“Quando estiver meio distante, não precisa falar nada, nem sempre sei explicar aquilo que me acontece. Às vezes as palavras são só palavras, e mais atrapalham do que ajudam. Você pode só me abraçar, pegar minha mão, me dar colo. Eu não quero saber que você me quer, quero sentir. Quando a insegurança me visitar, só fique comigo, me faça sentir que não preciso fazer tudo sozinha. Sei que posso parecer independe, durona, até desligada, mas não é bem assim. Se sentir medo, só me embrulha nos teus braços, eles serão minha melhor armadura. Às vezes vou sair dos trilhos, vou parecer triste, zangada, mas é só um momento, eu prometo. Acontece que todos esses momentos também formam parte daquilo que sou. Se sinto vazio ou transbordo felicidade, todas essas sensações são minhas, sou eu. Só que não costumo mostrar tudo, fica ali, meio escondidinho, só consegue perceber quem repara. Uma lágrima escorrega enquanto olho a janela do ônibus, outra quando estou no me quarto, mas sozinha. Não desmorono para todos, são coisas tão minhas, tão íntimas. É que eu me acostumei a ser a única pessoa que me acompanha sempre. Sou aquele que habita nas montanhas, que fez seu lar nos lugares mais inóspitos. Mas não quero ser sempre assim, então pega meus trechos, aqueles retalhos de toda minha intensidade. Me faça sentir aconchego. Me abrigue. Fique. Um dia vi por aí algo assim: “Não quero saber que você me ama, eu quero sentir”. Não fale nada não, só me enrosca, me cola junto ao teu peito. Me faz acreditar que os invernos passam, eu sei que eles não duram, mas às vezes fico manhosa e quase duvido. Junte minhas certezas, elas estão espalhadas pelo caminho, mas ainda existem.”
— Nina Benavídez











