesmo, só que com as disciplinas biológicas. Estava sempre no pé dos meus professores implorando por créditos extras, e algumas vezes dava mesmo certo... Deve ser por isso que alguns estudantes da Keiwang são tão insistentes tratando-se do assunto.
[spacexrupture]
“Vocês, preciosistas dos livros.” Suspirou teatralmente, mas sorriu com leveza. “Livros são incríveis, mas continuam sendo objetos. Claro que a gente não pega uma edição dessas”, indicou o livro limitado nas mãos do professor com o olhar e logo o pegou em mãos, cuidadosamente, “E marca com marca-texto ou sequer lápis. Mas não sei ler sem marcar. Gosto de relembrar as passagens e depois, quando reler o livro, lembrar do momento da minha vida e as citações que falavam comigo. Mas não se preocupe, você nem vai notar que eu o li.” Tentaria, sim, ser cuidadosa, mas mais por ser o exemplar de seu professor e por amor a própria vida que por vontade de ser exemplar.
“Suspense? Clima? Conte-me mais sobre essa sua preparação para a Keiwang; esse antro de alunos tão exemplares.” Não via necessidade de maquiar a realidade e, portanto.deixava a ironia ser o seu medidor de humor. “E pode ter certeza que eu quero ver o restante do seu acervo pessoal.”
— Exatamente. Eu normalmente não me incomodaria do livro ser marcado, mas edições especiais merecem o meu lado mais preciosista. — Sorriu com satisfação ao vê-la segurar o livro com cuidado. Tinha quase que plena certeza de que não seria decepcionado com a devolução. Algo sobre aquela conversa gritava “amantes de livros”, e se ela realmente gostava deles tanto quanto Bae o fazia, embora ainda se tratasse do que a garota chamara de simples “objetos”, saberia o que (não) fazer ao ter um dos bens mais preciosos do professor consigo, ainda mais com a proposta do acervo em jogo. — Eu costumava fazer isso de marcar as páginas muito tempo atrás, inclusive tenho muitos livros cheios de anotações, mas tive um “problema” com canetas que mancham, então passei colocar minhas partes favoritas ou pensamentos em uma folha a parte, que anexava à última página do livro, ao terminar. Sempre que eu o abrisse, então, estaria lá, a página extra que coloquei. E se eu não a encontrasse, significaria que eu ainda não li a obra em questão. — Sua expressão enquanto contava era, no mínimo, vitoriosa. — O que me lembra... Tem uma folha com os meus escritos aí. Se pudesse me devolver agora, seria ótimo.
Seu sorriso vacilou. Deveria ter lembrado-se daquele detalhe antes de entregar o objeto à aluna - ainda mais após fazer tanto alarde para soltá-lo. Não que houvesse informações cabeludas expostas na folha, mas, afinal, ainda tratava-se de algo pessoal e, pior ainda, antigo. A última coisa que queria era alguém além de si mesmo assistindo seu ápice de romantismo e melancolia em palavras. — Er, claro? A Keiwang faz um clima de suspense rondar as pessoas, como se você nunca as conhecesse realmente de primeira. Algumas vezes, desenrola-se um drama, e outrora, terror. Achei certeiro porque, sinceramente, eu nunca sei o que devo esperar trabalhando aqui.
[haeunot]
— Eles quererem nos matar, é um complô que fazem com os pais para sairmos completos malucos daqui. — Disse com frustração, mas balançou a cabeça tentando afastar sentimentos entediantes demais. Não era uma garota desesperada e não começaria a ser agora. — Eles são todos delinquentes juvenis, muitos deles deveriam estar em… Sei lá… Em uma cadeia, sabe? Existem pessoas que mataram alguém, eu sei disso. São perigosos. — Falava com convicção devido algumas historia que já tinha escutado. Alguns falavam abertamente sobre o assunto, não era exatamente alguém que acreditava em tudo que ouvia, mas soavam verdadeiras demais. — Eu só… Sen, eu só bati um carro. Não que eu dirija mal assim, foram só as circunstancias, okay? E meu pai é um filho da p- — Mordeu o lábio se contento e sorriu como se nada tivesse acontecido. — Oops… Ele não é um homem legal. — Tentou se corrigir, balançando a cabeça. — Aigoo, não existe privacidade mesmo. Mas irá pensar no que eu disse, huh? Huh? — Juntou as mãos em uma tentativa de convencê-lo que era inofensiva o suficiente para que ele emprestasse o celular.
