TOC. Se tocar, lave...
Caso toque, lave as mãos,
Com minúcia e destreza.
Coloque (comprovada e generosa)
Quantidade de sabão
(líquido, para a ocasião)
Em ambas palmas das mãos.
Garanta o contato com o produto,
Fechando os olhos para observar
Com precisão seu tato gelado.
Em seguida, absorva pela vista
Sua forma liquida e pastosa.
Quando por fim souber,
Com total e absoluta certeza
Que tens sabão suficiente
Nas duas mãos,
Esfregue-as com exatidão.
Encruzilhando os dedos,
Como quem simula mãos dadas
De dois namorados numa despedida.
Deixe a espuma passear lentamente
Até por encima e debaixo das unhas,
Acariciando levemente as cutículas.
Os lados também não devem ser esquecidos.
Esparrame o líquido, abundantemente,
Pelas laterais. Não se esqueça de nada.
Nem das beiradas, e frestas das linhas.
Lembrando que na palma de sua mão,
Também mora sua história.
(¨Que destino terás?
Morrerás antes de fechar a torneira?¨)
Não pense em coisas desnecessárias.
Concentre-se na perfeição do seu ato.
Esfrega, esfrega e depois vem a segunda parte.
Enxague, com a certeza de que a água corrente
Domina com velocidade todas as células das mãos.
Eliminando completamente o deslize,
Pelo qual brincavam gotículas lubricadas.
Feito tudo isso, feche a torneira,
Enxugue as mãos em sua toalha pessoal.
E sinta por segundos a lúgubre sensação
Da falsa conclusão.
Em seguida, repita o ritual,
Ao menos três vezes.
Ou quanto seu cérebro obsessivo exigir.
Ou até quando suas mãos desfalecerem.
TOC.
Se tocar,
Lave...(14 de junho, 2020)