— Primeiro, você precisa se acalmar. Tudo bem que estamos em uma instituição que possui muitos adolescentes... Complicados, mas, se você acredita mesmo que todos os alunos daqui além de você são delinquentes, está apenas deixando as coisas mais difíceis para si mesma. — Seu tom, apesar de convicto, era suave, porque sentia que devia dizer aquilo à Haeun sem machucá-la. Não a culpava por pensar daquela forma sobre a Keiwang e seus discentes, mas alguns componentes de sua fala pareciam tornar a situação mais dura para eles de forma que ela mesma pudesse ser salva. — Coloque-se no meu lugar: acha que é mais fácil acreditar que exista só uma exceção à regra, e que você seja a única que está aqui graças à uma situação do tipo? Ou que o sistema tenha seus pontos fracos e, por isso, acabe admitindo alguns alunos por engano? Não estou duvidando das suas palavras, mas não exclua a oportunidade de outras pessoas serem ouvidas também, huh? — Sorriu um pouco, os olhos mirando-a quase que com compaixão, no intuito que suas palavras soassem menos duram do que realmente eram. — Sou um simples professor, então não tenho como tirá-la daqui agora, mesmo se quisesse. Ainda assim, insisto em ajudá-la como puder. Não que isso vá lhe trazer algum benefício sobre os outros estudantes, mas é sempre bom ter alguém do seu lado, não é? Se eu acreditar na sua sanidade, há menos chances de você sair daqui louca, o que acaba com o plano inicial de te colocarem aqui. Que tal? — Mostrou os polegares para ela enquanto fazia uma expressão vitoriosa. — Ah, e sobre a internet: não vai rolar, mesmo.
[nam-lina]
— Isso… Os que são super altos, verdes, que tem olhos pretos e um cérebro gigante. — Acrescentou assentindo para o mais velho, se segurando para não rir diante da conversa absurda que estavam tendo. Lina não acreditava em nada disso, mas seu bom humor costumeiro deixava difícil para a garota não brincar com tal assunto. — Já imaginou uma invasão deles? Do tipo “viemos em paz” — Debochou com um riso alto, fazendo uma careta por fim, voltando logo em seguida ao tom de deboche. Jamais poderia imaginar uma conversa tão divertida com um docente.— Ser amigo de um alien não me parece uma má ideia!
Se forem os que estamos descrevendo, não parece mesmo. — Cruzou os braços e acenou com a cabeça em confirmação, como se considerasse aquele cenário absurdo em sua mente. — Eles podem até vir em paz, mas suspeito que os humanos não os receberiam com o mesmo sentimento. Sabe como costumamos ser com o desconhecido, agindo de forma violenta com aquele discurso passivo agressivo de que é por um bem maior. Só de pensar no que fariam com os pobres aliens, omona... Agora eu me sinto um péssimo amigo.
[witchyo]
“Mwo? Não mesmo, seonsaengnim. Não tenho intenção de pedir nada em troca. Apenas vim aqui para ajudar. Esse é meu trabalho.”
Estou um pouco desacostumado com alunos que fazem o bem sem querer algo em troca, então peço desculpas. Neste caso, aceito o chá! Estou precisando mesmo... E, por curiosidade, qual exatamente é o seu trabalho?
— Não, não, nem pensei nisso. Eu provavelmente sou seu “oppa”. Pensando bem, talvez tenha razão. Nunca se deve subestimar esses estudantes. Já ouvi boatos de algumas coisas absurdas que passaram pela revista inicial. Quando cheguei, eles abriram até os meus livros para ver se havia algo dentro deles. — Riu um pouco, incapaz de sentir-se entretido com a situação. — Ah, que pena. Eu sou ótimo em dividir as coisas, e gosto de beber, sim. Talvez você se sinta mais motivada se pensar nisso como uma troca de favores, embora não tenha certeza do que possa te dar agora, haha. Nunca se sabe. Mas, falando sinceramente, acho que não tem muito sentido pegar as coisas. Uma das melhores parte de sermos funcionários não é a liberdade para sair e comprar o que quisermos?
[yvjinn]
“Sua eomeoni parece ser um pouco mais iludida do que a minha, deve ser algum tipo de mal de mãe. Não precisa se preocupar com situação nenhuma, seonsaengnim. Eu prometo que não deixei nenhum estudante morto em nenhum canto daqui, se caso encontrarem alguma coisa eu não tenho nada a ver com isso,” observou o lenço estirado em sua direção por alguns segundos, decidido a não pegar o mesmo, mas o sangue que escorria fazia o efeito diferente e ele pegou em contradição a si mesmo. “Yah, eu já estou acostumado.”
“Vendo você assim, acha mesmo que eu estou preocupado com os corpos deixados por aí agora? Não, obrigado. Isso é trabalho da inspetora. Eu dou aulas de Literatura e, como pode ver, me meto nos assuntos alheios às vezes. Bae Joong Ki, muito prazer.” Tentou não parecer tão vitorioso quando o rapaz pegou o lenço de sua mão. Apesar da curiosidade sobre a figura lhe ter sido imediatamente despertada [”mais um aluno excêntrico”, pensou], ele assistiu os próximos segundos sem abalar-se, como se participar de uma cena como aquela fosse algo rotineiro em sua vida. “E o que você costuma fazer quando isto acontece? Sangra até desmaiar?” Estreitou os olhos, em uma acusação meio humorada e meio preocupada. “Aliás, você tem algum problema com os enfermeiros daqui? O que conheço não parece ser do tipo que dá advertências de graça. Se quiser, posso acompanhá-lo até ele e dizer que foi um acidente.” Continuou a encará-lo, desta vez cuidadoso, como se estivesse preparado para tudo o que poderia seguir-se a partir dali - desde vê-lo cair até convencê-lo a ir onde menos queria.
[jnyian]
As minhas mãos são o meu referencial? Pensei que elas ficassem escondidas com as luvas, mas que bom que não é a minha altura, fico até mais tranquilo, se quer saber. Isso não é o suficiente para me descrever, mas vamos imaginar que seja eu. Não pensei que os alunos perdessem o tempo deles falando de mim para os professores. Pelo menos ninguém falou mal de mim até agora, uh? Eu fico lisonjeado, sunbae. Não posso julgá-los neste caso, eu fazia o mesmo na minha época de colegial.
“Sunbae”? Ani, estamos nos dando bem. Pode me chamar só de Joong Ki ou de hyung mesmo. Eu nem acho que se tratava de uma perda de tempo, já que foram comentários passageiros, mas, ainda assim, acredito eles que se referiam a você. Um dos critérios usados, pelo menos, se encaixa muito bem. Fazia? E com Literatura? Wa... Você acabou de estragar a imagem de estudante ideal que eu tinha.
[spacexrupture]
Tinha estendido a mão e o encarou com olhos mais afiados do que deveria, afinal, Joongki ainda era um docente naquele lugar. Mas ouvir a pergunta, ela sorriu. “Basicamente não fazer nada que eu faço com os meus.” Abriu um sorriso que beirava o cínico, mas ao mesmo tempo estranhamente divertido e inocente. “Não dobrar orelhas, não marcar, não apoiar canecas de chá ou café em cima, não abrir demais, não apoiar aberto virado para baixo e… Esqueci algo?”
Muito engraçada. Só o fato de você saber quais são as regras já me deixa satisfeito, então pode pegar. — Voltou a oferecer o objeto, desta vez permitindo que ela o roubasse de si. — Outra coisa a ser lembrada é que você não deve emprestar para os outros, ou pelo menos não sem o meu consentimento, mas não acho que é pra tanto também. — Franziu o cenho, reconhecendo o próprio exagero com a situação. Ainda que se tratasse de algo “especial”, nunca chegou a negar seus livros à alguém, sobretudo alunos. — Se ele voltar inteiro, e você estiver interessada em outros do tipo, posso mostrar o resto do meu acervo. Eu trouxe boa parte dos meus xodós de suspense para a Keiwang. Achei adequado para entrar no clima.
[spacexrupture]
“Bem, eu ao menos tentei.” Ela deu uma risadinha bem humorada, nada surpresa com a reação do professor e esperava que isso fosse óbvio. “Mas aceito emprestado mesmo assim, seonsaengnim. Ainda tá de pé essa parte, né?”
Ah. Claro, claro. Aqui. Eu iria ler ele de novo agora, mas posso fazê-lo quando me devolver, sem problemas. — Bae estendeu o livro na direção dela e, antes que a outra tocasse o objeto, ele fez um movimento repentino de recolhê-lo, lembrando-se de completar: — Você sabe o que não deve fazer com o livro mesmo que eu não diga, certo? — Estreitou os olhos, com todas as suspeitas à mostra. Para alguns amantes de livros, emprestar um de seus pertences pode se tornar algo mais sério do que o necessário, e com o professor não era muito diferente.
[cha-yeonwoo]
— Acho que há uns quatro anos… — Respondeu sincera, olhando de solsaio para o outro, ainda entediada com toda a situação, mas isso não era novidade para a mulher, essa era provavelmente seu único sentimento constante. — Eu espero que sim, ficar passeando pelos corredores vai me matar, nem uma garrafinha de tequila eu achei para confiscar e guardar pra mais tarde, chega a ser deprimente.
— Oh, sim. . — Conteve o suspiro de alívio que queria escapar diante daquela resposta, chegando apenas a balançar a cabeça em compreensão indiferente. — Não encontrar algo não significa que você está fazendo seu trabalho de inspeção muito bem, embora? Deveria se sentir orgulhosa, eu acho. Mas, se acabar achando algo interessante, não vou me opôr caso queira dividir com os colegas.
[boolaughs]
Os médicos falaram que eu devo evitar doces, mas é tão bom! Eu vivo pedindo para a ahjumma do refeitório… E, uh, você não ouviu isso de mim. Aceita uma bala, seonsaeng?
Talvez os seus médicos estejam certos, mas, eu mesmo não ouvi nada. E, se eu aceito: depende, o que você tem pra mim aí? Não sou um fã de chicletes.